sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

A bola nos unia

       

       A gente sabe que final do ano é o momento das viagens para os reencontros com familiares e que na medida que os pais morrem tais encontros vão, paulatinamente, escasseando.

     Por anos, do início da adolescência até começarmos a sair para estudarmos fora, o oitão da igreja Matriz pelo lado da rua Conselheiro João Alfredo era nosso campo de futebol lá em Bom Conselho.

      Começava por volta das sete horas da noite e ia até acabar a novela Irmãos Coragem. Ali se dava nosso encontro diário, só interrompido quando as barracas para a festa do Natal eram montadas.

       Assim, regado pela Copa do Mundo de 1970, todo menino ali era um craque nos seus sonhos.

       A bola rolava solta, descia e subia ladeira.

       Do lado cima as janelas da casa do seu Barretinho e os janelões da casa paroquial, cujo inquilino, nada menos que o padre Carício.  O temido, exigente, cabuloso e para mim o chato que me dedurava a papai por banalidades.

         Do lado de baixo, uma ladeira, e se a bola acertasse a rua Manoel Borba a gente teria que correr uns quinhentos metros  atrás da bola.  Em tempo, só tínhamos uma.

        Dita as posições dos gols marcados com sandálias havaianas, não se podia chutar forte.  Regra mais importante que o pênalti, aliás, uma raridade, não havia marcação de nenhuma área de perigo de gol.

      Não para jogarmos futebol, mas no começo do mês, eu e meus irmãos - Marcello e Marden - nos encontramos com o nosso amigo Joseilson, encontro provocado por um amplo encontro com os bom-conselhenses liderado por outro amigo daquele tempo do campo de paralelepípedos da rua João Alfredo, Antiógenes, o missionário do reencontro.

      Do trabalho, poucos respondem, mas é possível reencontrar amigos diletos já passados  dos cinquenta anos de idade.


     

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