sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

No exercício da paciência



      Gatinho lindo e desconfiado.
      Fotografia de Ana Reguart

      VENCER O CORONAVÍRUS?
      SÓ MESMO COM A CIÊNCIA 
      SÓ HAVERÁ PERDEDORES 
      COM ATOS DE PREPOTÊNCIA.
      É A HORA DA RAZÃO 
      DA FÉ,  DA VACINAÇÃO,     
      DA MÁSCARA,  DA PACIÊNCIA. 
      Ademar Rafael a nos inspirar em termos paciência. 

      CHUVA NO LAGO,
      CADA GOTA,
      UM LAGO NOVO. 
      Alice Ruiz a nos lembrar a ter esperança.     

    Estava perdido,  não tinha assunto e ao mesmo tempo não há falta de um. É como padecer no paraíso. 
     A vacinação começou. 
     Em 1987, em algum domingo de maio, eu estava na casa do meu sogro.  Naquela noite eu fui dormir depois das onze horas. Havia dormido um pouco mais de um hora e meia quando eu e minha esposa fomos acordados.
    A vizinha recorreu à minha sogra e ela nos chamou para levar o neto, pois o menino não parava de vomitar, dessa vizinha à casa dos pais em Maceió. Distante 180 quilômetros. 
    A uma e meia da manhã, eu ainda disse a Cida: "Queria ter dormido mais um pouquinho".
    Fazia pouco tempo que tínhamos comprado um Monza usado e detonado,  o que só saberia depois. 
    Um pouco depois da uma e meia da madrugada a gente estava na estrada,  cheio de adrenalina a nos tirar o sono.
     Entre quatro e quatro e meia da manhã a gente chegava na frente da casa dos pais do garoto. De lá fomos ao hospital,  o menino não tinha nada, só saudade. Perto de seis da manhã recusamos um convite para cochilar. Imaginei que às sete e meia estaríamos comendo cuscuz com leite em Bom Conselho. 
     Sonolento, com os vidros do carro abertos, iniciamos a volta.  Passamos por Satuba e começarmos a subir a ladeira que nos colocaria no planalto a caminho de Atalaia. Todas em Alagoas. 
    Nessa subida,  com reflexo zero, eu me assustei com uma Kombi que fez uma curva passando pela nossa pista. Com isso fiz um movimento brusco e perdi o controle carro, dei um cavalo de pau para não cair no barranco, o carro deslizou de lado e bateu na calha de água do acostamento.  Travou. O jeito foi pedir socorro ao pai do menino. Cida foi atrás, eu fiquei no carro.
     Com duas garrafas de água mineral e um pacote de bolacha fiquei na rodovia das seis da manhã até o meio-dia. Chegamos na casa do sogro às três da tarde.
     Para quem estava com apenas 27 anos,  acelerado,  naquela manhã recebi a maior aula de paciência até hoje. Nada a fazer,  vigiar o carro para não ser furtado e esperar o socorro. 
     Esse episódio voltou ao meu coração nesta semana ao conversar com minha mãe de 82 anos, ansiosa para ser vacinada. Uma ansiedade ainda maior do que a que lhe acompanha. 
      Sabe, fiquei pensando, pensando...
      Qual lição aquele acidente, do qual escapamos ilesos, pode nos ensinar hoje?


Semana Iluminada, repleta de bons augúrios.
Marconi Urquiza


      
    


     

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