sexta-feira, 4 de março de 2022

É Guerra, e não é de videogame

    
Guernica - Quadro de Picasso

    Amados,  é guerra. E não é de videogame.

    Umas das frases que reverberou em minha adolescência vinha de longe. Eu lia nas carrocerias de caminhões e era de uma empresa que fabricava carrocerias ou era concessionária da Mercedes Benz, penso que no Rio Grande do Sul.

    A frase era essa: Guerra é paz nas estradas.  

    Quando criança me encantava com o primo Gervasinho desenhando navios de guerra. Alguns anos depois eu vi no Cine Brasília muitos filmes inspirados na Segunda Guerra Mundial. Muitos,  em que os heróis sempre levavam vantagem contra os inimigos.  (Quase todos nazistas).

    Mas a guerra para mim não causava impacto. Como alguém disse, mais 30 anos depois: Aquelas, eram guerras de videogame. As dos filmes.

    Entenderam a metáfora?

    Tais filmes nunca atrapalharam meu sono.  Mas algo mudou irremediavelmente. A violência,  qualquer tipo, qualquer grau, causa-me um tremendo desconforto.  Em todas as cenas de filmes mais pesadas eu mudo de canal.
    
    Essa realidade deixou de ser guerra de videogame para mim, para qual não me acostumo.

    Vivi uma angústia imensa quando assisti ao filme Até o Último Homem.  Nas cenas cruas eu virava o rosto. Pedaços de corpos voavam de um lado para o outro.

    Ali é tudo de uma ferocidade imensa. 

    Nessa reflexão lembrei de uma das aulas de filosofia no curso de Direito. Nela o professor falou do livro O Leviatã. O autor, Thomas Hobbes, declarou que "O homem é lobo do homem". Ao conhecer a afirmação, estávamos no final do anos 1990, então com 38 anos,  e eu não compreendi essa constatação.  Hoje está cristalino. Poder, estímulos,  doutrinação,  crença incubada, basta um clique,  tudo se precipita na violência.

    Poderia me resignar, mas não consigo. 

        Abraço,
        Marconi Urquiza 

7 comentários:

  1. Não há lógica numa guerra, esse recurso é usado pelos que não se deixam vencer pelos argumentos e recorrem a força que imaginam ter. Viva a paz.

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  2. Brilhante crônica Marconi. É a triste realidade que se constata em pleno século 21. O poder sobe às cabeças e os ditadores não sabem lidar com o poder e buscam de todas as formas dominar o povo e conquistar espaços.
    Vi cenas de grande patriotismo onde uma Senhora e um Senhor mostram aos soldados russos as barbáries que estão cometendo. São homens e mulheres que buscam, através do diálogo, uma tentativa de rendição.
    Neste momento de guerra entre Rússia e Ucrânia, eu tiro o chapéu para os Ucranianos que vem atuando com bravura como verdadeiros tigres e leões, fazendo valer a frase de
    William Shakespeare:
    "Em tempo de paz convém ao homem serenidade e humildade; mas quando estoura a guerra deve agir como um tigre!"
    Que o mundo possa assistir o levantar das bandeiras brancas de ambas as nações.

    Abraço fraterno e ótimo final de semana regado de paz.

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  3. Cada lado tem sua "verdade"

    Cabe a todos, buscar o entendimento, e evitar perdas de vidas, porque estas nao tem preço.

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  4. Bela crônica e o estudo esclarecerá a verdade. Vejam que houve, noutros tempos, simpatizantes a causa do ditador alemão, inclusive nosso país titubeou. Os historiadores farão seu trabalho.

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  5. Quando um louco tem poderes num conflito armado para, apertando um botão, como num videogame, destruir o planeta, é impossível ser indiferente ao evento. As distâncias não são mais garantia de segurança para ninguém, onde quer que estejamos nessa aldeia global. Acordo todos os dias e corro para os jornais à procura de notícias alentadoras, mas as respostas são frustrantes, dolorosas e assustadoras. O heroico povo ucraniano é vítima do medo, de interesses contrários e da sede de poder de “líderes” que governam de costas para as pessoas. Espremido entre os dois lados, a Ucrânia se encaixa perfeitamente naquele ditado popular que diz: "Nessa luta entre o rochedo e o mar quem perde é o marisco" Viva a paz !

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  6. Excelente reflexão, amigo. Pena que na guerra todos mundo sofre demais! Oremos e pensemos positivamente na Paz entre todos. Abraço

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  7. Sua crônica nos leva à reflexão. Além da guerra, existe outra guerra. A da informação.

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