sexta-feira, 17 de setembro de 2021

A aventura do passarinho dentro da casa

    Não se sabe o que atraiu o passarinho para aquela casa. Ele chegou, pousou sobre o muro e ficou observando. Dava um pio, outro, andou para um lado, depois voltou e após algum tempo levantou voo, mas não foi para longe, pousou em uma jabuticabeira que ficava no oitão da casa.

    Outros passarinhos também se aproximaram, a jabuticabeira carregada exalava o seu perfume forte, meio azedo, o chão estava forrado de frutos.

    O passarinho ficou por ali, quando os seus amigos da natureza chegaram ele foi para uma árvore sombreadora que ficava no jardim, no entanto, a sua curiosidade fez ele se fixar na casa.

    De dentro da casa se ouvia as vozes alegres das crianças, um converseiro de dá agonia, vez por outra a voz da mãe entrava disciplinando a confusão entre os filhos. O pai estava em outro cômodo da casa, mexendo em alguma coisa. Nem ele, nem passarinho se viam ou ouviam mutuamente.

    O passarinho, pequeno, se assustou quando um sabiá, maior que ele pousou por perto, ele, por precaução, mudou de galho. Em certo instante sentiu o cheiro de uma fruta aberta e seu o seu olfato o levou a mudar de árvore e ir para uma goiabeira. Ele deu algumas picadas na goiaba, se alimentou e saiu de perto daquele fruto, foi para uma árvore que ficava mais perto da casa.

    Lá na cozinha da casa a mãe preparava o café das crianças, ela abriu dois mamões papaia, limpou as sementes e os cortou em cubos e os colocou em um prato sobre a mesa da cozinha. Saiu para vestir as crianças, o pai passou pela cozinha, saiu pela porta dos fundos e foi fazer a limpeza dos tapetes do carro. Fazia diariamente para não encher o carro de areia e de barro, o vermelho, capaz de encardir tudo.

    Ali, na garagem aberta, ele viu o passarinho voar e pousar na travessa do teto da edícula. Não lhe pareceu que ele estivesse perdido.

    O passarinho parece que havia se decidido de alguma coisa. Ficou observando o homem, que o havia ignorado, olhou para a casa e ouviu de longe as vozes alegres das crianças sendo arrumadas e perfumadas pela mãe, para irem para a escola. Todos prontos, camisas por dentro das bermudas e com os cabelos penteados para trás.

    O passarinho pulou para um caibro e se aproximou da entrada da cozinha, deu dois pulos e ficou olhando para a mesa onde estava o mamão, depois se aventurou e voou, entrou na cozinha e pousou sobre um armário alto. Em segundos pousou sobre a mesa e deu uma picadinha no doce mamão. Foi neste momento que a cozinha se encheu, os três filhos chegaram junto com a mãe.

    Da garagem o pai ouviu os filhos gritarem e aquilo despertou a sua curiosidade. O que estaria acontecendo? Quando chegou na cozinha, os três filhos estavam correndo para a sala vizinha e depois para a varanda fechada por uma janela envidraçada. Eles queriam brincar com o passarinho, que queria fugir e voava de um lado para o outro na varanda, se encontrar uma brecha para sair da casa.

    Quando o pai se aproximou, ouviu da esposa: um passarinho entrou dentro de casa.

Aquele ser miúdo estava apavorado, um dos meninos quis pegar ele, mas o pássaro se esquivou voando entre as mãos.

    O passarinho olhava para todos os lados, mirou para o pequeno corredor e se preparou para voar por ele, foi quando o homem apareceu e frustrou a sua intenção.

    O pai das crianças ficou olhando aquela agonia do pequeno pássaro, que já estava cansado, por isso se aninhou no beiral de uma porta. Cauteloso, o pai andou até o janelão e abriu uma brecha. O bicho nem se mexeu. O homem ampliou a abertura, o passarinho permaneceu quieto. O pai abriu as duas folhas de vidro e escancarou a janela, deixando a brisa varrer a casa de ar fresco, mas o pássaro ainda ficou parado. Então alguém soprou para o homem: Sai daí, e ele se afastou da janela.

O passarinho olhou, sentiu o ar fresco chegando para respirar, viu a família agrupada no outro lado da varanda e se encheu de coragem. Deu um voo curto até o beiral da janela, piou e olhou para os gigantes humanos, virou as costas e foi pousar no galho mais alto da árvore sombreadora, de onde poderia viajar.

    A mãe chamou as crianças para tomar café. A janela ficou aberta e todos foram para a cozinha. Logo as crianças seriam levadas para a escola e os pais iriam para os seus trabalhos.

    No meio do café todos se voltaram para a porta dos fundos e perto dela, pousado sobre um balanço de cordas o passarinho dava seu show de canto.

    Dois dias depois ele voltou, ao ver a família reunida, se aninhou no beiral da janela lateral da cozinha e começou a cantar.

    No dia seguinte voltou e fez novo show matinal.

    No terceiro dia uma das crianças falou alegre: Olha pai, o passarinho é amigo da gente!

    A partir daí o passarinho foi recebido com água fresca e alpiste.

 


    Abraço, Marconi Urquiza


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