Hoje não tenho uma crônica, até tentei escrever os sentimentos que me tomaram o coração após a morte do amigo Sérgio Ribczuk. Ficou em amontoado de letras, abandonei a ideia.
Nem sei o que terei. Sem sei. Em 2007, como se quisesse limpar a alma das dores da morte de papai, em 1982, eu comecei a rascunhar um livro. Inventei tanta coisa, coloquei tanta história imaginada, pesquisei em vários livro sobre o coronelismo político e quatro anos depois, achando que a ideia estava madura, parei de escrever.
Encostei esse projeto, quase enterrei o desejo. Desde 2011 repousava em uma gaveta, ora em um armário e por fim, em um guarda-roupa todas as ideia para escrever O Último Café do Coronel.
Havia de tudo. Anotações soltas, um protótipo que imaginei que seria apenas reler e continuar. Três roteiros, uma enormidade de personagens, outro tanto de cenas e cenários. Tudo muito e tudo tão pouco.
2021, setembro. Fui reler o que escrevi entre 2007 e 2011. Na releitura, desisti mais uma vez. Mas em um dia de outubro, eu acordei com uma ideia, para minha sorte tinha comprado três cadernos, fáceis de manuseá-los e comecei. Segui uma ideia que me foi dita pelo escritor Raimundo Carrero. Por que não faz o narrador como um fantasma?
Comecei a escrever e dezoito dias depois eu concluía o rascunho de um novo livro, pareceu-me que todos esses anos a narração foi se ajustando, se juntando, se formando em alguma parte da mente. Mas não foi um livro de quem escreveu rápido, pois ele levou 14 anos e dezoito para ficar pronto. E é apenas o primeiro rascunho. Vários meses levarei para ter uma história arrumada.
Não é uma biografia, não é um romance histórico. É ficção, essa dádiva que permite mulheres e homens contarem e inventarem suas histórias e por vezes, ajudarem outras pessoas em suas vidas.
Sim, consegui finalmente largar as pesadas correntes que me prendia para falar dessa situação trágica que pegou todos da família, amigos e conhecidos e deu um nó nos corações dessas pessoas.
Por fim, um grande abraço.
Marconi Urquiza
