Extraída do Google.
Na versão católica a frase é assim: Até aqui nos socorreu o Senhor.
No primeiro momento que li esta frase me pus a pensar. Pensar como uma fé condicionada, com limite ou com um quê de conformismo. Nisso fui ler o restante do versículo para tentar compreender o contexto da mensagem ali inclusa.
¹² Então tomou Samuel uma pedra, e a pôs entre Mizpá e Sem, e chamou o nome dela Ebenézer; e disse: Até aqui nos ajudou o Senhor.
¹³ Assim os filisteus foram abatidos, e nunca mais vieram aos termos de Israel, porquanto foi a mão do Senhor contra os filisteus todos os dias de Samuel.
1 Samuel 7:12,13
Fiquei lendo, relendo, tentando compreender o contexto histórico e não alcancei a compreensão.
Depois li tudo o capítulo 7 e, nele traz a história de um ataque dos filisteus ao povo de Israel antigo e eles foram a Samuel para que pedisse ajuda ao Senhor, que ouviu Samuel e fez os filisteus fugirem. Este é um resumo da minha interpretação.
Seria gratidão por ter tido os filisteus (um povo da antiguidade) afastados?
Haveria uma mensagem subjacente?
Nos dias atuais seria uma reforço ou a força da fé com a realística consciência que o Senhor pode parar de ajudar?
Que esse apoio tem limites ou nem sempre está ele está para ajudar?
Na semana passada acabei por recordar uma imensa dificuldade profissional e o medo avassalador que sentia naquele 1998. Me acabava na oração, lia e repetia o salmo que traz uma oração de fé: o senhor é meu pastor e nada me faltará. Foram meses nessa angústia e a situação não melhorava. Estava longe de mim compreender a complexidade daqueles tempos e parecia que vivia em um loop de problemas.
Aquilo tudo precisava de uma solução e não estava exclusivamente na oração, nem no medo, mas no primeiro passo libertador, que levou ao segundo, ao terceiro e em alguns meses as dificuldades começaram a virar bons resultados e uma fé diferente foi ganhando corpo no meu espírito, a fé da confiança, do acerto e do cuidado para não retroceder.
Passada está fase de luta, a vida prosseguiu e muito anos depois vejo a chamada e assisti duas vezes ao trailer do filme O Julgamento de Deus - Deus no Banco dos Réus e não tive coragem de assisti-lo. Mas a história contida naquele longa metragem traz o choque entre a fé dos Judeus e a realidade de estarem em um campo de concentração nazista. É um filme que suscita muita reflexão, não apenas pelo contexto daqueles fatos, como para a própria vida diante de situações extremas.
Meses depois vi uma péssima cópia do filme no notebook, o que se salvou nela foi o som, bom e bem dublado.
Fui até o final, apesar do incômodo emocional. Em certo momento os judeus montaram um tribunal. Defesa, acusação, juiz, ministério público. Testemunhas.
Uma frase, depois de tantos anos, se fixou em minha memória, não recordo com exatidão, um dos julgadores de Deus disse no filme, algo assim: Nós somos o povo escolhido por Deus e por que estamos aqui? Ali no campo de concentração para serem mortos. Um choque brutal.
Agora chegamos ao presente, parece que as guerras em que pessoas matam em nome da fé reduziram as suas eclosões, mas a semente continua adormecida a espera de um momento propício para fanatizar pessoas. Tem um ponto que despertei a observar nas pessoas após ler Pobre de Direita - a vingança dos bastardos, que é o ressentimento. Esse sentimento é poderoso para uma ação violenta.
Mas ontem, quando li na logomarca de uma empresa, em um adesivo colado na porta de um caminhão a frase: Até aqui ajudou o Senhor, pude compreender que no Brasil, grande parte dos crentes de qualquer credo tem essa Fé no Senhor como indivíduo, às vezes ou muitas vezes é tão forte e viram alvo da manipulação dos falsos profetas.
Em tempo: a minha fé é na bondade das pessoas. Tem pessoas bondosas e poucos sabem, tem as maldosas e muitas sentem.
Para finalizar, tenho uma profunda admiração pelas pessoa que têm fé, elas são diferentes.
A esse respeito pude ser partícipe de um grupo de orações. Lá por 2000 uma colega de faculdade foi acometida de câncer de mama. E, em certa noite, outra colega chamou quem queria orar para ela, fui, gosto de ser solidário e fui. Noite a noite rezamos o Pai Nosso de mãos dadas. Aquela roda de oração fez sua energia chegar àquela colega que estava distante de nós cerca de 450 quilômetros, tratando da doença. Após a cura, ocasionalmente revelei que nós fazíamos essa oração, se a memória não falha, ela comentou: Era por isso que eu me acalmava.
Foram atos de fé, de abnegação e de despreendimento. Orar pelo outro nada mais é que isto, despreendimento. É dar de si sem buscar retorno.
Bem, por hora é só.
Abração, Marconi.