Quase sempre é
altruísta
Toda ação solidária
Busca ajudar o
próximo
E tem a lógica
gregária.
Da omissão nos
redime
Pessoa que forma o
time
Nunca é beneficiária.
Poema de Ademar Ferreira Rafael
O momento, de tantas ações solidárias, exemplificadas constantemente desde março, reforçando o caráter solidário de muitas pessoas na busca de ações coletivas para minorar o sofrimento de muita gente.
Eu estava atrás de uma inspiração para escrever a crônica desta semana, mas não pensava em nada que se assemelhasse a esse despertar do altruísmo, no entanto, eu achei esta história prontinha. Escrita na forma de um relatório, impessoal, escondendo todo o sentimento que nos moveu:
13/10/2008
7:42
Foi assim, foi o título do convite: FEIJOADA BENEFICENTE.
Caraúbas, 1990.
Soubemos por vigilante da agência do Banco Brasil que a filha do vigilante do Banco do Estado do Rio Grande Norte tinha problemas nos olhos e que já havia perdido o olho direito. Um mal que levaria à cegueira total. Como notícia, como dor estava distante de nós, sentimos naquele momento apenas compaixão.
Naquele época, discreta, minha esposa fazia entrega mensal de cestas básicas, havíamos adotado cinco famílias para as auxiliar nos alimentos.
Cerca de dois meses após saber a notícia da garota de 13 anos, a filha do vigilante, eis que ele vem na agência, conversa com seus colegas de profissão e depois se aproxima de mim e faz o seu pedido. Conta-me a sua história e a sua falta de condição de curar a filha. Digo-lhe que não tenho dinheiro para lhe ajudar e fico por aí. Mas pedi que voltasse no dia seguinte.
A noite converso com a minha esposa, [Cida], lhe narro o problema e juntos buscamos uma alternativa para conseguir o dinheiro. De um estalo surgiu a ideia de uma feijoada beneficente.
Assim escolhida a alternativa, bolamos em casa mesmo os convites e tratamos de vender, 150 convites.
Começamos a preparar a feijoada na sexta-feira anterior ao evento, fomos dormir de madrugada, no sábado cuidamos da organização da AABB, de como se faria o atendimento, do local em que ficaríamos com as panelas, a que hora lá chegaríamos, assim por diante.
Do sábado para o domingo ficamos toda a madrugada cozinhando a iguaria lá no quintal de casa, conversando, cuidando do fogo de lenha e usufruindo da fresca da madrugada, no quente Rio Grande do Norte.
Sem experiência da quantidade que se colocaria em cada panelinha, fomos vendo com preocupação se acabar a feijoada antes das 14:00h, hora informada nos convites para o término do serviço. De 10 em 10 minutos a gente contava os ingressos, ainda faltam 40, ainda faltam 30, ainda faltam 20, refizemos a contagem e de fato apenas 120 pessoas vierem pegar a sua feijoada.
Frequentemente a gente chamava o vigilante [o pai da jovem]: como tá de gente lá? Tem muita gente, está chegando mais? Sim. E aí ficamos coletando esta informação e avaliando o que poderíamos fazer e ainda mais, torcer que não aparecesse todos os que haviam comprado o convite.
14:00h. "Vamos encerrar logo, pois, do jeito que vai não sobra nem para o nosso almoço" e realmente, sobrou bem pouco, que só deu para a gente almoçar, oito pessoas [que trabalhavam no evento], sem encher a barriga.
Feitas as contas e pagas as despesas repassamos ao vigilante 90% do lucro e 10% para uma senhora, que sem a gente dissesse que lhe pagaria algum valor, se propôs a nos auxiliar na empreitada.
Dois meses após o evento vem o vigilante e nos informa: "Seu Marconi, a doença estancou, ela não vai ficar cega, mas ainda tem seis meses de tratamento, muito obrigado."
Apareceu e Agradeceu todos os meses até a nossa missão terminar naquela cidade, [em março de 1992], sempre trazendo informações acerca do tratamento da sua filha.
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Quando eu pensava naqueles dias, em certo momento, alegre com essa recordação, me veio a imagem do dia em que o vigilante, do qual não lembro o nome, chegou onde eu estava e disse:
- Ela está curada, agora só precisa ir de seis em seis meses para acompanhamento.
Passados 30 anos, espero que aquela menina seja uma mulher feliz, pois me sinto muito contente ter feito parte daquele esforço para salvar a sua visão.
Abração, Semana Alegre.
Marconi Urquiza
A solidariedade é uma vacina pronta que quanto aplicada cura a necessidade de quem recebe e gera satisfação em quem doa. Parabéns pela narrativa e de um gesto nobre.
ResponderExcluirObrigado Ademar, por suas sábias palavras.
ExcluirDe Joseildo, expresso pelo Whatsapp: "Quando fazemos alguma coisa sem pensarmos em recompensa, esta vem a galope. Através do Rotary Surubim, sabemos como sua amada Cida é atuante em ajudar aos menos favorecidos." Grupo AABB Treinos.
ResponderExcluirDe Valter Braz: "Muito bom. Emocionante." Por whatsapp, Grupo AABB TREINOS.
ResponderExcluirDe Germano BB: Bela crônica. E atitudes como essas é que nos deixa com a alma leve. Parabéns. Pelo whatsapp, grupo JOVENS APOSENTADOS (Do BB).
ResponderExcluirDE OCEANO: Parabéns Marconi, por compartilhar um dos seus atos solidários. Pequenas ações com grandes resultados. São gestos como este que fazem a diferença para as pessoas. Madre Teresa de Calcutá já dizia: "Não espere por grandes líderes; faça você mesmo, pessoa a pessoa. Seja leal às ações pequenas porque é nelas que está a sua força. Vamos que vamos, podemos e devemos fazer a parte que nos cabe neste processo evolutivo. Fraterno abraço.
ResponderExcluirDE EDIVALDO DA BARÃO: Belíssima Crônica. Pelo whatsapp, grupo JOVENS APOSENTADOS
ResponderExcluirDE JOÃO MARCELO: Parabéns amigo Marconi e Cida. Pelo whatsapp, grupo AABB TREINOS
ResponderExcluirDE SÉRGIO: Belo exemplo de preocupação e realização de uma ação para ajudar o nosso semelhante, relatado com aquele toque especial desse Cronista. Parabéns. Pelo WHATSAPP: Grupo AABB TREINOS.
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