sexta-feira, 30 de abril de 2021

TANGENDO BOI



                                       A Fábio Ceará. 
  
          Mexendo no estoque de papéis velhos, vez por outra acho alguma pérola. Desta vez fui atrás de um caderno para anotar alguma coisa de umas aulas de vídeo e achei uma pequena crônica. Li com os olhos críticos e sevemos dos dias hoje. Nessa primeira releitura em anos, nada enxerguei naquelas poucas palavras algo que valesse a pena. 
       Quando penso que quase não se consegue rir, pois o ambiente é de dor, de expiação e de pessimismo. Olhar através da janela e ter uma visão, mínima que seja, de um horizonte menos cinzento, é quase um milagre ou um imenso esforço de otimismo.
       Há pessoas  que são vampiros, sugam a nossa seiva, pois só assim vivem, se nutrem da nossa angústia. Só que no momento atual, isto vem em escala "planetária". É um imenso sugador de energia boa para alimentar uma central ou um buraco negro nacional que come a energia das nossas almas.
       É assim, mesmo que neguemos, ou mesmo que não consigamos sentir ou ver.
       Mas aquele velho papel, da crônica, me levou a alguns anos em que a alegria, o bom humor, o compadrio e o companheirismo, enfim, a amizade de todos os lados que era capaz absorver até a maior chatice do universo. Tudo isso, por incrível que o senso comum nas empresas creia ao contrário, ocorria junto com muito lucro e notas altíssimas de desempenho.
       Pois bem, a crônica original:

    TANGENDO UM BOI
   
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             Tem uma turma que não perde a piada e nem a oportunidade de fazer uma. Recentemente me narraram uma grande metáfora.
            Após a escolha do novo líder da ECOA*, as festividades de uma agência cresceram de modo exponencial e se tornaram mais gostosas e repletas de comida. Muita comida, muita mesmo.
            Não há esse negócio de regrar comida, tudo que se refere a comida nas festas têm o signo da fartura.
            Aí um colega mais espirituoso saiu-se com essa:

           - Sei não! Jota fez acordo com o Batalhão de Trânsito.
           - Mas como? Para quê? - Indagou espantado outro colega. 

           - Para levar a feira mensal em casa.
           - O quê? Ôoooopa, endoidou!
           - Só pode! Só de carne é uma enormidade, pois o boi ele leva tangendo pela rua.


Ótimo final de semana

Abraços,
Marconi.
                                 16/11/2011 - 18:36
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*ECOA - não lembro exatamente dos termos da sigla.
(Tangendo = conduzindo)
 

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