terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Os dois natais.

Feliz 2020


Há algum tempo eu gostava de dizer que lá em casa,  casa dos meus pais, tinha dois natais.
   
O Natal de dezembro e o Natal da Semana Santa.

O Natal de dezembro era festivo, colorido e cheio de amigos. O Natal da Semana Santa me parecia mais só da gente. Fazíamos as refeições todos juntos, da quinta ao domingo de Páscoa. Sentia que naqueles dias a liga familiar era maior.

O Natal de dezembro eu aguardava ansioso,  presentes de natal, roupa nova, aquela fugidinha para beber cerveja com os amigos escondidos dos nossos familiares.

No Natal da Semana Santa não tinha parque,  era mais comprido que o outro Natal.  No meio, havia, invariavelmente, o trabalho na farmácia de papai. A viagem para Recife no domingo.  A saudade plantada no sabor do bacalhau. 

No Natal de dezembro eu gostava de sair de casa logo após o jantar. Percorria as ruas olhando as luzes,  simples, que iluminavam o quadrilátero da Praça Pedro II. As barracas,  o som de Bosco Presideu tocando os sucessos de Roberto Carlos e as vinhetas de desejo de bom natal e ano novo das empresas  de Bom Conselho. 

No Natal da Semana Santa ainda dava para jogar um bolinha no Clube dos 30 na quinta-feira. Naquele encontro de amigos que ficaram com os que saíram da cidade.

E no Ano Novo? Na Semana Santa não tem a virada para o novo ano, só os mais fiéis católicos buscavam encontrar a Aleluia. O simbolismo cristão para encontrar Cristo.

Dois dias depois do Ano Novo, a realidade já batia à porta, às vezes apagando tanta festa,  tanto amor.

Pois bem, já para encerrar esta crônica eu me lembrei de uma frase que iniciei outra crônica, inacabada. 

Eu pensei que era só lembrança,  mas era saudade, que virou lembrança da saudade sentida.

Feliz Ano Novo. 

Abraço,  
Marconi Urquiza. 

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