sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Boas idas ao Jinfaab


Amigas, amigos do Jinfabb 

Vou antecipar meus desejos, pode ser que eu esqueça de fazê-lo no dia da viagem. 

Neste ano decidi limpar as pendências cirúrgicas de uma vez. 

Em maio foi a vez de tratar da hiperplasia (benigna) da próstata.  A cirurgia foi tranquila e um pós operatório, não ruim, mas chato.  

Em agosto e setembro foi a vez da catarata, aqui foi tranquilo demais. É uma cirurgia, comigo, de recuperação rápida.  Ainda estou me adaptando a enfrentar a luminosidade, tanto noturna quanto diurna. Mas o pós operatório é tranquilo e fácil, disciplinar o uso dos colirios e cumprir as recomendações, qualquer tira de letra. 

Por que tudo isso, para lhe dizer que desta vez eu e Cida não acompanharemos vocês para Aracaju, mas nos encontraremos em Gramado.

Estaremos aqui na torcida por todos. Compitam, mas, sobretudo, se divertam, faz um bem danado. 


Abração, Marconi Urquiza 

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Votos sob objetivos


 


É hora de falar sobre política sem arengar. Pode discordar, fique à vontade. 


        Um amigo em 29 de maio deste ano me enviou um vídeo de 4,54 minutos, uma síntese extraordinária de uma situação de comportamentos de pessoas no século passado. Uma síntese de um dos regimes que mais dizimou pessoas. 

        O assisti com atenção, muita atenção, ainda mais pelo fato desse amigo ter aderido em 2018 ao bolsonarismo, na versão mais briguenta da direita, extrema direita.  Foram tempos de nenhum diálogo, ouvidos trancados e veneno na alma. Circunstância que ensejou outras reflexões minhas.

        Ao ver o vídeo informei a ele que assisti, então me sugeriu escrever uma crônica a respeito. Não escrevi. Me acautelei, os pruridos, os freios morais e psicológicos já estavam frouxos de parte do segmento da população que apoiava o candidato da direita.

        No sentido de demonstrar a intolerância, ilustro está crônica com um papo rápido com uma pessoa próxima, ainda em estávamos fevereiro deste ano.

        A gente viajava no mesmo carro e em certo momento da conversa alguns fatos foram apresentados por ele e eu constrapus com informações que mostravam a outra face da realidade sobre os  seus argumentos. Bastou cinco minutos dessa conversa e ele se enervou, se tornou quase agressivo, a ponto de eu lhe dizer assim: "Não precisa ficar nervoso". E o papo parou de vez.

        Esse epísódio é uma ilustração simples de centenas, milhares e até milhões de atritos quando certas "convicções" se chocam com os fatos e eclode dentro dessas pessoas, que se contrariam ao se defrontar com as suas "certezas" uma violenta raiva. O perfil é que não pode ser "contrariado" em suas opiniões ou "alheias", quem sabe, opiniões assimiladas pelo sequestro da subjetividade.

        Aí veio a eleição de Lula, no outro dia pipocaram vídeos e postagens para demitir funcionário que votou em Lula, nem precisa ter certeza, bastou se suspeitar. Gilhotina no "infiel". Também apareceu dono de pizzaria em João Pessoa com cartaz dizendo, raivoso, que não atenderia esquerdista ou vulgo petista. 

        Alguém mencionou boicotar comércio de petista. Não foi difícil uma comparação com o Nazismo. Vou colocar alguns verbos que me vieram à mente. Segregar, punir (com a morte simbólica: demissão), proibir o acesso de cidadões a espaços comerciais (proibir de entrar), expulsar (de escolas), ameaçar (e dar surras efetivamente), impor medo.

        Desde a juventude eu tive a maior curiosidade sobre como o alemão, povo desenvolvido no início do século passado havia aderido ao Nazismo.  Não compreendia. Só vim compreender muito depois e após muita leitura, entre elas a que mas me impactou foi Adolf Eichmann em Jerusálem - um relato da banalidade do mal, de Hannah Arendt.

        Aí vi também outra análise e foi o que me motivou a escrever esta crônica. Não fixei o início da frase, mas foi algo assim: Isso não é ideologia, é método. É método. Comecei a me indagar e tentar entender o âmago do argumento daquela pessoa.

        Método de que? Pois o vídeo logo se encerrou. Depois de algum tempo pensando consegui juntar, o contexto eleitoral com as perspectivas colocadas no parágrafo 5 desta crônica e o método.

        Qual método?

        O método fascista. 

        É um método que quer dominar pela violência dirigida aos mais fracos; de angariar o apoio dos mais ricos; do estado a serviço do interesses da elite; da violência dirigida aos opositores. Do verbo absoluto tomando a subjetividade (colocando a pessoa na bolha - incapaz de ter uma visão crítica).

        Aí, hoje, vi o filósofo Vladmir Safatle informar que o Brasil teve o maior partido fascista fora da Europa, com 1.200.000 filiados na década de 1930. Então não é de hoje, isto vinha sendo alimentado discretamente até explodir em 2018, após ficar em ebulição durante quatro anos, a partir da Lava Jato, em 2014.

        Como Vladmir Safatle disse, esse fascismo atual não veio do nada. As suas sementes estavam hibernando, esperando chuvas boas, tempo quente e gente a dizer: eu sou como você, pode aparecer. E foi o que ocorreu.

        O que se passou este ano não foi um gamer, em que se morre e revive na próxima tentativa do jogo. Foi um risco real de um regime com o monopólio da violência do Estado sob seu domínio. Este risco por hora está conjurado a espera da próxima eleição para presidente. 

        Esta é a minha visão e minhas reflexões sobre a campanha presidencial deste ano. 

        Há muito o que pensar, muito a dizer, muito a cuidar. Enfim,  o preço da liberdade é a eterna vigilância (Atribuída a Thomas Jefferson)

        Bem, por hora é só.

        Marconi Urquiza


Assista ao vídeo:




        

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Invisibilidade - Homem Invísivel

 

O desespero
No olhar de uma criança
A humanidade
Fecha os olhos pra não ver

Televisão: fantasia e violência
aumenta o crime e cresce a fome do poder
Da canção Filho do Dono - Petrúcio Amorim.




"Não é no silêncio que os homens e mulheres se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão." 
Paulo Freire.

        

        Na minha infância apareceu um herói chamado Homem Invísivel, nessas lembranças ele era do bem. Ajudava as pessoas contra os bandidos da série.

        Nesta quinta-feira, um do milhões de vídeos do Instagram, aquela mulher que nem conhecia, que filmava em uma praia, uma orla de prédios altos. O que é relevante para mim foi no decorrer do vídeo ela demonstrar a  razão de votar em candidato e a sua decisão envolve a palavra invisibilidade. A invisíbilidade social.

        Tal palavra fez correr o tempo para trás. Caí na minha infância de comida farta, lar organizado, escola disponível, farda e cadernos novos todos os anos. Bola de plástico para correr na rua jogando futebol descalço, mas o sapatinho estava guardado para ir ao coégio.  Contexto dos anos 1970.

        Aqui e ali, vinha à nossa casa camigos magrinhos, com as suas roupas puídas, alguns já desdentados, com uma dificuldade enorme para estudar. Mas eu não compreendia essa pobreza, não sabia de tal diferença gritante de renda e oportunidade.  

        Essa realidade e à medida que amadurecia fui tendo consciência de uma comparação entre o que tínhamos e o que muitos meninos, com os quais convivia, tinha e e eu sentia uma espécie de vergonha, acanhamento por ter mais. Não sei traduzir que sentimento era aquele.

        Mas essa pobreza ficou meio invísivel para mim com o passar dos anos. Via que não via, via e não sabia o que fazer e como ajudar. O tempo correu e caímos em 1982, ano de seca feroz no Nordeste, o estado ausente, eram muitas famílias ajudando centenas, milhares de outras famílias. Nesse mesmo 1982 acabara de iniciar a vida como profissional do Banco do Brasil e em certo final de semana, que não pude ir a Recife, o colega Erickson Torres liderou uma ação de cestas básicas que lotou um caminhão e as trouxe para Afogados da Ingazeira (PE). Então me chamou para o ajudar a entregar as cestas às famílias cadastradas.

        Imagino que cada cesta pesava 20 quilos, nosso trabalho era levar do caminhão até a casa de uma família. Eu tive um choque, um choque enorme, aquela invisibilidade caiu como uma cortina que se desprega da parede e eu vi a pobreza forte em várias casas. A maioria das casas só havia a mãe e as crianças.

        Agora vou dar um salto, o tempo correu por muitos lugares e eu estava nesse avião que só ver as coisas do alto. Havia visto a pobreza nos quase 3 anos no interior do Rio Grande do Norte, nos 4 anos no interior do Amazonas e nos 5 anos de Afogados da Ingazeira. E esse avião da vida nos levou até o Paraná. Quem está de lá não sabe direito o que se passa aqui, nem antes e muito pouco agora.  De minha parte eu pensei: Vou para um estado rico, era e ainda é um estado rico. 

        Já com três anos no estado, havia chegado em 1995 e lidava no Banco do Brasil com diversos tipos de clientes. Havia rico, o remediado de classe média e o pobre remediado. Quero dizer, o pobre que não tinha problema para alimentar a sua família. Pobre de Jó, como se dizia na minha infância e não tinha visto. A vida em Terra Boa  (PR) parecia conspirar pela invisibilidade dos mais pobres.

        Chega o ano de 1998, estava efervescente a Ação da Cidadania contra a Fome (criada por Betinho - in memoriam), juntamos a contribuição dos colegas da agência do Banco do Brasil e de clientes e fomos fazer um dia das crianças. Cachorro quente, refrigerante e briquedos simples. Esse dia foi feito em uma escola municipal. Cida, minha esposa, com as esposas dos outros colegas organizam toda a pequena festa e apareceram dezenas de crianças. Fiquei em um canto daquele salão observando o desenrolar dela. Eram todas de famílias pobres, mas até aquele instante invisíveis para mim. 

        Nos dias seguintes fiquei com uma frase na mente e cheguei a dizer a alguém: A pobreza do Paraná é envergonhada. Tem vergonha de aparecer. Se esconde (Terra Boa).

        Quanto a mulher falou no post (vídeo) no Instagram da Invisilidade Social, como a sociedade torna invísiveis essa massa, como forma um gueto visivel das favelas e invisiveis na falta de oportunidade de melhoria de vida, a reflexão voltou e foi sobretudo uma viagem às nossas pequenas conquistas e à lembrança de que muitos meninos, com os quais brinquei na infância, tenha ou tiveram uma vida de quase esmoleres, enquanto meus pais nos proporcionaram um futuro melhor, fruto também das oportunidades que nossos avós tiveram.

        Papai tinha uma obsessão, a de que nós estudássemos e nos formasse em curso superior. Estudo que até hoje ajuda a viver, aos 67 anos. Ele valorizava todo mundo que estudava e se tivesse sido prefeito de Bom Conselho, teria impulsionado como nenhum outro a educação na cidade.

        Graças a isso e em muitas famílias que conheço, a educação não nos fez invísiveis.

                Bem, por hora é só.

        Abração, Marconi Urquiza

        



sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O tempo e suas experiências

            Aqui a idade é 13 anos.

Tinha 17 anos e sentia inveja de muitos rapazes da minha idade. Bebiam, dirigiam velozes, namoravam e diziam que faziam sexo.

A minha timidez e também os limites da criação me amarravam.  Sexo: era donzelo.

Aí um dia, estava na farmácia de papai, reclamei e demonstrei inveja dos rapazes mais jovens que eu e que faziam tudo isso.

Seu Naduca ouviu minha queixa,  na minha inveja juvenil. Trinta anos mais do que eu, me fitou sério e então falou: "Olha, você vai fazer coisas antes deles" e enumerou algumas.

"Vai tirar carteira de motorista, vai votar antes deles, será de maior antes, se apresentará no Exército". Foi um consolo e uma verdade. Eu tinha algo  que aqueles rapazes teriam depois de mim. Foi mais que um consolo.  Foi quase um: "você é foda". Não era, mas me senti o "foda".

Minha gratidão ficou incompleta, nunca lhe disse assim: "Seu Naduca, muito obrigado, o senhor me fez me ver diferente, melhor". 

Agora, 50 anos depois, estou aqui, na casa dos 67 anos, e passei por novas experiências que só idade dá: aposentadoria, ser empreendedor sem depender do empreendimento; fazer duas cirurgias que vém com a idade, como a raspagem da próstata e a cirurgia da catarata.

Não tem jeito, nenhum gênio em situações normais as fará antes que tempo o venha abraçar. 

Então volto aos 17 anos, em que de certo modo queria adiantar o tempo, agora ocorreu ao contrário, empurrei quase ao limite para dizer: "Doutor ou Doutora, vamos marcar a cirurgia?"

Falando do tempo, me ocorreu de uma canção que fala dele no sentido de sua passagem, é uma de Alceu Valença, onde ele diz:

Você quer parar o tempo  
O tempo não tem parada

O tempo em si não tem fim
Não tem começo

Você quer parar o tempo
O tempo não tem parada. 

Assim é que Alceu Valença alerta em Embolada do Tempo, que ele não tem parada e vale mesmo é fazer da viagem que resta um imenso prazer. 


Então, um grande abraço.

Marconi Urquiza. 

.
Sábado, 29.08.26. 
Na Praça do Sebo, Recife.  Dia do seu 45° aniversário 

Em tempo:
Seu Naduca é Arnaldo Cavalcanti, amigo de papai e frequentador diário da Farmácia Confiança, lá em Bom Conselho, Pernambuco. Hoje extinta.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A notícia não era boa

       

        No último dia 13 de agosto ouvi a notícia que um amigo e antigo colega de trabalho está  bem doente, desenganado, magro e recluso.
         A minha mente fez o milagre de trazer boas recordações do convívio.
         Fez seis anos que o vi pela última vez em Salvador nos jogos de aposentados do Banco do Brasil, depois não nos vimos mais. Em 2019 estive em Araruna (PR), onde ele mora, fui à sua casa, mas não estava. Voltei a Recife sem conversar com ele.
         Mas ontem,  ao saber do seu estado de saúde, senti uma paralisia, como se uma notícia tão ruim nada significasse para mim, mesmo assim avisei a outro amigo em comum, que me pediu o telefone dele para falar ou enviar uma mensagem. Foi só aí que despertei da minha indiferença. 
        Saí dela e escrevi uma mensagem, mesmo intuindo que ele não leria. As notícias vinda do Paraná deram conta que ele se isolou, não quer visita e nem conversas, não quer palavras que não vão resolver seu problema de saúde. Não quer consolo. 
        Agora mesmo chegou esse questionamento: Qual consolo se pode levar a uma pessoa com doença incurável?
        Ontem foi essa minha dúvida e dilema. O que e como escrever? 
        Fui socorrido pela ótima recordação de um poema que ele fez para mim por causa de um gol que marquei no estádio municipal de Araruna. 
       Um gol em que fiz uma embaixadinha e chutei a bola. Por causa dele, recebi essa homenagem sua no mural da agência do Banco do Brasil na cidade.
        Que posso dizer?
        Abração, amigo. Abração!

        Marconi.

O fofoqueiro

      


         Quando comecei a ler o livro Os Espiões, de Luís Fernando Veríssimo, uma impressão foi tomando conta, páginas e páginas, muitos capítulos, aquelas conversas dos personagens irradiando pedaços de suas próprias impressões e da minha, isto aqui está com jeito de fofoca.

        Aí o passeio pelas páginas escapou para algumas lembranças, como a do fofoqueiro clássico, o malidicente, daquele tipo ainda mais classudo, o que fica levando e trazendo conversas só para ver o "mel" correr solto. Desses eu fugia dos encontros, vai para lá boca fedorenta.

        Mas há o fofoqueiro, aquele meia boca, que só insinua, sabe de alguma coisa que pode desagradar e chega como conselheiro: Olhe, se eu fosse você, ficava de olho! De olho em quê? Até imagina que há um interesse, fique só de olho  e solta uma meia verdade e nunca diz nada inteiro, o desejo é ser importante e assim, vai manipulando algumas pessoas.

        Eu gosto mesmo, a quem chamo de fofoqueiro, daquele que chega, quando não tem assunto, inventa um, só para nos fazer rir. É o fofoqueiro das invenções, um criador de literatura oral das mais originais. 

Acho que essa história eu já falei por aqui. Adolescente, chegou um dos fregueses de papai e começou a conversar na farmácia, naquelas horas em que a freguesia não chegava. Conversa animada, cheia de "is", ilustrando cada passagem e arrematou: "Você conhece a história de Zé Mole?" Conhecia Zé Mole, um ancião que era freguês de papai. Aí contou como ele ganhou o apelido.

        "Certa vez, Zé Mole, que era 'inspetor de quarteirão' chegou perto de  um valentão que tumultuava uma festa e deu voz de prisão: 'Teje preso'," o valentão sabecou um murro em Zé e o derrubou no chão, na versão daquele fofoqueiro, do chão mesmo, Zé gritou: "Teje solto" e aí Zé virou Zé Mole. O pior é que eu, aos 17 anos, mangando do idoso, falei: Teje preso, teje solto. Resumo: nunca mais ele foi comprar seus remédios na fármacia de papai.

        Aí ontem (novembro de 2025) foi a minha vez, o do fofoqueiro intrometido, do pitaqueiro que entende ou não do traçado. Estou ali, lavando as mãos para ir ao encontro da turma da AABB de Recife, que participava dos jogos dos aposentados em Natal, nisso chegam dois atletas de futebol da AABB Natal. Um deles falou assim para o outro, não sei se eu bebo, se eu beber e tomar um gol eles vão reclamar e aí eu disse de supetão: Homem, vá beber, por que se tomar gol, eles vão reclamar do mesmo jeito. Ainda hoje pela manhã escuto uma das maiores gargalhada espontânea que ouvi na vida. O goleiro se desmachou em um riso longo e contente. Parece que aquele pitaco lhe abriu uma gigantesca e saborosa lembrança que o fez gargalhar.

        Mas não é mesmo? Peladeiro adora reclamar, adora alfinetar uma jogada ruim, adora se sentir o "Pelé" e arrochar no que ele ver de medíocre  no outro e muitos deles, esquecem de se divertir. Nessas horas não digo nada, mas a vontade é dizer: Homem vá se divertir, ora bolas!

        Homem vá beber, por que se tomar gol, eles vão reclamar do mesmo jeito.

        Olhe, não sou fofoqueiro, mas adora ouvir uma conversa mole.

           

        Abração, Marconi Urquiza.

        

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Rapaz, você caiu em uma armadilha

        


        Rapaz, você caiu em uma armadilha e não foi a primeira vez. 

        Para deixar o leitor precavido, o assunto é sobre pontos da política. Essa danada que está em nossas vidas, quer se queira ou não;  quer se envolva diretamente ou não. 

        Na realidade, somos influenciado pela política todo o tempo. Até mesmo na omissão dos gestores públicos. 

        Na atualidade, conversar sobre política, com pessoas próximas, é caminho espinhoso e fácil para um desentendimento aqui no Brasil, à distância, os conflitos viraram regra. Como é fácil brigar pelas redes sociais! Aliás, não tão recente, o agravamento vem desde 2010 e piorou significativamente a partir de 2018. 

       Mas vamos para o agora. Na quarta-feira da semana passada peguei uma conversa andando e dei a minha opinião. O primeiro erro, foi não me inteirar antes de todo o assunto e evitar que opiniões tivessem se chocado. Era para sendo sondado mais do que se tratava e principalmente da visão de mundo dos meus interlocutores.

        Dez minutos antes, um amigo me perguntou o que estava escrevendo e respondi, informando de cara, o título do romance: A quinta forma de matar.  Logo em seguida falei uma sinopse, dizendo que o enredo é sobre os odiados e odiadores  (os haters) da Internet e também sobre o que me motivou a escrever envolvendo esta temática, que foi o suicídio de um filho adolescente de uma cantora de Campina Grande (PB), agredido pela gigantesca pressão sobre a sua sexualidade em uma rede social, em uma única noite. Depois, ilustrei, citando o "gabinete do ódio" de Bolsonaro, que foi um vetor de muitas agressões Brasil afora.

        Após essa informação, o amigo saiu e eu fui ao sanitário, ao voltar é que caí na minha própria armadilha. 

        O assunto naquela altura era a política eleitoral deste ano no âmbito da presidência da República.  Diferente de outros períodos eleitorais, comecei a acompanhar com mais assiduidade as pesquisas.

        Nessa de pegar o ônibus andando, me baseando nas mais recentes pesquisas para aquela quarta-feira a que me referi e quando assunto pendeu para a perspectiva de resultado da eleição à presidência eu me meti e opinei: "Lula vai ganhar".

        Como se diz no popular, "cutiquei onça com vara curta" e caiu sobre mim uma avalanche de "argumentos", opiniões e dados que não espelham a realidade, pelo menos das fontes que li e são várias, pelo menos estas: G1, UOL, Diplomatiqué Brasil e BBC Brasil.

        Vieram argumentos sobre os juros do Bacen, preço do diesel, fraude do consignado do INSS, entre outras que não recordo.  Tentei argumentar cada um dos pontos com os fatos investigados pela Polícia Federal, ledo engano, não estavam para ouvir qualquer informação que contradissesse seus "convicções".

        A armadilha apertou ainda mais o "meu pé", foi quando, tardiamente,  percebi que aquele papo estava viciado pela virulência, especialmente de um deles, que argumentava sem querer ouvir e elevava cada vez mais a voz. 

        Era hora de ir embora,  aquilo ali não tinha "futuro", pensei até que foi perca de tempo. Levantei-me e saí; já distante ouvi a frase irônica, "Marconi, também te amo". De costas, respondi com o polegar erguido.

        Sim, o papo em si não me ajudou em nada a enriquecer meus conhecimentos, mas foi muito útil para não cair em armadilhas como aquela; que podem transformar um relacionamento ameno, quase de amigos,  em um estrago que afasta as pessoas.

        Ao final, lembrei-me de uma frase que reporta uma decisão já de vários anos: Se for para eu me estressar, estou fora. Melhorando o entendimento, se for para me estressar, não quero nem saber. Só quero gastar minha energia com coisa boa.

        Foi assim, mais uma lição para a vida; a intolerância também está presente em quem menos se espera, ou pela sabedoria de um dos ditados mais populares da minha adolescência: Quem ver cara, não ver coração. É preciso estar sempre atento.

        Por hora, é o que tenho. 

Abração, Marconi.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Tenho saudade do tempo em que os meus grandes medos cabiam em um abraço

  

     

Tenho saudade do tempo em que os meus grandes medos cabiam em um abraço.

        Não sei o autor desta frase, mas ouvi nesta quinta-feira durante a audição do programa de rádio de Geraldo Freire, na CBN Recife.  O papo rolava sobre a situação atual, da influência desmedida para muita gente das redes sociais e dos temores que elas induzem a uma multidão. De certo modo, o temor à Deus foi substituido pelo temor de viralizar alguma que gere ódio e sofrer a avalanche de um Bullying digital.

        Ao dizer está frase, um dos presentes, quando sentia medo ia à sua mãe e ela lhe abraçava. Coisa tão simples quanto poderosa. Um abraço da mãe para acabar com o medo.

        Não é só o abraço em si, é uma mensagem de acolhimento, de pertencimento e sobretudo de amor. 

        O medo é uma força poderosa, arrasadora, que suprime a esperança e a fé que move uma pessoa para buscar ter a sua vida prosseguindo em paz. Quando o medo é real, próximo, a pessoa se retrai, muitas vezes esse medo é como um vento de uma irradiação atômica, não se vê, mas é real, outras, como foi mencionado hoje, o medo comum de agradar àquela multidão "sem rosto", pronta a beber o sangue que enche a internet de ódio. 

        Um daqueles que estavam no programa de Geraldo Freire revelou uma saudade, revelada com esta frase, de uma vida mais simples. Do medo simples, sanado com um abraço.

        Bem, é tudo que tenho para hoje.


        Um grande abraço.

         Marconi.

        

        

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Copas do Mundo

 

Criada pelo Google Gemini


        Na última segunda-feira, o radialista Geraldo Freire perguntou aos presentes, no seu programa Acerto de Contas, qual a copa preferida de cada um. 1970, 1982, 2002 foram as preferidas dos cinco participantes.

        Isso me estimulou a pensar. Tenho inúmeras lembranças, não de uma única copa. Meu desafio é escrever em um parágrafo o que algumas delas mais significou para mim.

        Vou começar pelo fim.

        2014 -  A derrota pesada contra a Alemanha foi como uma caixa de cerveja Original estragada e um silêncio avassalador e perda da paixão pela seleção brasileira.

        Vamos às lembranças ótimas e amenas.

        No tri o futebol não tinha despertado em mim tanto interesse, não entendia quase nada de futebol e, quando acabava o jogo, ia me juntar à multidão que se aglomerava na Praça Pedro II, em Bom Conselho, para ouvir a música tema da Copa, pular, a gritar e gozar dos adversários derrotados. No dia da final, isso foi marcante; o Diário de Pernambuco trouxe um pôster de Pelé e de uma bandeira. Isto antes do jogo pela manhã. Papai colocou o pôster de Pelé no capô da Ford Rural e estacionou o carro em frente da sua farmácia, depois andou pela cidade como se desfilasse. Dessa copa conservei comigo  durante uns 20 anos uma tabela miúda da Copa, preenchida; depois a perdi. O Pra frente, Brasil, salve a seleção.... me levou a desfilar no 7 de Setembro daquele ano uniformizado com a camisa 11, de Rivellino. Um colega perguntou por que escolhi a de Rivellino, "Ah! Quero ter um chute forte como o dele".

        Foi a vez da TV colorida em casa. Havia poucas na cidade e, nossa casa se enchia de gente para assistir aos jogos. Duas recordações recorrentes: eu e meu irmão Marcelo, após cada jogo assistido, fosse do Brasil ou não, íamos para a frente da casa tentar imitar os gols e defesas dos goleiros. A lembrança marcante foi ver papai lacrimejar ao assistir a disputa do terceiro lugar e o Brasil perder para a Polônia em 1974.

        Já estava morando em Recife, estudante, e, por causa dos horários dos jogos não se chocarem com os das aulas, assisti a todos os jogos que passaram na TV. Neste ano, catei um caderno novo de molas, pequeno, e me pus a anotar todos os jogos, quem fez o gol, em qual tempo ocorreu e o placar. Lembro com clareza quando Roberto Dinamite dominou a bola com a coxa e fez o gol contra a Austria em 1978. Aquele caderninho ainda me acompanhou anos a fio. Lamento que o perdi.

        Eita, foi o ano do choque total. Na derrota da seleção para a Itália já estava trabalhando em Afogados da Ingazeira (PE). No terceiro gol, a cidade silenciou; um grupo de colegas que assistia ao jogo na pensão de Dona Duda emudeceu. Após o terceiro gol, demorei alguns minutos, sem acreditar que o time tivesse forças para empatar saí discretamente de Dona Duda e fui à agência do Banco do Brasil. Se a memória não falha, naquele dia, só era para trabalhar de manhã. Fui andando pela cidade, silenciosa, silêncio absoluto; só se ouviam os sons  altos das televisões. Naquela tarde de 1982 fui o primeiro a entrar na agência. Tentei evitar ouvir a narração do jogo, mas não havia nenhum local dentro da agência ou na cidade que não a ouvisse. Impossível. Cada minuto martelava em minha cabeça. Após o término da partida, pouco a pouco os colegas foram chegando à agência em silêncio, naquela decepção absurda; o trabalho foi o refúgio para pacificar a mente.

        Nestas copas não recordo de episódios marcantes, apenas a lembrança do pênalti perdido por Sócrates contra a França, em 1986 e do passe de Maradona em 1990 para o gol que nos derrotou. 

        Não houve nada de especial durante as partidas que antecederam a final, apenas uma opinião aos amigos que assistiam e estavam impacientes, disse que naquele instante o jogo parecia ser de xadrez, via uma disputa de estratégia contra Camarões, dada a sua marcação até então eficiente. Logo depois Romário fez o gol. O jogo contra a Holanda eu estava na estrada, não vi. A final foi aquele jogo tinhoso. Mas a lembrança vigorosa foi no pós-jogo da final, durante a comemoração. Havia um pequeno clube de veteranos de futebol em Bom Conselho, chamado Falta de Ar. Assisti à final na sede desse clube. Quando Baggio chutou o pênalti para fora, toda a turma saiu correndo para ir para a Praça Pedro II, que explodiu de alegria naquela noite de 1994. Demorei uns 10 minutos, fiquei apreciando a comemoração dos jogadores no estádio. Quando saí para a rua, vi algo maravilhoso. Estava no alto do cemitério, apelido daquela rua. Deste local se pode ver toda a rua Manoel Borba. Como se fosse algo coordenado, os carros entravam na fila, subindo a rua para percorrer a cidade em carreata gigantesca e parar na Praça Pedro II. Não uma carreata qualquer. Se na cidade houvesse naquele ano mil carros, todos estavam na rua naquele instante. Confesso que não imaginava haver tanto carro na cidade. O buzinaço tomou conta.

        Já estávamos no Paraná, Ronaldo Fenômeno havia raspado a cabeça e nossos três filhos também rasparam. Do futebol, lembro de um gol de Rivaldo, creio que contra a Dinamarca em 1998, em que ele deu uma rosca na bola, com o goleiro em cima dele, e a bola passou um palmo ou dois palmos acima das pernas do goleiro. E a tristeza pela derrota contra a França. Lembro que o Paraguai foi um time com uma defesa forte e só perdeu para a França. 

        Nessa copa, foi a minha copa do nervosismo; não consegui assistir a nenhum jogo, ficava ouvindo a narração nervosa de Galvão Bueno madrugada adentro. Só vi a parte da final do jogo contra a Alemanha em 2002. Vitória consolidada, Nega saiu com os filhos e os amigos deles em cima da carroceria da  Chevrolet S10 a correr a passeata; de tanto buzinar, a buzina ficou rouca. Ela, com os filhos, correndo pela cidade, e eu em pé olhando, com lágrimas, o time do Brasil fazendo a roda no meio do campo para agradecer pela vitória na Copa do Mundo. Impressionante.

        Agora temos mais uma copa; para mim é melhor não se empolgar. Se ganhar o Hexa, vou vibrar muito. Se não ganhar, o futebol não sairá do meu coração.

        E as suas copas?


        Abração, Marconi.

       

sexta-feira, 29 de maio de 2026

A sensação que desliguei

 A SENSAÇÃO QUE DESLIGUEI


    Fazia tempo que a sensação de desligar mentalmente não ocorria. Atualmente, em geral, estamos todos conectados ao Instagram, no Facebook, TikTok e outras redes sociais.  Elas são mestres em pequenas doses constantes do hormônio do prazer, a dopamina, o que provoca na maioria das pessoas a sensação de nunca desligar.

        Outro efeito colateral é a falta de foco. No nosso caso, isso atinge de modo grave o que, no passado, era motivo de prazer e ocorria espontaneamente: a leitura. Lia habitualmente, um livro após o outro. Hoje em dia, a tentativa de ler exige um esforço enorme, horário marcado, tempo marcado, tempo mínimo de leitura. Hoje vou ler 30 minutos, amanhã será uma hora e assim ocorre a tentativa de levar a leitura de um livro adiante. Se o livro exige mais concentração, ocorre o abandono. Nos últimos 15 dias, dois ficaram pelo caminho: Ave Palavra, de Guimarães Rosa, e Todos os Contos, de Clarice Lispector. 

        Já estou no terceiro livro nestes mesmos 15 dias. Agora é "O Nazista e o Psiquiatra", escrito por um jornalista. A leitura não é complexa, e por isso, já li 50 páginas desde a última sexta-feira, mesmo com toda a dificuldade de manter o foco na leitura.

        A maior oposição que sinto é o impulso de abrir o celular e cutucar o Instagram; a mente está naquele viés de vício. Ainda não, ainda posso evitar e evito muitas vezes, mas meu foco foi embora, a minha imaginação seguiu pelo mesmo caminho.

        Aquele sentimento que desliguei mentalmene tem tanto tempo que não recordo quando ocorreu. Com segurança, foi há mais de 15 anos; ainda trabalhava no Banco do Brasil. Foi tão estranho que sequer lembrava a senha de acesso ao sistema geral da empresa. Depois da aposentadoria, desenvolvi um modo de viver para não sentir o vazio da falta de uma rotina. Naquela vibração do ditado popular que diz: ' Cabeça vazia é oficina do diabo.' Até que, há quase cinco anos, comecei a cuidar de uma nanoempresa e que hoje posso afirmar ser uma microempresa. Assim, a rotina que era leve foi ficando agitada e longa.

        Saltando no tempo. Em abril, nós (eu e Cida) viajamos para participar do CINFABB (jogos de aposentados do Banco do Brasil) em Belo Horizonte. Ir, vir, participar, acompanhar, conhecer a cidade — viagem para uma das cidades históricas. Mesmo abrindo o sistema para passar os serviços para a equipe e atender online os clientes, a rotina foi leve. Leve. Doze dias de viagem.

        Quando chegamos, no dia 3 de maio, fui ao quarto que uso como escritório, sentei-me à cadeira e pus os braços sobre a mesa, olhando para o computador. Neste momento veio o sentimento e a sensação: "Eu desliguei". Sabe, me senti ótimo. Feliz, até.

        Bem, por enquanto, é só.

        Abração, Marconi.

        


        PS: ilustração gerada pelo Google Gemini

        

segunda-feira, 18 de maio de 2026

ANTES DE MIM - Escrita por Djalma Xavier.

  


Antes de mim

            “Somos muitos Severinos, iguais em tudo na vida.                                Morremos de morte igual. Mesma morte Severina.”
                                 
                                João Cabral de Melo Neto

              “A vida devia ser bem melhor, e será !!!”

 Gonzaguinha

 

         Antes de mim houve outro Djalma. Com mesmo nome e sobrenome, mesmo pai, mesma mãe, nascido dois anos antes pelas mãos da mesma parteira, na mesma casa de chão batido, na zona rural do sertão pernambucano.

Em 18 de março de 1963, com dois anos de idade, meu irmão Djalminha foi para o céu. Minhas irmãs mais velhas diziam que ele era uma criança linda. Não há fotos dele. Não havia dinheiro pra esses “luxos”.

        Quando esse triste fato ocorreu, minha mãe estava grávida de mim (7 meses) e, dois meses depois, em 18 de maio, Djalminha “renasceu” para devolver a alegria àquela casa entristecida. O novo Djalminha herdou o nome e todo amor e carinho que a família tinha por “Djalminha do céu”, como ficou sendo chamado meu irmãozinho, pra nos diferenciar.  Nasci privilegiado nesse sentido. E eu e meus três irmãos mais novos fomos super protegidos para evitar que aquela tragédia se repetisse.

        Naquele tempo (meados dos anos 60) e naquele lugar não havia nenhuma estrutura de saúde. Se houvesse talvez meu nome fosse outro, e minha família teria mais um membro. Teria sido mais feliz. Não havia médicos nas proximidades; não havia ambulância pra levar um doente até uma cidade maior com hospital e nem estradas transitáveis por onde um carro qualquer poderia ter levado meu irmão pra ser medicado.

        Percebendo que o caso era grave, minha mãe e meu pai levaram meu irmão para o hospital mais próximo na garupa de um cavalo, por um percurso de 30 km de estradas carroçáveis. Não deu tempo. Quando chegaram a uma cidade com médico, já era tarde demais.

        A condição de miserabilidade que rodeava a gente daquele lugar era muito triste. Muitos casos semelhantes ao da nossa família aconteceram.

        A mortalidade infantil era uma vergonha nacional. Houve até uma reportagem da revista Veja sobre a mortalidade infantil no interior do nordeste, denunciando a existência de cemitérios só de “anjinhos”, bebês que morriam antes mesmo de se batizar. Havia muitas crianças que não “vingavam”. Morriam de diarreia, verminoses e outras doenças relativamente fáceis de tratar. Muito tempo depois surgiu um ‘anjo de verdade”, Dra. Zilda Arns, com sua Pastoral da Criança e disseminação do uso do soro caseiro, salvou milhares de crianças e ajudou muito a mudar aquela triste realidade.

        Aqui não se trata de ideologia. Nem de governo A ou governo B. Trata-se de humanidade. De tratar seres humanos como seres humanos. Diante da calamidade que era a saúde pública naqueles tempos de chumbo, parecia que Brasília pouco se importava que morressem tantos brasileirinhos por falta de assistência médica.  É muito triste, mesmo cruel, que se pense assim, mas talvez acreditassem que as famílias eram numerosas, então, se algumas crianças não sobrevivessem, seria mera fatalidade, culpa do destino.

        Depois desse triste episódio, lenta e gradualmente, as coisas começaram a melhorar por ali. A situação financeira da família melhorou um pouco e mudamos para uma casa melhor. Vieram vacinas para o vilarejo próximo e eu e meus irmãos mais novos tivemos mais acesso a remédios e, ainda com alguma dificuldade, a cuidados médicos. E, graças a Deus, nenhuma outra criança morreu naquela casa.

        Para desentristecer e desdramatizar um pouco, cabe registrar que atualmente meu filho é médico e trabalha em um Posto de Saúde na zona rural. Esse fato, por si só gratificante e reparador, produz uma esperança concreta de que muitos prováveis “djalminhas” poderão ser salvos, porque agora existe um médico próximo a eles, e isso pode fazer a diferença entre a morte e a vida.



quinta-feira, 30 de abril de 2026

6 x 0 = 13 gols contra, nenhum a favor.

        


        Pensei horas, horas. Pensei com vagar mais horas. O que faz uma equipe de futebol perder de 1x 0 no primeiro jogo e na partida seguinte ser derrotado por 4x0. Com falhas individuais evidentes, claras, e facilmente particularizadas, e depois desabar.

        Quase como uma unanimidade, as análises são que nosso time é fraco, sem talento, sem resolutividade. Tem que ter reforço. Uma das soluções mais reivindicadas.

        Precisar, precisa. É solução? É também, mas não é milagre. Isto levou a lembrar do escritor e professor Robert F. Mager, que em um dos seus livros lencionou que o pensamento imediato que treinar funcionário de baixo rendimento não é solução milagrosa para melhorar o seu desempenho e que é preciso ir mais além. Sinto a mesma coisa quando se fala em reforço.

        Por que perdemos de 2x0, 6x0, 4x0, 1x0?  Ou na ordem de realização dos jogos: 1x0; 4x0, 6x0; 2x0.

        Onde estava a alma? 

        Não estava no campo, no banco, no papo. Não estava em canto nenhuma, muitos pensaram.

        E os treinos, alguns bem sucedidos, geraram uma confiança exagerada ou irreal? 

        Por outro, foi  como tivesse ocorrido a quebra do frágil gelo de um lago que parecia congelado, como se os jogadores tivessem afundado em alguma crença que estavam em um time "bom, entrosado". Na primeira rachadura, o lago se liquifez.

        De repente, será? De repente, será? Será que de repente aquela toda importância prévia aos jogos oficiais se esfarelou?

        Então, não tenho nenhuma certeza, mas muito questões a refletir e apenas uma convicção: "jogo é jogo, treino é treino".

        Uma partida de competição não é pelada, no jogo competitivo há outras competências, outros cuidados e cobra a compreensão que o jogo de futebol competitivo, mesmo amador e de veteranos, exige um bocado de conhecimento que só jogar pelada não oferece, tipo: como fazer a cobertura; que sistema de defesa adotar, o mesmo para o sistema de ataque; como fazer transição para o ataque e para a defesa. A marcação vai ser alta, vai ser marcação baixa; o jogo vai ser reativo ou agressivo; o que fazer nas bolas paradas, tanto no ataque como defensivas. Esta lista não termina, há muito mais. E também como adaptar tudo isto às características individuais de cada jogador.
 
        Depois destas palavras e para finalizar, o negócio é se organizar fora e dentro do campo e, na nosso mente também, para ter um desempenho que não nos incomode.

        Para finalizar, sem preparo físico, que cada um cuide do seu. Pois, sem preparo fisico, teremos os mesmos resultados.

        Bem, por hora é que o tenho. 

        Abração, Marconi. 


sexta-feira, 17 de abril de 2026

"A arte de viver é simplesmente a arte de conviver", Mário Quintana

        

        O carro corria suave pela avenida, via de mão única com duas faixas,  o passageiro olhava placidamente as pessoas andando na calçada e as fachadas das lojas. Nisso o carro para, ele levanta a cabeça e ver o sinal fechado, no mesmo momento um Virtus engata ré e inicia a saída do estacionamento de uma academia. A tranquila viagem se transforma. O motorista do Uber, na faixa dos 45 anos, aciona a buzina, não como um alerta,  agressivo,  demorado,  inconsequente. Para avisar bastaria três toques curtos.

        O sinal abriu e o motorista fez um comentário, entendido pelo passageiro como discriminatório. Ele preferiu silenciar. 

        A viagem prosseguiu por cerca de 500 metros, logo mais outro semáforo fechou e deu oportunidade para o Virtus emparelhar e dizer ao motorista que ela havia visto o carro pela câmara de ré e que não iria bater nele. Depois saiu rápido e o motorista a perseguiu ruidosamente, raivosamente. Perigosamente. Logo adiante a dona do Virtus entrou à direita e o motorista desejou ir atrás,  mas logo lembrou que tinha um passageiro e seguiu para o destino, abandonando a perseguição.

         O passageiro disfarçou, mas se preocupou com a explosão raivosa,  um ressentimento brutal contra aquela mulher, que o motorista nem conhecia, uma violenta misoginia, um perigo ambulante ao volante daquele Uber. Durante cerca de 20 minutos foi descarregando toda sorte de ódio contra aquela motorista. 

         Aquele passageiro desceu e não agradeceu pela viagem. Saiu acreditando que ali estaria uma pessoa violenta, com ares de um ser simpático, uma máscara que caiu em um poucos segundos.

        Na calçada olhou para o carro se afastando, torcendo que ao pegar novo Uber encontrasse um espírito mais ameno, mais responsável e não misógeno. Sem ranço de ressentimento.

            O tempo passou e mais de dois anos depois do episódio a sua recordação trouxe à tona algumas questões, por exemplo:
            
        Como você reage ao interpretar que seu interlocutor é inferior?
     
        Como você reage ao levar uma fechada de uma pessoa com um carro humilde?
      
        Como reage ao levar um não ao chegar em um atendimento? 

        E se o seu viés de certeza for contrariado?

        Como você reflete a respeito de tudo isso e sobre este texto?
      
        Estas questões são uma parte da realidade que nos cerca, dos seus vieses afetivos que serão super estimulados nos próximos meses e, possivelmente, testando nossos freios emocionais, que deverão estar revisados junto com a capacidade de reflexão para se evitar o descontrole emocional que acometeu o motorista do Uber. 

      Zele pelo seu entorno, ele vai devolver saúde, paz, alegria, companheirismo, apoio, amizade e amor.

      Bem, é o que tenho para o momento. 

     Abração, Marconi.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Jovinho e seu bom humor

Gerada pela IA Gemini 


Há dias venho lembrando dessa pessoa,  daquelas expansivas, que exalam o bom humor como se fosse  um jasmim.

        Depois de mais de 20 anos sem saber seu destino,  se já foi ou ssssssssssssss espalhando seu Jovinho! Jovinho acompanhando pelo sorriso e um vozeirão forte e propositalmente alto para que todos os ouçam assim se apresentava.

        Não há uma explicação lógica para ele voltar às minhas recordações, esse viés de saudade. Uma carência de um tipo de bom humor espontâneo? Uma carência de uma pessoa que parecia carregar em si a alegria de ser ele mesmo?

        "Por que o Senhor tem esse nome?" A curiosidade havia chegado.  Eu era comerciante em Cianorte, comprovava e vendia mamona, então fiquei conhecido por Chico da Mamona, depois de muitos anos assim, ganhei esse sobrenome, hoje sou Chico Mamona.

        Ele tinha duas fazendas pequenas de soja, uma Araruna e outra em Tapejara, ambas no Paraná. 

        Um dia ele apareceu na agência do Banco do Brasil de Araruna (PR) e convidou um monte gente para um churrasco em Tapejara. Depois vim saber que ele dava essa festa anualmente após a colheita da soja. Se a lembrança estiver correta, era no dia do seu aniversário.

        Depois não o vi mais,  vez por lembrava dele por causa da insistência em que pagar o custeio agrícola em dinheiro vivo. "Não seu Chico, tem que depositar na sua conta." Jovinho, Jovinho, é, é, éeeeeee em dinheeeeeiro!

        Recordar isso nos divertia, depois a lembrança voltava para aquela parte da mente que só quando provocada, mas agora foi diferente,  veio espontânea. 

        Bem, seu Chico Mamona, um grande abraço onde quer que esteja. 

        Bom dia, Jovinho!
        "Bom dia, seu Chico Mamona! Sente aqui."

        Por hoje, é o que tenho.
        Abração,  Marconi. 

        
        PS: 
        Seu Chico Mamona se despediu em 2019. "Francisco Nizo".

sexta-feira, 3 de abril de 2026

O medo, uma música, um tareco, uma mariola




No meio do encontro semanal após a pelada desta quarta-feira, na conversa com Jeovane, cada um falando de suas experiências de vida acabei contando uma pequena história e ele me perguntou: "Você já contou isso para Patrúcio (Patrúcio Amorim - o poeta do forró)?" Nunca contei a ninguém, é a primeira vez que falo disso - foi a minha resposta. 

        Por causa desse papo resolvi escrever essa história. 

        O medo gravava na alma a insegurança de uma jornada de vida, 11 anos de dedicação, esforço, coragem, apoio e um tanto de doideira ao irmos para o desconhecido,  Tabatinga,  no Amazonas, depois a loucura dobrou, estávamos em Boca do Acre, também Amazonas, quase Acre, dado a proximidade de 256 quilômetros com Rio Branco. Amazonas era na prática uma referência meramente geográfica. Rio Branco foi até a capital de um chope, que para não pirar me levou a percorrer de 520 km, ida e volta de Boca do Acre a bordo de um Fusca azul.
         Mas aí errei, errei feio e fui para em Palmeirina (PE), uma minúscula agência e logo regrediu para posto e pelo ralo foi meu cargo de gerente geral, com todas as implicações emocionais, de renda e da carreira. 
        A água não subiu de uma vez, o desespero foi chegando aos poucos e foi apertando a vida, a perspectiva individual se reduzindo diante do aperto promovido pelo Banco do Brasil no Plano de Demissão Voluntária, em 1995.
        Nesse período fui a uma reunião em Caruaru (PE), entre os temas estava sobre as vagas restantes no Estado de Pernambuco, que havia perdido inúmeras. 
        Terminou a reunião e no corredor abordei o recém nomeado Superintende Regional, perguntei como me recoloceria, mais que a resposta, foi a empáfia que doeu. Deu-me raiva, silenciosa, não resignada e saí da cidade furando todos sinais vermelhos. Coisa que evitava fazer. 
        Aqueles 150 quilômetros até o lar foi com esse sentimento.  Nos dias seguintes o desespero me fez pedir transferência para 800 agências diferentes.
        Em um desses dias coloquei Barbosa Ferraz, no Paraná,  no outro estava transferido. Havíamos vindos de longe a coisa de um ano e já íamos para quase 3.000 km das nossas origens.  Apesar de tudo,  isto nos deu tranquilidade.
        Após essa notícia, em certo dia, perdemos o horário da remessa do malote para Garanhuns e tive que ir levá-lo em uma dependência de nome CESEC, naquela cidade. 
        Na volta para casa, na rua do Colégio Santa Sofia, ao me aproximar do esquina ouvi o som, alto, vigoroso, de uma música que não sei explicar como me tocou. Parei o carro, atravessei as duas ruas e entrei na discoteca,  sim, se vendiam CDs em lojas. 
        O dono já havia trocado de cantor, "Ei moço, quem era que tocava agora?" Coloquei vários nessa meia-hora.  "Não, foi agora, tem 5 minutos." O rapaz puxou um disco e disse: "Foi esse, tá um sucesso enorme." E em seguida colocou uma certa música. 
        Mais de 30 anos se passou, aquele som forte da discoteca, com a mensagem intrínseca da canção e a voz do cantor reverberou na minha mente, no meu coração e em nossas vidas. Sem saber, sem compreender,  ali nascia um novo rumo, uma vida de luta, em que matar um leão por dia era fichinha. Saí da loja renovado,  no carro ouvia o CD com um som menos potente, mas quem precisava! A potência estava na canção e naquele cantor que eu desconhecia.
        A conversa com o amigo Jeovane, na AABB Recife, me proporcionou a recordação dessa história, que me fez bem diferente ao chegar no Paraná, cheio de confiança e com uma disposição e criatividade poderosas, afloradas, nas dificuldades de Palmeirina, o que me fez superar as barreiras de ter outra origem.
        Bem, Tareco e Mariola, na voz de Flávio José,  foi minha iluminação e abertura para receber a força do Universo e vencer aqueles desafios postos pela vida e pela empresa naquele 1995.
        Torço que em suas vidas tenha lhe ocorrido algo assim, que a recordação ainda seja capaz de lhe energizar.

        Bem, por hora, é o que tenho. 

        Abração, Marconi Urquiza. 

sexta-feira, 27 de março de 2026

Boa tarde!


Boa tarde! 

Sentei-me na loja para esperar o conserto do celular e fiquei pensando: amanhã é dia de crônica,  faz duas semanas que não escrevo uma, aliás, não escrevo nada. Um tempo atrás ainda rascunhava um ajuntado de frases, mas vivo procurando um assunto e tudo que vêm à mente são as coisas críticas do nosso tempo.  Até parece que estou na armadilha do algoritmo das coisas ruins, dos pontos que deveriam exigir um mínimo de reflexão. 
     Nesta quinta-feira corri por alguns endereços: Hospital Português de Recife,  o apartamento de mamãe (em reforma), a clínica veterinária e aqui, agora, a oficina de celular. O celular do serviço anda tão parado, com uma folga perigosa por que os clientes não chegam e a empresa não fatura,  como os impostos, o faturamento é variável.  Vende mais, mais imposto é arrecadado.
     Depois da loja do celular corri para a Safe Clean de Recife,  empresa que nos ajuda imensamente, coletei tapetes limpos e pedi a um funcionário que nos ajudasse consertando um pulverizador de aço inox.
     Nesta sexta-feira estarei em JAMPA, João Pessoa,  devolvendo os tapetes para os clientes. É preciso um mínimo de pensamento de logística para não ficar dando voltas na cidade.
      Por uma falha nesse planejamento estou indo duas vezes à cidade na mesma semana. Não é uma lição nova, pois isto sei há muito tempo, é um lembrete que não se pode se descuidar e nem estar exausto ao trabalhar, pois a atenção nestas circunstâncias voa igual ao Condor.
      Há momentos em que olho para a tela do computador e vejo outras entranhas, a empresa que carece ser mais organizada para ser proativa nos momentos de diminuição da demanda e, que passa por nós mesmos.
      Nesta semana um amigo perguntou, esta escrevendo muito? Quase como um lamento respondi: nada, é que ao tomar conta da empresa toma todo o meu tempo fisico e mental. Este é que pega. O tempo mental. Pois há muito não consigo dividi-lo com a escrita. O escritor entrou em uma hibernação mais longa que as dos ursos.
      Depois de oito meses ensaiei jogar futebol ao ir ao treino na AABB, mas o joelho esquerdo falseou quatro vezes,  nas duas últimas a dor foi aguda e sobrou um joelho dolorido desde então. Isto indica que fazer reforço muscular frequente e mais forte é fundamental. 
     Nos últimos meses andei lendo mais, de dezembro para cá devo ter lido uns quatro livros, lembro de três: "Por que a esquerda morreu" - de Jesse de Souza, é  um livro análise desta ocorrência sobre a corrente política.  É um livro chato de ler. A leitura não flui. Antes havia lido o romance "Os espiões", de Luís Fernando Veríssimo. Dois terços do livro ele passou a impressão que o que passou na história era uma grande fofoca, na parte final se transformou em um livro de final comum. Com alguma atenção dá para perceber a técnica literário aflorando. 
      Depois li, melhor, descobri a escritora Maria Valéria Resende, com o romance "Outros cantos". Um história interessantíssima e que tem como pano de fundo a ditadura de 1964. Mas é sobretudo sobre a pobreza do interior nordestino,  sobre a falta de perspectiva no tempo narrado no romance.  Comecei até a viajar na memória da infância e adolescência,  naquela pobreza de muito amigos daquela época em Bom Conselho. Situação que me marcou a vida inteira. 
    Depois tentei ler o livro de Waldrido Warde e Lincoln Gakiya: "Segurança Pública: O Brasil livre das máfias."  Não consegui terminar.  Para mim faltou mesclar ao texto técnica de redação jornalística e até literária, para que tema tão recheado de citações legais sejam assimilavéis para o leitor fora do campo do direito penal. Então larguei para debaixo da mesa de centro e ele virou está lembrança. 
      Depois dele voltei para Maria Valéria Rezende, com o "O voo da guará vermelha". Guará é uma ave. É uma história interessantíssima,  que vem tratando das dores profundas dos dois personagens de maneira magistral,  que não afasta o leitor. Que mistura os espinhos das suas vidas e ao enredo das histórias contadas por Rosélio. 
     Bem, preciso terminar.  O dia está clareando que estou finalizando esta crônica. 

     Portanto!
     Bom dia, luminoso dia!

      Abração!
      Marconi. 

sexta-feira, 6 de março de 2026

Existimos: A que será que se destina?


Viktor Frankl
 

        Começou, começou, começou aquilo que muitos refugam, mas têm uma apaixonada, apaixonada reação ao ouvir opiniões contrárias.

        Às quartas-feiras a gente tem uma roda de conversa após o futebol, se fala sobre quase tudo, principalmente futebol, conversas avulsas, de tudo que era tipo, durante muito tempo, um certo tipo de assunto não chegou a aparecer. Aquela tema que separou muitos amigos e famílias, mas nesta última quarta-feira alguns minutos de conversa sobre política e políticos se insinuou. 

        Hoje lembrei-me de Jessé Souza: Será que há tantos ressentidos assim? Ou na vertente de Michel Alcoforado, em uma variante da cultura brasileira apresentado no livro Coisas de Rico, que cada brasileiro tem o seu rico de estimação.

        Será que cada brasileiro tem o seu político truculento, mentiroso, desonesto de estimação?

        E o papo começou a rolar na direção dos políticos e iria passar para o tema eleição presidencial, porém, em alguns minutos, chegou um amigo, super bem humorado, brincalhão como ninguém e sem perceber desviou o assunto.

        Creio, nas próximas semanas deverá voltar mais forte. Talvez, talvez venha tão radical quanto foram nas últimas duas eleições. Isto fez me lembrar da mente que vai sendo moldada pela repetição, pela expulsão das formas de refletir sobre as situações. Pelos algoritmos. A respeito destes programas, é vezeiro, que eles têm direção e intenções e; não é a democracia, a pluridade sadia de pensamentos e visões de mundo. Até compreender isto pensava que estes programas das redes sociais eram apenas um fator de negócios, de venda, de audiência; me fazendo recordar é que preciso saber qual é a intenção de quem pronuncia um pensamento ou age de certa forma, a tal ponto que recapitulei uma frase, que não recordo a autoria, e, em contexto, diz assim: Não tem ciência neutra, apesar dos métodos científicos, porque ainda perdura no pesquisador a sua subjetividade.

        Quando jovem ouvi um comentário sobre um certo candidato, político profissional, que teria dito sobre ele mesmo e sobre os eleitores: Quem tem que se apaixonar é o eleitor, político que se apaixona pela eleição perde. Creio que perde a perspectiva da batalha, que tem que começar bem antes, cega diante das evidências de uma campanha ou situação ao se portar como um apaixonado.

        Nesta quinta-feira, finalzinho da tarde, com as luzes sumindo na noite, comecei divagar diante do curto papo, de um indício ainda fraco, menos fraco que antes de 2018, e que me fez fazer uma analogia para a frase da canção Cajuína, de Caetano Veloso: Apenas a matéria vida era tão fina e peguei outra frase emprestada para trazer aqui nessa dúvida: Existimos: A que será que se destina?

        E será que vamos transformar a amizade, apenas a matéria vida - "amizade' - era tão fina. Tão fina, tão frágil, tão desprezível, tão desprezível em nome de uma convicção que vem sendo imposta sutilmente por um atributo mental regressivo externo.

        E vamos existir assim? Existimos: A que será que se destina? À briga, a perda desse bem, à solidão, a repulsa social. Ou algo tão humano quanto isto que escrevi, mas, mais grandioso, enaltecedor da vida em paz quando respeitamos a amizade e o convívio familiar. 

        Como se leciona na disciplina Inteligência Competitiva: Atenção para os sinais fracos, ele podem ser um prenúncio de uma perda. Esses são os sinais fracos que percebi no momento.


        Bem, por hora, é só.  

        Abração, Marconi Urquiza.

        

VIKTOR FRANKEL - Psiquiatra, neurologista. Sobrevivente de um campo de concentração nazista na segunda guerra mundial e ele escreveu sobre este período no livro: Em busca de Sentido. 

        Em resumo: Trata da busca por um sentido para a vida. Ter um sentido para a vida transforma a pessoa e salva de uma morte precoce.

        

        

Boas idas ao Jinfaab

Amigas, amigos do Jinfabb  Vou antecipar meus desejos, pode ser que eu esqueça de fazê-lo no dia da viagem.  Neste ano decidi li...