Tinha 17 anos e sentia inveja de muitos rapazes da minha idade. Bebiam, dirigiam velozes, namoravam e diziam que faziam sexo.
A minha timidez e também os limites da criação me amarravam. Sexo: era donzelo.
Aí um dia, estava na farmácia de papai, reclamei e demonstrei inveja dos rapazes mais jovens que eu e que faziam tudo isso.
Seu Naduca ouviu minha queixa, na minha inveja juvenil. Trinta anos mais do que eu, me fitou sério e então falou: "Olha, você vai fazer coisas antes deles" e enumerou algumas.
"Vai tirar carteira de motorista, vai votar antes deles, será de maior antes, se apresentará no Exército". Foi um consolo e uma verdade. Eu tinha algo que aqueles rapazes teriam depois de mim. Foi mais que um consolo. Foi quase um: "você é foda". Não era, mas me senti o "foda".
Minha gratidão ficou incompleta, nunca lhe disse assim: "Seu Naduca, muito obrigado, o senhor me fez me ver diferente, melhor".
Agora, 50 anos depois, estou aqui, na casa dos 67 anos, e passei por novas experiências que só idade dá: aposentadoria, ser empreendedor sem depender do empreendimento; fazer duas cirurgias que vém com a idade, como a raspagem da próstata e a cirurgia da catarata.
Não tem jeito, nenhum gênio em situações normais as fará antes que tempo o venha abraçar.
Então volto aos 17 anos, em que de certo modo queria adiantar o tempo, agora ocorreu ao contrário, empurrei quase ao limite para dizer: "Doutor ou Doutora, vamos marcar a cirurgia?"
Falando do tempo, me ocorreu de uma canção que fala dele no sentido de sua passagem, é uma de Alceu Valença, onde ele diz:
Você quer parar o tempo
O tempo não tem parada
O tempo em si não tem fim
Não tem começo
Você quer parar o tempo
O tempo não tem parada.
Assim é que Alceu Valença alerta em Embolada do Tempo, que ele não tem parada e vale mesmo é fazer da viagem que resta um imenso prazer.
Então, um grande abraço.
Marconi Urquiza.
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Sábado, 29.08.26.
Na Praça do Sebo, Recife. Dia do seu 45° aniversário
Em tempo:
Seu Naduca é Arnaldo Cavalcanti, amigo de papai e frequentador diário da Farmácia Confiança, lá em Bom Conselho, Pernambuco. Hoje existinta.
Caro Marconi,
ResponderExcluirLi sua postagem com o mesmo sentimento de quem teve um mestre orientador mais velho, um conselheiro sênior como o Sr. Naduca. Hoje, pela ação inexorável do tempo, não o temos mais para nos aconselhar diante das cirurgias e de outros dilemas. Somos fluxo de energia numa linha temporal imparável. Agradeço por compartilhar essas reflexões e pela oportunidade de rememorar alguém tão especial. Um abraço e muita saúde.
Grande Marconi, excelente crônica/reflexão.
ResponderExcluirFernando Pessoa já dizia:
"O tempo que passa não nos envelhece; amadurece-nos."
Simbora viver os novos ciclos que temos pela frente com sabedoria, vivência de momentos felizes e, vez por outra, brindar a vida com os parentes e amigos.
Salute tanto!🤝🥂
Parabéns. Trabalhei em São Vicente Ferrer (PE). Em Macaparana (PE) havia um colega Urquiza. Era você ou seu irmão?
ResponderExcluirAnonimo nada: Tarciso Coelho
ExcluirParabéns Marconi.
ResponderExcluirPela sua altura em relação aos demais atletas, você era a segurança da defesa. 😁
Amigo Marconi, belíssima crônica sobre os momentos, o aprendizado e a vivência. A Sabedoria Chinesa diz: ""A melhor altura para plantar uma árvore foi há vinte anos. A segunda melhor altura é agora."" Abraços!
ResponderExcluirAmigo, parabéns pela crônica!! Mas o tempo é implacável mesmo!! Tudo passa!! Os conflitos internos e externos, as opressões, o sol na janela… assim, é a vida!! Aproveitemos e agradeçamos!! Só!!
ResponderExcluirSim, sou Zezé Andrade!
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