sexta-feira, 28 de novembro de 2025

O poder revela ou transforma uma pessoa?

 

imagem: Orlando/UOL.

         Um papo na última segunda-feira entre aposentados do Banco do Brasil que tiveram poder concedido pela empresa, sendo quatro ex-auditores e 2 ex-administradores de agência, provocou esta crônica. Durante algum tempo o assunto versou sobre se o poder e o dinheiro revela a personalidade de uma pessoa ou se a modifica. O viés não foi dito, mas esse viés era sobre a prepotência, maldade, vaidade.

          A maioria não opinou, ficaram pensando. Evidente, poderia ter havido a mudança pelo lado positivo, mas isto não estava em discussão.

        A visão de um dos seis, que explicitou a sua opinião era que o poder e o dinheiro, mais para o poder, tinha o força de desmascarar quem é uma pessoa, a sua índole, ter atitude que sempre quis ter e não fazia por que lhe faltava o poder. 

        Nós ficamos ouvindo os argumentos e certo momento opinei que o poder pode apenas mostrar a face ou perfil de quem usa o poder para se locupletar, ou e, também, para oprimir, para praticar o mal, para se sentir respeitado, impor a sua vontade, e ou, para demonstrar para os seus pares que é o cara. É necessário observar que o meio de convivência pode influenciar comportamentos não tão santos. Insisto nisso, por que este foi o víes daquele papo.

       Em certo momento opiniei que o poder pode apenas revelar o caráter de uma pessoa, como ocorreu com milhões no Brasil desde 2018 ao se sentirem empoderados por uma corrente de pensamento comunicada à exaustão. 

        No mesmo momento, argumentei que o poder pode modificar uma pessoa. Pode ocorrer para muitas pessoas se sentirem como Deus, dono da vida e morte de alguém. Por exemplo: muitas vezes quem tem uma arma na mão tende a exagerar uma palavra como uma ofensa e reage brutamente, na maioria das vezes, bastaria o silêncio. Ou a pessoa se enche de confiança, como se o mundo fosse dela e de mais ninguém.

        Ou a organização lhe concede tanto poder, que sem um freio institucional, esse poder vira um tirania. Ou se no seu meio, um padrão violento de exercício do poder é aceito, aquele indíviduo de repente para ser aceito, faz o "que todo mundo faz", por exemplo, ser agressivo em uma gestão.

        Penso que o mais comum em quem galga o poder é se tornar vaidoso. Às vezes fica tão cheio de certezas que não consegue escutar os avisos que correm em qualquer ambiente. Sejam explicitos ou não. 

        A palavra voltou ao interlocutor, que parecia querer dar um recado para os presentes, que poderiam ter conhecimento de algum pormenor entre esse interlocutor e algum dos demais.

        Aí, sem ter compreendido a percepção do parágrafo anterior, argumentei que entre a cor branca e a cor preta tem uma vasta área cinza. A pessoa pode ser má e o poder dar-lhe um impulso irrefreável para praticar a maldade, ou se a sua arrogância é velada, com o poder se sente à vontade para mostra-lá sem pudor, entre outros comportamentos.

        Durante o tempo que ocorreu naquela conversa eu interpretei que os argumentos  que aquele interlocutor trouxe à mesa versava sobre si mesmo, talvez sim, talvez sim indiretamente, mas a compreeensão ao final deste texto mudou de lado, o papo ali e a insistência fez alterar a perpepção de que havia ali um desejo de dar um recado e obter uma confissão de um dos presentes que praticou o mal por ter tido poder.

        Para encerrar, vou trazer uma frase que me encantou e encanta até hoje pela sua significância para mim:

         "Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo". Se a sentença foi realmente proferida por Freud, não se sabe. Entretanto, o significado da mensagem faz sentido. Yannik D'Elboux (UOL, 19.08.2014).

            Bem, por hora é só.

            Abração, Marconi.

         

A Previ e o Banco Master: a diferença entre Déficit e Rombo

 



Por Djalma Xavier.

        Pra começo de conversa, trago dois personagens que tem algo a nos ensinar e ilustram bem as questões principais abordadas nessa crônica.

        Antônio Vaqueiro, meu avô, já dizia em meados do século passado: “O olho do dono é que engorda o boi”. Ele não sabia nada de investimentos, mas sabia cuidar do seu patrimônio, que se resumia a 2 juntas de bois de arado e uma dúzia de vacas mestiças. Sua poupança era seu pequeno rebanho. Em sua sabedoria sertaneja, acrescentava ao adágio popular: o cuidado e a vigilância do vaqueiro é que evitam que o boi seja roubado e que a vaca vá pro brejo, literalmente.

        Ivan Sant’Anna, ex operador do mercado de capitais, escreveu o livro “Rapina”. É ficção, mas acredito que o autor pode ter se inspirado fatos reais, visto que trabalhava na área. Tem como pano de fundo a bolsa de valores na década de 90 e detalha como corretoras lesavam os fundos de pensão em negociações de ações, com base em informações privilegiadas e corrupção de agentes públicos.

        Por incrível que pareça, as histórias reais de “Seu” Antônio Vaqueiro e a ficção de Ivan Sant’Anna servem de alerta para nós beneficiários da Previ e se relacionam com o rombo do Banco Master. É de domínio publico que fundos de pensão são frequentemente alvo de tentativas de negociatas danosas aos seus patrimônios e associados. No caso da Previ, o olho do dono, ou seja, nosso olhar, nosso cuidado com nosso patrimônio é fundamental. Talvez esse seja nosso diferencial e, juntamente com nosso estatuto e governança, é que permitiram que nosso fundo de pensão tenha sobrevivido relativamente ileso a tentativas de uso político e evitado alguns investimentos de alto risco, como por exemplo, em CDB’s do Banco Master.

        Vamos aos fatos: Está estampado na manchete do jornal Folha de São Paulo, em sua edição de 25.11.25, “18 fundos previdenciários investiram R$ 1,86 bilhão no Banco Master”. Verifica-se, ao se ler a reportagem completa, que o nome da Previ não aparece na FSP, nem em nenhuma mídia relacionada a fraude em tela. Conforme portal de transparência da entidade e declaração da diretoria da Previ, não houve nenhum investimento em papéis do Banco Master.

        O Déficit da Previ, ocorrido durante exercício de 2024, foi denominado apressadamente pela mídia como ‘O ROMBO DA PREVI’, amplificado e alardeado exaustivamente, especialmente pela CNN. Entre fevereiro e março/25 o site da CNN noticiou quase que diariamente o que seria o rombo ou o roubo do século na Previ. Não se dava ênfase alguma ao que dizia a outra parte, no caso, a diretoria da Previ. Eles não estavam interessados na explicação de que os papéis de renda variável flutuam de acordo com o mercado e que as aplicações em Títulos do Tesouro Nacional também variam para baixo caso as taxas de juros subam, como era o caso. Um certo ministro do TCU abriu uma auditoria no dia 11.02.2025, e, com ajuda da mídia, o presidente da Previ foi massacrado publicamente, julgado e condenado, sem direito a defesa.

        Percebe-se a parcialidade da CNN, que publicou no seu site no dia 15.02.25, o seguinte: “Para Jorge Boucinhas, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP), a principal questão em debate é se o rombo resulta de gestão inadequada ou de atos ilícitos, como corrupção. A Previ é comandada pelo sindicalista João Luiz Fukunaga.”

        Houve até um certo deputado, fritador de hambúrguer em Miami nas horas vagas e oportunista em tempo integral, que aproveitou o ensejo e desceu o sarrafo na Previ e no BB, com óbvios objetivos políticos.

        Passado um tempo, verificou-se que realmente o déficit da Previ era decorrente de flutuação normal de mercado, que não havia rombo de R$ 14 bilhões e que o valor real do déficit acumulado era de aprox. R$ 3 bilhões, ao final do ano fiscal de 2024. Desde então, passaram-se 10 meses, e o resultado acumulado da Previ até o mês 10/2025 é superavitário em R$ 9,48 bilhões. A carteira de investimentos da Previ cresceu aproximadamente R$ 14 bilhões no ano de 2025, atingindo a cifra de R$ 239 bilhões.

        A mídia estrategicamente esqueceu do assunto, pois divulgar resultado positivo não dá ibope. A CNN também não toca mais no assunto. O relatório da Auditoria do TCU para apuração do déficit, ao que tudo indica, não deu em nada. Se houve algum prejuízo para a Previ em função de acusações infundadas, fica por isso mesmo. Dessa forma, coloca-se uma pedra em cima e vamos em busca de outro assunto para desgastar o governo.

        O que realmente foi espantoso foi a reação de alguns colegas, da ativa e aposentados. Posso estar enganado, mas aparentava que estavam torcendo contra a Previ, de quem são beneficiários, dando um tiro no próprio pé. Segundo parte deles, “a atual administração iria afundar a Previ”; “Já vi esse filme antes”, etc. Realmente, no passado, houve prejuízos em outros fundos de pensão e isso pode ter causado essa reação nessas pessoas. Na Previ foi diferente, essas pessoas receberam BET, igual aos demais colegas. Tento ter empatia, mas... Entretanto, ao que tudo indica, pelos números e fatos elencados, essas pessoas estavam equivocadas. Ainda bem, para todos nós.

        Bem, mas vamos ao que interessa. A situação da Previ hoje e as perspectivas futuras. As previsões econômicas costumam não se cumprir ou mesmo macular a fama de oráculo dos analistas econômicos. Mas para 2026, há um consenso que haverá redução da taxa Selic.

        A carteira de renda fixa da Previ se beneficia em um cenário de queda de taxa de juros. Basta a perspectiva de baixa de juros futuros para que o valor de mercado dos títulos públicos ( NTN-B) se eleve substancialmente. O efeito de uma redução na taxa Selic da ordem 2 ou 3% numa carteira de títulos públicos no valor de R$ 166 bilhões é muito positivo no resultado do fundo. Se nos próximos anos as taxas de juros retornarem para patamares civilizados, o efeito no balanço da Previ será fantástico.

        A renda variável vem tendo um resultado consistente, com a alta das ações da Vale, Neoenergia, Itaú e Vibra. Somente essas quatro empresas elevaram o patrimônio da Previ em aproximadamente 10 bilhões de reais, em 2025, sem contar os dividendos.

        Seria ingenuidade, muita ingenuidade, supor que ao longo de sua história a Previ não foi alvo de fraudes e tentativas de ingerência, propostas de corrupção ativa e ofertas de investimentos que, invariavelmente, teriam como consequência prejuízos para seus aposentados. A quantidade de recursos financeiros do fundo de pensão sempre atraiu os olhos dos governantes de plantão. O que fez a diferença em relação a outros fundos de pensão, que tiveram seus fundos dilapidados, foi nossa governança, nossa politica de investimentos e a autogestão. São os próprios beneficiários, que dependem da Previ pra sobreviver, que cuidam do seu patrimônio. Enfim, somos milhares de beneficiários, instruídos e conscientes. Nós que temos de cuidar do que é nosso. Cada noticia que envolva a Previ precisa ser analisada e ter sua fonte verificada. O site da Previ deveria ser visitado com mais frequência e ter seus números fiscalizados por nós. É de nosso interesse. O preço a pagar pela solidez da Previ, que nos garantirá uma aposentadoria digna, é a eterna vigilância.

        E para um futuro mais distante, o que podemos esperar? As incertezas econômicas são muitas. Todo investimento tem um grau de risco, maior ou menor, mas sempre tem. Mesmo os investimentos mais seguros, em títulos públicos, estão sujeitos ao risco país e a um risco de moratória da dívida pública. A médio prazo, isso seria pouco provável, mas, econômica e estatisticamente falando, não seria impossível. Por outro lado, a curto prazo, com certo grau de otimismo, podemos ter esperança de dias melhores. Pode ser difícil, mas não custa nada sonhar: O Superávit deste ano (2025) está garantido e, em um cenário de queda de juros em 2026 e 2027 (possível), com crescimento da Bolsa (imprevisível), há uma possibilidade de recebermos novamente o Benefício Especial Temporário. Esse filme já vi. E gostei.

Existimos: A que será que se destina?

Viktor Frankl             Começou, começou, começou aquilo que muitos refugam, mas têm uma apaixonada, apaixonada reação ao ouvir opiniões c...