sexta-feira, 3 de julho de 2026

Tenho saudade do tempo em que os meus grandes medos cabiam em um abraço

  

     

Tenho saudade do tempo em que os meus grandes medos cabiam em um abraço.

        Não sei o autor desta frase, mas ouvi nesta quinta-feira durante a audição do programa de rádio de Geraldo Freire, na CBN Recife.  O papo rolava sobre a situação atual, da influência desmedida para muita gente das redes sociais e dos temores que elas induzem a uma multidão. De certo modo, o temor à Deus foi substituido pelo temor de viralizar alguma que gere ódio e sofrer a avalanche de um Bullying digital.

        Ao dizer está frase, um dos presentes, quando sentia medo ia à sua mãe e ela lhe abraçava. Coisa tão simples quanto poderosa. Um abraço da mãe para acabar com o medo.

        Não é só o abraço em si, é uma mensagem de acolhimento, de pertencimento e sobretudo de amor. 

        O medo é uma força poderosa, arrasadora, que suprime a esperança e a fé que move uma pessoa para buscar ter a sua vida prosseguindo em paz. Quando o medo é real, próximo, a pessoa se retrai, muitas vezes esse medo é como um vento de uma irradiação atômica, não se vê, mas é real, outras, como foi mencionado hoje, o medo comum de agradar àquela multidão "sem rosto", pronta a beber o sangue que enche a internet de ódio. 

        Um daqueles que estavam no programa de Geraldo Freire revelou uma saudade, revelada com esta frase, de uma vida mais simples. Do medo simples, sanado com um abraço.

        Bem, é tudo que tenho para hoje.


        Um grande abraço.

         Marconi.

        

        

3 comentários:

  1. Texto excelente, Marconi!
    A frase inicial me fez refletir bastante. A tecnologia avança, mas nossas necessidades essenciais continuam as mesmas. O que cura a alma é o acolhimento real:

    ✅️Um abraço apertado;

    ✅️Uma palavra amiga;

    ✅️Uma rodada de chopp;

    ✅️Um joguinho entre amigos.

    ✅️Uma roda de samba,...

    Simbora, sem medo de ser feliz! O segredo é filtrar as redes sociais e aproveitar apenas as coisas boas da vida.

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  2. E o medo é cantado por Belchior, por Lenine, é pensado por terapeutas e filósofos. E ele é real em nós; assaltos, fraudes.... um programa de rádio faz associar o medo ao abraço de mãe. E o cronista atento dissemina o pavoroso sentimento em momento de doçura (Lucia Ribeiro)

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  3. Sua crônica parte de uma frase simples, mas muito poderosa, e a desenvolve de forma sensível: o contraste entre os medos da infância, que podiam ser dissolvidos por um abraço, e os medos difusos da vida moderna, alimentados pelas redes sociais e pelo julgamento coletivo.

    Há uma diferença profunda entre os medos de ontem e os de hoje. Os primeiros tinham rosto, nome, muita fantasia ("Nana neném que a cuca vem pegar. Papai foi na roça, mamãe no cafezal. Sai bicho papão de cima do telhado. Deixa o neném dormir sossegado"; "Boi, boi, boi! Boi da cara preta, pega essa criança que tem medo de careta.") e, muitas vezes, um remédio tão simples quanto o abraço de uma mãe.

    Os de agora são invisíveis. Espalham-se pelas telas e se alimentam do julgamento de uma multidão sem identidade. O temor ao julgamento das redes passou a ocupar um espaço que antes era reservado a valores mais profundos.

    A saudade expressada não é apenas da infância, mas de um tempo em que o amor era maior que o medo, e em que um abraço ainda conseguia colocar o mundo de volta no lugar.

    Sua crônica provoca nostalgia e nos convida, acima de tudo, a refletir sobre os tipos de medo que estamos permitindo governar nossas vidas.

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