A Copa do Mundo me trouxe vontade de falar sobre futebol. Eu até poderia contar a história que viajei 240 quilômetros para não ver a cor da bola em algum lugar entre Boca do Acre (AM) e Rio Branco no Acre para jogar uma pelada domingueira. Então, qual a sua lembrança mais distante do futebol?
Eu poderia dizer que a minha foi entrando no Foto Neto de Zé do Foto em Bom Conselho no dia sete de setembro de 1970. Naquele dia estava vestido com a camisa 11 da imitação do padrão da seleção tri campeã, poderia até dizer que queimei o rosto na fogueira de São João quando Pelé desembarcava do avião vindo do México.
Mas não foram estas duas cenas, a primeira explosão com o futebol ocorreu quando o Brasil fez 4 x 1 na Tchecoslováquia e aquele mundaréu desceu para a praça Pedro II e ficou em frente ao bar de João Presideu comemorando a vitória.
Assim se repetiu durante a copa. Mas no dia da final tudo me pareceu silencioso, a farmácia do meu pai estava de plantão e às nove da manhã eu estava lá com ele.
O Diário de Pernambuco da véspera veio com dois encartes, a fotografia de Pelé e o postal da seleção brasileira.
Sem saber o motivo vi meu pai sair com a Rural. Hoje acho que ele queria mostrar seu fervor de torcedor. Perto da hora do jogo ele a estacionou e então eu fui lá ver aquele papel colado na frente do carro, lá estava Pelé sorrindo para a câmara. Pelé, Pelé!
O danado disso tudo é que não recordo da festa do tricampeonato, tudo que a minha lembrança alcança foi de novo o mundaréu ocupando toda aquela enorme praça.
Foi meu Big Bang para o futebol, nos vinte anos seguintes me tornei um peladeiro assíduo e de carteirinha, tanto que cheguei a criar um time. O glorioso e efêmero Sport Club Caraúbas.
Abraço,