sexta-feira, 1 de agosto de 2025

O Dom do mistério

 



         Nesta semana ouvi um recorte de uma entrevista de Marcelo Rubens Paiva em que citou o período da pandemia de Covid-19, ele falou sobre ter escrito durante e sobre a pandemia, especialmente sobre ela.

        Falar, escrever, conversar sobre esse sofrimento virou meio um tabu e também das dores a serem esquecidas. Eu estou nesta corrente que se lembrar da sofrência durante a Covid é angustiante. Então tenho evitado.

        Dois dias após ter ouvido o comentário de Marcelo Rubes Paiva, na última quarta-feira li um e-mail em que um membro da Academia de Artes e Letras da AABB Recife informava o envio de sua obra para a Antologia 2025. Isto me livrou de perder o prazo para enviar a minha contribuição. 

        Faz tempo que crio apenas o normal, não que queira algo excepcional, mas um pouco melhor que o normal. Foi então que recorri ao estoque de contos. Estava lá, só utilizei.

        Abri o arquivo com os 78 contos e no primeiro título que me chamou a atenção eu cliquei e li o rascunho. Ao contrário de alguns contos, esse carecia de revisão, ajuste na diagramação, ajustes nos diálogos, enfim, um ajuste geral para que se tornasse compreensível. Comecei a debulhar o texto como se fosse uma espiga de milho. Depois de uma hora terminei.

        Vou fazer uma confissão. Comecei a leitura, releitura, e fui lendo sem entender o que o escritor queria, EU. Mas prossegui, fui lendo e corrigindo, ajustando. Ainda na metade , o escritor (EU) continuava obscuro, aí apareceu no conto, Machado de Assis, aí, a mensagem foi ficando menos enbaçada e foi nesse ponto que a recordação veio plena.

        Com a vacinação dando esperança de sobreviver à Covid fui dando vazão a uma infinidade de ideias que se chocavam na cabeça. De julho a novembro de 2021 me pus a escrever, havia terminado o romance Decisão de Matar e desejava me manter sadio, a escrita foi o caminho para isso naqueles longos meses. Então fui misturando fatos e fui deixando a mente ditar de modo espontâneo a escrita. São mais de 60 contos com temas diversos, aleatórios.

        Foi quando escrevi um conto inspirado pela personagem Maria Moura, do romance Memorial de Maria Moura, de Rachel de Queiroz, no qual fiz uma narração fantasiosa e para mim, saborosa. Esse conto foi fenomenal, despertou em mim a vontade de criar contos nos quais trago algum escritor para o contexto. 

        Foi quando comecei a me lembrar de  alguns sentimentos das leituras de vários escritores e foram caindo as ideias sobre a caneta e o papel A4. Eles foram inicialmente manuscritos.

        Ariano Suassuna, Clarice Lispector, Jorge de Lima (do poema A Invenção de Orfeu), Jorge Amado, Machado de Assis, Gilberto Freire, Antonio Maria (cronista de 3.000 crônicas, compositor, etc), Manoel Bandeira e outros.

        No conto que trago Gilberto Freire criei um encontro hipotético com ele, muitos anos depois que timidez nos fez fugir do seu aniversário de 80 anos. Eu vi na TV Globo que ele estava fazendo 80 anos e teria na sua casa um evento. Então eu convidei para meu irmão Marcello para irmos, e fomos. Ninguém nos barrou e subimos a ladeira que levava à sua casa, já dentro de área dela no bairro Apipucos, Recife. Então empolgados, andamos e subimos a escada frontal, quando paramos à altura da porta de entrada, envidraçada, lá vinha ele caminhando pelo corredor para chegar à sua biblioteca, estava dando entrevista a uma TV. A timidez tomou conta e voltamos rapidamente. Fomos embora. Perdemos a chance de o conhecer pessoalmente.

        Muito tempo depois li vários livros dele e Ingleses no Brasil me deixou apaixonado por uma pequena frase: Não foi tanto, decerto! Mas foi quanto. Em abril de 2002 escrevi um poema com esta frase como título, em 2021, finalmente consegui apresenta-lo a Gilberto Freyre, ao fantasiar um encontro com ele, e que a ficção me permitiu finalmente vencer a timidez.

        Aí o mestre Machado chegou, me pegou e puxou para dentro das letras, provocando o conto que intitula essa crônica. 

        Então um sentido de urgência chegou, de repente lembrei que todos aqueles contos podem caber em um livro, dois livros, até três pequenas coletâneas e que o tempo encurta a cada dia.

        Finalizo com as últimas estrofes do poema: Não foi tanto, decerto! Mas foi quanto.

        Decerto! Foi quando

        o coração se abriu

        para querer e 

        o resultado é mais

        que uma soma

        percebida

        É mais uma conta 

        Sentida,


        Então pode se dizer

        que o amor não


        É tanto, decerto! É

        quanto.


        Bem por hora, é só.

        Abração, Marconi Urquiza.

quinta-feira, 24 de julho de 2025

A alma apareceu ao ouvir as músicas de Luiz Gonzaga.

 

(*)

        Ontem vi um vídeo curto com o depoimento do Dominguinhos e sobre o que ocorreu com ele no momento em que gravava A Triste Partida. No meio da gravação ele parou, ficou em silêncio e chorou. 
    
        Quando ele falou que esteve na gravação em que Luiz Gonzaga fez do poema, que estava no estúdio. Disse que com o disco pronto levou para seu pai, que de imediato colocou para tocar e quando começou a ouvir destampou a chorar e naquele instante, ao recordar, chorou de novo, emocionado, também chorei, também me emocionei, também senti-me como um retirante que sai do Nordeste e não consegue mais voltar.
        
        Era final de 2001, há meses a vontade voltar para Pernambuco vinha se insinuando. As dificuldades de crescimento na carreira me deixava com uma carga de frustração enorme, constante e contrariando o ótimo desempenho de pelo menos 5 anos. Desempenho ruim, guilhotina, desempenho superior, nada. Era aquela realidade na época do Paraná. Então eu havia começado a alimentar o espírito para escapar dessa frustração, ou fugir dela. A história me puniu assim mesmo.  A carreira estagnou do mesmo jeito.
        
        No final de 2001, houve uma reunião geral em Curitiba com os adminstradores do Banco do Brasil no Paraná. Três dias, ouvindo os líderes da empresa, aí chegou a hora de retornar, de pegar o vôo de volta para Maringá. 

        Esperando a hora de embarcar, saí passeando pelo Aeroporto Afonso Pena. Foi uma tentativa de evitar que o tédio tomasse conta da alma. Doido por leitura e livros dei de cara com uma banca de revistas. Na hora em que me aproximo cresceu aos meus olhos um CD de Luiz Gonzaga. Luiz Gonzaga ao vivo. Volta para curtir. De tantos discos dele, de vinil ou CD aquele era uma novidade absoluta para mim. Leio a contracapa, a história daquele CD e daquela gravação ao vivo. Um resgate de quase trinta anos de quando ocorreu o show ao vivo no Teatro Tereza Rachel, no Rio de Janeiro, em 1972. Estávamos em 2001.

        Quanto é? Paguei sem barganhar qualquer valor.
        
        No avião venho ao lado do gerente de Cidade Gaucha, com quem tinha afinidade e que infelizmente não recordo o seu nome. Ainda no voo comentei sobre a vontade de voltar a Pernambuco, cuja ausência completava 13 anos. Eu vivia um momento de melancolia. Aperto financeiro sem fim. A carreira estagnada, uma sensação que a minha origem atrapalhava minhas ambições profissionais. Era preciso tomar decisões.  Há muito que sentia que nossos filhos não tinham uma forte relação afetiva com os outros parentes e eu achava que eles deveriam ter.
        
        Ao chegar em Maringá, o amigo me oferece carona até Cianorte, a 70 km de distância.  No meio do caminho peço para ouvir o CD, ele permite e aí comecei a fungar, a falar da saudade, a me sentir, mesmo com um emprego ótimo, um salário que me permitia de vez em quando voltar e rever os parentes, a me sentir um retirante. Naquela hora de viagem ocorreu uma tsunami de sentimentos evidenciados pelas canções que ouvia, pelo sorriso misturado às lágrimas por estar ouvindo as prosas de Luiz Gonzaga. Foi uma sofrência inimaginável.
        
        Volto ao que disse Dominguinhos sobre o choro do pai, que saiu de Garanhuns para nunca mais voltar. Que quando o pai ouviu A Triste Partida chorou copiosamente, ele afirmou, aquilo foi a morte, a morte do pai, embora estivesse vivo. Até arrisco interpretar o sentimento de Dominguinhos, o pai entregava os pontos de nunca mais ver Garanhuns e os seus amigos. Estava derrotado. A música fez romper a barragem da saudade.
        
        Sabe, cada música que Luiz Gonzaga cantou no show, reproduzida no CD, tocou uma parte do meu coração. Cada canção me lembrava de uma parte da minha vida, da infância, da juventude, da vida adulta. Do assassinato de papai, dos encontros em nossa casa, especialmente na Semana Santa e no Natal. De ter me sentido expulso de Pernambuco quando o Banco do Brasil promoveu a drástica reorganização em 1995. De ter procurado o Superintendente do Banco do Brasil de Pernambuco e não ter nenhum efeito prático. De ter me sentindo muito feliz por ter sido nomeado e ido embora para o Paraná. De ter me sentido enormemente feliz quando reencontrei a família em Curitiba, após 4 meses de separação.

        A volta de lá doeu, e engraçado, é que fui recebido por vários colegas do Banco do Brasil como um invasor das vagas do estado. Um certo quê de discriminação. Mas isto o tempo ajudou a superar.
        
        Há cerca de 26 anos estávamos em Bom Conselho para batizar Philip, em certo instante me afastei e fui para a calçada frontal da Igreja Matriz, me escorei na mureta e comecei a olhar para as duas praças adjacentes. A grande, praça Pedro II e a menor, Praça João Pessoa, que preserva o nome, mas virou mera rua.
        
        Fiquei vários minutos olhando tudo ao redor, quase nada era igual ao tempo de adolescente. Corri os olhos para dentro tentando achar aquele rapaz, magro, andando desengoçado, atravessando a praça na longitudinal indo ou vindo de sua da casa. Não achei o rapaz e nem o menino, o adulto que olhava todas as edificações queria achar um sentido especial naquela miragem, mas não achou, o passeio apenas reconheceu as praças que vira outras vezes. Nem saudade, nem alegria pelo retorno momentâneo. A sua alma estava neutra. Na praça não estava sua alma, a alma apareceu ao ouvir as músicas de Luiz Gonzaga naquele CD.
        
        Felizmente pudemos voltar e vivemos vários anos de um congraçamento familiar saboroso. Encontros natalinos em Bom Conselho lindos e alegres. Não temos mais, mas que valeu muito, valeu. Esses encontros valeram a pena ter voltado do Paraná.
        
        Bem, chegou a hora de ouvirmos Dominguinhos, razão desta crônica.
                

Clique no vídeo.


                Por hora é só, abração!


                Marconi Urquiza.


(*)
Imagem retirada deste site: 
https://novabrasilfm.com.br/app/uploads/2023/02/dominguinhos-foto-daryan-dornelles.jpg


sexta-feira, 18 de julho de 2025

Lua Bonita

        É uma mistura de conto com as minhas lembranças 
das mocinhas que andavam aos bandos 
na nossa rua lá em Bom Conselho, 
ao mesmo tempo tão próximas e tão inacessíveis.

        
        Um mês atrás, o algoritmo do YouTube "advinhou" minha alma e como advinhou, me fez escutar Belchior cantando a canção  Lua bonita com Dominguinhos acompanhando. De imediato, me encantou; de imediato, minha mente vive (veve) a cantá-la.


        Como essa canção ficou escondida para mim tanto tempo? Comecei a me indagar, a me cutucar e, naquela mania — mania de interpretar e mania de inventar fiquei tentado a achar uma história.


        Primeiro, Lua Bonita era aquela moça descia a rua Conselheiro João Alfredo com a saia rodada, com seu perfume de fulô amarela a embeleza a vida. A moça que eu e meus amigos não podíamos nem chegar perto, tudo que se tinha era a fantasia de ter um cheiro distante e a fuganda no pescoço, que nós fazíamos como se fosse nela, mas que nada, Lua passava serena, no alto de sua paixão pelo outro e não por nós.


        A gente olhava para os outros rapazolas, "mas o que esse cara tem" para Lua ser tão apaixonada, todos ali pensavam, e lá vinha ela balançando seu perfume. A lindeza dela era de doer. Do homem dela, mal se via a ponta dos dentes, "que cara fechada" e o cara se divertia com aquele magote de rapazolas apaixonados por sua Lua. Pelas costas, o sorriso dele era aberto, a sua máscara era de ser sisudo. Mas ele se derretia de paixão.


        De repente, descobre-se que Jorge, com quem jogávamos bola, é o amor de Lua; e manda nela com a força de uma apaixonada. "Lua tá cega, que tu vê nele?" Mas Lua só escuta os corações dos rapazolas zabubarem descompassados e olhava para cima ignorando um monte de rapazes que estavam emplumando-se, querendo que aquela beldade dissesse: Oiiii, Antonio; Oiii, Marcos; Oiii, Tito; Oiii,  Benedito!. Nada, nada, nada de nos embelezar também com a sua voz, mas ela não podia nos impedir de vê-la, de ver Lua Bonita e brilhosa.


        Aí um dia, Carlos, que morava em outra rua, chegou arrojado, com aquele carro enorme do pai. Quando a viu descer a rua, rodando a saia do vestido, se pôs de pé, armou o melhor sorriso, ajeitou a roupa nova, balançou o cabelo para o seu perfume se espalhar. Naquele dia, Lua estava com o vestido florido, Carlos não teve dúvida, encostou nela e disse: Quero namorar com você; Como? Me respeite, eu sou uma mulher casada. E Lua desceu a rua, enfeitando a vida dos nossos olhos.

        Então um dos rapazolas, afeito à poesia, cantorolou, de início baixinho, a canção que seu avô adorava cantar, e  logo depois a estrofe saiu forte e sentida, e foi  assim:

Lua bonita

se tu não casada

eu preparava uma escada

Para ir no céu te beijar...

        


    Clique no vídeo e escute a canção na voz de Zé do Norte

Lua bonita

Se tu não fosse casada
Eu preparava uma escada
Pra ir no céu te beijar

Se colasse teu frio
Com meu calor
Pedia a Nosso Senhor
Para contigo casar


Lua bonita
Me faz aborrecimento
Ver São Jorge num jumento
Pisando teu quilarão

Pra que casas-te
Com homem tão sisudo
Que come dorme e faz tudo
Dentro do teu coração


Lua bonita
Meu São Jorge é teu senhor
É por isso que ele vive
Pisando teu esplendor


Lua bonita
Se tu quer o meu conselho
Vai ouvir eu tô alheio
Quem te fala é o meu amor

Deixa São Jorge
No seu jubaio a montado
E vem cá para o meu lado
Pra gente viver sem dor



sexta-feira, 11 de julho de 2025

UX

 


            Isto eu ouvi em uma entrevista de João Campos no poadcast Reconversa no You Tube. Se não fora meu interesse na satisfação do cliente no pós-venda, este aspecto da entrevista não seria lembrado. Ele repetiu várias vezes a sigla UEX, deduzo que seja algo assim: Unidade da Experiência do Cliente. De certo modo deduzi o que isto representa. Dei uma filada na internet e achei: experiência de excelência e de uma cultura centrada no cliente.  

           Em primeiro momento, UX foi por mim entendido como UEX. Este UX é a experiência do usuário, do cliente. Tratando cidadão como cliente ele transformou a entrega dos serviços públicos para o recifense, mas, mais que isto, que o que objetivamente os cidadães querem, colocou as pessoas na alça de mira do respeito.
        
        Esta é uma cultura que mudou a forma como as pessoas são tratadas, quando via de regra, no gestor público, o pensamento é que são meros eleitores. Meros eleitores.

        A partir do momento que assisti essa entrevista a minha atenção para as pesquisas de satisfação cresceu, até comecei a respondê-las mais. Do mesmo modo, muitas empresas ampliaram tais pesquisas. Os cookies (aqueles programas que registram as nossas consultas na internet), começaram a direcionar para mim muitas pesquisas.
    
        Algumas delas são puras pesquisas da minha experiência de atendimento, algumas se disfarçam de serem tais, mas são pesquisas para nos conhecerem mais, com maior profundidade psicólogica.

        Na última semana, o Instagram usou a lábia para me fazer responder uma pesquisa, em tese de minha experiência nele. Comecei, quando estava por volta da 10 questão, parei.  O Instagram havia modificado radicalmente as perguntas iniciais, nessa guinada, entraram perguntas que têm haver com o STF na sua trativa para por nas regras nas redes sociais, por um limite e responsabilidade. havia perguntas que queria saber o meu pensamento político, se eu pensava pela direita ou pela esquerda, se eu era a favor ou contra, ou se minha opinião era indeferente à pergunta. 
    
        Uma das mais famosas experiências do usuário, são as pesquisas que o Uber faz após as corridas. As estrelinhas que o usuário opina como foi o motorista. O Sebrae, por exemplo, basta consultar o seu site, no dia seguinte recebemos uma pesquisa.

        A Drogasil na hora do atendimento, no caixa, já tem as carinhas para que o cliente opine. 

        Então isto virou um padrão nas empresas organizadas. O que me preocupa é o que fazem com as opiniões contrárias. Via de regra as avaliações tem uso punitivo para o funcionário e em menor grau, como um feedback para a empresa melhorar a experiência real do cliente.

        Você já se deu conta dessa realidade?

        Você tem a sua UX para com as pessoas com as quais se relaciona?

        É um conceito do mundo digital que tem entrado na vida das pessoas, na sua interação além da digital.

        De todo modo, vamos voltar ao que João Campos mencionou, a UX - Experiência do Cliente, na sua gestão na prefeitura do Recife. Em certo momento da entrevista ele citou que através do aplicativo Conecta Recife o cidadão (cliente) recebe informações de direitos que nem ele sabia que tinha, como exemplo, disse que sobre os créditos de notas de serviço que abatem o valor do IPTU. Basta pedir que seu CPF conste das notas fiscais de serviço. Após vincular o número do imóvel no site da prefeitura, anualmente, sem ter que pedir, o abatimento ao IPTU ocorrerá.
        
        Eu mesmo tive a experiência de agendar várias vezes a tomada da vacina da Covid-19 e bem recente, "chuleando aplicativo" para pagar o IPTU dei de cara com a facilidade de imprimir a autorização para estacionar nas vagas especiais (de idosos). Dei três cliques, e o documento estava impresso. Com algumas pernadas, plastificado e colocado no carro.

        Não foi no Reconversa, creio ter sido no ano passado no programa Roda Vida, da TV Cultura, quando perguntado sobre a sua presença forte nas redes sociais, ele disse que não joga o jogo da balbúrdia, da negatividade e da banalidade, da lacração. Em vários momentos disse que a suas presença é para mostrar as ações concretas, dos benefícios que leva aos cidadãos (clientes). Inclui clientes hoje. Na verdade, ele procura trazer sempre mensagens de ações que beneficiam o dia a dia das pessoas que menos podem comprar tais benefícios.

        Voltando para o ponto inicial, cuja sigla é UX, que eu havia interpretado como UEX, veja o que retirei o site:
https://www.liferay.com/pt/resources/l/user-experience:

             Experiência do usuário é sobre pessoas, e não sobre design...

              

             Experiência do usuário descreve o que as pessoas experimentam quando navegam por um site, utilizando um aplicativo móvel ou interagindo de alguma outra maneira com produtos ou serviços digitais da empresa.

        Foi isto que João Campos falou, dessa interação, de saber como as pessoas se sentem quanto as ações da Prefeitura de Recife. Em ter a sensibilidade de captar tais sentimentos rapidamente, e tal atitude se esparramar para todos que o auxiliam na gestão, para os executores em todos os níveis.

        Ele me pôs a pensar quanto ao serviço que prestamos na limpeza de sofá, d seja perante aos clientes, seja perante os funcionários que é que têm o contato na execução dos serviços nas casas das pessoas, seja de transformar, no frio do contato de Whatsapp em algo menos mecânico, e até caloroso.

        Bem, a experiência do cliente é sobre pessoas. Isto precisa estar na mente quando a gente conversa no cotidiano. A vida se transforma.


        Por hora, é o que tenho. Uma pequena pincelada em um mundão de assuntos e temas que carecem de atenção.

        Abração, Marconi Urquiza.


Fonte da imagem:
DLK Infotelecon

        

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Jogou por uma bola

 




        Jogou por uma bola. Quantas vezes ouvi isso com um tom discriminatório, de menosprezo, de quem foi competente em uma proposta de jogo? 

        Mas ontem tive que mudar de opinião ao assistir a todo o jogo do PSG e Botafogo. Quantas chances de gol teve o Botafogo, a do gol, mais uma, duas a mais?

        Quantas chances o PSG teve? Perigo de gol? Várias, mas apertadas pela marcação.

        Há muitos anos, Magrão, o então goleiro do Sport Recife, ao ser entrevistado sobre a derrota do time, respondeu sem subterfúgios: Eles jogaram melhor que nós. O Botafogo teve a entrega dos jogadores, a inteligência e a competência de fazer uma forma de jogo que lhe rendeu uma vitória fenomenal.   

        O treinador do Botafogo estudou bem o modo do time do PSG jogar, e com os jogadores para não deixar espaço ao excelente toque de bola do time francês. Uma das coisas mais interessantes, apesar do amplo domínio do PSG, o time evitou dar chutões a esmo.

        Ainda mais forte, forte, a equipe do Botafogo não mudou uma vírgula do que foi combinado entre o treinador e os jogadores. Outro ponto que merece atenção, foi o respeito e não o temor, pelo adversário. Por causa disso, lembrei-me até de Sun Tzu, autor do famoso livro: A arte da guerra. Que, sem a precisão do que está no livro, leciona: quando se conhece a si mesmo e ao adversário, a vitória se desenha favoravelmente. 

        O que eu vi no jogo foi exatamente isso: o Botafogo estudou a fundo o PSG, teve a sabedoria de mudar o seu jogo e, para mim, jogou e ganhou por uma bola. Foi menor isso? De jeito nenhum.

        Em poucos momentos durante o jogo, mesmo com as substituições, o time foi organizado para cumprir o  que se propôs a fazer no jogo. Em poucos momentos, o PSG conseguiu desorganizar o Botafogo, mas o time rápido voltou a se posicionar de forma a impedir que o PSG marcasse o gol.

        Vários treinadores e comentaristas disseram como é difícil e cansativo jogar sem bola. Como peladeiro, digo que é extenuante e frustrante em muitos momentos. Sobre esse aspecto, há mais um ponto que o Botafogo se preparou muito bem: o preparo mental para jogar como jogou, mantendo a concentração e evitando a frustração ao ver a bola quase sempre com o adversário.

        Enfim, do jogo de ontem, se tivermos acesso ao preparo para da equipe para ele, teremos uma aula de como jogar contra um adversário com um nível técnico e sistema de jogo que detém 80% da posse de bola. 

        Espero que surjam análises do jogo de forma didática, para amadores como eu, possa se espelhar.


        Por hora, é só.

        Abração, Marconi Urquiza

        

        

        

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Basto, o amigo que se encantou

           


        Ontem à noite passei um bom tempo escutando forró e o You Tube foi me passando uma enormidade de canções, especialmente de Luiz Gonzaga. Dentre as músicas a do disco Luiz Gonzaga Sertão 70 de Gonzaga, nós tínhamos em nossa casa e fazia muito tempo que não ouvia. Boca de Forno, Já vou mãe e vários outras com tons tristes. E aí pensei, Gonzagão estava em uma fase da vida triste. De minha parte lembro que 1970, das que lembro foi uma das maiores secas que puder presenciar e por causa dessa seca eu tenho uma recordação recorrente. Várias vezes lembro e lembrei-me deste episódio. A alegria de um e a inveja de outro.

            Eu fui o invejoso e um amigo da escola o invejado.  Era metade de 1970, a seca queimava tudo, as frentes de trabalho espalhadas por todo canto e lá na região tinha uma na Serra de São Pedro, município de Bom Conselho.  Naquela tarde, finalzinho, já escuro, eu passava no calçadão da Praça Pedro II e na altura da loja A Princesa e dei de cara com o colega, todo empoeirado, dos pés a cabeça, rosto enegrecido pelo suor, pela poeira que tornava aquela parte da estrada, onde faziam melhorias, cinzenta todo o dia.

            Quando ele me viu disse:

            - Marconi, olha Marconi, olha! - e mostrou várias cédulas de 1 cruzeiro, verdes. Naquele instante eu senti inveja. Hoje e quando lembro do episódio e faço uma comparação relativa da vida dele e da minha na época, sinto que exagerei. 

            Muito anos se passou e eu e nossa família fomos cair em Barbosa Ferraz, noroeste do Paraná. Cheguei lá como gerente do Banco do Brasil.  A cidade tinha uma AABB simples. Um belo minicampo gramado, um salão aberto com churrasqueira, no qual no final dos sábados ficávamos conversando após a pelada. 

            Quem tomava conta era Basto, voz mansa, jeito calmo, e um coração bondoso.  Ele e Zefinha formavam um casal tão parecido. Calmos, bondosos. Moravam em uma casa simples, parte de madeira, parte de alvenaria. A casa dele era vizinho à AABB.

            Conversa vai, conversa vem, aí ele conta a sua história. Menino havia chegado a Barbosa Ferraz com os país para trabalhar no plantio de hortelã, então o "ouro verde" daqueles tempos. 1959 e parte dos anos 1960. Ele disse que era tanta grana que não sabia com o que gastar. Que o pagamento era feito por aviões que jogava os malotes de dinheiro para pagar pelo produto.

            Basto deu a entender que poderiam ter ficado aricos, mas eram pobres. Em outro momento, ele disse que havia nascido em Palmeiras dos Índios, Alagoas. Não sei se já havia dito, mas lhe informei que era de Bom Conselho, Pernambuco. Entre uma e outra, são apenas 28 quilômetros. Entre ele e eu, um mundo de diferenças de vida e que se encontraram em diáspora que a gente enfrentou em 1995. Quando no desespero, saímos procurando onde trabalhar e não ter que jogar fora 10 anos de empenho e desempenho profissional.

            Estávamos com três crianças. Com 9, 6 e 3 anos.  Victor, Raphael e Philip. Cida, ótima de papo e de relacionamento, fez amizade com Zefinha, amizade que perdura até hoje. Não sei precisar quando, Basto e Zefinha começaram a tomar conta dos nossos filhos. Eles ficavam na casa deles, ora em nossa casa, quando, pelos compromissos profissionais eu e Cida tínhamos que nos ausentar por algumas horas. A afeição era tanta que um dos filhos a tinha como segunda mãe.

            Chegou a hora de ir embora. A empresa exigia que gerentes tivessem curso superior, e tive que retomar os estudos em uma faculdade de Cianorte, e fui gerenciar a agência de Terra Boa e saí de Barbosa Ferraz. Sabe aquela sensação de luto, que havia deixado para trás pessoas muito queridas. Foi o que me acompanhou durante  muito tempo. 

            O tempo passou, voltamos para o Nordeste, e em 2019, 16 anos após a nossa saída do Paraná, fomos ao casamento da filha de outro casal amigo. Sérgio e Maris. E em uma tarde fomos visitar Basto e Zefinha. Quando chegamos ele estava só, Zefinha tinha ido ao cemitério cuidar do túmulo de familiares. Conversamos um pouco, tomei um cafezinho, o que ele sempre oferecia. Disse-me  que estava muito doente, e seu semblante era de tristeza. Logo depois, Cida chegou, pois tínhamos que voltar para Araruna, era final da tarde, e havia outra uma visita, a  Madalena, também de Barbosa Ferraz, que estava convalescendo de uma cirurgia na casa da mãe em Quinta do Sol. Tudo muito rápido.

        Basto e Zefinha, Adão e Madadela, eram nossos amigos, um convívio leve e que fazíamos nos sentir em casa naquelas paragem distante de nossa  família.

        Tempo depois, prometi a mim mesmo que voltaria para fazer uma visita demorada a Barbosa Ferraz, já foram 6 anos e Basto já se encantou. Ficou a lembrança daquele sorriso doce, tranquilo e de uma enorme boa vontade conosco. Um enorme coração bondoso.

        Bem, por hora é só.

        Abração, Marconi.

        

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Leitura do jogo - da vida também.



 Com a vinda de Carlo Ancelotti para treinar a seleção brasileira, o astral do futebol, na mídia, no time e nos torcedores, se encheram de otimismo. "Mudou o astral", foi a afirmação mais comum ouvida ao longo da semana. Fui um daqueles que arriscaram minhas palavras "abalizadas", como um antigo comentarista, Luis Cavalcante, de voz impostada, era chamado a opinar na Rádio Jornal do Comércio, do Recife. Pois bem, começando pelos jogadores, que, creio, os veem com mais respeito que os treinadores brasileiros, e sem a vivência e histórico de títulos que possui Carlo Ancelotti.

        Mas, até quando vai a boa vontade e esse otimismo com o novo treinador da Seleção Brasileira? Nesse oceano que se vive no Brasil, só se veem coisas negativas e críticas para desacreditar as pessoas, neste "inferno astral" que só enxerga as coisas ruins, mesmo que não sejam de fato.

        Lembrei-me da onda otimista que encheu Recife e Pernambuco com o Recife Alto Astral nos anos 1990. Foi uma ação do prefeito e depois governador Jarbas Vasconcelos. Um chamado à população que despertou nos espíritos uma enorme vontade de ser feliz. Bem que poderíamos ser como Ariano Suassuna: realista esperançoso. Trazendo na alma a esperança ativa que Paulo Freire, a esperança do verbo esperançar para construir, ir atrás, juntar-se aos outros para fazer de outro modo.

        Quando é para insuflar o lado do ego negativo, temos centenas de líderes e influenciadores; quando é para mover as pessoas para o bem, são raros. As suas vozes se perdem no meio da multidão que planta, aduba, aduba, aduba e rega o pessimismo e as coisas negativas.

        Torço que Carlo Ancelotti resista aos dois primeiros jogos da Seleção Brasileira sem que surja um tsunami de críticas e desconstrução de sua história de sucesso, de sua biografia, que tende a usar a incapacidade de refletir por si, que muitos têm por falta de informação, por não ter acesso a ela, por não ter hábito, por ter a mente embotada por vozes que robotizam os nossos corações.

        Bem, queria escrever sobre uma nova percepção, experiência, um novo aprendizado. Vou falar de dois: um que vem sendo intenso, mas que começou há pelo menos 3 anos, e o outro, de uma vida inteira, especialmente nos últimos 20 anos.

        Primeiro, quero trazer um contexto. Quanto criança e adolescente fui sempre muito curioso,  ainda criança vivia a perguntar coisas que adultos não gostam de falar; quando adolescente fui nos livros buscar algumas respostas. Me ocorreu agora lembrar que eu tinha uma enorme curiosidade pelas meninas da minha rua; os livros me diziam como eram corpos femininos, mas não suas almas, e eu tinha uma enorme curiosidade de saber sobre o que elas conversavam. Sem esse acesso, comecei a ler matérias escritas por jornalistas femininas. Não vou dizer que adquiri uma compreensão plena, mas arranhei a minha curiosidade.

        O contexto é que essa curiosidade em geral, que me acompanha desde então, em que fico observando, observando, interpretando e guardando o que penso e o que acho que compreendi na maior parte do tempo.

        Há alguns anos, por necessidade, comecei a interessar-me pelo marketing digital, um mutante que altera a forma a cada dia. Todo dia são testados elementos de divulgação: memes, fakes, vídeos, falas, demonstrações professorais, piadas, notícias sérias e por aí vai.

        Em uma dessas tentativas de divulgar o romance Decisão de Matar fui mexer no aplicativo Canva. De tanto mexer, desisti. A divulgação deste romance foi ínfima e a sua leitura um fracasso. Mas disso, aprendi noções. 

        Nas últimas três semanas, encontrei uma forma de trabalhar a divulgação do próximo lançamento, O último café do Coronel. Depois de desembolsar muita grana na produção do livro, desisti de gastar e fui fazer o básico de um autodidata: a imitação. Resgatei partes de aulas sobre planejamento geral e comecei a tentar criar peças publicitárias, com base no que fazem duas grandes editoras. Algumas já estão prontas, carecem de revisão e opinião para saber se serão atrativas e não estragam o livro levando spoilers. 

        Vamos retomar ao futebol. Um aprendizado de uma vida inteira. Primeiro, aprendi a jogar futebol; eu era um grosso imenso, tanto em tamanho quanto em ruindade. Fui observando jogadores profissionais, treinando e jogando peladas até aprender a dominar a bola e me posicionar em campo. Com este básico, com o fôlego em dia, não faço feio.

        A partir de 2003, por cerca de dois anos, comecei a estudar futebol; comprei e li pelo menos uns dez livros e dois blogs que forneciam informações sobre táticas e treinamentos de futebol. Nessa época, aprendi a observar jogos de futebol e, ao mesmo tempo, atuei como comentarista na Rádio Integração de Surubim, o que me permitiu aprofundar minhas observações. Engraçado e ruim para mim, que gosto muito de futebol, é que perdi aquele gosto de ver jogos, especialmente quando estão ruins, e mudo logo de canal.

        Digamos que consegui perceber nuances de uma partida de futebol, que é feito por pessoas e suas emoções. Veja o que está acontecendo no momento com o Sport Recife. Não é qualidade técnica que falta àqueles atletas; falta-lhes um ambiente emocionalmente sadio.

        Vamos ao futebol amador. Nas últimas três jornadas de futebol dos jogos dos aposentados do Banco do Brasil, estive na reserva. Nas nove partidas em que participei, joguei apenas 10 minutos, então passei muito tempo observando, ou seja, olhando, só assistindo aos amigos jogando. Mas algo me ocorreu neste ano: comecei a ter uma percepção, percepção que veio naturalmente, por um espírito observador. Comecei a fazer uma leitura do jogo à beira do campo.

        Mas foi agora em São Luís (MA) que me dei conta da enormidadade que é perceber o jogo enquanto ele se desenrola, quando ele é jogado, quando o time se desequilibra e quando e como o adversário está jogando. Isto veio naturalmente; se estivesse em campo, teria sido muito difícil perceber isso. Talvez por esta razão, alguns cronistas comentam que há treinadores excelentes nos treinos e sofríveis no jogo. Existem outros que são ótimos durante o jogo, mas não tão bons nos treinos. Mas tudo isso passa lá pelo começo desta crônica: o jogador acredita nas palavras do técnico? Isso é crucial. Aliás, para qualquer liderança.

        É esta a força do Carlo Ancelotti. Segundo as minhas leituras, dizem que ele é bom de vestiário. Isto pode indicar que ele sabe conversar com seus atletas.

        Por hoje é encerro estas digressões.

        Abração, Marconi Urquiza.


OS LIVROS:

    Caso a curiosidade aumente, estes são dois livros que mas me encantaram na fase de estudo sobre o futebol:


Ciência do futebol


Universo Tático do Futebol - escola brasileira

Existimos: A que será que se destina?

Viktor Frankl             Começou, começou, começou aquilo que muitos refugam, mas têm uma apaixonada, apaixonada reação ao ouvir opiniões c...