sexta-feira, 3 de abril de 2026
O medo, uma música, um tareco, uma mariola
sexta-feira, 27 de março de 2026
Boa tarde!
sexta-feira, 6 de março de 2026
Existimos: A que será que se destina?
Começou, começou, começou aquilo que muitos refugam, mas têm uma apaixonada, apaixonada reação ao ouvir opiniões contrárias.
Às quartas-feiras a gente tem uma roda de conversa após o futebol, se fala sobre quase tudo, principalmente futebol, conversas avulsas, de tudo que era tipo, durante muito tempo, um certo tipo de assunto não chegou a aparecer. Aquela tema que separou muitos amigos e famílias, mas nesta última quarta-feira alguns minutos de conversa sobre política e políticos se insinuou.
Hoje lembrei-me de Jessé Souza: Será que há tantos ressentidos assim? Ou na vertente de Michel Alcoforado, em uma variante da cultura brasileira apresentado no livro Coisas de Rico, que cada brasileiro tem o seu rico de estimação.
Será que cada brasileiro tem o seu político truculento, mentiroso, desonesto de estimação?
E o papo começou a rolar na direção dos políticos e iria passar para o tema eleição presidencial, porém, em alguns minutos, chegou um amigo, super bem humorado, brincalhão como ninguém e sem perceber desviou o assunto.
Creio, nas próximas semanas deverá voltar mais forte. Talvez, talvez venha tão radical quanto foram nas últimas duas eleições. Isto fez me lembrar da mente que vai sendo moldada pela repetição, pela expulsão das formas de refletir sobre as situações. Pelos algoritmos. A respeito destes programas, é vezeiro, que eles têm direção e intenções e; não é a democracia, a pluridade sadia de pensamentos e visões de mundo. Até compreender isto pensava que estes programas das redes sociais eram apenas um fator de negócios, de venda, de audiência; me fazendo recordar é que preciso saber qual é a intenção de quem pronuncia um pensamento ou age de certa forma, a tal ponto que recapitulei uma frase, que não recordo a autoria, e, em contexto, diz assim: Não tem ciência neutra, apesar dos métodos científicos, porque ainda perdura no pesquisador a sua subjetividade.
Quando jovem ouvi um comentário sobre um certo candidato, político profissional, que teria dito sobre ele mesmo e sobre os eleitores: Quem tem que se apaixonar é o eleitor, político que se apaixona pela eleição perde. Creio que perde a perspectiva da batalha, que tem que começar bem antes, cega diante das evidências de uma campanha ou situação ao se portar como um apaixonado.
Nesta quinta-feira, finalzinho da tarde, com as luzes sumindo na noite, comecei divagar diante do curto papo, de um indício ainda fraco, menos fraco que antes de 2018, e que me fez fazer uma analogia para a frase da canção Cajuína, de Caetano Veloso: Apenas a matéria vida era tão fina e peguei outra frase emprestada para trazer aqui nessa dúvida: Existimos: A que será que se destina?
E será que vamos transformar a amizade, apenas a matéria vida - "amizade' - era tão fina. Tão fina, tão frágil, tão desprezível, tão desprezível em nome de uma convicção que vem sendo imposta sutilmente por um atributo mental regressivo externo.
E vamos existir assim? Existimos: A que será que se destina? À briga, a perda desse bem, à solidão, a repulsa social. Ou algo tão humano quanto isto que escrevi, mas, mais grandioso, enaltecedor da vida em paz quando respeitamos a amizade e o convívio familiar.
Como se leciona na disciplina Inteligência Competitiva: Atenção para os sinais fracos, ele podem ser um prenúncio de uma perda. Esses são os sinais fracos que percebi no momento.
Bem, por hora, é só.
Abração, Marconi Urquiza.
VIKTOR FRANKEL - Psiquiatra, neurologista. Sobrevivente de um campo de concentração nazista na segunda guerra mundial e ele escreveu sobre este período no livro: Em busca de Sentido.
Em resumo: Trata da busca por um sentido para a vida. Ter um sentido para a vida transforma a pessoa e salva de uma morte precoce.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Uma frase que fez pensar
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
Sem dominação simbólica não existe capitalismo,
A primeira vez que me aprofundei neste ponto da "dominação simbólica" completou 15 anos. Estava enrolado na redação da dissertação e, pior, com as ideias confusas, sem clareza de qual tema desenvolver. O tempo corria rápido e olhava para a mesa daqui de casa, 1,80m de comprimento por 1,00 de largura, abarrotada de artigos, fotocópias de teses e desertação, fotocópia de trechos de livros e minhas anotações. Olhava aquilo tudo e não sabia como organizar o tempo e o texto da dissertação. Estava mais para o que o romano Cícero lecionou: "Para quem não sabe aonde vai, qualquer vento serve." Essa era a minha realidade naquele 2011.
Tempos antes havia esbarrado em algum artigo sobre métodos de gestão de pessoas que falava do Toyotismo. Um método de produção just-in-time, entre outros pontos. Neste artigo o autor citou sobre a subjetividade do Toyotismo.
Naquela situação da organização da dissertação o orientador havia me emprestado um livro que aprofundava sobre a subjetividade no trabalho. O domínio simbólico da empresa sobre seus funcionários.
Nele, o autor não expressava claramente, mas em suas páginas sugeria sobre a Meritocracia, por exemplo. Método que estimula que, trabalhando duro, você alcança o que deseja. Nem é todo mentira, nem é todo verdade, mas está mais para ludribiar a maioria das pessoas que se guiam e se guiaram pela Meritocracia. Bem, para mim, só pude compreende-la bem depois como mais uma forma de dominar a subjetividade de uma pessoa, há várias.
Tratei de ler o livro, com todo cuidado que um estudante deve ter ao se deparar uma obra que pode lhe abrir as portas para fazer um trabalho acadêmico de porte. E fui lendo e, fui me assustando, me vendo envolvido em cada estratégia daquelas mencionadas no livro. Fui me vendo naquele Banco do Brasil, de 2010 a 2015, onde tudo era feito para sequestrar a nossa subjetividade, de modo que qualquer meta, por mais pesada que fosse, a gente acharia um modo de entregar o "número" (como uma coisa menor, quase irrelevante, simples, etc) e acreditar que com isto conquistaria a meritocracia sugerida pela empresa.
Lendo o livro O Poder das Orqanizações a minha vida ficou em revista durante muito tempo, muito. Por exemplo, neste livro o autor mostrava que uma empresa norte-americana fazia eventos que lembrava a um culto religioso, isto estava em suas páginas de modo explícito com o título: A religião.
Comecei a correr a memória para um tempo mais próximo. A captura da camisa da seleção brasileira em prol de uma corrente política, o desvio dos ilícitos com as brigas constantes e acusações falsas reiteradas, capturando a atenção para olhar para o outro lado e não para o lado onde estes ilícitos estavam ocorrendo.
Já havia lido o livro Pobre de Direita, onde Jessé Souza esmiuça a questão do ressentimento, como isto foi explorado politicamente, a ponto de que comecei observar com maior atenção este sentimento em pessoas com as quais convivo. Um negócio de muitos tentáculos, desde o âmbito pessoal, quanto na economia em geral, da falta de oportunidades e da negação em geral dos direitos, como educação, etc.
Depois de muito relutar comprei outro livro: Por que a esquerda morreu? E o que devemos fazer para ressuscitá-la, também de Jessé Souza. A capa é vermelha com letras brancas, pretas e amarelas. Na contracapa vem a frase: Sem dominação simbólica não existe capitalismo. A cor de fundo é amarela. A frase com esta cor de fundo representa um forte aviso, um alerta vigoroso. É simbólico.
É um livro pequeno, com 138 páginas, mas que exige uma leitura lenta para que se capture e compreenda corretamento o que está lendo. Sobretudo, reflita sobre o que leu.
Voltando ao início da crônica - A Meritocracia - foi mais uma estratégia que o capitalismo dominou o simbolismo do esforço, hercúleo, pessoal, de tal forma que a longo prazo criou uma ilusão. Não tinha vaga para todas as pessoas.
O que o livro nos coloca é que o capitalismo é mutante, um camaleão enorme, que vai açambarcando todas as manifestações de repulsa, inconformismo, revolta da população e, vai a amansando para seus interesses.
Para quem goste do assunto, sugiro a leitura deste livro e do livro Pobre de Direita. Duas leituras, independente da crença, ou descrença, da posição política ou da neutralidade, que podem ajudar na compreensão dos últimos 10 anos no Brasil.
Por hora, é só.
Marconi Urquiza
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
E se passou 50 anos
Foto captura no Facebook de Laércio Souza
Por um motivo relevante, acabei indo a Bom Conselho, cidade onde nasci, 50 anos depois de ter saído dela para estudar em outra cidade.
Naquele fevereiro de 1976 fui estudar no Colégio Santa Sofia, em Garanhuns (PE). Colégio que ainda mantém a sua missão de educar os jovens. Naquele ano, haviam três grandes colégios privados na cidade: o Colégio Diocesano, o Santa Sofia e o Colégio XV de Novembro (Presbiteriano). Em comum, foram todos eles criados por instituições religiosas.
Mas, naquele início de 1976, quando saí, era tímido, inseguro e com uma enorme carência e deficiência nas matérias exatas (Física, Química e Matemática). Entre o Colégio de Bom Conselho, que era uma escola referenciada na época, e o Colégio Santa Sofia, havia um mundo de distância. Para mim, um enorme desvio a ser superado, um degrau absurdamente alto que não consegui transpor. Deficiência nessas disciplinas que nunca supri.
Alguns pontos, entre muitos, foram marcantes, destaco. Desapegar da casa e me adaptar a viver em uma pensão, apenas entre adultos.
Outro ponto: o deslocamento de Garanhuns para Bom Conselho e vice-versa era muito ruim. Aos sábados, havia poucos carros particulares de passageiros, e o ônibus era depois de 10 horas da manhã. No domingo era obrigado a sair cedo, havia um ônibus pela manhã e outro 10 horas da noite. Só depois de vários meses é que comecei a ter carona do gerente da Caixa Econômica Federal de Garanhuns, Álvaro Gomes, que saía de Bom Conselho às 5 horas da manhã a cada segunda-feira.
O terceiro ponto da jornada em Garanhuns foi a experiência com a professora de Português do Colégio Santa Sofia. Todos os dias, olhe! Todos os dias ela aplicava um ditado; treinamos essa forma de redação o ano inteiro, e eu gostava disso. Já tinha alguma habilidade para escrever, pois no Colégio Frei Caetano de Messina, em Bom Conselho, também tínhamos esse tipo de treinamento. Com o tempo, comecei a inventar alguns textos.
E uma saudade cavalar que levei anos para superar.
A história correu e eis que estou novamente em Bom Conselho. No último sábado dei uma passeada rápida pela cidade; no centro e nas ruas adjacentes ela parece a mesma, mas não é. Não é a mesma cidade das minhas lembranças. As pessoas mudaram, novas pessoas chegaram ao mundo, sou um estranho para 99,9% delas. A maioria dos meus contemporâneos vivem longe da cidade.
As pessoas de hoje ignoram sobre a história ocorrida durante 1982. Não sabem que o pau cantou e que ocorreram mortes na disputa política em que papai acabou assassinado.
Neste 07 de fevereiro de 2026, sábado, ao sair com meu cunhado Washington comentei para ele, faz 50 anos que saí daqui. "50 anos?" 50 anos. "Muito tempo." Fui estudar no Santa Sofia, depois fui estudar em Recife e, de lá, fui trabalhar no Banco do Brasil; e a conversa terminou.
Até 1987 pensava muito em Bom Conselho. Depois, fomos para Tabatinga, no Amazonas, e essa lembrança foi diminuindo à medida que novos desafios surgiam, vencer as circunstâncias, superar a mim mesmo no caminho da sobrevivência física e no Banco do Brasil, que passava por intensa transformação corporativa.
Posso até me lembrar como via a cidade, mais lenta, menos frenética, com os jovens reunidos na Praça Pedro II, para onde iam se encontrar com amigos e amigas, para paquerar, namorar e para alguns se exibirem com os carros dos pais. Haviam alguns carros com sons altos, mas ninguem imaginaria os paredões de hoje.
Os bailes e carnavais no Clube dos 30 ainda existiam. A religiosidade católica era muito forte, o padre da Igreja Matriz tinha uma grande influência. Durante os anos 1970 foi uma moda da moças fugirem para casar. Mas há uma tradição que permanece até hoje, virou cultura na cidade, os desfiles de Sete de Setembro. Era e é o maior evento coletivo, social e "afetivo" da cidade.
Vou repetir: o desfile do dia Sete de Setembro é "o maior evento coletivo, social e afetivo de Bom Conselho". Uma cidade inteira vai assisti-lo, os jovens vão participar, os colégios se enfeitam; e os professores parecem sentir-se mais importantes por coordenarem as equipes. As fanfarras são um mundo à parte. 50 anos depois, isso está bem mais forte.
E eu nestes 50 anos?
Restam muitas lembranças até os 16 anos, outras até os 22 anos, quando fui trabalhar no sertão.
Entre elas, algumas peculiares como a vigilância que fazia para pegar a primeira fornada de pão na padaria para leva-los em casa e comer um ou dois pães com manteiga, derretida pelo calor deles. Da doideira que era para estar pronto para ir jogar futebol nos treinos do antigo campo da ABA e no Clube dos 30. De contar uns trocados para ir tomar algumas cervejas no Bar do Géo ou no Restaurante Kennedy.
De marcar o tempo para ir visitar a primeira namorada às 19 horas. Chegava sempre antes e ficava na garagem escutando a família jantar. Tenho lembranças frequentes da temperatura amena da madrugada e do final da tarde, após escurecer. Em Bom Conselho, a partir das 17.30h começa correr um ventinho gostoso entre as serras e vai amenizando o calor do dia.
E, fisicamente, fui de 68 para os atuais 104,5 quilos. Mentalmente, nem sei o que dizer. Bom! Aprendi a escrever.
Saltando dos 16 para 66 anos, com um romance escrito cujo enredo foi inspirado na secular história da cidade, onde, especialmente, as lembranças de um período de 14 anos afloraram, de 1968 e 1982, que se juntaram às muitas leituras sobre o espírito nordestino, especialmente o espírito da disputa política.
Neste livro não entraram as minhas recordações do jovem que brincava com os amigos e amava jogar futebol na rua mesmo com as constantes reclamações do padre Carício. Também, que eu e os amigos, ficávamos admirando as lindas vizinhas que subiam e desciam a rua Conselheiro João Alfredo; que saia correndo para cobrir o almoço na farmácia de papai. Que que tinha fome por gibi e lia adoiado os livrinhos de bang-bang e por aí vai.
Agora, em 2026, Bom Conselho é uma nova cidade, com outro dinamismo, com a beleza antiga e singular da Igreja Matriz e do colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, e a beleza nova do Parque Feliciano, e a visão extraordinária de parte da cidade a partir do oitão da prefeitura, na praça Frei Caetano. A mesma foto que ilustra está crônica.
Minha minúscula participação nesta história secular da cidade está nas páginas do romance O último café do Coronel, cujo personagem central me inspirei na importante figura histórica do Coronel Zé Abílio, em que ele é o condutor da narrativa. Neste livro temos um apanhado histórico, politico, social, das disputas, dos costumes, das amizades e inimizadas que ocorreram na cidade de 1911 até 1982.
E se passou 50 anos, com o coração rodando pelas ruas da infância e da juventude, das paqueras e dos jogos de futebol que enfeitaram meus sonhos juvenis.
Por hoje, é só.
Abração e ótimo Carnaval.
Marconi Urquiza
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
Auxiliar técnico
Em certo momento eu me convidei e não fui, em outro momento fui convidado e não compareci, agora fui convidado de novo e fui.
E fui, fui nesta quarta-feira acompanhar o treino do time de futebol minicampo 65+ da AABB Recife. Fiquei observando o time jogar, a movimentação, o posicionamento, as falas e os "técnicos" em campo. No bom e no mal sentido. Do humilde ao que se acha.
Observei sentado, depois de um tempo senti que deveria anotar, se não, esqueceria. Me pus a anotar alguns pontos.
Queria trazer um contexto, o meu negócio sempre foi jogar futebol, tive a experiência de um dia como árbitro, deixei. Não iria me diverti. Nunca cogitei ser técnico, embora em algum momento dos últimos 23 anos fiz estudos para entender melhor o futebol e poder fazer comentários de jogos para Rádio Integração FM.
O início como comentarista diletante foi penoso, eu não enxergava nada, nada do jogo, do seu desenvolvimento, do posicionamento, da percepçao, do fôlego, do humor dos jogadores. Eu era, como milhões de pessoas, uma pessoa que gostava de ver um bom jogo de futebol.
Sendo um típico torcedor, comecei a querer olhar o jogo com aquele visão de quem ver a partida com a percepção mais técnica. Quando mais melhorava nisso mais difícil ficava ver um jogo do meu time preferido - o Sport Recife. Houve momentos em que percebi que o time estava desencaixado - na gíria dos iniciados no futebol. No popular, quando percebia que o time estava desarrumado, mudava de canal. A sensação que iria ser derrotado me incomodava.
Passada essa fase, deixei de comentar na rádio e perdi um pouco o olhar técnico. É muito melhor ver o futebol como espetáculo, show, apreciar a arte, a técnica, a inteligência e as jogadas dos atletas. Mas um olhar treinado não nos abandona, mesmo sem julgar o que vê, a gente que adquire alguma expertise continua a ver detalhes em partida de futebol.
Feita essa contextualização, vamos para o treino do 65+. Em certo momento, na segunda parte do treino uma jogada de ataque se desenvolvia e se desenvolveu muito bem, até que um dos jogadores se irritou e deu às costas para a jogada justamente quando o passe foi dado para ele. Deu às costas e saiu reclamando. Um dos atletas se voltou para mim e disse: "Expulsa ele". Na hora que ocorreu, deu a mesma vontade, me contive. Naquele treino era só para observação. Juntarei mais observações no futuro se sentir que poderei contribuir e tambem se houver clima para tal, aí mudarei de observador para auxiliar técnico.
Alguns pontos para reflexão, principalmente para mim. Liderança e poder formal. No sentido que liderança é o poder concedido por uma equipe, é fundamental ter em vista da característica do time. E o poder formal é naquele sentido que a organização concede o poder para o técnico agir.
Liderança depende de mim, de algumas condições, habilidade e proximidade. Poder, se houver, me será concedido. Terei. Se terei, haverá ambiente institucional para usar? Haverá igualmente suporte da direção do clube? Prefiro desde sempre agir com o poder da liderança, é sempre mais fácil e mais leve.
Passado este ponto da liderança mais poder, temos o aspecto mais técnico e disciplinar (poder). Já conheço os jogadores há muito tempo, alguns são mais técnicos no sentido tático, outros mais habilidosos com a bola, outros pelo fôlego. O futebol tem no seu dinamismo a sua grande magia. Se de repente, um jogador faz uma jogada espetacular, é preciso levar em conta que há outros jogadores em campo que podem ter dado condições para tal.
Os deslocamentos em campo são naturais no futebol. Em certo momento, um jogador pode estar na esquerda, ou no centro, ou mais à direita na mesma jogada e isto é fácil no minicampo. A questão é como o time está organizado para suprir esses deslocamentos, como os outros jogadores fazem para evitar que tal deslocamento abra a possibilidade do adversário ganhar o jogo.
Este é um preâmbulo para algumas observações que anotei no treino da última quarta. Vou escrever conforme a minha lembrança for alimentando este texto.
— Não treinamos, jogamos mais uma pelada. No sentido que treino é um ensaio para um jogo, um campeonato, um torneio. Em uma competição temos dois tempos. Na última quarta os jogadores se desgastaram prematuramente correndo demais.
— Segundo ponto. Nenhuma conversa como se irá jogar, o que se fará nas jogadas paradas, como se dará cobertura, como será a transição para o ataque e para a defesa. Pouco diálogo prévio e muito menos quando a bola estava em jogo. Não é esquema tático, isso é necessário, talvez seja sofisticado para nós. Mas precisamos sim, dessa conversa para que o jogo seja coletivo.
— Terceiro ponto, a maioria está com pouco fôlego. Isto requer melhorar bem.
— Posições no time. Cada posição tem movimentos básicos a serem respeitados. Por exemplo: um defensor vai ao ataque e deve ir, mas perdeu a bola, ou a bola foi para o adversário, o reposicionamento é necessário e imediato para não sobrecarregar outros jogadores e evitar tomar o gol ou uma derrota. Isto vale para ataque, meio de campo, goleiro. Ver o jogo jogando é muito difícil, requer treino, acuidade e um esforço deliberado, mas é possível.
— Em muitos momentos fomos para o ataque, mas o passe era ruim. Em outros momentos, era só correria, uma condução de bola na vertical sem pensar em passes laterais e também de chutes de meia distância. Temos um jogador alto e que cabeceia bem, nenhuma bola foi lançadapara Luciano tentar o cabeceio.
— Se treino é para ensaiar algumas jogadas, criar conjunto, saber como a equipe deve desenvolver o jogo, a gente precisar aceitar criar algumas jogadas artificialmente para realizar estes ensaios. Em alguns momentos, no passado, isto foi tentado, mas a reclamação venceu a boa intenção.
— Somos todos amadores, isto é um fato. Somos todos voluntários, outro fato. Estamos ali por que amamos jogar futebol. Tens uns melhores, outros nem tanto, mas uma equipe se forma por um conjunto de competências. Quer ver, um ótimo atacante com frequência é um péssimo marcador. Um defendor fabuloso muitas vezes não tem reflexos para agir com a rapidez de um atacante. Para um time virar uma equipe há que se ter respeito pelo próximo.
"Experimentemos orientar, em vez de gritar!:
Então vamos nos divertir, vamos pensar coletivamente, pois estou com o objetivo de trazer a medalha de ouro de Belo Horizonte. Estívemos perto duas vezes.
Para finalizar, a gente não sabe como os outros times jogam, mas devemos saber como nós jogamos e os treinos são para isso.
Por hora, é só.
Abração, Marconi Urquiza
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