
1. Nem sei dizer exatamente por que me veio esta lembrança. Alguma coisa dita na festa de casamento de um amigo desencadeou este escrito.
2. Naquele 16 de novembro de 1982 eu apaguei.
3. Às 7 da manhã já estava dentro da Agência do Banco do Brasil de Afogados da Ingazeira.
4. Sentei-me à minha mesa costumeira e comecei trabalhar. Mexi em alguns documentos, me desincumbi de algumas tarefas mais imediatas e sumi em um choro silencioso, as lágrimas desciam como rio Pajeú em cheia.
5. Não havia ninguém e a agência estava cheia. Era eu, meu choro e minha dor. Socorro Góes ia passando e me chamou: Marconi, Marconi, Marconi, eu abri os olhos, passei a mão neles e continuei.
6. Era eu, meu choro e minha dor. Dor que me acompanhou anos a fio. Mas não havia outro caminho, era seguir em frente.
7. Era seguir em frente ou afundar-se na tristeza em uma depressão que nem a morte livraria.
8. Eu fui em frente, segui correndo atrás da vida. Foi assim, tem sido assim. Livrar a alma do ódio.
Papai havia sido assassinado seis dias antes.
Abraço, Marconi
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