segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Deve ser incomum!

     De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus... Frase de Rui Barbosa.

      Não foi a frase de Rui Barbosa que me inspirou escrever esta crônica, mas serviu de apoio para tratar da quadra atual no Brasil. Se em 1914 ele reclamava da vergonha de ser honesto, 108 anos depois, continuamos iguais.

      A Lei de Gerson é mais nova, dos anos 1980, mas conforme se manifestou Rui Barbosa o comportamento desonesto no brasileiro vem de muito longe, de maneira que a lei de Gerson apenas revelou a faceta esdrúxula da personalidade coletiva do brasileiro. Esse é um dos nossos coletivos. (Palavra de uso antigo com significado novo para expressar uma coletividade, uma unidade de valores compartilhados).

    Aí ocorreu uma situação nova, tão peculiar que vale um ano de observação para qualquer sociólogo ou antropólogo, já que o Homem tem se tornado predador dos bons valores: como ser honesto.     

      O que é essa coisa abissal?

      Bem, hoje participei de uma audiência e ao término da oitiva de uma das testemunhas em vez de um agradecimento formal eu ouvi e vi a juíza agradecer a essa testemunha por ter respondido as perguntas com sinceridade.

      Um pouco depois entra a segunda testemunha.  Vendedor emérito, daqueles que dá um nó em ponto d'água e que muitas vezes  a regra era só um detalhe.

       Pouco antes, papo de depois da audiência, a outro testemunha disse que ele citou a bíblia para dizer ao advogado que diria a verdade.

      Ele entrou e sentou convicto, respondeu todas as perguntas, assim que terminou a magistrada se voltou para todos os presentes e sorriu, seu rosto parecia aliviado, estava contente por ter conduzido uma boa audiência e finalmente disse: as testemunhas não mentiram; e completou, que o que ela conduziu era diferente de tantas outras oitivas, ali houvera honestidade.

        Saí de lá e nem me dei conta do que presenciara, pela expressão da juíza, uma exceção: as pessoas foram honestas.

       Depois de horas sem pensar nada a respeito, esta pergunta veio perturbar meu sossego:
        
       Será tão difícil assim ser honesto no Brasil?  

       Então comecei esta crônica pelo fim.
       

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Quem faz a história?

Quem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o presente, controla o passado.... Frase de George Orwell.


     A Lava Jato se encerrou.

         Olhando tudo que vem ocorrendo desde 2014 nesta semana tivemos o último capítulo, não estou olhando para o quesito justiça x injustiça; condenação técnica x condenação não técnica, mas a decisão seguindo o censo que haveria de ter uma condenação na amplitude do comportamento, inclusive político, de Lula.

        No sentido de demonstrar que a lei. "A lei". A lei está acima de qualquer poderoso novos cânones judiciais foram criados continuadamente. Quando ouvi trecho do voto do desembargador Gebran, onde citava o mensalão eu pensei: Como na prisão de Al Capone!

        Os EUA não tinham como prendê-lo pelos assassinatos, jogatina, venda de bebidas durante a Lei Seca, então foram buscar o crime de sonegação fiscal. Isto é só uma referência da atuação estratégica inteligente, era fundamental prender o gangster.

        Aí estar um exemplo. Era preciso punir, não podiam deixar Lula escapar de uma punição.

        Alguém se lembra do power point do Deltan colocando Lula no centro do Petrolão? 

       Há que se reconhecer, a história foi contada pelo extenso processo, toda a equipe foi competente, criaram a narrativa, apararam as arestas e mesmo quem ache que teve ilação até elogiou o voto do relator.

       Então: Quem se perguntará daqui a 10 anos se esse mesmo processo esteve cheio se senões?

     

sábado, 20 de janeiro de 2018

Gênero

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    Em um encontro de rapazes na Confraria do Vinho e um Cervejeiro, ninguém com menos de 50 anos, um deles levantou um dos assuntos para evidenciados  e perigosos para os homens nestas voltas de 2018. Mais perigoso, muito mais que a Lava Jato para os malfeitores do erário público.  Das muitas, diversas e antiquíssimas PPP (Parcerias público-privadas) que pululam deste o Brasil colônia.
     
    A assunto chegou mais ou menos assim, "mas vocês estão vendo essa questão de gênero?" Alguém respondeu: o assunto é perigoso, outro; eu nem olho mais e as opiniões eram sempre em frases simples, curtas e preocupadas. Por instantes senti algo próximo ao cuidado extremo e bem perto do desconforto. As vozes foram baixando e logo nenhum dos rapazes falava mais do assunto.
    
    Um curto silêncio se seguiu, acho todos pensaram na nova realidade de gênero, nos sentimentos de força e poder que tem a mulher hoje e na hodierna baixa tolerância, onde muitas se manifestam ao assédio sexual e todo tipo de comportamento masculino que resvale para a sexualidade não consentida.  Situação, creio, que levou a uma reflexão que se seguiu adiante, já puxada por um pensar anterior e talvez,  com reflexo em uma mudança comportamental.
     
Em tempo: 
       "Confraria do Vinho" e completei  "e um Cervejeiro". Nome inventado por um dos confrades com um pitadinha do meu gosto pela cerveja.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Considerações de um chute.

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Considerações de um chute: Reestruturação no BB.

- Vamos partir da premissa que o BB visa, internamente, ganhar eficiência  e o princípio da especialização indica a direção das alocações do pessoal.

- O segundo ponto é "motivacional", chacoalhar os funcionários para os manter ligadíssimos nas suas coisas.

- Outro ponto. Gerar imenso desconforto e insegurança para fazer os remanescentes da geração anterior a 1998, que estejam aptos a saírem do BB pela Previ, pegarem o boné.

- Mais um ponto. Expulsar as "ovelhas negras", os não adaptados e outros indesejados pelo BB para aderirem a "demissão consensual". Haja pressão para esses.

- No âmbito da comunicação externa é mostrar que o BB está se modernizando e ganhando eficiência (maior lucratividade), semelhante aos bancos privados. Arrisco a dizer que a contabilidade vai ser destravada, mais lucro a ser anunciado.

- Os aspectos que possam indicar uma privatização não estão descartadas.  Por hora o governo ainda precisa do BB e da Caixa para auxiliar/forçar a adesão dos parlamentares aos seus objetivos.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

2018

                                     Resultado de imagem para política
                                        Fonte: www.uai.com.br
 

    As vezes decidir o assunto de uma crônica gera uma enorme indecisão, melhor é quando acordo já com uma ideia definida, me sento ao computador e ela já sai pronta, quentinha como o pão da primeira fornada da padaria.

     Mas não é assim, fácil. Há pouco olhei uma pequena estatística deste blog, das 21 crônicas publicadas outras 18 outras são rascunhos. Acho que a autocrítica me impediu de publicar a maioria delas.

    Uma das crônicas, particularmente, foi apreciada por 1740 leitores (O silêncio de uma doença), outras, menos de 40 acessos.  A campeã de leitura trata de uma situação insidiosa, que é a perda de um amigo por suicídio, uma pancada tão grande como um assassinato, da qual tenho experiência.

     O suicídio, uma condição humana extrema. Antes de redigir esta crônica li que o suicídio é uma situação de extremo narcisismo que afeta quem fica vivo. Não sei, achei um conclusão afetada.

    Por estímulo de um grupo de Whatsapp no ano passado passei meses lendo muitas matérias sobre a Lava Jato. Do que a grande mídia empresarial nos queria impingir, da tentativa de ler outras visões da mídia autofinanciada, com poucos recursos, mas que ousava fazer análises mais aprofundadas envolvendo os protagonistas, os fatos e as contradições propositalmente ignoradas pela mídia dos grandes veículos. Queria fugir dos conteúdos tendenciosos e busquei, como ainda busco comparar o que leio com umas poucas matérias jornalísticas mais equilibradas, que comentam os aspectos jurídicos, éticos e fáticos que envolvem as ações da Lava Jato e suas derivações.

    Ocorreram muitas Brasil afora. Conforme vasto noticiário há disseminação do uso dos mesmos métodos da Lava Jato: a condução coercitiva de surpresa; a espetaculização das operações; a convocação de contingente imensos da Policia Federal para atuar contra uns poucos investigados e os enormes vazamentos, seletivos, que parecem ter diminuído.  Por fim, o mais famoso dos métodos: a prisão preventiva para força o acusado a aderir a delação premiada, situação muito criticada pelos juristas. 

     No conjunto uma estratégia nova  no Brasil, um método novo para atingir os encastelados no poder e na força do dinheiro, de reais resultados, tanto pelo lado bom, o da punição, quanto pelo questionável: as reclamações de abuso de poder, com os questionamentos do risco de abrir brechas para o arbítrio. 

     Esta é uma situação típica dos dilemas do tamanho do universo: se pune sob o objetivo de não deixar criminosos sem serem sentenciados, utilizando métodos não agasalhados pelo direito do Brasil e com um processo mais rápido ou segue os trâmites e as filosofias tradicionais e torna o processo mais lento?

     Há muitos a favor da celeridade e outros que veem risco institucional em se quebrar o arcabouço jurídico. 

    Mas uma das operações com aplicação dos métodos da Lava Jato tem me rondado a cabeça desde que li a notícia: O caso da operação (Ouvidos Moucos) que prendeu o falecido reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier. Após a prisão, em 18 dias ele se suicidou. Vergonha, humilhação extrema, revolta, culpa, abuso das autoridades, culpa fática. Quais desses vetores provocou a decisão extrema?
    
    Chegamos a 2018. 

    Ele já iniciou com algumas conjecturas em cima do julgamento de Lula no TRF 4, as análises se repetiram durante o dia de ontem. Mônica Bérgamo, da Folha de São Paulo, colocou que o STJ já discute se a votação for 3 x 0 o destino de Lula estará sacramentado, se for 2 x 1, o recurso poderá ser analisado e ele ter alguma chance de ser candidato neste ano. 

     Eu fiquei parte de ontem matutando, seria uma análise legítima? Seria o desejo de passar recado? Seria uma prévia ou premonição do julgamento ou seria o desejo de influenciar os magistrados do TRF 4?

     Tudo que envolve Lula é cheio de certezas, incertezas, verdades, não tão verdades, tudo tem um quê de dubiedade muito extremo. Qual verdade marcará a história dele? A verdade dos autos? Ou uma pós-verdade garimpada por algum historiador corajoso e uma editora igualmente corajosa?

     Você acredita que ela vá ser candidato? 

     Eu sinto que não será. No entanto,  estou muito curioso como vai se desenrolar a eleição presidencial deste ano se o TRF 4 condenar Lula por 3 x 0. 

 

 
 

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

A bola nos unia

       

       A gente sabe que final do ano é o momento das viagens para os reencontros com familiares e que na medida que os pais morrem tais encontros vão, paulatinamente, escasseando.

     Por anos, do início da adolescência até começarmos a sair para estudarmos fora, o oitão da igreja Matriz pelo lado da rua Conselheiro João Alfredo era nosso campo de futebol lá em Bom Conselho.

      Começava por volta das sete horas da noite e ia até acabar a novela Irmãos Coragem. Ali se dava nosso encontro diário, só interrompido quando as barracas para a festa do Natal eram montadas.

       Assim, regado pela Copa do Mundo de 1970, todo menino ali era um craque nos seus sonhos.

       A bola rolava solta, descia e subia ladeira.

       Do lado cima as janelas da casa do seu Barretinho e os janelões da casa paroquial, cujo inquilino, nada menos que o padre Carício.  O temido, exigente, cabuloso e para mim o chato que me dedurava a papai por banalidades.

         Do lado de baixo, uma ladeira, e se a bola acertasse a rua Manoel Borba a gente teria que correr uns quinhentos metros  atrás da bola.  Em tempo, só tínhamos uma.

        Dita as posições dos gols marcados com sandálias havaianas, não se podia chutar forte.  Regra mais importante que o pênalti, aliás, uma raridade, não havia marcação de nenhuma área de perigo de gol.

      Não para jogarmos futebol, mas no começo do mês, eu e meus irmãos - Marcello e Marden - nos encontramos com o nosso amigo Joseilson, encontro provocado por um amplo encontro com os bom-conselhenses liderado por outro amigo daquele tempo do campo de paralelepípedos da rua João Alfredo, Antiógenes, o missionário do reencontro.

      Do trabalho, poucos respondem, mas é possível reencontrar amigos diletos já passados  dos cinquenta anos de idade.


     

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A bola do Natal



     

            

           https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjGg6ESkgEYdeXS1_68WF_aHk8iy7jLJA6q5_ZwldkunYAnQ3uhNWgNwD41tFq2JuT3xTzgnIaQDO8fJEahyaVwtQlN5OdSWWSDQ988EZd0ZPM9X0Fayp-QTaJovJUlHfTxu9FyQ-iVz0E/s1600/12-jogando+bola.jpg
           
      
     Papai Noel já não era parte da fantasia, mas o desejo de um presente no Natal perdurou por muito tempo.

     Nessa época eu comprei na feira livre de Bom Conselho uma camisa branca cujo colarinho tinha as cores do Fluminense, meu time do coração naquele tempo.
     
     Juntei uns trocados e pedi para pintar o escudo do time na camisa. Agora ela era "oficial".
      
     Nas peladas da rua eu jogava com ela satisfeito.  A bola era a Canarinha. Nunca vi uma que pegasse tanto efeito e todo chute parecia uma tomba, ou seja, uma bomba.
       
     "Mas que nada", na bola capotão, mal saia do lugar.
     
     Quando chegou a bola Dente de Leite, mais pesada, o vento da serra de Santa Teresinha já não dava tanto efeito, mas a danada pulava feito burro brabo e quando descia a ladeira, meu velho, nem Jairzinho pegava. 
      
     Bola Canarinha, bola Dente de Leite, bola capotão, mas faltava realizar meu sonho, ter a minha bola de couro.
       
     Com a mesadinha curta eu só sonhava e desejava, as vezes falava que queria uma.  Nessa época papai estava bem apertado de grana, eu não tinha nenhuma expectativa de ganhar uma.
      
Resultado de imagem para desenho de uma bola de futebol    O Natal ainda estava longe, mas chegou antes, em uma madrugada de  outubro de 1972.

    Foi uma manhã extraordinária, quando acordei ela estava lá, na cabeceira da cama. Reluzente, Marrom, Cheinha, Cheirosa, sonhada como nenhum outro brinquedo, era a "minha bola de couro". A agarrei, meu coração saltitou, saí aos pulos do quarto abraçado com ela e fui para a "cadeira do papai" brincar de quicar no piso da sala de jantar.
    
   Nem prestava para jogar no calçamento, mas foi lá que ela cumpriu a sua missão de fazer um monte de meninos felizes.



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                                         Feliz Natal minha gente!  




22/12/2017

Fonte: Bola. Disponivel em www.educolorir.com

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