sexta-feira, 5 de maio de 2017

Meu encontro com Belchior

       


      Eu me encontrei pela primeira vez com Belchior em 1976 quando cantou "Sou apenas um rapaz latino-americano". Cantava diferente, quase declamava, como​ em uma poesia, o modo diferente causou uma estranheza imensa, mas as suas letras tocaram meu coração, eram músicas que diziam algo para meu espírito.

        E esses encontros se sucederam porque virei fã, comecei com a mesada comprar seus discos.

        Quando vim morar em Recife, vindo do interior, de Bom Conselho, aqui no Pernambuco, os poucos happy hour eram cult, pois eram regados com as canções de Belchior, sentávamos na frente do prédio, com aqueles tira-gostos poucos e simples que a grana de estudante podia pagar, regada pela mesma falta do money que fazia com que cada copo de cerveja fosse muito devagarinho bebido para a festa não acabar cedo. 

       A partir de 1980, 1981 pareceu que ele sumiu do radar e não acompanhei mais seus lançamentos. Aí em meados de 1997 eu vi um lançamento dele, já em CD, aqueles sucessos com novos arranjos, que me deu um certo desgosto, ele havia acelerado o ritmo das canções, algumas ficaram boas, outras me soaram ruim. Mas guardei, tenho até hoje o CD.

         Não lembro qual ano, se 1998, se 2000, não lembro. Estava em São Paulo, aguardando um voo para Belo Horizonte ou para Brasília, mas é detalhe menor. Estou zanzando pelo Aeroporto de Congonhas, depois de passar pelo paraíso, a Livraria Laselva, me impaciento e saí andando de novo, aí vejo Belchior, sem fãs por perto, indo em um guichê, depois noutro, aí ele caminha em minha direção, eu reduzi a passada, até pensei: como ele é baixinho, sabe, me deu aquele nervoso e quis dizer:
      "Ei Belchior, como ouvi suas músicas, como eles me encantaram, como elas foram importantes na minha vida".

       Não disse, a timidez foi maior.


       Mas agora eu vou dizer e peço uma brecha no universo que leve para sua alma:
      "Ei, Belchior, rapaz! Você não sabe como fui feliz ouvindo suas canções. Tu sabe que eu ainda tenho uns disquinhos lá em casa? Sabe não! Pois eu tenho e faz 40 anos."


        Vai com Deus macho!
Marconi Urquiza.
       

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