Saber
o que vai fazer, preencher o tempo, fugir da depressão, ser e se sentir útil no
pós-aposentadoria é um desafio diário. Isto é, quando possível.
Sendo possível. O aposentado, como
regra geral, vai tentar se ocupar de muitas maneiras. Por experiência pessoal,
com pedaços de atividades, trabalhos entrecortados e quase sempre de curto
prazo. Coisa de dias. É um picadinho medonho a cada dia. Diria, que este aspecto é
o normal.
Os laços corporativos ou
profissionais, regras, rotinas, amigos, colegas se esgarçam, tanto que às vezes
estranhamos, em muitos momentos, ao se ver um antigo colega. Parece que uma
ponte se rompeu em um rio largo, onde só vozes lançadas pelo vento chegam e
ainda assim, fracas. Esse também é um quadro geral.
No meu caso, a aposentadoria foi um
duplo choque. Primeiro, por ter projetado uma saída em certo período e as
circunstâncias me empurraram para fora do trabalho, rompendo esse planejamento. Depois, porque o que
desejava fazer foi interrompido ao concluir o mestrado, dois anos antes.
Achei, após muitos meses de aposentado, uma
salvaguarda na escrita e que me ajudou a ir atravessando os dias, me tornando,
de certo modo, um pequeno especialista na escrita criativa. Esse negócio de
criar histórias me enche de satisfação.
Aí, neste último mês comecei a atender, no home
office, os clientes da Safe Clean João Pessoa. Tendo o Whatsapp como a forma prioritária
de comunicação. Raras são as ligações.
Como tudo, é um aprendizado.
Descobrir como “falar” no zap. Aos poucos vi que usar emoji não é comum. Retirei.
A fala dos clientes é pura objetividade, nos cabe mudar o enfoque, tirando do
preço e tentando levar para o valor (qualidade) do serviço. Ainda não sei como
fazer, estou tentando.
Certos aspectos da comunicação oral,
valem, mas não excessivo. Pedir desculpa e agradecer é essencial. De certo
modo, ser veloz na resposta é fundamental. Entender o momento do cliente, tem
que ser coisa de um ou dois minutos. Também estou aprendendo. Tem muita gente boa nisso, por causa deles
comecei a praticar o Follow Up. Em resumo, é não desistir. Se não der naquele
momento, voltar a falar com o freguês. Aliás, veja a pessoa sempre como
freguês.
É uma venda de varejo e a atividade,
serviço. O essencial e ter atendimento na ponta de excepcional qualidade.
Serviço primoroso. A gestão das expectativas é mais que exigida. Muitos fregueses
contratam o serviço porque querem tirar manchas, mais que a limpeza. Tem
mancha que não sai. Nem com o melhor produto, técnica, tecnologia e o melhor profissional. Este é um
dos aspectos dos mais difíceis, comunicar o que o cliente deseja e o que o serviço pode oferecer.
Não sei dizer se isso é vantagem ou
não. Passei a vida inteira, desde a infância, trabalhando no varejo e vendas de
baixo valor, considerando o segmentos nos quais atuei. Primeiro foi na farmácia
de papai, depois nas agências de varejo do Banco do Brasil.
Uma mentalidade eu levei para essa
vida de bancário. Naquele tempo da farmácia, cachete era sinônimo de comprimido.
Muitas vezes o freguês só queria um Sonrisal (antiácido). Só um. Era o
varejinho diário. Na nova atividade, da pós-aposentadoria, eu ajo com a mesma
mentalidade. Cada negócio, cada cliente, cada consulta, não tem rosto, condição social. A fala, raríssimo,
apenas o digital. Atendo como se fosse único, como a maior venda do planeta,
sempre pensando que as pessoas são diferentes. Esta é uma vivência antiga que aplico no novo, adaptando ao meio e à oportunidade. Independe de tecnologia. É experiência e feeling.
O pior nessa atividade, é que não existe venda recorrente, repetida em curso prazo. Se ocorrer, é de no mínimo 12 meses. É pedindo ao cliente que nos indique, pedindo que nos avalie no Google e nos esmerando em ser o melhor a cada atendimento. Nos comunicando incessantemente nas redes sociais.
É preciso, em serviço, ser obsessivo com a qualidade. Para tudo que for
relacionado.
Só o bom nome faz esse negócio prosperar.
Pois bem, estou me sentindo como o personagem de Robert De Niro, em ambiente que não é propriamente estranho, e é a mesmo tempo é tudo novo.
A linguagem digital, as imagens que devem ser trocadas a cada postagem, as avaliações renovadas como em um Uber, aí, de vez em quando alguém liga e que ouvir a voz, nisso vem a velha tecnologia da conversa que inspira confiança.
Bem, eu sou o novo Senhor Estagiário e estou me descobrindo.
Abração,
Marconi Urquiza
