Faz tanto tempo que ele se foi. Nem posso dizer que conhecia bem meu pai. Algumas situações eu sabia, outras ouvi comentários, exemplos de fazer o bem, presenciei algumas vezes.
Lembro que meu avô se irritou com ele por ter ajudado um notório aproveitador, nesse tarde vovô disse: Quem tem besta não compra cavalo.
Hoje acho engraçado, era como um sujo falando do mal lavado. Duas pessoas que amavam ajudar o próximo. Mas não sei porque vovô se irritou.
O tempo passou e um dia falaram, perguntando sobre eu sentir saudade de papai, calei-me, eu não sinto mais saudade dele, isso se esgotou ao longo do tempo. Foi se depurando para ficar nos bons exemplos, no humor sutil e nas tiradas que faziam sorrir.
Tempos atrás quis escrever um livro sobre seu perecimento, parei por falta de condições psicológicas.
Neste Dia de finados, mais uma vez mamãe se preocupou que o túmulo dele estivesse limpo e pintado.
Em alguns momentos pedimos aos familiares da minha esposa para fazer a gentileza de contratar alguém para cuidar do seu túmulo. Mas todas as vezes o túmulo estava cuidado, um benfeitor anônimo já tinha feito.
Não sabia a quem perguntar, comecei a especular, depois desisti e deixei a vida correr.
Outro dia um amigo falou que papai ajudou uma família a voltar de São Paulo. O filho mostrou a sua gratidão. Eu não sabia disso, fiquei surpreso.
Houve ocasiões em que a feira na sua casa de alguém só ocorreu porque papai emprestou o dinheiro.
Desconfio que em uma dessas ocasiões eu estava por perto, pois papai se justificou sem eu pedir nenhuma explicação.
Foi como se diz: Se me pagar sem juros já está muito bom, mas papai tinha certeza que nunca receberia aquele dinheiro.
Essa história do cemitério me trouxe a certeza, que no silêncio, papai ajudou a muitos em Bom Conselho.
Esse era um segredo dele, para ele mesmo. Nunca vi arrotar a ajuda que prestou, apenas ajudou.
Apenas ajudou.
E quando uma pessoa ficava se derramando em agradecimento, ele dizia:
- Olhe, vá cuidar de suas coisinhas, se não você me deixa vaidoso.
Bem, esse era seu modo de ser, de certo modo copiei isso dele.
Abração,
Marconi Urquiza,
filho de Marne Geordemar Urquiza Cavalcanti.

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ResponderExcluirAs boas sementes geram bons frutos, a espiral do bem segue sua sina. Parabéns amigo.
ResponderExcluirObrigado Ademar
ExcluirObrigada pela “nova frase” afinal, “vá cuidar de suas coisinhas e pare de alimentar a vaidade alhei” é tecnologia de ponta! Obrigada por compartilhar!
ResponderExcluirObrigado.
ExcluirInspirador e comovente registro de amor na relação pai/ filho.
ResponderExcluirObrigado
ExcluirBom dia amigo Marconi, bem isso mesmo, nos herdamos os bons exemplos, e as boas sementes geram bons frutos, parabéns pra ti.
ResponderExcluirObrigado.
ExcluirBom dia Marconi. Está crônica tem haver com a da semana passada e sabes: "o fruto nunca cai longe do pé".
ResponderExcluirÉ verdade. Um complemento.
ExcluirBom dia! Que exemplo de vida.
ResponderExcluirObrigado.
ExcluirNada melhor do que termos boas recordações de nossos pais, exemplos e ensinamentos pela atitude.👏👏👏
ResponderExcluirÉ ótimo.
ExcluirObrigado. É verdade.
ResponderExcluirMuita modéstia da parte de seu pai.
ResponderExcluirÉ mesmo. Certa vez, eu todo orgulhoso por ter passado no concurso do Banco do Brasil recebi um parabéns e não respondi adequadamente. Ele estava do lado e me disse: tenha humildade e repetiu a frase.
ExcluirÉ verdade. Tenho pensado nisso desde escrevi a crônica.
ResponderExcluirPessoas de Luz fazem o bem sem olhar a quem… fazem por se sentirem bem e não para se envaidecerem… assim foi seu pai e assim são vocês.
ResponderExcluirParabéns pelo lindo relato, meu xará. 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼
É verdade, sem dúvida.
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