sexta-feira, 27 de maio de 2022

A p..... tomou gosto por sangue


            Ontem, ao ler uma newslatters de Leandro Demori (jornalista), intitulada A Grande Guerra, passou por minha mente uma série de recordações, reflexões e pensamentos que haviam se repetido ao longo de muitos anos. 

        Quando Leandro Demori escreveu que certa corporação policial da União tomou gosto pelo sangue, eu pensei e fiz analogia com uma corrupção de valores, em que cumprir regras, ser honesto, tornou muitos conhecidos "não confiavéis". Onde ser confiável era fazer o jogo, aceitar as novas regras - não regras, atender aos interesses dos superiores, mesmo que se ferrasse, se fosse pego.

        Muitos anos se passaram de uma reportagem, onde cerca 0 de 15 funcionários públicos, que atuavam em Foz do Iguaçu, foram presos sob a acusação de corrupção. Tempos depois outros tantos servidores em Pernambuco foram acusados de cobrar "toco" de motoristas. 

        Estes dois casos ilustram circunstâncias aonde ações da organização, de certo modo, limpam uma entidade de maus funcionários.

        A entidade pode ser uma empresa, uma organização social, etc. De certo modo, ações assim, podem não ser fáceis, mas são muitos mais fáceis de serem feitas do que corrigir um modo de agir que se transformou em uma crença.

            Vou trazer dois conceitos de crença e que  para mim, eles se complementam no âmbito desta crônica. 

    Conceito 1:

        Aquilo sobre o que se considera verdadeiro: crenças ideológicas.

    Conceito 2:

        Convicção íntima; opinião que se adota com fé e convicção; certeza.

        Primeiro se acredita que a mensagem que recebe e ação que se desencadeará é útil, boa, depois intimamente, o pensamento se transforma para a certeza que o que se fará é fundamental para o êxito da corporação. Mesmo que o discurso ocorra que ela vai limpar a sociedade ou vai servir ao grupo, ela adquiri um caráter de auto justificativa para cometer abusos. 

        Muitas vezes a alma é corrompida inicialmente com vantagens, com a alimentação do ego, com a exaberbação da vaidade e muito mais, quando age para o indivíduo se sinta como partícipe importante do grupo. 

        O outro lado também é comum. Houve a recusa, passa a não ser confíavel, não por falta de honestidade, mas por que pode ser um elemento que venha a vazar os mal-feitos.

        Então, por que essa corporação tomou gosto pelo sangue? Não sei dizer exatamente, o que carece de um estudo para saber. Mas  se pode pensar que essa tomada de gosto pelo sangue venha da naturalização da violência, de certo do Estado que crer que isto é o melhor a fazer ou que o medo deve reger a vida das pessoas.

        De um conjunto de pensamento que vai afulinando, da seleção de pessoas que pensam igual. De um termo, que durante muito tempo foi a bala doce na boca de líderes: o alinhamento, o alinhamento institucional. 

        Que algo assim ocorra: Alguém na cúpula da organização tem um pensamento, não discute com ninguém, ou discute com um pequeno grupo que pensa igual, escolhido por ele, então solta ladeira abaixo a sua decisão com a intenção que se transforme em pensamento único e que vire uma crença. 

        Não pensou e nem agiu igual: elimina. Pronto.

        Durante muito tempo, antes de me aprofundar na origem do termo, eu usei a expressão Banalização do Mal meio a rodo. Qualquer coisa ruim, se repetindo sem reflexão, virou para mim banal. Então certo dia eu comecei a ler Hanna Arendt e li o livro que ela criou esse termo.

        Foi um choque, pois comecei a perceber padrões comportamentais em organizações que revelavam, para mim, essa banalização.

       Por exemplo: no meu celular colocaram seguro de vida sem eu autorizar; na oficina do carro me induziram a trocar o disco de freio, ainda bom, que o disco estava comprometendo a minha segurança e da família. O papel higiênico diminuiu de extensão, o litro virou 900 ml. São alguns exemplos.

        Aconteceu nos laboratórios ou em alguma clínica dobrar os exames sem que o usuário percebesse. Isto independia de quem atendesse, era da empresa. 

        Então vamos voltar ao ponto inicial, a corporação que tomou gosto por sangue. Vamos para a sociedade. Tem uma parte dela que sente tesão em se mostrar valente, em odiar, em maltratar. Desde que não seja vítima. Tal coisa é a naturização da violência, que não é apenas física. Em outras palavras, o que ocorre com tal corporação é a banalização do instituto da força bruta exclusiva do Estado.

        Os órgãos de controle são ineficazes, porque atuam no indivíduo, aquele que comete a infração, não tem eficácia sobre o modo de ação, sobre "concordância cultural", que muitas vezes independente da liderança, mas que sempre começa com uma, até adquirir vida própria.

        Os indícios é que estamos neste estágio, uma chaga difícil de alterar, porque quem chega ao poder dentro das organizações são pessoas levadas  por outras pessoas, que se cercam de quem tem a mesma crença ou têm espírito moldável.

        É assim, tudo vai ficando Banal e se Naturalizando na ruindade, se transformando no normal, se éque não já esteja neste estágio.

       Com um agravante, perdemos a capacidade de nos indignar e passamos ser insensíveis ou com um conformismo doentiu, enquanto a vida da maioria da população piora.

        Por hora,  é o que tenho. Abração. 

Marconi Urquiza 

        

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