Fez uma semana que iniciei o estágio em uma imobiliária. Tudo muito diferente dos mais de 30 anos da minha única profissão: bancário.
Foram tantas reinvenções que nem sei direito quem sou quando comecei a ser bancário.
Mas a realidade que vivi nos últimos 23 anos de trabalho no Banco do Brasil tromba com um paradoxo entre o trabalho atual de um bancário: de operador de crédito para um vendedor, operador de telemarketing; insistentemente chamado para ser um ultrapassador de metas, como o corretor imobiliário.
Este é também um ultrapassador, com uma distinção: é autônomo; cuja estratégia é frequentemente criada pelo próprio profissional, especialmente para venda dos imóveis usados, ao contrário do bancário que aplica a estratégia pensada por outros, muitas vezes engessando iniciativas criativas.
Carteira de clientes, só se for da imobiliária quando fecha acordos de vendas com as construtoras e incorporadoras.
Uma semana cutucando a internet, levantando textos que me ensinem, minimamente, como ser um corretor "vendedor". Textos básicos, cujo teor já havia ouvido de corretores mais experientes, no entanto, há abundância de ofertas e explicações de como utilizar o Marketing Digital. Bem interessante, estou apenas tateando nesse momento.
Captação do produto, sim produto. É um lar? Foi um lar? Uma casa para uma família? Uma imóvel de investidor?
Olha a diferença entre as percepções, que muitas vezes no trabalho de bancário era solenemente "ignorada", com o cliente sempre se transformando em uma meta. Se este não se interessar por um produto bancário, a objetividade do número a entregar brilhando na tela, quase automaticamente, implica em desatenção.
É nesse ponto que achei uma correlação com o trabalho do corretor: a atenção ao cliente que coloca na imobiliária seu "bem" à venda. Esse freguês às avessas parece negligenciado, a ponto do gerente da área cobrar a atenção para que seja informado a cada 15 dias como anda a sua oferta de venda, como o mercado está vendo seu "produto". E não por um motivo fútil, às vezes o preço está fora da realidade, alto; outras vezes o imóvel está detonado e precisa de cuidados para se tornar "apreciável". etc.
É um novo aprendizado, carregando na bagagem toda uma trajetória de vida, separando, quando der, as roupas que servirem para o novo trabalho.
Chuva no lago
cada gota
um lago novo.
(Alice Ruiz)



