sexta-feira, 24 de junho de 2022

Encontros imperfeitos

 

             

        "Encontros imperfeitos: o que há neles?"

        Este título revela algumas atitudes que apareceram com maior repetição desde que as redes sociais entraram em nossas mentes. Das brigas, nem precisa falar, dos namoros, das pegações, das demonstrações de felicidade, de vender e comprar; tudo isso é vezeiro.

        As redes  sociais são pontos de encontros imperfeitos, capazes de permitir encontrar quem andava sumido há muito tempo. De conversar, mesmo com poucas palavras, com pessoas que a gente queria trocar umas ideias a tempos.

        Mas nisso tudo elas vierem trazendo um nível de exigência elevado e tolerância ínfima, e que o contrário era mais fácil de ocorrer nos imperfeitos e demorados encontros presenciais ou em uma conversa ao telefone. 

        Isto se dá por que as redes sociais e a internet produzem uma velocidade enorme em tudo que passa por ela, mas como efeito ruim, diminui a nossa capacidade de reflexão e transforma, com frequência, as pessoas em reativas e não ativas. 

        É como se quase todo mundo passasse a ser alguém de "pavio curto", cuja mente interpreta tudo como se fosse uma agressão e reage com violência: verbal ou física.

        Essa velocidade, que não controlamos, tende a fazer com que certos sentimentos acompanhem na mesma pegada e outros não. O ódio, vai na maior carreira contaminar nossos sentimentos, o amor, esse parece andar na lentidão do passo de uma Preguiça.

        Como o estímulo aos sentimentos vicerais é constante nas redes sociais, há momentos que a gente se torna em tão exigente que se transforma em um ser incapaz de assimilar que todos nós somos imperfeitos. Não estou falando do ser maledicente, daquele que tem uma inveja destrutiva, do fofoqueiro⁰ que se sente feliz quando seu objeto de maldade se lasca e por aí vai.

        Veja um epísódio simples, que pode servir exemplo da questão quanto exigente nos transformamos. Um dia eu ouvi um grupo de peladeiros criticando um jogador mais grosso, mais lento, "menos craque". Esqueciam que aquele jogador era essencial para ter dois times na pelada de minicampo.

        Dia desses eu vi um cara arara, puto com uma situação, esquecido dos benefícios recorrentes, de graça, que recebeu dias seguidos. Mas estava irritado, o seu interlocutor procurava, na objetividade, resolver aquela reclamação até que um dia disse: Agora eu é que estou chateado e fez ver que havia exagero.

        Mas somos assim, a maioria é assim, eu também sou e já fui assim. Faz parte da nossa imperfeição. Se assim somos, então...

        Olha que história:

        Eram dois colegas que trabalhavam em um restaurante, no mesmo horário, lavando pratos. Certo dia, um deles, do nada e sem razão se intrigou do outro. Só que ambos saiam quase sempre de madrugada para irem para casa. O que foi alvo da ira tinha uma moto, o outro, não. Transporte para ir para casa, não havia pela madrugada. Mesmo  sem que o outro falasse com ele, o dono da moto teve a bondade de lhe oferecer carona todos os dias, enquanto trabalharam juntos.

        Depois de alguns anos, o colega que se irritara mostrou-se arrependido e afirmou que aquele caroneiro era seu melhor amigo.

        Isso é comum? Essa atitude do dono da moto, é rara. Rara.

        Então, se somos imperfeitos, bem que a gente poderia aproveitar esta viagem da vida e fazer dos encontros imperfeitos a soma de encontros que nos farão felizes.


        Voltando para a indagação de Mario Quintana em
O Eterno Espanto: 
           O que haverá com a lua que sempre que a gente a olha é               com o súbito espanto da primeira vez?

    É por aí, que tal construir esse espanto em cada encontro imperfeito?


            Por hora é só.  Ótimo feriado de São João.

           Abraços, Marconi Urquiza


5 comentários:

  1. A rede social, como acnesa do bar e cadeira na calçada nasceram para unir. O que fizemos com tais pontos de encontro é culpa nossa. Boas festas juninas.

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  2. Obrigado pela reflexão, temos de olhar mais para o alto, a Lua e menos para nossos pés.

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