No meio do encontro semanal após a pelada desta quarta-feira, na conversa com Jeovane, cada um falando de suas experiências de vida acabei contando uma pequena história e ele me perguntou: "Você já contou isso para Patrúcio (Patrúcio Amorim - o poeta do forró)?" Nunca contei a ninguém, é a primeira vez que falo disso - foi a minha resposta.
Por causa desse papo resolvi escrever essa história.
Mas aí errei, errei feio e fui para em Palmeirina (PE), uma minúscula agência e logo regrediu para posto e pelo ralo foi meu cargo de gerente geral, com todas as implicações emocionais, de renda e da carreira.
A água não subiu de uma vez, o desespero foi chegando aos poucos e foi apertando a vida, a perspectiva individual se reduzindo diante do aperto promovido pelo Banco do Brasil no Plano de Demissão Voluntária, em 1995.
Nesse período fui a uma reunião em Caruaru (PE), entre os temas estava sobre as vagas restantes no Estado de Pernambuco, que havia perdido inúmeras.
Terminou a reunião e no corredor abordei o recém nomeado Superintende Regional, perguntei como me recoloceria, mais que a resposta, foi a empáfia que doeu. Deu-me raiva, silenciosa, não resignada e saí da cidade furando todos sinais vermelhos. Coisa que evitava fazer.
Aqueles 150 quilômetros até o lar foi com esse sentimento. Nos dias seguintes o desespero me fez pedir transferência para 800 agências diferentes.
Em um desses dias coloquei Barbosa Ferraz, no Paraná, no outro estava transferido. Havíamos vindos de longe a coisa de um ano e já íamos para quase 3.000 km das nossas origens. Apesar de tudo, isto nos deu tranquilidade.
Após essa notícia, em certo dia, perdemos o horário da remessa do malote para Garanhuns e tive que ir levá-lo em uma dependência de nome CESEC, naquela cidade.
Na volta para casa, na rua do Colégio Santa Sofia, ao me aproximar do esquina ouvi o som, alto, vigoroso, de uma música que não sei explicar como me tocou. Parei o carro, atravessei as duas ruas e entrei na discoteca, sim, se vendiam CDs em lojas.
O dono já havia trocado de cantor, "Ei moço, quem era que tocava agora?" Coloquei vários nessa meia-hora. "Não, foi agora, tem 5 minutos." O rapaz puxou um disco e disse: "Foi esse, tá um sucesso enorme." E em seguida colocou uma certa música.
Mais de 30 anos se passou, aquele som forte da discoteca, com a mensagem intrínseca da canção e a voz do cantor reverberou na minha mente, no meu coração e em nossas vidas. Sem saber, sem compreender, ali nascia um novo rumo, uma vida de luta, em que matar um leão por dia era fichinha. Saí da loja renovado, no carro ouvia o CD com um som menos potente, mas quem precisava! A potência estava na canção e naquele cantor que eu desconhecia.
A conversa com o amigo Jeovane, na AABB Recife, me proporcionou a recordação dessa história, que me fez bem diferente ao chegar no Paraná, cheio de confiança e com uma disposição e criatividade poderosas, afloradas, nas dificuldades de Palmeirina, o que me fez superar as barreiras de ter outra origem.
Bem, Tareco e Mariola, na voz de Flávio José, foi minha iluminação e abertura para receber a força do Universo e vencer aqueles desafios postos pela vida e pela empresa naquele 1995.
Torço que em suas vidas tenha lhe ocorrido algo assim, que a recordação ainda seja capaz de lhe energizar.
Bem, por hora, é o que tenho.
Abração, Marconi Urquiza.

Valeu Marconi. Parabéns por compartilhar conosco seu momento corajoso de enfrentar a adversidade imposta. Abraços
ResponderExcluirOs batentes que surgem em nossos caminhos servem para medir nosso grau de persistência. Fatos como este foram e são comuns em nossas carreiras. Boa Páscoa.
ResponderExcluirVerdadeira odisseia profissional e pessoal marcada pela coragem e irreverência, onde o Fusca faz parte da trajetória, enfrentando cenários inusitados no interior do Amazonas e os grandes desafios no Banco do Brasil. Entre a perda do cargo na pequena Palmeirina, um "racha" emocional diante das diversas incongruências vivenciadas contra a arrogância de alguns superiores.
ResponderExcluirSua trajetória é pautada pela resiliência e guiada pela filosofia nordestina de Flávio José, transformando crises bancárias em uma libertação pessoal que redefiniu seu rumo de vida.
Na época de Tabatinga, tivemos a oportunidade de nos encontrar em Manaus, quando eu atuava em Carauari-AM.
Parabéns meu nobre. Simbora, viver e aproveitar a vida com serenidade e muita sabedoria.
Parabéns Marconi! por compartilhar seus momentos difíceis conosco, de forma leve e com muita resiliência.
ResponderExcluirAmigo Marconi, acredito que pela forte história do nascer dessa música ela traga consigo uma energia que renova, encoraja. Para quem acredita na gente, gratidão, sempre. Para quem não acredita, "eu não preciso de você, o mundo é grande e o destino me espera (...) Quem é você pra derramar meu mungunzá???".
ResponderExcluirForte abraço do amigo Jeovane
Parabéns pela crônica!!
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