Depois de semanas sem uma ideia que considerava boa para escrever uma crônica, essa canção me acordou para essa questão:
— Quando ser honesto?
— Como ser honesto?
— Por que ser honesto?
Respostas variadas, respostas diversas para todos nós, pode ser que haja pessoa que diga não para as três indagações, pode ser que haja seletividade, sim um, duas, não para outra; sim para todas. Não é uma questão filosófica, creio que seja mais de crença, de valores, que seja de cultura. Se se vive em ambiente corruptor, a chance para ser desonesto é enorme. Tal qual se viva em um ambiente violento, para ser violento, para muitos, é um passo.
Com um simplismo dos nossos tempos, ao se acreditar que a própria ação contra valores da sociedade, contra valores legais, da convivência é bom, é "honesto" para si, não ser honesto não vai tocar a alma de uma pessoa para agir diferente.
Quanto aos valores. Valores é um negócio complicado, mais difícil de uma interpretação que a crença, os valores são mutantes, cada época tem os seus valores, cada grupo social também, igualmente mutantes, os que influenciam outras pessoas conseguem, de certo modo, transfundir os seus valores para outras pessoas, se forem bons, maravilha. E se não forem?
Aí a canção Chuva de honestida (Flávio Leandro) me levou a uma história antiga, desde a infância. Costumava ouvir de papai essa expressão: honestidade de princípio. Passei anos procurando um interpretação possível, mas hoje achei, não a resposta, mas a compreensão que ele queria dizer, e estava no seu comportamento, respeitoso com as pessoas e com as cincunstâncias
Da história antiga venho para o presente. Agora, ontem, hoje pode ocorrer, ocorreu nesta semana e em semanas anteriores. Um dos nossos funcionários chega à casa de uma cliente, de um cliente, e em algum momento é "convidado" a lavar algum estofado sem ter contratado o serviço.
É uma crença comum que a corrupção só ocorra na busca pelo dinheiro público, pelo poder, pelos dois, pela riqueza fácil. Mas as empresas não dizem quanto perdem com este fenômeno cultural no Brasil, elas não divulgam, não querem obviamente publicidade, pois podem alertar para outra ações corporativas poucas "santas" contra seus clientes.
A canção Chuva de honestidade é tocante, forte na sensibilização, imensa na mensagem, gigante em significado. Trazendo a frase de Thomas Jefferson, em que "o preço da liberdade é a eterna vigilância" do povo, dos líderes. Para isto, é todo dia, todo dia. Para a honestidade é a mesma coisa, uma das dificuldades é que vamos naturalizando a desonestidade, ela é corriqueira, muito, mas não deve ser aceita, deve se reclamar, documentar e provar que houve a desonestidade, e sobretudo informar. Com provas, não dar para derrubar com papo e com pressão.
Mas tem mão boba enganando a gente
Secando o verde da irrigaçãoNão, eu não quero enchentes de caridadeSó quero chuva de honestidadeMolhando as terras do meu sertão
Valores morais são enigmas que a,sociedade moderna prefere ignorar. Boas reflexões caro colega. Um abraço.
ResponderExcluirAmigo Ademar. Muito obrigado. Concordo com você.
ExcluirExcelente crônica, amigo Marconi.
ResponderExcluirCresci ouvindo minha mãe dizer: o que é seu, é seu; o que é do outro, é do outro. E assim, sempre cultivei a honestidade, em referência a minha rainha.
Edivaldo, muito importante esse ensinamento
ExcluirFiquemos com a expressão paterna "honestidade de princípio". Isto é a base dos ensinamentos da família que preza pela ética e valores que coadunam com os ensinamentos de Deus.
ResponderExcluirVocê de forma particular vem desmistificar a corrupção, onde tira do campo político e grandes esquemas, para os pequenos desvios de conduta quer no âmbito familiar ou empresarial. Tais desvios se conduta acabam caindo na vala comum e passar a ser "normalizados" na cultura brasileira.
Valeu Marconi. Simbora vivendo e na esperança de que o jeitinho brasileiro atrelados aos desvios morais sejam abolidos de nossa sociedade.
Oceano, os desvios de condutas vão sendo tolerados e depois se tornam sem correção,
ExcluirBoa reflexão, Marconi! Como bem pontuou Jefferson, “o preço da tranquilidade é a eterna vigilância”. Ninguém está livre do assédio, da tentação, mas se aprendeu em casa, desde cedo, a responder a três perguntinhas básicas (quero? posso? devo?), é meio caminho trilhado no rumo da paz.
ResponderExcluirHayton, é um caminho árduo isto ser assimilado por muitas pessoas.
ExcluirFazer uma obrigação, como se fosse um favor, é honesto?
ResponderExcluirAtravessar um sinal vermelho, é honesto?
Estacionar numa vaga reservada, é honesto?
A desonestidade atrelada a bens materiais e ao dinheiro, realmente é mais corriqueira e bem mais comum. Ela é óbvia.
Mas há a desonestidade silenciosa. Aquela em cima de valores e de princípios, que é muito mais perniciosa, porque destrói, sem alarde, as boas intenções e os chamados "bons costumes".
Uma comissãozinha, aqui, uma "facilidade", acolá, como se fossem meras retribuições por favores prestados, alimentam essa "normalização".
Quando fechamos os olhos para estas situações, ou (ainda pior) quando cedemos à pressão e nos tornamos coniventes (pagando, por exemplo, uma "taxa extra", para "agilizar" a liberação de um Alvará), estamos sendo desonestos... conosco mesmo!!!...
Brandão, esse jeitinho, atrapalha muito.
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