Guernica - Quadro de Picasso
Amados, é guerra. E não é de videogame.
Umas das frases que reverberou em minha adolescência vinha de longe. Eu lia nas carrocerias de caminhões e era de uma empresa que fabricava carrocerias ou era concessionária da Mercedes Benz, penso que no Rio Grande do Sul.
A frase era essa: Guerra é paz nas estradas.
Quando criança me encantava com o primo Gervasinho desenhando navios de guerra. Alguns anos depois eu vi no Cine Brasília muitos filmes inspirados na Segunda Guerra Mundial. Muitos, em que os heróis sempre levavam vantagem contra os inimigos. (Quase todos nazistas).
Mas a guerra para mim não causava impacto. Como alguém disse, mais 30 anos depois: Aquelas, eram guerras de videogame. As dos filmes.
Entenderam a metáfora?
Tais filmes nunca atrapalharam meu sono. Mas algo mudou irremediavelmente. A violência, qualquer tipo, qualquer grau, causa-me um tremendo desconforto. Em todas as cenas de filmes mais pesadas eu mudo de canal.
Essa realidade deixou de ser guerra de videogame para mim, para qual não me acostumo.
Vivi uma angústia imensa quando assisti ao filme Até o Último Homem. Nas cenas cruas eu virava o rosto. Pedaços de corpos voavam de um lado para o outro.
Ali é tudo de uma ferocidade imensa.
Nessa reflexão lembrei de uma das aulas de filosofia no curso de Direito. Nela o professor falou do livro O Leviatã. O autor, Thomas Hobbes, declarou que "O homem é lobo do homem". Ao conhecer a afirmação, estávamos no final do anos 1990, então com 38 anos, e eu não compreendi essa constatação. Hoje está cristalino. Poder, estímulos, doutrinação, crença incubada, basta um clique, tudo se precipita na violência.
Poderia me resignar, mas não consigo.
Abraço,
Marconi Urquiza