quinta-feira, 23 de julho de 2026

Rapaz, você caiu em uma armadilha

        


        Rapaz, você caiu em uma armadilha e não foi a primeira vez. 

        Para deixar o leitor precavido, o assunto é sobre pontos da política. Essa danada que está em nossas vidas, quer se queira ou não;  quer se envolva diretamente ou não. 

        Na realidade, somos influenciado pela política todo o tempo. Até mesmo na omissão dos gestores públicos. 

        Na atualidade, conversar sobre política, com pessoas próximas, é caminho espinhoso e fácil para um desentendimento aqui no Brasil, à distância, os conflitos viraram regra. Como é fácil brigar pelas redes sociais! Aliás, não tão recente, o agravamento vem desde 2010 e piorou significativamente a partir de 2018. 

       Mas vamos para o agora. Na quarta-feira da semana passada peguei uma conversa andando e dei a minha opinião. O primeiro erro, foi não me inteirar antes de todo o assunto e evitar que opiniões tivessem se chocado. Era para sendo sondado mais do que se tratava e principalmente da visão de mundo dos meus interlocutores.

        Dez minutos antes, um amigo me perguntou o que estava escrevendo e respondi, informando de cara, o título do romance: A quinta forma de matar.  Logo em seguida falei uma sinopse, dizendo que o enredo é sobre os odiados e odiadores  (os haters) da Internet e também sobre o que me motivou a escrever envolvendo esta temática, que foi o suicídio de um filho adolescente de uma cantora de Campina Grande (PB), agredido pela gigantesca pressão sobre a sua sexualidade em uma rede social, em uma única noite. Depois, ilustrei, citando o "gabinete do ódio" de Bolsonaro, que foi um vetor de muitas agressões Brasil afora.

        Após essa informação, o amigo saiu e eu fui ao sanitário, ao voltar é que caí na minha própria armadilha. 

        O assunto naquela altura era a política eleitoral deste ano no âmbito da presidência da República.  Diferente de outros períodos eleitorais, comecei a acompanhar com mais assiduidade as pesquisas.

        Nessa de pegar o ônibus andando, me baseando nas mais recentes pesquisas para aquela quarta-feira a que me referi e quando assunto pendeu para a perspectiva de resultado da eleição à presidência eu me meti e opinei: "Lula vai ganhar".

        Como se diz no popular, "cutiquei onça com vara curta" e caiu sobre mim uma avalanche de "argumentos", opiniões e dados que não espelham a realidade, pelo menos das fontes que li e são várias, pelo menos estas: G1, UOL, Diplomatiqué Brasil e BBC Brasil.

        Vieram argumentos sobre os juros do Bacen, preço do diesel, fraude do consignado do INSS, entre outras que não recordo.  Tentei argumentar cada um dos pontos com os fatos investigados pela Polícia Federal, ledo engano, não estavam para ouvir qualquer informação que contradissesse seus "convicções".

        A armadilha apertou ainda mais o "meu pé", foi quando, tardiamente,  percebi que aquele papo estava viciado pela virulência, especialmente de um deles, que argumentava sem querer ouvir e elevava cada vez mais a voz. 

        Era hora de ir embora,  aquilo ali não tinha "futuro", pensei até que foi perca de tempo. Levantei-me e saí; já distante ouvi a frase irônica, "Marconi, também te amo". De costas, respondi com o polegar erguido.

        Sim, o papo em si não me ajudou em nada a enriquecer meus conhecimentos, mas foi muito útil para não cair em armadilhas como aquela; que podem transformar um relacionamento ameno, quase de amigos,  em um estrago que afasta as pessoas.

        Ao final, lembrei-me de uma frase que reporta uma decisão já de vários anos: Se for para eu me estressar, estou fora. Melhorando o entendimento, se for para me estressar, não quero nem saber. Só quero gastar minha energia com coisa boa.

        Foi assim, mais uma lição para a vida; a intolerância também está presente em quem menos se espera, ou pela sabedoria de um dos ditados mais populares da minha adolescência: Quem ver cara, não ver coração. É preciso estar sempre atento.

        Por hora, é o que tenho. 

Abração, Marconi.

6 comentários:

  1. Caraca, Marconi, excelente texto para momentos atuais. Você nos trouxe um grande alerta sobre como devemos nos comportar diante de debates políticos que acabam se tornando verdadeiros embates.
    Pior é ver como futebol, política e religião se tornaram, cada vez mais, campos minados capazes de destruir qualquer amizade, criar bate-boca e até virar briga de boteco por pura teimosia de quem não quer ouvir, ponderar e analisar os fatos.
    Imagine só, Marconi, se a gente lá nos anos 90, em plena selva amazônica, criasse um embate político desses? Teríamos que torcer para não virar isca para sucuris!
    Sua saída, à francesa foi a grande sacada, daí priorizar a paz mental, como você fez, foi a melhor opção, porque gastar energia com a intolerância dos outros não vale a pena de jeito nenhum.
    Simbora, viver com sabedoria e não cair nas diversas armadilhas tóxicas existentes na jornada da vida.

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  2. A intolerância política, religiosa e...estão em um nível hard e entre estar certo ou ter paz é melhor garantir sua paz!

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  3. Boa leitura reduz a intolerância. Viva a liberdade de pensamento.

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  4. Eu evito falar de política e certos outros assuntos porque o ser humano “em geral” acha que o que eles pensam é o certo…

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  5. Seu texto traz uma reflexão sobre como determinadas conversas, sejam sobre política ou outros assuntos podem, às vezes, deixar de ser um espaço de troca de ideias para se transformar em um ambiente de confronto.

    Mais do que discutir quem está certo ou errado, é importante perceber, quando a conversa deixa de ser produtiva e se torna um risco, na preservação das relações pessoais.

    No fim das contas, vale lembrar que é melhor ser feliz do que ter razão, a qualquer custo, pois saber a hora de encerrar uma discussão - ou de sequer participar dela - também é uma demonstração de firmeza e serenidade.

    Por convicção, não troco amizades por "ídolos de pés de barro" e valorizo algo que entendo ser mais importante, no convívio humano: a preservação das relações, quando as conversas deixam de ser um intercâmbio de ideias e passam a ser apenas uma disputa.

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  6. Crônica boa, que nos faz pensar... Marconi, aparentemente cada polo, ou campo politico, vive numa bolha. Furar essa bolha e tentar defender seu ponto de vista, mesmo baseado em fatos, é muito, muito difícil. Confesso que já desisti. Há quem diga que a divisão do eleitorado do Brasil em duas bolhas incomunicáveis tem objetivo maior e é incentivado por algumas mídias e pelo algoritmo das redes sociais. Isso tem sido feito desde o tempo do Império Romano:" Dividir para dominar" era a máxima do imperador Júlio César. Mas há alguma esperança. Por exemplo: O filme 'Invictus' narra a história real de como Nelson Mandela usou o esporte "Rugbi" para reduzir a polarização na África do Sul. Pode ter sido só por um campeonato, mas funcionou! O filme está na HBO, vale a pena ver.

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