sexta-feira, 5 de junho de 2026

Copas do Mundo

 

Criada pelo Google Gemini


        Na última segunda-feira, o radialista Geraldo Freire perguntou aos presentes, no seu programa Acerto de Contas, qual a copa preferida de cada um. 1970, 1982, 2002 foram as preferidas dos cinco participantes.

        Isso me estimulou a pensar. Tenho inúmeras lembranças, não de uma única copa. Meu desafio é escrever em um parágrafo o que algumas delas mais significou para mim.

        Vou começar pelo fim.

        2014 -  A derrota pesada contra a Alemanha foi como uma caixa de cerveja Original estragada e um silêncio avassalador e perda da paixão pela seleção brasileira.

        Vamos às lembranças ótimas e amenas.

        No tri o futebol não tinha despertado em mim tanto interesse, não entendia quase nada de futebol e, quando acabava o jogo, ia me juntar à multidão que se aglomerava na Praça Pedro II, em Bom Conselho, para ouvir a música tema da Copa, pular, a gritar e gozar dos adversários derrotados. No dia da final, isso foi marcante; o Diário de Pernambuco trouxe um pôster de Pelé e de uma bandeira. Isto antes do jogo pela manhã. Papai colocou o pôster de Pelé no capô da Ford Rural e estacionou o carro em frente da sua farmácia, depois andou pela cidade como se desfilasse. Dessa copa conservei comigo  durante uns 20 anos uma tabela miúda da Copa, preenchida; depois a perdi. O Pra frente, Brasil, salve a seleção.... me levou a desfilar no 7 de Setembro daquele ano uniformizado com a camisa 11, de Rivellino. Um colega perguntou por que escolhi a de Rivellino, "Ah! Quero ter um chute forte como o dele".

        Foi a vez da TV colorida em casa. Havia poucas na cidade e, nossa casa se enchia de gente para assistir aos jogos. Duas recordações recorrentes: eu e meu irmão Marcelo, após cada jogo assistido, fosse do Brasil ou não, íamos para a frente da casa tentar imitar os gols e defesas dos goleiros. A lembrança marcante foi ver papai lacrimejar ao assistir a disputa do terceiro lugar e o Brasil perder para a Polônia em 1974.

        Já estava morando em Recife, estudante, e, por causa dos horários dos jogos não se chocarem com os das aulas, assisti a todos os jogos que passaram na TV. Neste ano, catei um caderno novo de molas, pequeno, e me pus a anotar todos os jogos, quem fez o gol, em qual tempo ocorreu e o placar. Lembro com clareza quando Roberto Dinamite dominou a bola com a coxa e fez o gol contra a Austria em 1978. Aquele caderninho ainda me acompanhou anos a fio. Lamento que o perdi.

        Eita, foi o ano do choque total. Na derrota da seleção para a Itália já estava trabalhando em Afogados da Ingazeira (PE). No terceiro gol, a cidade silenciou; um grupo de colegas que assistia ao jogo na pensão de Dona Duda emudeceu. Após o terceiro gol, demorei alguns minutos, sem acreditar que o time tivesse forças para empatar saí discretamente de Dona Duda e fui à agência do Banco do Brasil. Se a memória não falha, naquele dia, só era para trabalhar de manhã. Fui andando pela cidade, silenciosa, silêncio absoluto; só se ouviam os sons  altos das televisões. Naquela tarde de 1982 fui o primeiro a entrar na agência. Tentei evitar ouvir a narração do jogo, mas não havia nenhum local dentro da agência ou na cidade que não a ouvisse. Impossível. Cada minuto martelava em minha cabeça. Após o término da partida, pouco a pouco os colegas foram chegando à agência em silêncio, naquela decepção absurda; o trabalho foi o refúgio para pacificar a mente.

        Nestas copas não recordo de episódios marcantes, apenas a lembrança do pênalti perdido por Sócrates contra a França, em 1986 e do passe de Maradona em 1990 para o gol que nos derrotou. 

        Não houve nada de especial durante as partidas que antecederam a final, apenas uma opinião aos amigos que assistiam e estavam impacientes, disse que naquele instante o jogo parecia ser de xadrez, via uma disputa de estratégia contra Camarões, dada a sua marcação até então eficiente. Logo depois Romário fez o gol. O jogo contra a Holanda eu estava na estrada, não vi. A final foi aquele jogo tinhoso. Mas a lembrança vigorosa foi no pós-jogo da final, durante a comemoração. Havia um pequeno clube de veteranos de futebol em Bom Conselho, chamado Falta de Ar. Assisti à final na sede desse clube. Quando Baggio chutou o pênalti para fora, toda a turma saiu correndo para ir para a Praça Pedro II, que explodiu de alegria naquela noite de 1994. Demorei uns 10 minutos, fiquei apreciando a comemoração dos jogadores no estádio. Quando saí para a rua, vi algo maravilhoso. Estava no alto do cemitério, apelido daquela rua. Deste local se pode ver toda a rua Manoel Borba. Como se fosse algo coordenado, os carros entravam na fila, subindo a rua para percorrer a cidade em carreata gigantesca e parar na Praça Pedro II. Não uma carreata qualquer. Se na cidade houvesse naquele ano mil carros, todos estavam na rua naquele instante. Confesso que não imaginava haver tanto carro na cidade. O buzinaço tomou conta.

        Já estávamos no Paraná, Ronaldo Fenômeno havia raspado a cabeça e nossos três filhos também rasparam. Do futebol, lembro de um gol de Rivaldo, creio que contra a Dinamarca em 1998, em que ele deu uma rosca na bola, com o goleiro em cima dele, e a bola passou um palmo ou dois palmos acima das pernas do goleiro. E a tristeza pela derrota contra a França. Lembro que o Paraguai foi um time com uma defesa forte e só perdeu para a França. 

        Nessa copa, foi a minha copa do nervosismo; não consegui assistir a nenhum jogo, ficava ouvindo a narração nervosa de Galvão Bueno madrugada adentro. Só vi a parte da final do jogo contra a Alemanha em 2002. Vitória consolidada, Nega saiu com os filhos e os amigos deles em cima da carroceria da  Chevrolet S10 a correr a passeata; de tanto buzinar, a buzina ficou rouca. Ela, com os filhos, correndo pela cidade, e eu em pé olhando, com lágrimas, o time do Brasil fazendo a roda no meio do campo para agradecer pela vitória na Copa do Mundo. Impressionante.

        Agora temos mais uma copa; para mim é melhor não se empolgar. Se ganhar o Hexa, vou vibrar muito. Se não ganhar, o futebol não sairá do meu coração.

        E as suas copas?


        Abração, Marconi.

       

sexta-feira, 29 de maio de 2026

A sensação que desliguei

 A SENSAÇÃO QUE DESLIGUEI


    Fazia tempo que a sensação de desligar mentalmente não ocorria. Atualmente, em geral, estamos todos conectados ao Instagram, no Facebook, TikTok e outras redes sociais.  Elas são mestres em pequenas doses constantes do hormônio do prazer, a dopamina, o que provoca na maioria das pessoas a sensação de nunca desligar.

        Outro efeito colateral é a falta de foco. No nosso caso, isso atinge de modo grave o que, no passado, era motivo de prazer e ocorria espontaneamente: a leitura. Lia habitualmente, um livro após o outro. Hoje em dia, a tentativa de ler exige um esforço enorme, horário marcado, tempo marcado, tempo mínimo de leitura. Hoje vou ler 30 minutos, amanhã será uma hora e assim ocorre a tentativa de levar a leitura de um livro adiante. Se o livro exige mais concentração, ocorre o abandono. Nos últimos 15 dias, dois ficaram pelo caminho: Ave Palavra, de Guimarães Rosa, e Todos os Contos, de Clarice Lispector. 

        Já estou no terceiro livro nestes mesmos 15 dias. Agora é "O Nazista e o Psiquiatra", escrito por um jornalista. A leitura não é complexa, e por isso, já li 50 páginas desde a última sexta-feira, mesmo com toda a dificuldade de manter o foco na leitura.

        A maior oposição que sinto é o impulso de abrir o celular e cutucar o Instagram; a mente está naquele viés de vício. Ainda não, ainda posso evitar e evito muitas vezes, mas meu foco foi embora, a minha imaginação seguiu pelo mesmo caminho.

        Aquele sentimento que desliguei mentalmene tem tanto tempo que não recordo quando ocorreu. Com segurança, foi há mais de 15 anos; ainda trabalhava no Banco do Brasil. Foi tão estranho que sequer lembrava a senha de acesso ao sistema geral da empresa. Depois da aposentadoria, desenvolvi um modo de viver para não sentir o vazio da falta de uma rotina. Naquela vibração do ditado popular que diz: ' Cabeça vazia é oficina do diabo.' Até que, há quase cinco anos, comecei a cuidar de uma nanoempresa e que hoje posso afirmar ser uma microempresa. Assim, a rotina que era leve foi ficando agitada e longa.

        Saltando no tempo. Em abril, nós (eu e Cida) viajamos para participar do CINFABB (jogos de aposentados do Banco do Brasil) em Belo Horizonte. Ir, vir, participar, acompanhar, conhecer a cidade — viagem para uma das cidades históricas. Mesmo abrindo o sistema para passar os serviços para a equipe e atender online os clientes, a rotina foi leve. Leve. Doze dias de viagem.

        Quando chegamos, no dia 3 de maio, fui ao quarto que uso como escritório, sentei-me à cadeira e pus os braços sobre a mesa, olhando para o computador. Neste momento veio o sentimento e a sensação: "Eu desliguei". Sabe, me senti ótimo. Feliz, até.

        Bem, por enquanto, é só.

        Abração, Marconi.

        


        PS: ilustração gerada pelo Google Gemini

        

segunda-feira, 18 de maio de 2026

ANTES DE MIM - Escrita por Djalma Xavier.

  


Antes de mim

            “Somos muitos Severinos, iguais em tudo na vida.                                Morremos de morte igual. Mesma morte Severina.”
                                 
                                João Cabral de Melo Neto

              A vida devia ser bem melhor, e será !!!”

 Gonzaguinha

 

         Antes de mim houve outro Djalma. Com mesmo nome e sobrenome, mesmo pai, mesma mãe, nascido dois anos antes pelas mãos da mesma parteira, na mesma casa de chão batido, na zona rural do sertão pernambucano.

Em 18 de março de 1963, com dois anos de idade, meu irmão Djalminha foi para o céu. Minhas irmãs mais velhas diziam que ele era uma criança linda. Não há fotos dele. Não havia dinheiro pra esses “luxos”.

        Quando esse triste fato ocorreu, minha mãe estava grávida de mim (7 meses) e, dois meses depois, em 18 de maio, Djalminha “renasceu” para devolver a alegria àquela casa entristecida. O novo Djalminha herdou o nome e todo amor e carinho que a família tinha por “Djalminha do céu”, como ficou sendo chamado meu irmãozinho, pra nos diferenciar.  Nasci privilegiado nesse sentido. E eu e meus três irmãos mais novos fomos super protegidos para evitar que aquela tragédia se repetisse.

        Naquele tempo (meados dos anos 60) e naquele lugar não havia nenhuma estrutura de saúde. Se houvesse talvez meu nome fosse outro, e minha família teria mais um membro. Teria sido mais feliz. Não havia médicos nas proximidades; não havia ambulância pra levar um doente até uma cidade maior com hospital e nem estradas transitáveis por onde um carro qualquer poderia ter levado meu irmão pra ser medicado.

        Percebendo que o caso era grave, minha mãe e meu pai levaram meu irmão para o hospital mais próximo na garupa de um cavalo, por um percurso de 30 km de estradas carroçáveis. Não deu tempo. Quando chegaram a uma cidade com médico, já era tarde demais.

        A condição de miserabilidade que rodeava a gente daquele lugar era muito triste. Muitos casos semelhantes ao da nossa família aconteceram.

        A mortalidade infantil era uma vergonha nacional. Houve até uma reportagem da revista Veja sobre a mortalidade infantil no interior do nordeste, denunciando a existência de cemitérios só de “anjinhos”, bebês que morriam antes mesmo de se batizar. Havia muitas crianças que não “vingavam”. Morriam de diarreia, verminoses e outras doenças relativamente fáceis de tratar. Muito tempo depois surgiu um ‘anjo de verdade”, Dra. Zilda Arns, com sua Pastoral da Criança e disseminação do uso do soro caseiro, salvou milhares de crianças e ajudou muito a mudar aquela triste realidade.

        Aqui não se trata de ideologia. Nem de governo A ou governo B. Trata-se de humanidade. De tratar seres humanos como seres humanos. Diante da calamidade que era a saúde pública naqueles tempos de chumbo, parecia que Brasília pouco se importava que morressem tantos brasileirinhos por falta de assistência médica.  É muito triste, mesmo cruel, que se pense assim, mas talvez acreditassem que as famílias eram numerosas, então, se algumas crianças não sobrevivessem, seria mera fatalidade, culpa do destino.

        Depois desse triste episódio, lenta e gradualmente, as coisas começaram a melhorar por ali. A situação financeira da família melhorou um pouco e mudamos para uma casa melhor. Vieram vacinas para o vilarejo próximo e eu e meus irmãos mais novos tivemos mais acesso a remédios e, ainda com alguma dificuldade, a cuidados médicos. E, graças a Deus, nenhuma outra criança morreu naquela casa.

        Para desentristecer e desdramatizar um pouco, cabe registrar que atualmente meu filho é médico e trabalha em um Posto de Saúde na zona rural. Esse fato, por si só gratificante e reparador, produz uma esperança concreta de que muitos prováveis “djalminhas” poderão ser salvos, porque agora existe um médico próximo a eles, e isso pode fazer a diferença entre a morte e a vida.



quinta-feira, 30 de abril de 2026

6 x 0 = 13 gols contra, nenhum a favor.

        


        Pensei horas, horas. Pensei com vagar mais horas. O que faz uma equipe de futebol perder de 1x 0 no primeiro jogo e na partida seguinte ser derrotado por 4x0. Com falhas individuais evidentes, claras, e facilmente particularizadas, e depois desabar.

        Quase como uma unanimidade, as análises são que nosso time é fraco, sem talento, sem resolutividade. Tem que ter reforço. Uma das soluções mais reivindicadas.

        Precisar, precisa. É solução? É também, mas não é milagre. Isto levou a lembrar do escritor e professor Robert F. Mager, que em um dos seus livros lencionou que o pensamento imediato que treinar funcionário de baixo rendimento não é solução milagrosa para melhorar o seu desempenho e que é preciso ir mais além. Sinto a mesma coisa quando se fala em reforço.

        Por que perdemos de 2x0, 6x0, 4x0, 1x0?  Ou na ordem de realização dos jogos: 1x0; 4x0, 6x0; 2x0.

        Onde estava a alma? 

        Não estava no campo, no banco, no papo. Não estava em canto nenhuma, muitos pensaram.

        E os treinos, alguns bem sucedidos, geraram uma confiança exagerada ou irreal? 

        Por outro, foi  como tivesse ocorrido a quebra do frágil gelo de um lago que parecia congelado, como se os jogadores tivessem afundado em alguma crença que estavam em um time "bom, entrosado". Na primeira rachadura, o lago se liquifez.

        De repente, será? De repente, será? Será que de repente aquela toda importância prévia aos jogos oficiais se esfarelou?

        Então, não tenho nenhuma certeza, mas muito questões a refletir e apenas uma convicção: "jogo é jogo, treino é treino".

        Uma partida de competição não é pelada, no jogo competitivo há outras competências, outros cuidados e cobra a compreensão que o jogo de futebol competitivo, mesmo amador e de veteranos, exige um bocado de conhecimento que só jogar pelada não oferece, tipo: como fazer a cobertura; que sistema de defesa adotar, o mesmo para o sistema de ataque; como fazer transição para o ataque e para a defesa. A marcação vai ser alta, vai ser marcação baixa; o jogo vai ser reativo ou agressivo; o que fazer nas bolas paradas, tanto no ataque como defensivas. Esta lista não termina, há muito mais. E também como adaptar tudo isto às características individuais de cada jogador.
 
        Depois destas palavras e para finalizar, o negócio é se organizar fora e dentro do campo e, na nosso mente também, para ter um desempenho que não nos incomode.

        Para finalizar, sem preparo físico, que cada um cuide do seu. Pois, sem preparo fisico, teremos os mesmos resultados.

        Bem, por hora é que o tenho. 

        Abração, Marconi. 


sexta-feira, 17 de abril de 2026

"A arte de viver é simplesmente a arte de conviver", Mário Quintana

        

        O carro corria suave pela avenida, via de mão única com duas faixas,  o passageiro olhava placidamente as pessoas andando na calçada e as fachadas das lojas. Nisso o carro para, ele levanta a cabeça e ver o sinal fechado, no mesmo momento um Virtus engata ré e inicia a saída do estacionamento de uma academia. A tranquila viagem se transforma. O motorista do Uber, na faixa dos 45 anos, aciona a buzina, não como um alerta,  agressivo,  demorado,  inconsequente. Para avisar bastaria três toques curtos.

        O sinal abriu e o motorista fez um comentário, entendido pelo passageiro como discriminatório. Ele preferiu silenciar. 

        A viagem prosseguiu por cerca de 500 metros, logo mais outro semáforo fechou e deu oportunidade para o Virtus emparelhar e dizer ao motorista que ela havia visto o carro pela câmara de ré e que não iria bater nele. Depois saiu rápido e o motorista a perseguiu ruidosamente, raivosamente. Perigosamente. Logo adiante a dona do Virtus entrou à direita e o motorista desejou ir atrás,  mas logo lembrou que tinha um passageiro e seguiu para o destino, abandonando a perseguição.

         O passageiro disfarçou, mas se preocupou com a explosão raivosa,  um ressentimento brutal contra aquela mulher, que o motorista nem conhecia, uma violenta misoginia, um perigo ambulante ao volante daquele Uber. Durante cerca de 20 minutos foi descarregando toda sorte de ódio contra aquela motorista. 

         Aquele passageiro desceu e não agradeceu pela viagem. Saiu acreditando que ali estaria uma pessoa violenta, com ares de um ser simpático, uma máscara que caiu em um poucos segundos.

        Na calçada olhou para o carro se afastando, torcendo que ao pegar novo Uber encontrasse um espírito mais ameno, mais responsável e não misógeno. Sem ranço de ressentimento.

            O tempo passou e mais de dois anos depois do episódio a sua recordação trouxe à tona algumas questões, por exemplo:
            
        Como você reage ao interpretar que seu interlocutor é inferior?
     
        Como você reage ao levar uma fechada de uma pessoa com um carro humilde?
      
        Como reage ao levar um não ao chegar em um atendimento? 

        E se o seu viés de certeza for contrariado?

        Como você reflete a respeito de tudo isso e sobre este texto?
      
        Estas questões são uma parte da realidade que nos cerca, dos seus vieses afetivos que serão super estimulados nos próximos meses e, possivelmente, testando nossos freios emocionais, que deverão estar revisados junto com a capacidade de reflexão para se evitar o descontrole emocional que acometeu o motorista do Uber. 

      Zele pelo seu entorno, ele vai devolver saúde, paz, alegria, companheirismo, apoio, amizade e amor.

      Bem, é o que tenho para o momento. 

     Abração, Marconi.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Jovinho e seu bom humor

Gerada pela IA Gemini 


Há dias venho lembrando dessa pessoa,  daquelas expansivas, que exalam o bom humor como se fosse  um jasmim.

        Depois de mais de 20 anos sem saber seu destino,  se já foi ou ssssssssssssss espalhando seu Jovinho! Jovinho acompanhando pelo sorriso e um vozeirão forte e propositalmente alto para que todos os ouçam assim se apresentava.

        Não há uma explicação lógica para ele voltar às minhas recordações, esse viés de saudade. Uma carência de um tipo de bom humor espontâneo? Uma carência de uma pessoa que parecia carregar em si a alegria de ser ele mesmo?

        "Por que o Senhor tem esse nome?" A curiosidade havia chegado.  Eu era comerciante em Cianorte, comprovava e vendia mamona, então fiquei conhecido por Chico da Mamona, depois de muitos anos assim, ganhei esse sobrenome, hoje sou Chico Mamona.

        Ele tinha duas fazendas pequenas de soja, uma Araruna e outra em Tapejara, ambas no Paraná. 

        Um dia ele apareceu na agência do Banco do Brasil de Araruna (PR) e convidou um monte gente para um churrasco em Tapejara. Depois vim saber que ele dava essa festa anualmente após a colheita da soja. Se a lembrança estiver correta, era no dia do seu aniversário.

        Depois não o vi mais,  vez por lembrava dele por causa da insistência em que pagar o custeio agrícola em dinheiro vivo. "Não seu Chico, tem que depositar na sua conta." Jovinho, Jovinho, é, é, éeeeeee em dinheeeeeiro!

        Recordar isso nos divertia, depois a lembrança voltava para aquela parte da mente que só quando provocada, mas agora foi diferente,  veio espontânea. 

        Bem, seu Chico Mamona, um grande abraço onde quer que esteja. 

        Bom dia, Jovinho!
        "Bom dia, seu Chico Mamona! Sente aqui."

        Por hoje, é o que tenho.
        Abração,  Marconi. 

        
        PS: 
        Seu Chico Mamona se despediu em 2019. "Francisco Nizo".

sexta-feira, 3 de abril de 2026

O medo, uma música, um tareco, uma mariola




No meio do encontro semanal após a pelada desta quarta-feira, na conversa com Jeovane, cada um falando de suas experiências de vida acabei contando uma pequena história e ele me perguntou: "Você já contou isso para Patrúcio (Patrúcio Amorim - o poeta do forró)?" Nunca contei a ninguém, é a primeira vez que falo disso - foi a minha resposta. 

        Por causa desse papo resolvi escrever essa história. 

        O medo gravava na alma a insegurança de uma jornada de vida, 11 anos de dedicação, esforço, coragem, apoio e um tanto de doideira ao irmos para o desconhecido,  Tabatinga,  no Amazonas, depois a loucura dobrou, estávamos em Boca do Acre, também Amazonas, quase Acre, dado a proximidade de 256 quilômetros com Rio Branco. Amazonas era na prática uma referência meramente geográfica. Rio Branco foi até a capital de um chope, que para não pirar me levou a percorrer de 520 km, ida e volta de Boca do Acre a bordo de um Fusca azul.
         Mas aí errei, errei feio e fui para em Palmeirina (PE), uma minúscula agência e logo regrediu para posto e pelo ralo foi meu cargo de gerente geral, com todas as implicações emocionais, de renda e da carreira. 
        A água não subiu de uma vez, o desespero foi chegando aos poucos e foi apertando a vida, a perspectiva individual se reduzindo diante do aperto promovido pelo Banco do Brasil no Plano de Demissão Voluntária, em 1995.
        Nesse período fui a uma reunião em Caruaru (PE), entre os temas estava sobre as vagas restantes no Estado de Pernambuco, que havia perdido inúmeras. 
        Terminou a reunião e no corredor abordei o recém nomeado Superintende Regional, perguntei como me recoloceria, mais que a resposta, foi a empáfia que doeu. Deu-me raiva, silenciosa, não resignada e saí da cidade furando todos sinais vermelhos. Coisa que evitava fazer. 
        Aqueles 150 quilômetros até o lar foi com esse sentimento.  Nos dias seguintes o desespero me fez pedir transferência para 800 agências diferentes.
        Em um desses dias coloquei Barbosa Ferraz, no Paraná,  no outro estava transferido. Havíamos vindos de longe a coisa de um ano e já íamos para quase 3.000 km das nossas origens.  Apesar de tudo,  isto nos deu tranquilidade.
        Após essa notícia, em certo dia, perdemos o horário da remessa do malote para Garanhuns e tive que ir levá-lo em uma dependência de nome CESEC, naquela cidade. 
        Na volta para casa, na rua do Colégio Santa Sofia, ao me aproximar do esquina ouvi o som, alto, vigoroso, de uma música que não sei explicar como me tocou. Parei o carro, atravessei as duas ruas e entrei na discoteca,  sim, se vendiam CDs em lojas. 
        O dono já havia trocado de cantor, "Ei moço, quem era que tocava agora?" Coloquei vários nessa meia-hora.  "Não, foi agora, tem 5 minutos." O rapaz puxou um disco e disse: "Foi esse, tá um sucesso enorme." E em seguida colocou uma certa música. 
        Mais de 30 anos se passou, aquele som forte da discoteca, com a mensagem intrínseca da canção e a voz do cantor reverberou na minha mente, no meu coração e em nossas vidas. Sem saber, sem compreender,  ali nascia um novo rumo, uma vida de luta, em que matar um leão por dia era fichinha. Saí da loja renovado,  no carro ouvia o CD com um som menos potente, mas quem precisava! A potência estava na canção e naquele cantor que eu desconhecia.
        A conversa com o amigo Jeovane, na AABB Recife, me proporcionou a recordação dessa história, que me fez bem diferente ao chegar no Paraná, cheio de confiança e com uma disposição e criatividade poderosas, afloradas, nas dificuldades de Palmeirina, o que me fez superar as barreiras de ter outra origem.
        Bem, Tareco e Mariola, na voz de Flávio José,  foi minha iluminação e abertura para receber a força do Universo e vencer aqueles desafios postos pela vida e pela empresa naquele 1995.
        Torço que em suas vidas tenha lhe ocorrido algo assim, que a recordação ainda seja capaz de lhe energizar.

        Bem, por hora, é o que tenho. 

        Abração, Marconi Urquiza. 

sexta-feira, 27 de março de 2026

Boa tarde!


Boa tarde! 

Sentei-me na loja para esperar o conserto do celular e fiquei pensando: amanhã é dia de crônica,  faz duas semanas que não escrevo uma, aliás, não escrevo nada. Um tempo atrás ainda rascunhava um ajuntado de frases, mas vivo procurando um assunto e tudo que vêm à mente são as coisas críticas do nosso tempo.  Até parece que estou na armadilha do algoritmo das coisas ruins, dos pontos que deveriam exigir um mínimo de reflexão. 
     Nesta quinta-feira corri por alguns endereços: Hospital Português de Recife,  o apartamento de mamãe (em reforma), a clínica veterinária e aqui, agora, a oficina de celular. O celular do serviço anda tão parado, com uma folga perigosa por que os clientes não chegam e a empresa não fatura,  como os impostos, o faturamento é variável.  Vende mais, mais imposto é arrecadado.
     Depois da loja do celular corri para a Safe Clean de Recife,  empresa que nos ajuda imensamente, coletei tapetes limpos e pedi a um funcionário que nos ajudasse consertando um pulverizador de aço inox.
     Nesta sexta-feira estarei em JAMPA, João Pessoa,  devolvendo os tapetes para os clientes. É preciso um mínimo de pensamento de logística para não ficar dando voltas na cidade.
      Por uma falha nesse planejamento estou indo duas vezes à cidade na mesma semana. Não é uma lição nova, pois isto sei há muito tempo, é um lembrete que não se pode se descuidar e nem estar exausto ao trabalhar, pois a atenção nestas circunstâncias voa igual ao Condor.
      Há momentos em que olho para a tela do computador e vejo outras entranhas, a empresa que carece ser mais organizada para ser proativa nos momentos de diminuição da demanda e, que passa por nós mesmos.
      Nesta semana um amigo perguntou, esta escrevendo muito? Quase como um lamento respondi: nada, é que ao tomar conta da empresa toma todo o meu tempo fisico e mental. Este é que pega. O tempo mental. Pois há muito não consigo dividi-lo com a escrita. O escritor entrou em uma hibernação mais longa que as dos ursos.
      Depois de oito meses ensaiei jogar futebol ao ir ao treino na AABB, mas o joelho esquerdo falseou quatro vezes,  nas duas últimas a dor foi aguda e sobrou um joelho dolorido desde então. Isto indica que fazer reforço muscular frequente e mais forte é fundamental. 
     Nos últimos meses andei lendo mais, de dezembro para cá devo ter lido uns quatro livros, lembro de três: "Por que a esquerda morreu" - de Jesse de Souza, é  um livro análise desta ocorrência sobre a corrente política.  É um livro chato de ler. A leitura não flui. Antes havia lido o romance "Os espiões", de Luís Fernando Veríssimo. Dois terços do livro ele passou a impressão que o que passou na história era uma grande fofoca, na parte final se transformou em um livro de final comum. Com alguma atenção dá para perceber a técnica literário aflorando. 
      Depois li, melhor, descobri a escritora Maria Valéria Resende, com o romance "Outros cantos". Um história interessantíssima e que tem como pano de fundo a ditadura de 1964. Mas é sobretudo sobre a pobreza do interior nordestino,  sobre a falta de perspectiva no tempo narrado no romance.  Comecei até a viajar na memória da infância e adolescência,  naquela pobreza de muito amigos daquela época em Bom Conselho. Situação que me marcou a vida inteira. 
    Depois tentei ler o livro de Waldrido Warde e Lincoln Gakiya: "Segurança Pública: O Brasil livre das máfias."  Não consegui terminar.  Para mim faltou mesclar ao texto técnica de redação jornalística e até literária, para que tema tão recheado de citações legais sejam assimilavéis para o leitor fora do campo do direito penal. Então larguei para debaixo da mesa de centro e ele virou está lembrança. 
      Depois dele voltei para Maria Valéria Rezende, com o "O voo da guará vermelha". Guará é uma ave. É uma história interessantíssima,  que vem tratando das dores profundas dos dois personagens de maneira magistral,  que não afasta o leitor. Que mistura os espinhos das suas vidas e ao enredo das histórias contadas por Rosélio. 
     Bem, preciso terminar.  O dia está clareando que estou finalizando esta crônica. 

     Portanto!
     Bom dia, luminoso dia!

      Abração!
      Marconi. 

sexta-feira, 6 de março de 2026

Existimos: A que será que se destina?


Viktor Frankl
 

        Começou, começou, começou aquilo que muitos refugam, mas têm uma apaixonada, apaixonada reação ao ouvir opiniões contrárias.

        Às quartas-feiras a gente tem uma roda de conversa após o futebol, se fala sobre quase tudo, principalmente futebol, conversas avulsas, de tudo que era tipo, durante muito tempo, um certo tipo de assunto não chegou a aparecer. Aquela tema que separou muitos amigos e famílias, mas nesta última quarta-feira alguns minutos de conversa sobre política e políticos se insinuou. 

        Hoje lembrei-me de Jessé Souza: Será que há tantos ressentidos assim? Ou na vertente de Michel Alcoforado, em uma variante da cultura brasileira apresentado no livro Coisas de Rico, que cada brasileiro tem o seu rico de estimação.

        Será que cada brasileiro tem o seu político truculento, mentiroso, desonesto de estimação?

        E o papo começou a rolar na direção dos políticos e iria passar para o tema eleição presidencial, porém, em alguns minutos, chegou um amigo, super bem humorado, brincalhão como ninguém e sem perceber desviou o assunto.

        Creio, nas próximas semanas deverá voltar mais forte. Talvez, talvez venha tão radical quanto foram nas últimas duas eleições. Isto fez me lembrar da mente que vai sendo moldada pela repetição, pela expulsão das formas de refletir sobre as situações. Pelos algoritmos. A respeito destes programas, é vezeiro, que eles têm direção e intenções e; não é a democracia, a pluridade sadia de pensamentos e visões de mundo. Até compreender isto pensava que estes programas das redes sociais eram apenas um fator de negócios, de venda, de audiência; me fazendo recordar é que preciso saber qual é a intenção de quem pronuncia um pensamento ou age de certa forma, a tal ponto que recapitulei uma frase, que não recordo a autoria, e, em contexto, diz assim: Não tem ciência neutra, apesar dos métodos científicos, porque ainda perdura no pesquisador a sua subjetividade.

        Quando jovem ouvi um comentário sobre um certo candidato, político profissional, que teria dito sobre ele mesmo e sobre os eleitores: Quem tem que se apaixonar é o eleitor, político que se apaixona pela eleição perde. Creio que perde a perspectiva da batalha, que tem que começar bem antes, cega diante das evidências de uma campanha ou situação ao se portar como um apaixonado.

        Nesta quinta-feira, finalzinho da tarde, com as luzes sumindo na noite, comecei divagar diante do curto papo, de um indício ainda fraco, menos fraco que antes de 2018, e que me fez fazer uma analogia para a frase da canção Cajuína, de Caetano Veloso: Apenas a matéria vida era tão fina e peguei outra frase emprestada para trazer aqui nessa dúvida: Existimos: A que será que se destina?

        E será que vamos transformar a amizade, apenas a matéria vida - "amizade' - era tão fina. Tão fina, tão frágil, tão desprezível, tão desprezível em nome de uma convicção que vem sendo imposta sutilmente por um atributo mental regressivo externo.

        E vamos existir assim? Existimos: A que será que se destina? À briga, a perda desse bem, à solidão, a repulsa social. Ou algo tão humano quanto isto que escrevi, mas, mais grandioso, enaltecedor da vida em paz quando respeitamos a amizade e o convívio familiar. 

        Como se leciona na disciplina Inteligência Competitiva: Atenção para os sinais fracos, ele podem ser um prenúncio de uma perda. Esses são os sinais fracos que percebi no momento.


        Bem, por hora, é só.  

        Abração, Marconi Urquiza.

        

VIKTOR FRANKEL - Psiquiatra, neurologista. Sobrevivente de um campo de concentração nazista na segunda guerra mundial e ele escreveu sobre este período no livro: Em busca de Sentido

        Em resumo: Trata da busca por um sentido para a vida. Ter um sentido para a vida transforma a pessoa e salva de uma morte precoce.

        

        

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Uma frase que fez pensar

Extraída do Google.

            Até aqui nos ajudou o Senhor.
Esta uma frase bíblica. Samuel 7.12.

        Na versão católica a frase é assim: Até aqui nos socorreu o Senhor. 

        No primeiro momento que li esta frase me pus a pensar. Pensar como uma fé condicionada, com limite ou com um quê de conformismo. Nisso fui ler o restante do versículo para tentar compreender o contexto da mensagem ali inclusa. 

        ¹² Então tomou Samuel uma pedra, e a pôs entre Mizpá e Sem, e chamou o nome dela Ebenézer; e disse: Até aqui nos ajudou o Senhor.
        ¹³ Assim os filisteus foram abatidos, e nunca mais vieram aos termos de Israel, porquanto foi a mão do Senhor contra os filisteus todos os dias de Samuel. 

        1 Samuel 7:12,13

        Fiquei lendo, relendo, tentando compreender o contexto histórico e não alcancei a compreensão. 

        Depois li tudo o capítulo 7 e, nele traz a história de um ataque dos filisteus ao povo de Israel antigo e eles foram a Samuel para que pedisse ajuda ao Senhor, que ouviu Samuel e fez os filisteus fugirem. Este é um resumo da minha interpretação.

        Seria gratidão por ter tido os filisteus (um povo da antiguidade) afastados?

        Haveria uma mensagem subjacente?

        Nos dias atuais seria uma reforço ou a força da fé com a realística consciência que o Senhor pode parar de ajudar?

        Que esse apoio tem limites ou nem sempre está ele está para ajudar?

        Na semana passada acabei por recordar uma imensa dificuldade profissional e o medo avassalador que sentia naquele 1998. Me acabava na oração, lia e repetia o salmo que traz uma oração de fé: o senhor é meu pastor e nada me faltará. Foram meses nessa angústia e a situação não melhorava. Estava longe de mim compreender a complexidade daqueles tempos e parecia que vivia em um loop de problemas.

        Aquilo tudo precisava de uma solução e não estava exclusivamente na oração,  nem no medo, mas no primeiro passo libertador,  que levou ao segundo, ao terceiro e em alguns meses as dificuldades começaram a virar bons resultados e uma fé diferente foi ganhando corpo no meu espírito,  a fé da confiança, do acerto e do cuidado para não retroceder. 

        Passada está fase de luta, a vida prosseguiu e muito anos depois vejo a chamada e assisti duas vezes ao trailer do filme O Julgamento de Deus - Deus no Banco dos Réus e não tive coragem de assisti-lo. Mas a história contida naquele longa metragem traz o choque entre a fé dos Judeus e a realidade de estarem em um campo de concentração nazista. É um filme que suscita muita reflexão, não apenas pelo contexto daqueles fatos, como para a própria vida diante de situações extremas.

        Meses depois vi uma péssima cópia do filme no notebook, o que se salvou nela foi o som, bom e bem dublado. 

        Fui até o final, apesar do incômodo emocional. Em certo momento os judeus montaram um tribunal. Defesa, acusação, juiz, ministério público. Testemunhas.

        Uma frase, depois de tantos anos, se fixou em minha memória, não recordo com exatidão, um dos julgadores de Deus disse no filme, algo assim: Nós somos o povo escolhido por Deus e por que estamos aqui? Ali no campo de concentração para serem mortos. Um choque brutal.

        Agora chegamos ao presente,  parece que as guerras em que pessoas matam em nome da fé reduziram as suas eclosões, mas a semente continua adormecida a espera de um momento propício para fanatizar pessoas. Tem um ponto que despertei a observar nas pessoas após ler Pobre de Direita - a vingança dos bastardos, que é o ressentimento. Esse sentimento é poderoso para uma ação violenta.

        Mas ontem, quando li na logomarca de uma empresa, em um adesivo colado na porta de um caminhão a frase: Até aqui ajudou o Senhor, pude compreender que no Brasil, grande parte dos crentes de qualquer credo tem essa Fé no Senhor como indivíduo, às vezes ou muitas vezes é tão forte e viram alvo da manipulação dos falsos profetas. 

        Em tempo: a minha fé é na bondade das pessoas. Tem pessoas bondosas e poucos sabem, tem as maldosas e muitas sentem.

        Para finalizar, tenho uma profunda admiração pelas pessoa que têm fé,  elas são diferentes. 

        A esse respeito pude ser partícipe de um grupo de orações.  Lá por 2000 uma colega de faculdade foi acometida de câncer de mama. E, em certa noite, outra colega chamou quem queria orar para ela, fui, gosto de ser solidário e fui. Noite a noite rezamos o Pai Nosso de mãos dadas. Aquela roda de oração fez sua energia chegar àquela colega que estava distante de nós cerca de 450 quilômetros, tratando da doença. Após a cura, ocasionalmente revelei que nós fazíamos essa oração, se a memória não falha, ela comentou: Era por isso que eu me acalmava. 

        Foram atos de fé,  de abnegação e de despreendimento. Orar pelo outro nada mais é que isto, despreendimento. É dar de si sem buscar retorno. 

        Bem, por hora é só. 

        Abração, Marconi. 






sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Sem dominação simbólica não existe capitalismo,

 



        A primeira vez que me aprofundei neste ponto da "dominação simbólica" completou 15 anos. Estava enrolado na redação da dissertação e, pior, com as ideias confusas, sem clareza de qual tema desenvolver. O tempo corria rápido e olhava para a mesa daqui de casa, 1,80m de comprimento por 1,00 de largura, abarrotada de artigos, fotocópias de teses e desertação, fotocópia de trechos de livros e minhas anotações. Olhava aquilo tudo e não sabia como organizar o tempo e o texto da dissertação. Estava mais para o que o romano Cícero lecionou: "Para quem não sabe aonde vai, qualquer vento serve." Essa era a minha realidade naquele 2011.

         Tempos antes havia esbarrado em algum artigo sobre métodos de gestão de pessoas que falava do Toyotismo. Um método de produção just-in-time, entre outros pontos. Neste artigo o autor citou sobre a subjetividade do Toyotismo. 

         Naquela situação da organização da dissertação o orientador havia me emprestado um livro que aprofundava sobre a subjetividade no trabalho. O domínio simbólico da empresa sobre seus funcionários. 

        Nele, o autor não expressava claramente, mas em suas páginas sugeria sobre a Meritocracia, por exemplo. Método que estimula que, trabalhando duro, você alcança o que deseja. Nem é todo mentira, nem é todo verdade, mas está mais para ludribiar a maioria das pessoas que se guiam e se guiaram pela Meritocracia. Bem, para mim, só pude compreende-la bem depois como mais uma forma de dominar a subjetividade de uma pessoa, há várias.

        Tratei de ler o livro, com todo cuidado que um estudante deve ter ao se deparar uma obra que pode lhe abrir as portas para fazer um trabalho acadêmico de porte. E fui lendo e, fui me assustando, me vendo envolvido em cada estratégia daquelas mencionadas no livro. Fui me vendo naquele Banco do Brasil, de 2010 a 2015, onde tudo era feito para sequestrar a nossa subjetividade, de modo que qualquer meta, por mais pesada que fosse, a gente acharia um modo de entregar o "número" (como uma coisa menor, quase irrelevante, simples, etc) e acreditar que com isto conquistaria a meritocracia sugerida pela empresa.

        Lendo o livro O Poder das Orqanizações a minha vida ficou em revista durante muito tempo, muito. Por exemplo, neste livro o autor mostrava que uma empresa norte-americana fazia eventos que lembrava a um culto religioso, isto estava em suas páginas de modo explícito com o título: A religião.

        Comecei a correr a memória para um tempo mais próximo. A captura da camisa da seleção brasileira em prol de uma corrente política, o desvio dos ilícitos com as brigas constantes e acusações falsas reiteradas, capturando a atenção para olhar para o outro lado e não para o lado onde estes ilícitos estavam ocorrendo.

        Já havia lido o livro Pobre de Direita, onde Jessé Souza esmiuça a questão do ressentimento, como isto foi explorado politicamente, a ponto de que comecei observar com maior atenção este sentimento em pessoas com as quais convivo. Um negócio de muitos tentáculos, desde o âmbito pessoal, quanto na economia em geral, da falta de oportunidades e da negação em geral dos direitos, como educação, etc.

        Depois de muito relutar comprei outro livro: Por que a esquerda morreu? E o que devemos fazer para ressuscitá-la, também de Jessé Souza. A capa é vermelha com letras brancas, pretas e amarelas. Na contracapa vem a frase: Sem dominação simbólica não existe capitalismo. A cor de fundo é amarela. A frase com esta cor de fundo representa um forte aviso, um alerta vigoroso. É simbólico. 

        É um livro pequeno, com 138 páginas, mas que exige uma leitura lenta para que se capture e compreenda corretamento o que está lendo. Sobretudo, reflita sobre o que leu.

        Voltando ao início da crônica - A Meritocracia - foi mais uma estratégia que o capitalismo dominou o simbolismo do esforço, hercúleo, pessoal, de tal forma que a longo prazo criou uma ilusão. Não tinha vaga para todas as pessoas.

        O que o livro nos coloca é que o capitalismo é mutante, um camaleão enorme, que vai açambarcando todas as manifestações de repulsa, inconformismo, revolta da população e, vai a amansando para seus interesses.

        Para quem goste do assunto, sugiro a leitura deste livro e do livro Pobre de Direita. Duas leituras, independente da crença, ou descrença, da posição política ou da neutralidade, que podem ajudar na compreensão dos últimos 10 anos no Brasil.


        Por hora, é só.

        Marconi Urquiza



        

        

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

E se passou 50 anos

 

Foto captura no Facebook de Laércio Souza

         Por um motivo relevante, acabei indo a Bom Conselho, cidade onde nasci, 50 anos depois de ter saído dela para estudar em outra cidade.

        Naquele fevereiro de 1976 fui estudar no Colégio Santa Sofia, em Garanhuns (PE). Colégio que ainda mantém a sua missão de educar os jovens. Naquele ano, haviam três grandes colégios privados na cidade: o Colégio Diocesano, o Santa Sofia e o Colégio XV de Novembro (Presbiteriano). Em comum, foram todos eles criados por instituições religiosas.

        Mas, naquele início de 1976, quando saí, era tímido, inseguro e com uma enorme carência e deficiência nas matérias exatas (Física, Química e Matemática). Entre o Colégio de Bom Conselho, que era uma escola referenciada na época, e o Colégio Santa Sofia, havia um mundo de distância. Para mim, um enorme desvio a ser superado, um degrau absurdamente alto que não consegui transpor.  Deficiência nessas disciplinas que nunca supri.

        Alguns pontos, entre muitos, foram marcantes, destaco. Desapegar da casa e me adaptar a viver em uma pensão, apenas entre adultos. 

        Outro ponto: o deslocamento de Garanhuns para Bom Conselho e vice-versa era muito ruim. Aos sábados, havia poucos carros particulares de passageiros, e o ônibus era depois de 10 horas da manhã. No domingo era obrigado a sair cedo, havia um ônibus pela manhã e outro 10 horas da noite. Só depois de vários meses é que comecei a ter carona do gerente da Caixa Econômica Federal de Garanhuns, Álvaro Gomes, que saía de Bom Conselho às 5 horas da manhã a cada segunda-feira.

        O terceiro ponto da jornada em Garanhuns foi a experiência com a professora de Português do Colégio Santa Sofia.  Todos os dias, olhe! Todos os dias ela aplicava um ditado; treinamos essa forma de redação o ano inteiro, e eu gostava disso. Já tinha alguma habilidade para escrever, pois no Colégio Frei Caetano de Messina, em Bom Conselho, também tínhamos esse tipo de treinamento. Com o tempo, comecei a inventar alguns textos.

        E uma saudade cavalar que levei anos para superar. 

        A história correu e eis que estou novamente em Bom Conselho. No último sábado dei uma passeada rápida pela cidade; no centro e nas ruas adjacentes ela parece a mesma, mas não é. Não é a mesma cidade das minhas lembranças. As pessoas mudaram, novas pessoas chegaram ao mundo, sou um estranho para 99,9% delas. A maioria dos meus contemporâneos vivem longe da cidade. 

      As pessoas de hoje ignoram sobre a história ocorrida durante 1982. Não sabem que o pau cantou e que ocorreram mortes na disputa política em que papai acabou assassinado.

        Neste 07 de fevereiro de 2026, sábado, ao sair com meu cunhado Washington comentei para ele, faz 50 anos que saí daqui. "50 anos?" 50 anos. "Muito tempo." Fui estudar no Santa Sofia, depois fui estudar em Recife e, de lá, fui trabalhar no Banco do Brasil; e a conversa terminou.

        Até 1987 pensava muito em Bom Conselho. Depois, fomos para Tabatinga, no Amazonas, e essa lembrança foi diminuindo à medida que novos desafios surgiam, vencer as circunstâncias, superar a mim mesmo no caminho da sobrevivência física e no Banco do Brasil, que passava por intensa transformação corporativa.

        Posso até me lembrar como via a cidade, mais lenta, menos frenética, com os jovens reunidos na Praça Pedro II, para onde iam se encontrar com amigos e amigas, para paquerar, namorar e para alguns se exibirem com os carros dos pais. Haviam alguns carros com sons altos, mas ninguem imaginaria os paredões de hoje.

        Os bailes e carnavais no Clube dos 30 ainda existiam. A religiosidade católica era muito forte, o padre da Igreja Matriz tinha uma grande influência. Durante os anos 1970 foi uma moda da moças fugirem para casar. Mas há uma tradição que permanece até hoje, virou cultura na cidade, os desfiles de Sete de Setembro. Era e é o maior evento coletivo, social e "afetivo" da cidade.

        Vou repetir: o desfile do dia Sete de Setembro é "o maior evento coletivo, social e afetivo de Bom Conselho". Uma cidade inteira vai assisti-lo, os jovens vão participar, os colégios se enfeitam; e os professores parecem sentir-se mais importantes por coordenarem as equipes. As fanfarras são um mundo à parte.  50 anos depois, isso está bem mais forte.

        E eu nestes 50 anos? 

        Restam muitas lembranças até os 16 anos, outras até os 22 anos, quando fui trabalhar no sertão.

      Entre elas, algumas peculiares como a vigilância que fazia para pegar a primeira fornada de pão na padaria para leva-los em casa e comer um ou dois pães com manteiga, derretida pelo calor deles. Da doideira que era para estar pronto para ir jogar futebol nos treinos do antigo campo da ABA e no Clube dos 30. De contar uns trocados para ir tomar algumas cervejas no Bar do Géo ou no Restaurante Kennedy.

        De marcar o tempo para ir visitar a primeira namorada às 19 horas.  Chegava sempre antes e ficava na garagem escutando a família jantar. Tenho lembranças frequentes da temperatura amena da madrugada e do final da tarde, após escurecer. Em Bom Conselho, a partir das 17.30h começa correr um ventinho gostoso entre as serras e vai amenizando o calor do dia.

        E, fisicamente, fui de 68 para os atuais 104,5 quilos. Mentalmente, nem sei o que dizer. Bom! Aprendi a escrever.

        Saltando dos 16 para 66 anos, com um romance escrito cujo enredo foi inspirado na secular história da cidade, onde, especialmente, as lembranças de um período de 14 anos afloraram, de 1968 e 1982, que se juntaram às muitas leituras sobre o espírito nordestino, especialmente o espírito da disputa política. 

        Neste livro não entraram as minhas recordações do jovem que brincava com os amigos e amava jogar futebol na rua mesmo com as constantes reclamações do padre Carício. Também, que eu e os amigos, ficávamos admirando as lindas vizinhas que subiam e desciam a rua Conselheiro João Alfredo; que saia correndo para cobrir o almoço na farmácia de papai. Que que tinha fome por gibi e lia adoiado os livrinhos de bang-bang e por aí vai.

        Agora, em 2026, Bom Conselho é uma nova cidade, com outro dinamismo, com a beleza antiga e singular da Igreja Matriz e do colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, e a beleza nova do Parque Feliciano, e a visão extraordinária de parte da cidade a partir do oitão da prefeitura, na praça Frei Caetano. A mesma foto que ilustra está crônica.

        Minha minúscula participação nesta história secular da cidade está nas páginas do romance O último café do Coronel, cujo personagem central me inspirei na importante figura histórica do Coronel Zé Abílio, em que ele é o condutor da narrativa. Neste livro temos um apanhado histórico, politico, social, das disputas, dos costumes, das amizades e inimizadas que ocorreram na cidade de 1911 até 1982. 

         E se passou 50 anos, com o coração rodando pelas ruas da infância e da juventude, das paqueras e dos jogos de futebol que enfeitaram meus sonhos juvenis.

         Por hoje, é só.

        

        Abração e ótimo Carnaval.


        Marconi Urquiza 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Auxiliar técnico

       


         Em certo momento eu me convidei e não fui, em outro momento fui convidado e não compareci, agora fui convidado de novo e fui.

        E fui, fui nesta quarta-feira acompanhar o treino do time de futebol minicampo 65+ da AABB Recife. Fiquei observando o time jogar, a movimentação, o posicionamento, as falas e os "técnicos" em campo. No bom e no mal sentido. Do humilde ao que se acha.

        Observei sentado, depois de um tempo senti que deveria anotar, se não, esqueceria. Me pus a anotar alguns pontos.

        Queria trazer um contexto, o meu negócio sempre foi jogar futebol, tive a experiência de um dia como árbitro, deixei. Não iria me diverti. Nunca cogitei ser técnico, embora em algum momento dos últimos 23 anos fiz estudos para entender melhor o futebol e poder fazer comentários de jogos para Rádio Integração FM.

        O início como comentarista diletante foi penoso, eu não enxergava nada, nada do jogo, do seu desenvolvimento, do posicionamento, da percepçao, do fôlego, do humor dos jogadores. Eu era, como milhões de pessoas, uma pessoa que gostava de ver um bom jogo de futebol. 

        Sendo um típico torcedor, comecei a querer olhar o jogo com aquele visão de quem ver a partida com a percepção mais técnica.  Quando mais melhorava nisso mais difícil ficava ver um jogo do meu time preferido - o Sport Recife. Houve momentos em que percebi que o time estava desencaixado -  na gíria dos iniciados no  futebol. No popular, quando percebia que o time estava desarrumado, mudava de canal. A sensação que iria ser derrotado me incomodava.

        Passada essa fase, deixei de comentar na rádio e perdi um pouco o olhar técnico.  É muito melhor ver o futebol como espetáculo, show, apreciar a arte, a técnica, a inteligência e as jogadas dos atletas. Mas um olhar treinado não nos abandona, mesmo sem julgar o que vê, a gente que adquire alguma expertise continua a ver detalhes em partida de futebol.

        Feita essa contextualização, vamos para o treino do 65+. Em certo momento, na segunda parte do treino uma jogada de ataque se desenvolvia e se desenvolveu muito bem, até que um dos jogadores se irritou e deu às costas para a jogada justamente quando o passe foi dado para ele. Deu às costas e saiu reclamando. Um dos atletas se voltou para mim e disse: "Expulsa ele". Na hora que ocorreu, deu a mesma vontade, me contive. Naquele treino era só para observação. Juntarei mais observações no futuro se sentir que poderei contribuir e tambem se houver clima para tal, aí mudarei de observador para auxiliar técnico.

        Alguns pontos para reflexão, principalmente para mim. Liderança e poder formal. No sentido que liderança é o poder concedido por uma equipe, é fundamental ter em vista da característica do time. E o poder formal é naquele sentido que a organização concede o poder para o técnico agir.

        Liderança depende de mim, de algumas condições, habilidade e proximidade. Poder, se houver, me será concedido. Terei. Se terei, haverá ambiente institucional para usar? Haverá igualmente suporte da direção do clube? Prefiro desde sempre agir com o poder da liderança, é sempre mais fácil e mais leve.

        Passado este ponto da liderança mais poder, temos o aspecto mais técnico e disciplinar (poder). Já conheço os jogadores há muito tempo, alguns são mais técnicos no sentido tático, outros mais habilidosos com a bola, outros pelo fôlego. O futebol tem no seu dinamismo a sua grande magia. Se de repente, um jogador faz uma jogada espetacular, é preciso levar em conta que há outros jogadores em campo que podem ter dado condições para tal.

        Os deslocamentos em campo são naturais no futebol. Em certo momento, um jogador pode estar na esquerda, ou no centro, ou mais à direita na mesma jogada e isto é fácil no minicampo. A questão é como o time está organizado para suprir esses deslocamentos, como os outros jogadores fazem para evitar que tal deslocamento abra a possibilidade do adversário ganhar o jogo.

        Este é um preâmbulo para algumas observações que anotei no treino da última quarta. Vou escrever conforme a minha lembrança for alimentando este texto.

        — Não treinamos, jogamos mais uma pelada. No sentido que treino é um ensaio para um jogo, um campeonato, um torneio. Em uma competição temos dois tempos.  Na última quarta os jogadores se desgastaram prematuramente correndo demais.

       — Segundo ponto. Nenhuma conversa como se irá jogar, o que se fará nas jogadas paradas, como se dará cobertura, como será a transição para o ataque e para a defesa. Pouco diálogo prévio e muito menos quando a bola estava em jogo. Não é esquema tático, isso é necessário, talvez seja sofisticado para nós. Mas precisamos sim, dessa conversa para que o jogo seja coletivo. 

      — Terceiro ponto, a maioria está com pouco fôlego. Isto requer melhorar bem.

      — Posições no time.  Cada posição tem movimentos básicos a serem respeitados. Por exemplo: um defensor vai ao ataque e deve ir, mas perdeu a bola, ou a bola foi para o adversário, o reposicionamento é necessário e imediato para não sobrecarregar outros jogadores e evitar tomar o gol ou uma derrota. Isto vale para ataque, meio de campo, goleiro. Ver o jogo jogando é muito difícil, requer treino, acuidade e um esforço deliberado, mas é possível.

       — Em muitos momentos fomos para o ataque, mas o passe era ruim. Em outros momentos, era só correria, uma condução de bola na vertical sem pensar em passes laterais e também de chutes de meia distância. Temos um jogador alto e que cabeceia bem, nenhuma bola foi lançadapara Luciano tentar o cabeceio. 

     — Se treino é para ensaiar algumas jogadas, criar conjunto, saber como a equipe deve desenvolver o jogo, a gente precisar aceitar criar algumas jogadas artificialmente para realizar estes ensaios. Em alguns momentos, no passado, isto foi tentado, mas a reclamação venceu a boa intenção.

     — Somos todos amadores, isto é um fato. Somos todos voluntários, outro fato. Estamos ali por que amamos jogar futebol. Tens uns melhores, outros nem tanto, mas uma equipe se forma por um  conjunto de competências. Quer ver, um ótimo atacante com frequência é um péssimo marcador. Um defendor fabuloso muitas vezes não tem reflexos para agir com a rapidez de um atacante. Para um time virar uma equipe há que se ter respeito pelo próximo. 

        "Experimentemos orientar, em vez de gritar!:

         Então vamos nos divertir, vamos pensar coletivamente, pois estou com o objetivo de trazer a medalha de ouro de Belo Horizonte. Estívemos perto duas vezes. 

        Para finalizar, a gente não sabe como os outros times jogam, mas devemos saber como nós jogamos e os treinos são para isso.


        Por hora, é só.

        Abração, Marconi Urquiza

    

    


        

        


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Inquietação - Teremos tempestades de misseis?

 

Porta  avisões chinês - Fonte Carta Capital - Foto: Handout / various sources / AFP.

       

        Desde de a última segunda-feira estou inquieto. Por esses desvãos da mente, de repente surgiu uma analogia que me assusta. Trata-se de um personalidade má, que se juntou a muita outras pessoas más, que queria "um reino" para 1.000 anos. Tentou um golpe, entrou pelo voto popular e pelo medo do comunismo, com agressividade desmedida pelos seus aficcionados e tumultos em cima de tumultos. 

        Elegeu uma parte da população para direcionar seu ódio interior e a crença que todos os males econômicos se deviam a essa parcela da população, isto como modo de unir a massa, e uniu. Fez da comunicação uma forma de convencimento para as ações, basta ver os eventos gigantescos de Nuremberg. Queria respaldo da opinião pública, também fez do medo a sua arma de dominação interna. 

        O que há hoje? Os emigrantes na am. do norte viraram esse público para alimentar o ódio.

        Esse "reino do século XX" em poucos anos era uma potência militar sem precedentes, logo absorveu partes de outros países que falavam a mesma língua, depois escolheu um país para invadir, grande e fraco militarmente, foi como uma faca quente sobre a manteiga. As defesas derreteram em poucos dias.

        Vamos para o presente, a  chamada para a campanha eleitoral era "Am.... grande de novo". Tentou um golpe e fracassou, foi para justiça, se provou que era culpado, mas foi deixado concorrer, ganhou a eleição. Com discurso que parecia de falastrão, partiu para a prática agressiva, tarifas de importação, apoio à destruição da Faixa de Gaza. Quem sabe se ali não testou muitas armas? 

        Aquela figura má do primeiro parágrafo deu apoio bélico incondicional ao Generalíssimo Franco, na Guerra Civil Espanhola, de 1936. Experimentando seus aviões e técnicas de bombardeio, treinando seus pilotos e experimentando armas.

        Vamos para um paralelo incômodo, invadiu a Venezuela, entrou no país como faca quente na manteiga, sequestrou o ditador e colocou as mãos nas reservas de petróleo. Vai expandir o país para a Groenlândia diante de fraqueza militar do Dinamarca e da Otan. Teme uma invasão de misseis pelo norte, como se soubesse que uma guerra brutal estivesse sendo gestada nas entranhas das mentes ávidas pelo poder mundial.

        Trata a Rússia como inimiga, afaga vez por outra seu ditador, diz que quer a guerra dela com a Ucrânia termine, mas, creio, acha bom que os seus recursos sejam constantemente gastos. Ficará enfraquecida? 

        Tem outro inimigo gigante, quer derrubar a China, mas por hora, é obrigado a respeitar.

        Trata os demais países como crianças para levarem chineladas por capricho, enquanto isso, guerreia no subterrâneo da internet, provocando colapso na infraestrutura de muitos países.

        A sensação, é que uma guerra enorme, militar, esteja para ocorrer em algum momento. Tal qual o espírito daquele homem mal da Alemanha Nazista tivesse tomado conta da alma de alguém, que só parará com a destruição de muita gente, até de si mesmo.

        Para mim, importante, prestem atenção nos discursos dele. São a antessala de ações que estão sendo planejadas, são aviso de tempestades que estão para ocorrer. Ele mesmo é o sistema meteológico da catástrofe política.

        Pelo que li, em breve o Irã receberá essa tempestade.

Bem, por hora é só.

Abração, Marconi Urquiza.

Copas do Mundo

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