sexta-feira, 20 de junho de 2025

Jogou por uma bola

 




        Jogou por uma bola. Quantas vezes ouvi isso com um tom discriminatório, de menosprezo, de quem foi competente em uma proposta de jogo? 

        Mas ontem tive que mudar de opinião ao assistir a todo o jogo do PSG e Botafogo. Quantas chances de gol teve o Botafogo, a do gol, mais uma, duas a mais?

        Quantas chances o PSG teve? Perigo de gol? Várias, mas apertadas pela marcação.

        Há muitos anos, Magrão, o então goleiro do Sport Recife, ao ser entrevistado sobre a derrota do time, respondeu sem subterfúgios: Eles jogaram melhor que nós. O Botafogo teve a entrega dos jogadores, a inteligência e a competência de fazer uma forma de jogo que lhe rendeu uma vitória fenomenal.   

        O treinador do Botafogo estudou bem o modo do time do PSG jogar, e com os jogadores para não deixar espaço ao excelente toque de bola do time francês. Uma das coisas mais interessantes, apesar do amplo domínio do PSG, o time evitou dar chutões a esmo.

        Ainda mais forte, forte, a equipe do Botafogo não mudou uma vírgula do que foi combinado entre o treinador e os jogadores. Outro ponto que merece atenção, foi o respeito e não o temor, pelo adversário. Por causa disso, lembrei-me até de Sun Tzu, autor do famoso livro: A arte da guerra. Que, sem a precisão do que está no livro, leciona: quando se conhece a si mesmo e ao adversário, a vitória se desenha favoravelmente. 

        O que eu vi no jogo foi exatamente isso: o Botafogo estudou a fundo o PSG, teve a sabedoria de mudar o seu jogo e, para mim, jogou e ganhou por uma bola. Foi menor isso? De jeito nenhum.

        Em poucos momentos durante o jogo, mesmo com as substituições, o time foi organizado para cumprir o  que se propôs a fazer no jogo. Em poucos momentos, o PSG conseguiu desorganizar o Botafogo, mas o time rápido voltou a se posicionar de forma a impedir que o PSG marcasse o gol.

        Vários treinadores e comentaristas disseram como é difícil e cansativo jogar sem bola. Como peladeiro, digo que é extenuante e frustrante em muitos momentos. Sobre esse aspecto, há mais um ponto que o Botafogo se preparou muito bem: o preparo mental para jogar como jogou, mantendo a concentração e evitando a frustração ao ver a bola quase sempre com o adversário.

        Enfim, do jogo de ontem, se tivermos acesso ao preparo para da equipe para ele, teremos uma aula de como jogar contra um adversário com um nível técnico e sistema de jogo que detém 80% da posse de bola. 

        Espero que surjam análises do jogo de forma didática, para amadores como eu, possa se espelhar.


        Por hora, é só.

        Abração, Marconi Urquiza

        

        

        

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