Começou, começou, começou aquilo que muitos refugam, mas têm uma apaixonada, apaixonada reação ao ouvir opiniões contrárias.
Às quartas-feiras a gente tem uma roda de conversa após o futebol, se fala sobre quase tudo, principalmente futebol, conversas avulsas, de tudo que era tipo, durante muito tempo, um certo tipo de assunto não chegou a aparecer. Aquela tema que separou muitos amigos e famílias, mas nesta última quarta-feira alguns minutos de conversa sobre política e políticos se insinuou.
Hoje lembrei-me de Jessé Souza: Será que há tantos ressentidos assim? Ou na vertente de Michel Alcoforado, em uma variante da cultura brasileira apresentado no livro Coisas de Rico, que cada brasileiro tem o seu rico de estimação.
Será que cada brasileiro tem o seu político truculento, mentiroso, desonesto de estimação?
E o papo começou a rolar na direção dos políticos e iria passar para o tema eleição presidencial, porém, em alguns minutos, chegou um amigo, super bem humorado, brincalhão como ninguém e sem perceber desviou o assunto.
Creio, nas próximas semanas deverá voltar mais forte. Talvez, talvez venha tão radical quanto foram nas últimas duas eleições. Isto fez me lembrar da mente que vai sendo moldada pela repetição, pela expulsão das formas de refletir sobre as situações. Pelos algoritmos. A respeito destes programas, é vezeiro, que eles têm direção e intenções e; não é a democracia, a pluridade sadia de pensamentos e visões de mundo. Até compreender isto pensava que estes programas das redes sociais eram apenas um fator de negócios, de venda, de audiência; me fazendo recordar é que preciso saber qual é a intenção de quem pronuncia um pensamento ou age de certa forma, a tal ponto que recapitulei uma frase, que não recordo a autoria, e, em contexto, diz assim: Não tem ciência neutra, apesar dos métodos científicos, porque ainda perdura no pesquisador a sua subjetividade.
Quando jovem ouvi um comentário sobre um certo candidato, político profissional, que teria dito sobre ele mesmo e sobre os eleitores: Quem tem que se apaixonar é o eleitor, político que se apaixona pela eleição perde. Creio que perde a perspectiva da batalha, que tem que começar bem antes, cega diante das evidências de uma campanha ou situação ao se portar como um apaixonado.
Nesta quinta-feira, finalzinho da tarde, com as luzes sumindo na noite, comecei divagar diante do curto papo, de um indício ainda fraco, menos fraco que antes de 2018, e que me fez fazer uma analogia para a frase da canção Cajuína, de Caetano Veloso: Apenas a matéria vida era tão fina e peguei outra frase emprestada para trazer aqui nessa dúvida: Existimos: A que será que se destina?
E será que vamos transformar a amizade, apenas a matéria vida - "amizade' - era tão fina. Tão fina, tão frágil, tão desprezível, tão desprezível em nome de uma convicção que vem sendo imposta sutilmente por um atributo mental regressivo externo.
E vamos existir assim? Existimos: A que será que se destina? À briga, a perda desse bem, à solidão, a repulsa social. Ou algo tão humano quanto isto que escrevi, mas, mais grandioso, enaltecedor da vida em paz quando respeitamos a amizade e o convívio familiar.
Como se leciona na disciplina Inteligência Competitiva: Atenção para os sinais fracos, ele podem ser um prenúncio de uma perda. Esses são os sinais fracos que percebi no momento.
Bem, por hora, é só.
Abração, Marconi Urquiza.
VIKTOR FRANKEL - Psiquiatra, neurologista. Sobrevivente de um campo de concentração nazista na segunda guerra mundial e ele escreveu sobre este período no livro: Em busca de Sentido.
Em resumo: Trata da busca por um sentido para a vida. Ter um sentido para a vida transforma a pessoa e salva de uma morte precoce.