quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Punho de rede, punho de ferro


         Ali, perto dos 40 anos, cursava Direito e um princípio jurídico e constitucional passou despercebido quase o tempo inteiro durante o curso, depois sumiu, só vim lembrar dele na terça-feira ao conversar com o motorista do Uber.

        Diz o Direito Administrativo que só é permitido ao gestor público agir conforme a lei autorize.  Salvo falha da memória, o professor completou o raciocínio informando que o "ente" privado pode fazer tudo que a lei não proíba.

        Então, em um momento da conversa, o assunto caiu no hackeamento do site da McDonald's e do Real Hospital Português do Recife. Parece ter havido alguma invasão ou tentativa e todo o sistema do hospital estava sem funcionar, paralisando as suas atividades.  

        Para quem não conhece o hospital, ele é gigantesco, a começar pelo número de funcionários, mais de 6.000 trabalhadores. Na última sexta-feira fui testemunha, a instituição estava parada há 3 dias.

        Após este contexto, a conversa caiu no bloqueio da rede X/Twitter. O motorista argumentou que era um bloqueio sem haver lei, e é um fato.  Argumentei que Flávio Dino, quando era Ministro da Justiça, tentou aprovar uma lei que regulasse as redes sociais e que não passou, os deputados que lucraram com seus mandatos lacrando nelas não quiseram.

        O que era uma terra sem lei, piorou. Se quiser mais exemplos dessas situações extremas provocadas pela redes sociais basta ler A Máquina do Caos, de Max Fisher. 

        Caso também se interesse pelas miudezas das motivações individuais é hora de ler Engenheiros do Caos  (Giuliano Da Empoli).

        Aí a conversa andou mais um pouco e o motorista observou sobre o bloqueio da Internet, como o bloqueio da rede X fosse para a WEB inteira. Sequer a Starlink foi bloqueada, outra empresa do Elon Musk.  Neste ponto começou o "reino" da informação enviezada, deturpada, com potencial para virar um boato forte e viralizar. Como o motorista do Uber, quem acreditar nessa falsa informação, ao se dar conta que isto não é verdadeiro, já espalhou para muita gente. 

       Se houver reconhecimento, não terá algoritmo para espalhar que estava errado e corrigir o falso, isto não agrega a atenção que as redes sociais buscam para vender anúncios e tudo ficará no âmbito do indivíduo. 

        Nisso a conversa entrou sobre ter limite, eu disse que deve haver, pois as redes sociais não tinham limite, agora com a decisão do STF o discurso saiu para a prática. 

        É preciso limite, temos limites individuais para tudo. É fundamental impor-se como país e como soberania. 

        "Quem deixa a sua casa ser desrespeitada, perde o respeito para si próprio".  Também vale para o país, vale para o Brasil. 

         Punho de rede, punho de ferro,  serve para a gente não cair, serve para o Brasil não bagunçar.
        
        
        Por hora, é só. 

        Abração, Marconi Urquiza. 



Livros sobre este tema:

Fonte: https://liberindex.com/fake-news-so-o-odio-fatura/

Olha, destes cinco livros, apenas não li o último: Manipulados.

Existimos: A que será que se destina?

Viktor Frankl             Começou, começou, começou aquilo que muitos refugam, mas têm uma apaixonada, apaixonada reação ao ouvir opiniões c...