sexta-feira, 13 de maio de 2022

Você sabe o que é ser microempreendedor?

 



    O que é uma empresa?

    O que é uma MEI?

    O que é uma microempresa?


    É fácil achar as respostas para estas perguntas, basta ir em algum livro, dicionário ou na internet. Coloco que há pelo menos três respostas, duas bem facéis de achar: a jurídica, a da ciência da administração. Há uma terceira, de quem faz parte de uma empresa.

    Empresa, já está estruturada, rodando e tendo seu mercado.  A MEI, em si é um desafio de por comida no prato. Para muitos microempreendedores individuais é vender o almoço para comprar o jantar, mas muitas dessas pessoas crescem, se transformam em microempresas e até em empresas. 

    A microempresa, é um pouco mais, tem um pouco mais de estrutura, algum empregado e os donos delas são trabalhadores ativos e não apenas gestores. Aqui eu entro. Estou nessa.

    Quem me conhece sabe a minha história de vida, para os que não me conhecem eu vou contar um pouco dessa história com o intuito de situar àquela experiência com a atual.

    Em certo momento da vida, com dez anos de empresa me tornei gerente geral. Então, alegria, me transformei no responsável por uma unidade da empresa. Alguns anos depois a empresa mudou, agora queriam um perfil de gestor empreendedor, um fazendor de negócios. 

    Na segunda unidade como gerente geral eu comecei a me transformar em um empreendedor, comecei a imaginar como poderia avançar nos negócios aproveitando aquilo que aquela cidade tinha de economia. 

    Na época a maior força econômica daquela cidade era a pecuária leiteira. Então eu imaginei que poderia obter uma acordo com o maior laticínio da região e financiar animais de alto rendimento leiteiro, intermediando passar por uma poupança um pequeno percentual daquelas vendas realizadas pelo produtor. Não foi avante, por que não consegui vender bem este projeto aos meus superiores.

    Tempos depois, junto com outros colegas, inventamos uma forma de gerar negócio utilizando um produto bancário chamado Vendor. Invertemos a lógica dele e passamos a atender as micro e médias empresas. Nesta altura da vida eu me sentia com o espírito de empresário, sendo gerente de uma empresa. 

    Aplicar tal perfil foi facilitado pela própria empresa. Ela tinha placa, tinha mercado, tinha produto, tinha estrutura, tinha verba e tinha um pequeno grupo que começou a acreditar que aquilo daria certo e deu. Houve, sim, uma ação empreendedora. Este espírito sobreviveu mais alguns anos, até que o espírito burocrático, no seu lado ruim, tomou conta das minha atitudes.

    Quase vinte anos depois dessa parte final da narrativa acima me vejo dentro de uma desafio de ser um empreendedor raiz, raiz. Sabe como é, no espírito do cara que bate o escanteio e corre para cabecear ou da pessoa que chupa, assovia e ainda joga o bagaço dd cana fora, tudo ao mesmo tempo.  Em resumo: um faz tudo.

    Eu tive durante vários anos o desejo de ser gerente instalador, imaginava que começando do zero eu teria maior compreensão da montagem, estruturação e progresso de uma empresa. Depois ouvi relatos de um amigo, do sufoco e da carga horária e pressões que suportou sem ter a estrutura necessária para que aquele unidade progredisse.

    Voltando ao momento, o que ter uma microempresa para mim, começada do zero. Tem palavras que têm o condão de comunicar tudo, esta é uma para mim: sobreviver. Pagar as contas mensais, de inicio empatar. Como se diz na gíria dos adminstradores, consegui o ponto de equilíbrio. De certo modo passamos dessa fase, estamos tendo um pequeno lucro, após ano e meio de atividade, mas estamos empacados, não conseguimos contratar o segundo funcionário. A demanda que recebemos só suporta o custo de um.

    Aqui em Recife a empresa dona da marca tem nome no mercado, roda ativa e organicamente, isto é: os cliente antigos a demandam quando precisam.

    Em João Pessoa, a luta por criar um conceito, um nome e um mercado. É um trabalho lento, teimoso, persistente, fazer que o nome da empresa vire referência de mercado em algum momento e que isto possa se reverter em mais negócios e seu crescimento.

    Mas no real, meu escritório é um quarto da minha morada. É cotidiano de um faz tudo imenso. Atende o cliente, vende o serviço, ariticula com o funcionário, corre atrás de alguma falha, vai até na casa do cliente recolher tapetes. 

    Faz também, aquela outra parte, que os espíritos daqueles que querem todo mundo fora da porta da empresa refuga: emitir nota fiscal, manda-las para os clientes, dialogar o tempo inteiro e reclamar com o pessoal do marketing digital, sugerir e reclamar do pessoal da TI, apelar para que criem soluções que nos ajude a gerenciar melhor, comprar nos fornecedores, administrar os humores do único funcionário.

    Ao comprar produtos, perguntar e sugerir se a empresa fabricante faz testes, experimentos com seus produtos. Se fazem, estes testes são guardados como segredo empresarial. Corre, pega o carro e leva para oficina quando precisa fazer revisão e por aí vai.

    E quando as dúvidas surgem? Pesquso na internet e quando na gigante internet não esclarece. Pergunto na empresa licenciadora da marca e quando a informação que escuto não atende? Vou ter que arriscar uma solução, torcendo que se não der certo o prejuízo seja suportado.

    Tem coisa que só aprende perguntando. Uma consultoria do SEBRAE-PB nos disse que João Pessoa é a cidade do indica. Passei a pedir que os clientes nos indique aos familiares, amigos e colegas. Não saberia desta característica se não soubesse por eles, levaria muito tempo para compreender esta particularidade.

    Então uma microempresa é fazer de quase tudo, ter atenção a tudo, conhecer de quase tudo, ser organizado com tudo. Aqui esbarro, não sou assim, mas estou apredendo. 

    Sabe, antes eu condenava certas empresas em que chegava e via um negócio bagunçado, hoje compreendo. Eles precisam sobreviver e ganhar o pão, pagar as contas, correm sempre atrás e vão atropelando as boas regras que a adminstração prega. Parte das dificuldades está nisso, o tempo para esses empreendedores, empregados de si mesmo, é quase sempre escasso.

    Ser microempresário é conviver diariamente com a escassez, sem esmorrer, sem desistir da luta e buscando sair do lugar comum, ir para o próximo andar.


    Por hora, é isto. Até a próxima.


    Abração, Marconi Urquiza


13 comentários:

  1. Meu Camarada, empreendedor que satisfação me identifiquei, pois depois de 30 anos na IBM, me vejo aposentado e empreendendo na área de consultoria ISO e outras, já passamos dos 20 anos, já tivemos 33 parceiros atuando em todos os estados do Nordeste, então lendo sua bela crônica e vendo que hoje somos 4 colocando a mão na massa, e já sobrevivendo desde 2002, empreender realmente é um desafio e fazer isto dentro da família, esposa, filhos, genro torna muito maior este desafio. Grande abraço. Romeu Coutinho.

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    1. Romeu, muito obrigado pelo comentário. É verdade, empreender é um desafio imenso.

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  2. Mesmo com a sua experiência de vida em gerência, estar no outro lado do balcão é outra coisa, é outro aprendizado. Parabéns pela disposição, pelo desafio. Parabéns pelo relato.

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    1. Lúcia, muito obrigado. É um desafio muito grande, a gente utiliza o aprendizado de gerente, mas ele é insuficiente, tem que agregar a lide do empreendedor.

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  3. Parabéns Marconi, boa e. bela passagem de vida. Abração

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  4. Parabéns, Marconi, pela disposição e coragem de se aventuar nesse novo mundo.

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    1. Eládio, eu fui forçado pela circunstância. Meu montou a empresa e não pode continuar, então assumi.

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  5. Ministrei aulas sobre empreendedorismo, aceleradoras, encubadoras, micro empreendimentos, etc. Sem muita garra e foco no negócio os problemas se agravam.

    É luta diária. Parabéns amigo.

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  6. É, sim um desafio, de aprendizado contínuo! Parabéns por tratar desse assunto!

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  7. Amigo, seu texto ajudará muita gente a entender que a vida de empreendedor é muito mais árdua do que glamourosa, muitos pensam que ser dono de um negócio é fácil…meus parabéns pela lucidez e clareza da narrativa.

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