chuva
Na terra dos Tabajaras
Muda cor da
vestimenta
No sertão das
espinharas
Sai o cinza das
rolinhas
Entra o verde das
araras.
Kleber Mendonça Filho escreveu no Instagram: "Acordei de um sonho no sertão, a natureza explodindo fora de controle depois de chover. Acho que lembrança de filmar BACURAU. Achei bonito."
Essa é a legenda de uma postagem de vídeo.
Vivi no sertão de Pernambuco. A caatinga tem essa força. Parece tudo sem vida, ao receber a chuva tudo se transforma em pouco tempo. É vida explodindo como por milagre.
Aí não me segurei, escrevi alguns comentários e deles está crônica.
Olha essa imagem.
Saí de Recife para Bom Conselho e ao passar por São Caitano, olhei para o lado e a vista se perdeu na imensidão do cinza. (Tudo seco).
Corria com o carro na direção de Cachoeirinha. O cinza se estendia em tudo. Aqueles açudes da beira da rodovia nem tinham mais lembrança de uma lama ressequida. Inerte. Apenas o vento, quando queria ser caridoso, soprava e dizia: Levanta; mas sem força a poeira saia cambaleando pelo solo seco.
Três meses depois voltei para o mesmo destino. Ao longe a Pedra do Cachorro (em São Caitano) apontava o seu verdor. Subo o viaduto da BR 232 e entro na BR 423. O verde mostrava a sua força e os açudes agora eram espelhos onde as nuvens se penteavam, belas, prontas para animar a cantoria nas lagoas.
Naquela viagem o tempo verde dura mais uma hora e meia e, vou encostando em Bom Conselho, olho para frente e vejo a natureza mais forte subindo as serras ao redor da cidade, que escurecia naquele final de tarde.
Entro por ruas calçadas com pedra, da praça Frei Caetano de Messina a imponente igreja matriz aponta a direção. Ali, no alto, deixo o carro escorregar lento pela ladeira do Colégio das Freiras, o vento suave cortando as folhas das árvores.
Não precisava, nem sei explicar, mas abri a janela do carro e o friozinho da minha infância veio me abraçar.
Abração,
Marconi Urquiza.

A capacidade de reesbelecer as cores naturais pela vegetação no semi árido é um fato que tentamos descrever, muitas vezes com sucesso. Este foi o caso do texto.
ResponderExcluirObrigado, Ademar.
ExcluirViver é isto!
ResponderExcluirÉ verdade. Sentir.
ExcluirTanto lirismo para nos tranportar para esse belo cenário do semiárido com chuva. Degustação com vontade de quero mais.
ResponderExcluirAmigo, obrigado pelo comentário.
ExcluirEita, Profeta. Foi demais seu comentário.
ResponderExcluirMuitas memórias vieram a tona com seu lindo e rico texto. Gratidão! 🙏🏼
ResponderExcluirDez, amigo
ExcluirViajei nos braços da saudade,vi e revi esse cenário muitas vezes,parabéns por nos transportar para esse momento mágico 👏👏👏👏👏💖💖💖
ResponderExcluirObrigado, Peralucia.
ExcluirPeralucia Ferro
ResponderExcluirUm texto maduro, com dimensão poética - que inspira. Viajamos junto.
ResponderExcluirFeliz jornada, Escritor Marconi!
Bacana seu comentário, fico feliz.
ExcluirCrônica linda! Poesia pura! Lembrei que no meu sertão há uma árvore chamada marmeleiro que perde todas folhas no verão mas basta uma chuvinha fina que,em uma semana ela renasce e se enche de pequenos brotos,fica uma lindeza.
ResponderExcluirLegal! O sertão é uma maravilha da natureza.
ExcluirMarconi, você tem o dom de nos fazer viver as suas lembranças. Abraço.
ResponderExcluirObrigado, feliz com seu comentário.
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