Aqui e acolá, alguém, nas rodas miúdas, escorregava em alguma vírgula misógina, um ponto e vírgula homofóbico. Mas nada tão agressivo e generalizado como nos tempos atuais. Nesses dias voou a palavra boiola, planou a maricas. Mais do mesmo, o discurso de uma verve dirigida. Boiola para um nordestino, maricas para um paulista.
Ambas as palavras para estimular o viés machista, do macho mau, valente e que se fizer bobagem pode ouvir em resposta: o que você fez é problema seu. Em outras palavras: foda-se sozinho. Aí quando alguém, que foi estimulado por tais arroubos retóricos, se encontrar em algum tribunal judicial vai se lembrar que deveria ter sido cauteloso, respeitoso.
É tudo Coronavírus, agora é tudo Coronavírus! É quase, nem tudo. Mas em 2020 ele é o líder mais importante do mundo. É o maior ditador de todos os tempos, é o maior bandido de todas as épocas, é indutor de comportamentos, para o bem ou para o mal. Quem vai para o bem tem chance de sofrer menos, que vai para o mal, tem a chance de se transformar em um defunto, em um doente crônico. Padecer sob mil angústias por não ter sido prudente.
Se maricas significa ser cauteloso, eu sou; se maricas significa ser temeroso com a própria vida, eu dobro. Se maricas significa respeito a uma força na natureza, por hora, indomável, eu prefiro curtir a vida que me foi concedida.
Abração.
Semana Iluminada.
Marconi Urquiza
