Na última quarta-feira a rotina do final do dia foi pegar o carro no lava-jato, devolver o livro da biblioteca da AABB Recife e resolvi dar uma volta até o minicampo. Rolava uma pelada. Só que em minha mente aquele dia era uma terça-feira e não quarta-feira, um dos dias das peladas dos "aposentados". Até brinquei com Euler, pensando que ele havia jogado com os jovens, não os peladeiros com mais de 50, 60, 70 anos.
Assim que subo na direção do bar encontro Joãozinho e Valter Braz, amigos que às quarta-feiras nos encontramos para beber uma cervejinha e bater papo.
Acabou a pelada e a mesa em que estavámos nos três encorpou com mais 8 amigos.
Mas o papo estava animado, mas o que vi ali, naqueles momentos, foi um ar de felicidade pelo reencontro, na minha ótica, um sentimento transcendental. O espírito de todos estava leve e alegre. Para aqueles amigos, fez uma diferença danada estarmos juntos e para nós, esse pós pelada faz uma melhora nossas vidas nos reunir ali, trocando loas, às vezes assuntos sérios, como a preocupação de vários com um peladeiro que vem apresentando sinais de um problema, aparentemente cardíaco, que o faz perder o fôlego e quase desmaiar.
Tem hora que as reminiscências entram em campo, vamos falar de outras peladas, das críticas que os mais grossos levam, os que sentem que precisam reclamar e dos que apenas jogam, bem ou mal, animam o corpo e como, nós, animam a alma, voltando para casa mais leves.
Tem amigos que umas poucas vezes falam da família, parentes, eventos e vamos conhecendo um pouco de cada um. Têm uns mais falantes, até divertidos, outros mais calados, tem os como eu que gostam de ouvir as histórias.
Na quarta-feira eu apareci com o livro "E viva o povo brasileiro", de João Ubaldo Ribeiro. Ele tem 40 anos que foi publicado, mais 600 páginas. Só pela quantidade de páginas já chama a atenção. E aí durante alguns minutos a leitura de livros foi o assunto. Alguns comentaram que não conseguem ler um livro tão grande, outros de em quanto tempo podem ler um livro, outro que de tanto ler, cansou. Em dezembro eu li 3 livros, quase a mesma quantidade, que foram 4 livros, que li nos meses anteriores. 2025 comecei lendo mais, pois senti falta nessa imersão que acalma meu espírito e quebra a rotina agoniada que vem tendo nos últimos dois anos.
Feito esse aparte, como toda conversa de mesa de bar, o assunto saiu do livro e se dispersou entre duplas, trios e mais alguns participando, foi quanto voltou ao peladeiro com os sintomas de problemas cardíacos e de sua teimosia em continuar jogando, mesmo sentindo que a sua vida está em risco. Pode até uma reação da síndrome de pânico, que às vezes provoca sintomas parecidos, de toda forma, ele precisa se cuidar, pois poderemos ter dias de tristeza na pelada da AABB.
As aminidades sugiram, aliviou a preocupação, mas chegou a hora de ir para casa e deixar um pedaço de assunto para a próxima semana.
Por hoje é só.
Abração, Marconi Urquiza.
Trilogia da Amizade, dei este título em razão de ter escrito mais duas crônicas falando de amigos em pouco tempo.
Muito bom estes encontros pré e pós peladas e com geladas para animar os diversos papos que rolam solto.
ResponderExcluirSimbora cuidando da nossa saúde e alertando os amigos para que façam um check up geral, pois saúde é o nosso maior patrimônio. Sem ela não tem pelada, porrinha, xadrez, dominó, e nem tão pouco sexo.
E bora simbora que a sexta-feira feira é longa. Saúde e paz para nós e o resto vem por gravidade.🤝🍻🍺🥂🍷🎼🚴♂️🏋️♀️
Excelente, parabens Marcones
ResponderExcluirA arte do encontro. Por vezes do desencontro, mas sempre viver em grupo, entre amigos, trocando ideias, entre um gole e outro de cerva bem gelada. Será que o amigo Marconi descobriu o segredo de uma vida bem vivida? Seria o mix de um exercício físico com amigos, temperado por uma bebida gostosa e uma boa conversa livre e leve...
ResponderExcluirE viva o Marconi que sempre faz excelentes "registros" do cotidiano dos nossos amigos...
ResponderExcluirEsses encontros das quartas estão entre minhas saudades com data de resgate: já falei com minha médica e ela disse “umas duas, sem álcool tá liberado”; breve assumirei a cátedra. Loyola.
ResponderExcluirAmigo (é tão bom chamá-lo assim), os temas amizade, amigos, encontros e reencontros são tão bons, que não se esgotam. E quando as crônicas são recheadas de histórias contadas nos encontros, tanto nos que são marcados, quanto nos que acontecem por acaso, a leitura fica ainda mais gratificante. Que venham mais crônicas e mais histórias!
ResponderExcluirLegal, Marconi, esses encontros com amigos. E legal ser na AABB. Em setembro passado, tive a oportunidade de conhecer uma das AABBs de Niterói ( me disseram que tinha duas). Apesar de que estava havendo movimentação no restaurante e uma feirinha, era visível o abandono de outras áreas. Instalada em uma área nobre, rodeada de morros e floresta, em um bairro residencial (São Francisco). Saí melancólica, pensando em como estariam as AABBs pelo resto do país.
ResponderExcluirSobre leituras, meu propósito pós aposentadoria, continua. Nesse janeiro, reli (depois de mais de 30 anos) Cem Anos de Solidão, e só agora percebi a beleza da obra. (Lucia Ribeiro).