sexta-feira, 25 de março de 2022
A CHUVA, O MOTOQUEIRO E A ROUPA DE ANO NOVO
sexta-feira, 18 de março de 2022
A raiva nas ondas do Whatsapp
Eu não sei em que isso vai dar, mas é uma experiência, uma percepção da leitura de algumas frases que ecoaram como irritadas, enraivecidas.
Primeiro vem a experiência, melhor, a vivência. A cliente, o cliente, entra em contato com a empresa através do Whatsapp. Eu, por crer que preciso oferecer uma resposta imediata, em respeito a quem nos procura, ajo no sentido de, no máximo, em 10 minutos lhe oferecer a atenção e a resposta ao que a pessoa quer: informações de algum serviço e o orçamento.
Nesse ramo, o da limpeza de estofados, colchões, carpetes, etc. Como da impermeabilização de tecidos utilizados em movéis, tem todo tipo de empresa, tudo que é preço e qualidade dos serviços. Não deixa de ser uma comoditie, onde não há escassez.
Os preços cobrados pela empresa que atuo como orçamentista em João Pessoa, a Safe Clean, nem é a mais barata e nem a mais cara. Na maior parte das vezes, o preço é médio.
Muita gente, muitas pessoas no acionam e depois silenciam. Há uma ação chamada de Follow Up, eu a uso buscando achar algum indeciso, mas geralmente o resultado é pequeno, porque a maioria decide na hora. Faço o Follow Up de três modos. Algumas horas depois de ter passado o orçamento, no dia seguinte e uma semana depois. Neste caso tentando descobrir se o cliente fechou com outra empresa e o preço, o que é uma raridade informarem. Algumas respostas são simples, na maior parte ocorre o silêncio.
Ontem, fiz esse contato após uma semana. Essa cliente respondeu dizendo já ter feito o serviço e que nosso preço é muito caro.
Resposta objetiva, feedback perfeito. Pedi a ela que me dissesse o preço, veio o silêncio, comum nos contatos com Whatsapp. Mas naquela resposta veio algo mais forte, uma energia tremenda. Não sei por que, não é a primeira vez e fica no campo da intuição e da percepção. Bem, essa energia foi a raiva. Senti aquela mulher enraiveicida. Sensação que senti em outras oportunidades.
Mais que palavras, é a energia que elas transportam. Talvez essa experiência pessoal venha como um alerta, para as pessoas que se importam com isso. Zelar a própria energia psíquica quanto tiver de responder a alguém. É fácil perder o controle e ser grosseiro.
Fique ligado, para você continuar sendo dono da própria subjetividade, pois estamos entrando em nova ebulição da bestificação das nossas emoções.
Abraço,
Marconi Urquiza
sexta-feira, 4 de março de 2022
É Guerra, e não é de videogame
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022
Futebol e praia com o sol a pino
Nelson Lins Jr. na entrada da AABB de Recife, ele saindo e eu chegando.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022
MONARK E O CÓDIGO DE UMA CRENÇA
Código de uma
Crença
Quero dizer, antes de tudo, que
você não precisa concordar com estas palavras. Fique à vontade para
critica-las.
Não sei quantos tiveram a vontade de ler sobre o nazismo. A minha lembrança mais longínqua desse
regime político foi ao assistir a série Holocausto, de 1978. Naqueles episódios, o
que mais me chamou a atenção foi uma aparência de passividade da população que
foi dizimada.
Depois, talvez em 1979 ou 1980,
conheci uma professora, alemã, da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Em
uma das aulas, ela comentou que seu pai havia fugido dos russos durante muitos
meses, após a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Caminhou pelas
florestas do leste europeu até conseguir entrar no território ocupado, daquele
país, pelos Estados Unidos.
Vale a pena um adendo. Naquele
período, todo soldado nazista que fosse encontrado pelo exército da União
Soviética era fuzilado.
Após esse testemunho, fiquei com um
comichão, então certo dia me aproximei dela para fazer a pergunta que batia na
cabeça.
— Professora, por que seu pai foi
nazista?
Duas coisas não esqueci daquele
momento. A primeira foi a sua expressão de constrangimento e, finalmente, a
sua resposta:
— Não havia como não ser nazista.
Que situação é essa que não havia
uma alternativa para se viver?
Tal resposta, de modo inconsciente,
foi o gatilho para o desejo de me aprofundar nesse fenômeno político-social,
cujas implicações foram duradouras. Foram anos de interesse. Dezenas de
documentários, artigos, reportagens, livros, filmes. Tudo visto e listo com
avidez.
Nessa trajetória esbarrei com um
artigo da revista Veja que tratava de um ex-vice-presidente de uma grande
empresa. Bem, esse homem era fã das técnicas, táticas e modos de gerir nazistas.
Tal executivo foi demitido em algum escândalo envolvendo a privatização das
telecomunicações no Brasil, na época de FHC. Para mim essa afinidade do
executivo não é um fato fora da curva. Ouso dizer que as táticas nazistas,
fascistas e totalitárias continuam tendo eco mundo afora desde então.
Aí, vários anos atrás assisti ao
filme-reportagem de nome “Caçando Eichmann”. Trata da captura do oficial da SS
nazista, em Buenos Aires. Adolf Eichmann, coronel que liderou todo o transporte
dos judeus húngaros para o Campo de Extermínio de Auschwitz.
Depois do filme, li o livro
correspondente e saí lendo outros livros. O curiosidade foi tanta busquei um
escrito por Hanna Arendt: “As Origens do Totalitarismo: Antissemitismo,
Imperialismo e Totalitarismo”. Neste livro, há na bibliografia a citação de outro de
sua autoria. Foi assim que esbarrei no mais famoso livro dela: Eichmann em
Jerusalém – um relato da banalidade do mal. Este livro marcou muito, deu-me um
sentido de observação que propiciou ter percepções críticas para muita coisa.
O meu momento de vida, tempos
depois, era de questionamento de um certo “código de ética”. Assim, no
minúsculo, porque embora torto, era um código de conduta, amplamente
disseminado. Comecei a perceber que vivia em um ambiente em que as
ultrapassagens ao Código de Ética ideal, às normas de conduta e as de negócios
eram incentivadas. Até as leis eram banalizadas. O código real e influenciador era outro: Entregar o número de
qualquer modo. Só entregue. O recado era um só: isto é o que vale, isto é o que
é importante.
Alguns anos depois, comprei o último
livro a respeito do nazismo e com ele encerrei a minha leitura sobre o assunto.
Pois bem, foi o estudo, intitulado de
“Crer e Destruir – Os intelectuais na máquina de guerra da SS nazista”. Nele um
pesquisador francês estudou com profundidade 99 oficiais nazistas.
O primeiro ponto daquela leitura
foi: A seleção dos oficiais pela SS. A maioria tinham curso superior, mestrado
e até doutorado. Não eram incultos, como muitas narrativas que os apresentou
após a guerra. Como se para se justificar a brutalidade dessas pessoas.
O outro ponto, foi a Construção da Crença. Uma vez tudo
assimilado que faziam a coisa mais certa do universo, fazer aquelas
barbaridades não lhe infligia nenhuma dor, culpa ou remorso.
Algum tempo depois, vi o filme que
discorreu sobre a reunião que decidiu como executar mais rápido os judeus. O
“convencimento” para a Solução Final. No filme, em certo momento um general do
exército discordou. Ali haveria de haver unanimidade. O general que comandava a
reunião, após as devidas regulagem intimidatórias, falando em nome de Hitler,
obteve o voto do general “recalcitrante”.
Cinco, seis anos atrás, apareceu no
canal History Chanel um documentário, em vários episódios, intitulado de Códigos
Nazistas. Deixei de lado qualquer resenha sobre tal documentário, são vários
códigos. Mas vou colocar a minha interpretação. O Código Nazista, como qualquer
código de uma sociedade, de um grupo de pessoas, mesmo distantes fisicamente,
os faz sentirem-se pertencentes a um tipo de agrupamento. Grosso modo, seria
como um agrupamento “espiritual”.
Então, no código nazista, certas
palavras de Hitler se transformavam em palavras-chave, em crença, ordem e
execução, sem que se ouvisse um “faça” imperioso. A Solução Final foi uma
dessas palavras-chave.
Vamos para o presente. Nos tempos em
que se filma tudo, o que ocorreu na semana passada em Recife (29.05.2021), em Trindade, Goiás.
Das queixas-crime em razão de críticas postadas na mídia e nas redes sociais. Inquéritos
abertos para intimidar, com base na Lei de Segurança Nacional.
Em Goiás, um homem foi preso por um policial militar e levado à Polícia Federal para ser autuado com base na L.S.N.
e depois liberado por que não havia crime. Em Recife, a Tropa de Choque da
polícia atirou contra uma manifestação política ordeira, sem nenhum tipo de
provocação, sem nenhum tipo de desobediência à ordem policial, sem nenhum tipo
de desobediência a uma lei.
Vou esticar a minha reflexão. Aquele
soldado obedeceu ao quê e mais relevante: a quem?
O comandante que autorizou a ação
recebeu alguma ordem superior para reprimir? Ou há outros objetivos? Colocar
medo? Provocar o refluxo de outras manifestações pacíficas? A quem ele servia?
Nas duas situações. Agiram por conta
própria ou há uma rede de comando? Ou há uma rede de comando mental motivada
por uma crença que isso é o que deveria se fazer?
Assim foi no auge do nazismo, todos
obedecendo ao mínimo desejo de Hitler, mesmo que não fosse manifesto. De uma dependência
de agradar, acolhido pela crença comum
que servia ao seu líder. É possível que esse seja o Código que esteja por trás
das duas ocorrências aqui relatadas.
Dezenas de manifestações pró, uma
contra. Faço, como minhas, as palavras da repórter Bianka Carvalho, da TV Globo, ao perguntar a um importante dirigente do Governo de Pernambuco: Há uma polícia
dentro da polícia?
Bem, estas são as minhas ponderações, peço as suas.
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022
Como se fosse o dono do tempo
Tempos atrás eu escrevi a crônica Escritório de Conversas Avulsas, que era na farmácia de papai em Bom Conselho. Hoje imagino que aquele comércio era muito mais que atender os clientes, lhes vender medicamentos, fazer curativos, aplicar injeções, orienta-los em alguma dúvida, poderia se dizer que praticava o que hoje se diz como marketing de relacionamento. Mas isso é resumir a dimensão de tudo que ali ocorreu anos a fio.
Veja, há uns quatro anos eu fui para uma festa popular que é o Carnaval de Zé Puluca. Evento que ocorre em Bom Conselho no domingo anterior ao carnaval oficial. No sábado, daquele ano, se organizou a saída de um antigo bloco de carnaval da cidade, coisa da saudade, o Xipê. O nosso esquenta ocorreu na casa da viúva de Arcôncio Camboim, dona Socorrinho Guerra. No meio da conversa veio um dos filhos do casal, não lembro o nome, e me disse mais ou menos assim:
— Papai só chegava da fazenda, almoçava e já ia para a farmácia do seu pai. Como ele gostava de ir lá.
Eu fiquei contente, a minha reação foi tímida e a surpresa sincera. Na semana passada eu recebi um áudio de Luiz Clério, o editor do jornal A Gazeta, de Bom Conselho, noticiando, quase de imediato, uma situaçao que tinha ocorrido minutos antes.
A notícia me fez viajar para a adolescência, as lembranças chegaram como estivesse vivendo aqueles momentos.
Era quase sempre uma hora da tarde. Melhor é dizer, depois do almoço. Era frequente eu vir cobrir papai na farmácia após o meio-dia. Papai que tinha o hábito de cochilar à tarde, saia do comércio e nos colocava para ficar tomando conta dele até perto das três da tarde.
Quase todas as vezes, ao chegar ele já estava sentado, na cadeira vizinha ao balcão em L da farmácia. Já estava com o primeiro caderno do jornal aberto e os outros protegidos sob a sua perna.
Quando eu lia aquele jornal, li saltando as notícias, apenas as que me interessava mais, um pouco mais demorado no caderno Viver. Ele, não, lia metodicamente tudo, tudo. Cada linha, cada palavra. Quase sempre sem conversar, poucas palavras. Respondia aos cumprimentos e voltava à leitura.
Duas horas depois dobrava o Diario de Pernambuco e o devolvia. Se levantava, ia até a entrada da farmácia e ficava por lá alguns minutos observando o que se passava na rua. Depois devagar ia para a calçada, atravessava a rua e subia a praça como se fosse dono do tempo.
De fato foi, viveu lúcido e bem até os 95 anos.
Esse leitor foi o Naduca, Arnaldo Cavalcante de Miranda.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2022
O tempo faz refletir
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