Em um dos últimos sábados de 2018 me encontrei com o amigo
Nelson Lins Jr. na entrada da AABB de Recife, ele saindo e eu chegando.
Nelson Lins Jr. na entrada da AABB de Recife, ele saindo e eu chegando.
Conversamos menos de um minuto e ele deu uma guinada no papo para observar que nem imaginava como uns peladeiros às 11:20h estavam jogando futebol no minicampo de grama sintética a uma temperatura perto dos 40 graus. Sem nuvens, sem boné, sem sombra. Com o sol a pino.
Na hora veio-me a lembrança de correr ladeira abaixo, de correr ladeira acima, de mal almoçar e sair de casa para ir ligeiro ao campo de terra poeirenta ver os clássicos do futebol da minha terra.
De pagar um ingresso e chegar aos estádios de Recife a uma da tarde para ver os jogos preliminares do futebol profissional do campeonato pernambucano na década de 1970.
De, na secura, juntos com vários colegas na AABB de Afogados da Ingazeira jogar duas, três vezes no minicampo corrugado aos domingos pela manhã. A vontade era tanta, que a primeira pelada começava às 8 da manhã e a uma hora da tarde a gente costumava voltar para a terceira.
Tudo isso sem protetor solar e na energia dos 22 anos.
Mas sol a pino enfrentou Cida, cuja secura por praia só não era maior que o próprio mar.
Se bronzear era brinquedo, era para ficar na cor de jambo, coca-cola, colorau misturado, e muitos outros produtos, todos inadequados para se bronzear e proteger a pele.
O sol a pino dela começava cedo e acabava no meio tarde. Todo dia, todo santo dia.
Cabular aula, cabular o trabalho, tudo para aproveitar o sol, rodeando a luz como um girassol, para que nenhuma marquinha não desejada ficasse na cor morena natural.
Era sol a pino.
Agora estamos mais cuidadosos, mas ser jovem, sem ter tido alguma aventura, é como chegar na velhice inventando história do que nunca fez.
(2022 - Atualizando o pensamento: Bem há outra formas viver a vida e contar a própria história.)
Abraço.
Marconi Urquiza.