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Papai Noel já não era parte da fantasia, mas o desejo de um presente no Natal perdurou por muito tempo.
Nessa época eu comprei na feira livre de Bom Conselho uma camisa branca cujo colarinho tinha as cores do Fluminense, meu time do coração naquele tempo.
Juntei uns trocados e pedi para pintar o escudo do time na camisa. Agora ela era "oficial".
Nas peladas da rua eu jogava com ela satisfeito. A bola era a Canarinha. Nunca vi uma que pegasse tanto efeito e todo chute parecia uma tomba, ou seja, uma bomba.
"Mas que nada", na bola capotão, mal saia do lugar.
Quando chegou a bola Dente de Leite, mais pesada, o vento da serra de Santa Teresinha já não dava tanto efeito, mas a danada pulava feito burro brabo e quando descia a ladeira, meu velho, nem Jairzinho pegava.
Bola Canarinha, bola Dente de Leite, bola capotão, mas faltava realizar meu sonho, ter a minha bola de couro.
Com a mesadinha curta eu só sonhava e desejava, as vezes falava que queria uma. Nessa época papai estava bem apertado de grana, eu não tinha nenhuma expectativa de ganhar uma.
Foi uma manhã extraordinária, quando acordei ela estava lá, na cabeceira da cama. Reluzente, Marrom, Cheinha, Cheirosa, sonhada como nenhum outro brinquedo, era a "minha bola de couro". A agarrei, meu coração saltitou, saí aos pulos do quarto abraçado com ela e fui para a "cadeira do papai" brincar de quicar no piso da sala de jantar.
Nem prestava para jogar no calçamento, mas foi lá que ela cumpriu a sua missão de fazer um monte de meninos felizes.





