Nesta semana vi o vídeo (reels) no Intagram do Pedro Pacífico (@bookster). Ele fez uma analise dos comentários da Amazon sobre cinco livros que ele considera entre os melhores que leu. Aí foi comentando cada ponto das opiniões inseridas pelos leitores.
Tempos atrás li, não sei onde vi, pois faço leituras aleatórias de observações, comentários, notícias (a maior parte), resenhas de futebol (algumas), algumas notícias que envolvem a política brasileira (já li muito este ponto. Muito.) Não leio tudo que me chama atenção, mas entre as leituras majoritárias, estão as manchetes que me atraem. Este é um "segredo" para capturar a nossa atenção. O título. Ou nos dias hoje, o tema mais polêmico, a maior baixaria ou o mais negativo, entre outros pontos.
A leitura antiga dizia, mais ou menos assim: Quais livros você leu que foram importantes para você? Quero ampliar de livros, para quaisquer outras leituras. Comecei a lembrar de algumas enquanto estava escrevendo.
Em 1995 fui transferido de Palmeirina (PE) para Barboza Ferraz no Paraná. Antes dela ocorrer eu havia passado quase seis meses lendo as famosas CICs, em resumo, as instruções normativas que o Banco do Brasil determinava e orientava as condutas dos funcionários, dos processos e dos negócios. Comecei pela CIC Administração e finalizei com a CIC Crédito. Por que li? Por que sentia uma carência de conhecimento dos elementos normativos para eu ter uma gerência correta.
Calhou ter sido transferido quando a leitura ainda estava, na maior parte atualizada. Então esses conhecimentos estavam fresquinhos na cabeça. Mas eis que viajei. Pela primeira vez na vida viajei para São Paulo e de lá para Curitiba. Teve um momento que o avião baixou, perto do aeroporto de Guarulhos e vi as edificações se perderem no horizonte. O gigantismo de São Paulo passeou pelos olhos naqueles poucos minutos.
Enfim, cheguei a Curitiba para pegar o voo para Maringá. Era agosto de 1995, mas a cidade não estava muito fria, Maringá estava quente, entre 32 e 35 graus. Um calor pesado e abafado. Esses períodos em pleno inverno tem nome: veranico. Veranico, pois duram poucos dias e logo vem uma frente fria a exigir que vistamos as roupas de frio.
Estava passeando pelo Aeroporto Afonso Pena e me aproximei de uma banca de revistas, nela vi vários textos curtos sobre Administração de Empresas. Comprei dois, por serem com poucas páginas os li enquanto não ocorria a chamada para ir a Maringá. Tais publicações, de quatro páginas, me serviram de guias para o mundo novo que seria trabalhar em um estado com a fama de desenvolvido, com uma economia forte e com gente com pensamentos diferentes dos nossos, no contexto daquela época.
Foram estas publicações, curtas, que me deram um norte para gerir melhor, agregando uma intuição forte com conhecimentos técnicos.
Nesta época eu era 90% intuição. Uma sensibilidade enorme para ver as pessoas, os contextos e criar soluções a partir disso. Funcionou bem durante muito tempo.
Vou dar um pulo gigante no meu tempo de vida. Vinte anos, aproxidamente, após o nosso retorno do Paraná para Pernambuco, que ocorreu em 2003, fui deixar Cida na Igreja Nossa Senhora do Carmo. No seu dia é feriado em Recife. Na ida vi na Avenida Guararapes vários sebos ambulantes embaixo das marquises dos prédios, então voltei e estacionei o carro ao lado dos Correios. Segui para lá e fui passear por aquele enorme "saguão" com os livros expostos no chão.
Nesse passeio vi vários livros, de tudo que é tipo. Queria e não queria comprar, tenho a mania de comprar livros novos para que o autor ganhe uma laminha com minha compra. E fui passeando. Interessante, havia algumas pessoas também olhando e todas silenciosas. Ali não tinha papo e quando tinha, era em voz baixa. E fui passeando, parava, olhava, seguia em frente, quase no final daquele trecho de exposição dos livros vi um título, parei, fiquei olhando para ver detalhes, me agachei e o peguei. O livro estava com a capa se rasgando, detonado. Folhei um pouco e o coração exigiu que comprasse.
— Moço, quanto é este livro?
— Cinco reais.
— Cinco reais?
— Cinco reais - paguei e ele me deu uma sacola plástica para levar o livro.
Naquele mesmo dia comecei a ler. E fui lendo cada vez com maior interesse, pois o livro me ajudava a entender tanto o momento em que vivia quando as crises que passei alguns anos antes.
Na minha infância e adolescência ouvi muitas vezes lá em casa, Fulano está em crise da meia idade. Não compreendia o quer era tal coisa, carecia de explicação e contexto. Não tive, só a informação; Fulano tá em crise braba e é da meia-idade. O tempo passou eu esqueci da tal crise da meia idade, nem quando aos 38 anos entrei em uma crise pesada sem entender o problema, pois parecia não ter causa externa.
Depois tive outra aos 48 anos, nessa já estava fazendo psicoterapia, que ajudava, mas não resolvia.
Foi nesse contexto que o livro que achei no sebo entrou como uma leitura importante para mim, quase salvadora. Era lendo e a mente se abrindo para a compreensão do ocorreu e ocorria. Então é isso? É isso? E fui me aprofundando na leitura, cada vez mais esclaredora das dores que tive e ainda dava seus cutucões.
Quando cheguei ao fim da leitura, pensei em duas coisas: aqueles foram os cinco reais mais bem usados na vida e o senhor que me vendeu o livro, tinha um tesouro em mãos e não sabia. Agora estou com ele aqui comigo enquanto escrevo esta crônica. Folhas se soltando, capa rasgada, lombada em parte solta, mostrando os caderninhos colados. Mas isto não muda, ele é um tesouro que a autora nos deu para compreender parte da vida.
Gail Sheeny, é a autora dessa preciosidade: Passagens - Crises previsíveis da vida adulta.
Bem, como o vi nesta semana, cutucando o meu acervo desorganizado, lembrei do bem que me fez.
Abração, Marconi.

Bacana Marconi. Livros, jornais, crônicas, realese , poesia literária, ..., enfim, a leitura sempre conecta-nos a novas experiências, novos entendimentos de visão de mundo e de vida.
ResponderExcluirSua perspicácia e um investimento de R$ 5,00 deu-lhe uma ampliação do autoconhecimento e de novas descobertas sobre seu Eu. Uma verdadeira terapia para melhorias do seu estado emocional e espiritual.
A autora Gail Sheehy, do livro Passagens - Crises previsíveis da vida adulta, brinda-nos com a seguinte frase:
"Crescimento exige uma entrega temporária de segurança.
Se não mudamos não crescemos.Se não crescemos, não estamos vivendo de verdade."
Simbora, vivendo, aprendendo e reaprendendo a cada dia, pois somos seres em construção diária.
👏👏👏👏👏
ExcluirAmigo Oceano, muito obrigado por seu comentário.
ExcluirNunca vi, vc sair e nao passar para vê e comprar livros seja do sebo ou novos, admiro esse abito de conhecimentos e viagens através da leitura, São tantos que da pra montar uma livraria 👏👏👏👏
ResponderExcluirMuito obrigado pela manifestação.
ExcluirQue estímulo neste texto. O livro é meu companheiro inseparável. Valeu demais.
ResponderExcluirAdemar, muito obrigado.
ExcluirAmigo Marconi, você tem nos permitido participar de suas viagens, ao narrá-las com riqueza de detalhes. E não só as viagens, no tempo e no espaço, como já comentei. Desta vez, você foi em busca do auto-conhecimento, com situações pessoais, com as quais me identifiquei. Estou pensando seriamente em seguir seu exemplo e o de Oceano e comprar o livro que você indicou. Só vou precisar vencer minha resistência natural a leituras longas. Como diz o Oceano, "simbora", que vai dar certo.
ResponderExcluirAmigo Brandão. Ler é uma viagem.
ExcluirAmigo Marconi, agora não sei se vou elogiar suas crônicas ou as colocações de Oceano o qual tive o prazer de laborar em CARUARU. Fantásticos, os dois. As crônicas de Marconi, são incomparável. As colocações de Oceano, atinge o âmago de cada um.. Nesse momento, parabéns aos dois Grande abraço e.felicidades
ResponderExcluirAmigo Milton. Muito obrigado por sua participaçção.
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