Preste atenção nos olhos das pessoas acima, quando terminar a leitura volte a observá-los.
Pois bem, um amigo sugeriu escrever a respeito. Para não cometer a suprema indelicadeza para quem sugeriu o tema, não vou chutar o nome, mas agradeço de antemão.
Bem, quando recebi a sugestão de olhar as pessoas mascaradas eu demorei iniciar a observação, tanto rememorando os encontros pessoais, quanto nos encontros nos quais passei a ter mais atenção.
Então no começo dessa semana eu me lembrei da sugestão e comecei a prestar atenção nas pessoas usando máscaras.
Deixa ver meus pontos de observação, somando-se os casos de memória ao desta semana: Lava-jato, duas vezes; supermercado, duas vezes; academia, quatro vezes; farmácia, uma vez; clínicas e laboratórios, quatro vezes; fisioterapia, quatro vezes. Andar na rua, dezesseis vezes.
Voltei a fazer os exames de rotina, que estiveram retidos. São nesses ambientes onde ocorrem as maiores concentrações de pessoas, em termos de proximidade e de circulação de ar. Quase todos os locais foram projetados para ter ar condicionado, então a circulação do ar natural é bem restrita.
Um mês atrás, creio que no sabor da sugestão recebida, ao acordar, veio-me a ideia de escrever um conto, mas um conto a gente inventa uma situação. Observar a realidade dá mais trabalho, exige mais sensibilidade e saber o que se quer buscar. No nosso caso, os olhos, já que grande parte do rosto está coberta pela máscara. Como se sabe, o corpo fala, ele é tão expressivo quanto a voz, quanto os olhos. No meu caso, é mais difícil observar os sinais do corpo, alguns são mais fáceis, por exemplo: notar uma pessoa tensa, mas de modo geral não capto bem as suas mensagens.
Por um desses apertos da vida, eu comecei a prestar muita atenção nos olhos e nas expressões faciais das pessoas com as quais eu conversava. Hábito que se reduziu quando me aposentei, perdi muito da minha acuidade.
A máscara, essa nova indumentária para o brasileiro, que se somou, neste momento, aos demais itens que vestem o corpo.
A diversidade de cores, modelos, tecidos, a variedade de máscaras é enorme. Tem gente que não faz a higienização das suas, vão acumulando. Algumas cores, as escuras, permitem à pessoa repetir o uso várias vezes, pois a sujeira demora a aparecer, quebrando o princípio fundamental para o uso de uma: a proteção; também pela higiene da mesma.
Algumas pessoas começaram a combinar as máscaras com as roupas, com a maquiagem, com o penteado, transformando-a em item de moda. Isso é muito legal, se vier acompanhado do cuidado com a sua higiene.
Várias pessoas não se adaptaram, e a que se deve? Tipo do tecido que não deixa a pessoas respirar bem? Especialmente os tecidos elásticos. Outro ponto, o modelo, o tipo do elástico que machuca a orelha, o tamanho, maior para o rosto, que faz a máscara arriar e as pessoas a colocam na posição pegando na parte frontal e não nos elásticos.
Tem um aspecto danado, nessa falta de adaptação: a falta de aceitação do óbvio.
Sabe, dias desses eu fui fazer uma reclamação na academia e ao falar os olhos da atendente brilharam, interpretei que ela havia absorvido a minha queixa, pois a empresa tinha lançado um aplicativo e eu não estava podendo usar por causa do meu cadastro desativado. Pedi, voltei uma semana depois e o cadastro continuava desativado.
Erguer as sobrancelhas, olhar de lado, os olhos escurecem, ou não têm expressividade nenhuma e etc. Agora é possível observar melhor, mas creio que não ocorra com facilidade, pois estamos ainda presos aos aspectos de observação de antes da pandemia. Um sorriso bonito é sempre cativante, mas muitas vezes ele não chega aos olhos, fica ali mesmo, só nos lábios.
Mas esse amigo que sugeriu este tema, por ser dado a tiradas bem humoradas, disse que agora todo mundo é bonito, pois a máscara esconde a parte feia do rosto.
Será?
Olhe a fotografia, veja as diferenças nos olhares. Se notar, comente.
Abração,
Semana Iluminada.
Marconi Urquiza
Link da fotografia de abertura