sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A notícia não era boa

       

        No último dia 13 de agosto ouvi a notícia que um amigo e antigo colega de trabalho está  bem doente, desenganado, magro e recluso.
         A minha mente fez o milagre de trazer boas recordações do convívio.
         Fez seis anos que o vi pela última vez em Salvador nos jogos de aposentados do Banco do Brasil, depois não nos vimos mais. Em 2019 estive em Araruna (PR), onde ele mora, fui à sua casa, mas não estava. Voltei a Recife sem conversar com ele.
         Mas ontem,  ao saber do seu estado de saúde, senti uma paralisia, como se uma notícia tão ruim nada significasse para mim, mesmo assim avisei a outro amigo em comum, que me pediu o telefone dele para falar ou enviar uma mensagem. Foi só aí que despertei da minha indiferença. 
        Saí dela e escrevi uma mensagem, mesmo intuindo que ele não leria. As notícias vinda do Paraná deram conta que ele se isolou, não quer visita e nem conversas, não quer palavras que não vão resolver seu problema de saúde. Não quer consolo. 
        Agora mesmo chegou esse questionamento: Qual consolo se pode levar a uma pessoa com doença incurável?
        Ontem foi essa minha dúvida e dilema. O que e como escrever? 
        Fui socorrido pela ótima recordação de um poema que ele fez para mim por causa de um gol que marquei no estádio municipal de Araruna. 
       Um gol em que fiz uma embaixadinha e chutei a bola. Por causa dele, recebi essa homenagem sua no mural da agência do Banco do Brasil na cidade.
        Que posso dizer?
        Abração, amigo. Abração!

        Marconi.

5 comentários:

  1. Marconi, a sua crônica “A notícia não era boa” só me traz mais convicção de que devemos aproveitar ao máximo da vida e desfrutarmos o quanto possível da convivência de familiares e amigos sem desperdiçarmos oportunidades, e aí fico-lhe grato por me proporcionar algumas lembranças e reflexões.

    A crônica também nos faz lembrar e confirmar a grande verdade da vida: ela tem um fim, só não sabemos quando, onde e de qual forma.

    Em agosto de 2014, criei este grupo de WhatsApp, que no início era denominado APOS, depois foi renomeado para JOVENS APOSENTADOS. Seria apenas para facilitar um almoço que realizava todas as sextas-feiras com mais uns oito amigos.

    Com o passar do tempo, quando encontrava algum amigo, comentava desses almoços semanais, e alguns passaram a dizer que queriam participar.
    Em agosto de 2015, tínhamos 21 membros no grupo e então marcamos o primeiro “grande” almoço, no qual compareceram 15 amigos no Adega do Clube Português.

    Com a divulgação da foto no Facebook, vários colegas pediram para participar, passando a termos gradativamente novos integrantes, havendo atualmente 178 participantes. Ao longo desses anos, pasmem, tivemos outros 80 colegas que por aqui passaram e saíram - ou “foram saídos” - principalmente por questões políticas. Atualmente o grupo está bastante “maduro” e não temos conflitos, havendo respeito coletivo ao “estatuto” do grupo.

    Apos o período da grande pandemia COVID, percebemos mudanças comportamentais e a dispersão de muitos amigos em nossos almoços mensais. Aí aqui eu faço uma menção de louvou ao nosso amigo Samuel, que mora em João Pessoa e não mede distância e sempre procura estar presente em nossos encontros.

    Por que estou fazendo este relato❓
    Recentemente, duas pessoas do nosso relacionamento partiram deste plano terreno: Karla - que era deste grupo e esposa do nosso amigo Tarcizo - e Saulo - esposo também da nossa colega Simone. Ambos, para mim, foi bastante impactante.

    Então repito a pergunta: Por que estou fazendo este relato❓
    Reencontrarmos o sentido da vida e promovermos encontros com amigos, sem desperdiçarmos oportunidades e não somente sermos compelidos em encontros de despedidas por ocasião de amigos que partiram para o plano espiritual.

    É fato que nem sempre conseguiremos realizar o que desejamos, mas seria bem melhor nos encontrarmos em momentos mais favoráveis e com notícias boas, mesmo que não seja em grandes grupos, desfrutem dos microgrupos dos seus relacionamentos, assim não tendo nem paralisia e nem indiferença.

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  2. O texto, com citação de um gesto nobre em direção a um amigo, nos leva a fazer um reflexão. Acatar a opção de alguém em ficar isolado é adequado ou tentar furar a bolha que o isola é o ideal. Hoje eu caminho na direção de respeitar. Contudo não invalido o outro caminho.

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  3. Grande Marconi, por vezes nos deparamos com situações tristes que nos fazem repensar o sentido da vida.
    Viver e morrer um pouco a cada dia faz parte da nossa caminhada; uns partem rápido e de forma serena, enquanto outros enfrentam a espera dolorosa em um leito. Seu texto me fez lembrar do sofrimento de um colega que, ao ser transferido para a agência do Banco do Brasil em Eirunepé (AM), deparou-se com a trágica e abrupta perda da esposa, que mergulhou nas águas do Rio Juruá e nunca mais foi encontrada, um sofrimento imensurável para toda a família e para os amigos em plena selva amazônica.
    Seja na despedida lenta em um hospital ou no sumiço repentino nas águas, não temos controle sobre o fim. A certeza que fica é que o que realmente guardamos são as boas lembranças, os únicos laços que o tempo não consegue apagar.
    Um livro que pode ajudar muito os familiares e amigos de pessoas em tratamento paliativo ou que se entregaram é "A morte é um dia que vale a pena viver" de Ana Cláudia Quintana.
    Simbora viver com sabedoria, curtindo os momentos felizes que temos pela frente, pois a vida é uma vela acesa que, a qualquer momento, recebe o sopro divino.

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  4. O Amigo Marconi mais uma vez acerta no alvo e no tom ao tratar de um tema complexo e delicado. Infelizmente, no estágio da vida que vivemos, o tema tende a ser recorrente. Que saibamos viver e conviver com pessoas que nos são caras enquanto ha tempo, saúde e vida. Oxalá tenhamos sabedoria para romper a inércia, a paralisia e a indiferença quando algo semelhante acontecer com um colega, um amigo, um parente.

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  5. Caro Marconi. Difícil a situação em qualquer tipo de despedida, pois pode ser familiar, parente ou amigo, como citado na crônica. O fato de se isolar, sinalizou forte. Ninguém, em sã consciência, quer partir e a inexorabilidade deste fato, nos revolta. Às vezes também _não sei o que dizer_.

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