segunda-feira, 18 de maio de 2026

ANTES DE MIM - Escrita por Djalma Xavier.

  


Antes de mim

            “Somos muitos Severinos, iguais em tudo na vida.                                Morremos de morte igual. Mesma morte Severina.”
                                 
                                João Cabral de Melo Neto

              A vida devia ser bem melhor, e será !!!”

 Gonzaguinha

 

         Antes de mim houve outro Djalma. Com mesmo nome e sobrenome, mesmo pai, mesma mãe, nascido dois anos antes pelas mãos da mesma parteira, na mesma casa de chão batido, na zona rural do sertão pernambucano.

Em 18 de março de 1963, com dois anos de idade, meu irmão Djalminha foi para o céu. Minhas irmãs mais velhas diziam que ele era uma criança linda. Não há fotos dele. Não havia dinheiro pra esses “luxos”.

        Quando esse triste fato ocorreu, minha mãe estava grávida de mim (7 meses) e, dois meses depois, em 18 de maio, Djalminha “renasceu” para devolver a alegria àquela casa entristecida. O novo Djalminha herdou o nome e todo amor e carinho que a família tinha por “Djalminha do céu”, como ficou sendo chamado meu irmãozinho, pra nos diferenciar.  Nasci privilegiado nesse sentido. E eu e meus três irmãos mais novos fomos super protegidos para evitar que aquela tragédia se repetisse.

        Naquele tempo (meados dos anos 60) e naquele lugar não havia nenhuma estrutura de saúde. Se houvesse talvez meu nome fosse outro, e minha família teria mais um membro. Teria sido mais feliz. Não havia médicos nas proximidades; não havia ambulância pra levar um doente até uma cidade maior com hospital e nem estradas transitáveis por onde um carro qualquer poderia ter levado meu irmão pra ser medicado.

        Percebendo que o caso era grave, minha mãe e meu pai levaram meu irmão para o hospital mais próximo na garupa de um cavalo, por um percurso de 30 km de estradas carroçáveis. Não deu tempo. Quando chegaram a uma cidade com médico, já era tarde demais.

        A condição de miserabilidade que rodeava a gente daquele lugar era muito triste. Muitos casos semelhantes ao da nossa família aconteceram.

        A mortalidade infantil era uma vergonha nacional. Houve até uma reportagem da revista Veja sobre a mortalidade infantil no interior do nordeste, denunciando a existência de cemitérios só de “anjinhos”, bebês que morriam antes mesmo de se batizar. Havia muitas crianças que não “vingavam”. Morriam de diarreia, verminoses e outras doenças relativamente fáceis de tratar. Muito tempo depois surgiu um ‘anjo de verdade”, Dra. Zilda Arns, com sua Pastoral da Criança e disseminação do uso do soro caseiro, salvou milhares de crianças e ajudou muito a mudar aquela triste realidade.

        Aqui não se trata de ideologia. Nem de governo A ou governo B. Trata-se de humanidade. De tratar seres humanos como seres humanos. Diante da calamidade que era a saúde pública naqueles tempos de chumbo, parecia que Brasília pouco se importava que morressem tantos brasileirinhos por falta de assistência médica.  É muito triste, mesmo cruel, que se pense assim, mas talvez acreditassem que as famílias eram numerosas, então, se algumas crianças não sobrevivessem, seria mera fatalidade, culpa do destino.

        Depois desse triste episódio, lenta e gradualmente, as coisas começaram a melhorar por ali. A situação financeira da família melhorou um pouco e mudamos para uma casa melhor. Vieram vacinas para o vilarejo próximo e eu e meus irmãos mais novos tivemos mais acesso a remédios e, ainda com alguma dificuldade, a cuidados médicos. E, graças a Deus, nenhuma outra criança morreu naquela casa.

        Para desentristecer e desdramatizar um pouco, cabe registrar que atualmente meu filho é médico e trabalha em um Posto de Saúde na zona rural. Esse fato, por si só gratificante e reparador, produz uma esperança concreta de que muitos prováveis “djalminhas” poderão ser salvos, porque agora existe um médico próximo a eles, e isso pode fazer a diferença entre a morte e a vida.



quinta-feira, 30 de abril de 2026

6 x 0 = 13 gols contra, nenhum a favor.

        


        Pensei horas, horas. Pensei com vagar mais horas. O que faz uma equipe de futebol perder de 1x 0 no primeiro jogo e na partida seguinte ser derrotado por 4x0. Com falhas individuais evidentes, claras, e facilmente particularizadas, e depois desabar.

        Quase como uma unanimidade, as análises são que nosso time é fraco, sem talento, sem resolutividade. Tem que ter reforço. Uma das soluções mais reivindicadas.

        Precisar, precisa. É solução? É também, mas não é milagre. Isto levou a lembrar do escritor e professor Robert F. Mager, que em um dos seus livros lencionou que o pensamento imediato que treinar funcionário de baixo rendimento não é solução milagrosa para melhorar o seu desempenho e que é preciso ir mais além. Sinto a mesma coisa quando se fala em reforço.

        Por que perdemos de 2x0, 6x0, 4x0, 1x0?  Ou na ordem de realização dos jogos: 1x0; 4x0, 6x0; 2x0.

        Onde estava a alma? 

        Não estava no campo, no banco, no papo. Não estava em canto nenhuma, muitos pensaram.

        E os treinos, alguns bem sucedidos, geraram uma confiança exagerada ou irreal? 

        Por outro, foi  como tivesse ocorrido a quebra do frágil gelo de um lago que parecia congelado, como se os jogadores tivessem afundado em alguma crença que estavam em um time "bom, entrosado". Na primeira rachadura, o lago se liquifez.

        De repente, será? De repente, será? Será que de repente aquela toda importância prévia aos jogos oficiais se esfarelou?

        Então, não tenho nenhuma certeza, mas muito questões a refletir e apenas uma convicção: "jogo é jogo, treino é treino".

        Uma partida de competição não é pelada, no jogo competitivo há outras competências, outros cuidados e cobra a compreensão que o jogo de futebol competitivo, mesmo amador e de veteranos, exige um bocado de conhecimento que só jogar pelada não oferece, tipo: como fazer a cobertura; que sistema de defesa adotar, o mesmo para o sistema de ataque; como fazer transição para o ataque e para a defesa. A marcação vai ser alta, vai ser marcação baixa; o jogo vai ser reativo ou agressivo; o que fazer nas bolas paradas, tanto no ataque como defensivas. Esta lista não termina, há muito mais. E também como adaptar tudo isto às características individuais de cada jogador.
 
        Depois destas palavras e para finalizar, o negócio é se organizar fora e dentro do campo e, na nosso mente também, para ter um desempenho que não nos incomode.

        Para finalizar, sem preparo físico, que cada um cuide do seu. Pois, sem preparo fisico, teremos os mesmos resultados.

        Bem, por hora é que o tenho. 

        Abração, Marconi. 


sexta-feira, 17 de abril de 2026

"A arte de viver é simplesmente a arte de conviver", Mário Quintana

        

        O carro corria suave pela avenida, via de mão única com duas faixas,  o passageiro olhava placidamente as pessoas andando na calçada e as fachadas das lojas. Nisso o carro para, ele levanta a cabeça e ver o sinal fechado, no mesmo momento um Virtus engata ré e inicia a saída do estacionamento de uma academia. A tranquila viagem se transforma. O motorista do Uber, na faixa dos 45 anos, aciona a buzina, não como um alerta,  agressivo,  demorado,  inconsequente. Para avisar bastaria três toques curtos.

        O sinal abriu e o motorista fez um comentário, entendido pelo passageiro como discriminatório. Ele preferiu silenciar. 

        A viagem prosseguiu por cerca de 500 metros, logo mais outro semáforo fechou e deu oportunidade para o Virtus emparelhar e dizer ao motorista que ela havia visto o carro pela câmara de ré e que não iria bater nele. Depois saiu rápido e o motorista a perseguiu ruidosamente, raivosamente. Perigosamente. Logo adiante a dona do Virtus entrou à direita e o motorista desejou ir atrás,  mas logo lembrou que tinha um passageiro e seguiu para o destino, abandonando a perseguição.

         O passageiro disfarçou, mas se preocupou com a explosão raivosa,  um ressentimento brutal contra aquela mulher, que o motorista nem conhecia, uma violenta misoginia, um perigo ambulante ao volante daquele Uber. Durante cerca de 20 minutos foi descarregando toda sorte de ódio contra aquela motorista. 

         Aquele passageiro desceu e não agradeceu pela viagem. Saiu acreditando que ali estaria uma pessoa violenta, com ares de um ser simpático, uma máscara que caiu em um poucos segundos.

        Na calçada olhou para o carro se afastando, torcendo que ao pegar novo Uber encontrasse um espírito mais ameno, mais responsável e não misógeno. Sem ranço de ressentimento.

            O tempo passou e mais de dois anos depois do episódio a sua recordação trouxe à tona algumas questões, por exemplo:
            
        Como você reage ao interpretar que seu interlocutor é inferior?
     
        Como você reage ao levar uma fechada de uma pessoa com um carro humilde?
      
        Como reage ao levar um não ao chegar em um atendimento? 

        E se o seu viés de certeza for contrariado?

        Como você reflete a respeito de tudo isso e sobre este texto?
      
        Estas questões são uma parte da realidade que nos cerca, dos seus vieses afetivos que serão super estimulados nos próximos meses e, possivelmente, testando nossos freios emocionais, que deverão estar revisados junto com a capacidade de reflexão para se evitar o descontrole emocional que acometeu o motorista do Uber. 

      Zele pelo seu entorno, ele vai devolver saúde, paz, alegria, companheirismo, apoio, amizade e amor.

      Bem, é o que tenho para o momento. 

     Abração, Marconi.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Jovinho e seu bom humor

Gerada pela IA Gemini 


Há dias venho lembrando dessa pessoa,  daquelas expansivas, que exalam o bom humor como se fosse  um jasmim.

        Depois de mais de 20 anos sem saber seu destino,  se já foi ou ssssssssssssss espalhando seu Jovinho! Jovinho acompanhando pelo sorriso e um vozeirão forte e propositalmente alto para que todos os ouçam assim se apresentava.

        Não há uma explicação lógica para ele voltar às minhas recordações, esse viés de saudade. Uma carência de um tipo de bom humor espontâneo? Uma carência de uma pessoa que parecia carregar em si a alegria de ser ele mesmo?

        "Por que o Senhor tem esse nome?" A curiosidade havia chegado.  Eu era comerciante em Cianorte, comprovava e vendia mamona, então fiquei conhecido por Chico da Mamona, depois de muitos anos assim, ganhei esse sobrenome, hoje sou Chico Mamona.

        Ele tinha duas fazendas pequenas de soja, uma Araruna e outra em Tapejara, ambas no Paraná. 

        Um dia ele apareceu na agência do Banco do Brasil de Araruna (PR) e convidou um monte gente para um churrasco em Tapejara. Depois vim saber que ele dava essa festa anualmente após a colheita da soja. Se a lembrança estiver correta, era no dia do seu aniversário.

        Depois não o vi mais,  vez por lembrava dele por causa da insistência em que pagar o custeio agrícola em dinheiro vivo. "Não seu Chico, tem que depositar na sua conta." Jovinho, Jovinho, é, é, éeeeeee em dinheeeeeiro!

        Recordar isso nos divertia, depois a lembrança voltava para aquela parte da mente que só quando provocada, mas agora foi diferente,  veio espontânea. 

        Bem, seu Chico Mamona, um grande abraço onde quer que esteja. 

        Bom dia, Jovinho!
        "Bom dia, seu Chico Mamona! Sente aqui."

        Por hoje, é o que tenho.
        Abração,  Marconi. 

        
        PS: 
        Seu Chico Mamona se despediu em 2019. "Francisco Nizo".

sexta-feira, 3 de abril de 2026

O medo, uma música, um tareco, uma mariola




No meio do encontro semanal após a pelada desta quarta-feira, na conversa com Jeovane, cada um falando de suas experiências de vida acabei contando uma pequena história e ele me perguntou: "Você já contou isso para Patrúcio (Patrúcio Amorim - o poeta do forró)?" Nunca contei a ninguém, é a primeira vez que falo disso - foi a minha resposta. 

        Por causa desse papo resolvi escrever essa história. 

        O medo gravava na alma a insegurança de uma jornada de vida, 11 anos de dedicação, esforço, coragem, apoio e um tanto de doideira ao irmos para o desconhecido,  Tabatinga,  no Amazonas, depois a loucura dobrou, estávamos em Boca do Acre, também Amazonas, quase Acre, dado a proximidade de 256 quilômetros com Rio Branco. Amazonas era na prática uma referência meramente geográfica. Rio Branco foi até a capital de um chope, que para não pirar me levou a percorrer de 520 km, ida e volta de Boca do Acre a bordo de um Fusca azul.
         Mas aí errei, errei feio e fui para em Palmeirina (PE), uma minúscula agência e logo regrediu para posto e pelo ralo foi meu cargo de gerente geral, com todas as implicações emocionais, de renda e da carreira. 
        A água não subiu de uma vez, o desespero foi chegando aos poucos e foi apertando a vida, a perspectiva individual se reduzindo diante do aperto promovido pelo Banco do Brasil no Plano de Demissão Voluntária, em 1995.
        Nesse período fui a uma reunião em Caruaru (PE), entre os temas estava sobre as vagas restantes no Estado de Pernambuco, que havia perdido inúmeras. 
        Terminou a reunião e no corredor abordei o recém nomeado Superintende Regional, perguntei como me recoloceria, mais que a resposta, foi a empáfia que doeu. Deu-me raiva, silenciosa, não resignada e saí da cidade furando todos sinais vermelhos. Coisa que evitava fazer. 
        Aqueles 150 quilômetros até o lar foi com esse sentimento.  Nos dias seguintes o desespero me fez pedir transferência para 800 agências diferentes.
        Em um desses dias coloquei Barbosa Ferraz, no Paraná,  no outro estava transferido. Havíamos vindos de longe a coisa de um ano e já íamos para quase 3.000 km das nossas origens.  Apesar de tudo,  isto nos deu tranquilidade.
        Após essa notícia, em certo dia, perdemos o horário da remessa do malote para Garanhuns e tive que ir levá-lo em uma dependência de nome CESEC, naquela cidade. 
        Na volta para casa, na rua do Colégio Santa Sofia, ao me aproximar do esquina ouvi o som, alto, vigoroso, de uma música que não sei explicar como me tocou. Parei o carro, atravessei as duas ruas e entrei na discoteca,  sim, se vendiam CDs em lojas. 
        O dono já havia trocado de cantor, "Ei moço, quem era que tocava agora?" Coloquei vários nessa meia-hora.  "Não, foi agora, tem 5 minutos." O rapaz puxou um disco e disse: "Foi esse, tá um sucesso enorme." E em seguida colocou uma certa música. 
        Mais de 30 anos se passou, aquele som forte da discoteca, com a mensagem intrínseca da canção e a voz do cantor reverberou na minha mente, no meu coração e em nossas vidas. Sem saber, sem compreender,  ali nascia um novo rumo, uma vida de luta, em que matar um leão por dia era fichinha. Saí da loja renovado,  no carro ouvia o CD com um som menos potente, mas quem precisava! A potência estava na canção e naquele cantor que eu desconhecia.
        A conversa com o amigo Jeovane, na AABB Recife, me proporcionou a recordação dessa história, que me fez bem diferente ao chegar no Paraná, cheio de confiança e com uma disposição e criatividade poderosas, afloradas, nas dificuldades de Palmeirina, o que me fez superar as barreiras de ter outra origem.
        Bem, Tareco e Mariola, na voz de Flávio José,  foi minha iluminação e abertura para receber a força do Universo e vencer aqueles desafios postos pela vida e pela empresa naquele 1995.
        Torço que em suas vidas tenha lhe ocorrido algo assim, que a recordação ainda seja capaz de lhe energizar.

        Bem, por hora, é o que tenho. 

        Abração, Marconi Urquiza. 

sexta-feira, 27 de março de 2026

Boa tarde!


Boa tarde! 

Sentei-me na loja para esperar o conserto do celular e fiquei pensando: amanhã é dia de crônica,  faz duas semanas que não escrevo uma, aliás, não escrevo nada. Um tempo atrás ainda rascunhava um ajuntado de frases, mas vivo procurando um assunto e tudo que vêm à mente são as coisas críticas do nosso tempo.  Até parece que estou na armadilha do algoritmo das coisas ruins, dos pontos que deveriam exigir um mínimo de reflexão. 
     Nesta quinta-feira corri por alguns endereços: Hospital Português de Recife,  o apartamento de mamãe (em reforma), a clínica veterinária e aqui, agora, a oficina de celular. O celular do serviço anda tão parado, com uma folga perigosa por que os clientes não chegam e a empresa não fatura,  como os impostos, o faturamento é variável.  Vende mais, mais imposto é arrecadado.
     Depois da loja do celular corri para a Safe Clean de Recife,  empresa que nos ajuda imensamente, coletei tapetes limpos e pedi a um funcionário que nos ajudasse consertando um pulverizador de aço inox.
     Nesta sexta-feira estarei em JAMPA, João Pessoa,  devolvendo os tapetes para os clientes. É preciso um mínimo de pensamento de logística para não ficar dando voltas na cidade.
      Por uma falha nesse planejamento estou indo duas vezes à cidade na mesma semana. Não é uma lição nova, pois isto sei há muito tempo, é um lembrete que não se pode se descuidar e nem estar exausto ao trabalhar, pois a atenção nestas circunstâncias voa igual ao Condor.
      Há momentos em que olho para a tela do computador e vejo outras entranhas, a empresa que carece ser mais organizada para ser proativa nos momentos de diminuição da demanda e, que passa por nós mesmos.
      Nesta semana um amigo perguntou, esta escrevendo muito? Quase como um lamento respondi: nada, é que ao tomar conta da empresa toma todo o meu tempo fisico e mental. Este é que pega. O tempo mental. Pois há muito não consigo dividi-lo com a escrita. O escritor entrou em uma hibernação mais longa que as dos ursos.
      Depois de oito meses ensaiei jogar futebol ao ir ao treino na AABB, mas o joelho esquerdo falseou quatro vezes,  nas duas últimas a dor foi aguda e sobrou um joelho dolorido desde então. Isto indica que fazer reforço muscular frequente e mais forte é fundamental. 
     Nos últimos meses andei lendo mais, de dezembro para cá devo ter lido uns quatro livros, lembro de três: "Por que a esquerda morreu" - de Jesse de Souza, é  um livro análise desta ocorrência sobre a corrente política.  É um livro chato de ler. A leitura não flui. Antes havia lido o romance "Os espiões", de Luís Fernando Veríssimo. Dois terços do livro ele passou a impressão que o que passou na história era uma grande fofoca, na parte final se transformou em um livro de final comum. Com alguma atenção dá para perceber a técnica literário aflorando. 
      Depois li, melhor, descobri a escritora Maria Valéria Resende, com o romance "Outros cantos". Um história interessantíssima e que tem como pano de fundo a ditadura de 1964. Mas é sobretudo sobre a pobreza do interior nordestino,  sobre a falta de perspectiva no tempo narrado no romance.  Comecei até a viajar na memória da infância e adolescência,  naquela pobreza de muito amigos daquela época em Bom Conselho. Situação que me marcou a vida inteira. 
    Depois tentei ler o livro de Waldrido Warde e Lincoln Gakiya: "Segurança Pública: O Brasil livre das máfias."  Não consegui terminar.  Para mim faltou mesclar ao texto técnica de redação jornalística e até literária, para que tema tão recheado de citações legais sejam assimilavéis para o leitor fora do campo do direito penal. Então larguei para debaixo da mesa de centro e ele virou está lembrança. 
      Depois dele voltei para Maria Valéria Rezende, com o "O voo da guará vermelha". Guará é uma ave. É uma história interessantíssima,  que vem tratando das dores profundas dos dois personagens de maneira magistral,  que não afasta o leitor. Que mistura os espinhos das suas vidas e ao enredo das histórias contadas por Rosélio. 
     Bem, preciso terminar.  O dia está clareando que estou finalizando esta crônica. 

     Portanto!
     Bom dia, luminoso dia!

      Abração!
      Marconi. 

sexta-feira, 6 de março de 2026

Existimos: A que será que se destina?


Viktor Frankl
 

        Começou, começou, começou aquilo que muitos refugam, mas têm uma apaixonada, apaixonada reação ao ouvir opiniões contrárias.

        Às quartas-feiras a gente tem uma roda de conversa após o futebol, se fala sobre quase tudo, principalmente futebol, conversas avulsas, de tudo que era tipo, durante muito tempo, um certo tipo de assunto não chegou a aparecer. Aquela tema que separou muitos amigos e famílias, mas nesta última quarta-feira alguns minutos de conversa sobre política e políticos se insinuou. 

        Hoje lembrei-me de Jessé Souza: Será que há tantos ressentidos assim? Ou na vertente de Michel Alcoforado, em uma variante da cultura brasileira apresentado no livro Coisas de Rico, que cada brasileiro tem o seu rico de estimação.

        Será que cada brasileiro tem o seu político truculento, mentiroso, desonesto de estimação?

        E o papo começou a rolar na direção dos políticos e iria passar para o tema eleição presidencial, porém, em alguns minutos, chegou um amigo, super bem humorado, brincalhão como ninguém e sem perceber desviou o assunto.

        Creio, nas próximas semanas deverá voltar mais forte. Talvez, talvez venha tão radical quanto foram nas últimas duas eleições. Isto fez me lembrar da mente que vai sendo moldada pela repetição, pela expulsão das formas de refletir sobre as situações. Pelos algoritmos. A respeito destes programas, é vezeiro, que eles têm direção e intenções e; não é a democracia, a pluridade sadia de pensamentos e visões de mundo. Até compreender isto pensava que estes programas das redes sociais eram apenas um fator de negócios, de venda, de audiência; me fazendo recordar é que preciso saber qual é a intenção de quem pronuncia um pensamento ou age de certa forma, a tal ponto que recapitulei uma frase, que não recordo a autoria, e, em contexto, diz assim: Não tem ciência neutra, apesar dos métodos científicos, porque ainda perdura no pesquisador a sua subjetividade.

        Quando jovem ouvi um comentário sobre um certo candidato, político profissional, que teria dito sobre ele mesmo e sobre os eleitores: Quem tem que se apaixonar é o eleitor, político que se apaixona pela eleição perde. Creio que perde a perspectiva da batalha, que tem que começar bem antes, cega diante das evidências de uma campanha ou situação ao se portar como um apaixonado.

        Nesta quinta-feira, finalzinho da tarde, com as luzes sumindo na noite, comecei divagar diante do curto papo, de um indício ainda fraco, menos fraco que antes de 2018, e que me fez fazer uma analogia para a frase da canção Cajuína, de Caetano Veloso: Apenas a matéria vida era tão fina e peguei outra frase emprestada para trazer aqui nessa dúvida: Existimos: A que será que se destina?

        E será que vamos transformar a amizade, apenas a matéria vida - "amizade' - era tão fina. Tão fina, tão frágil, tão desprezível, tão desprezível em nome de uma convicção que vem sendo imposta sutilmente por um atributo mental regressivo externo.

        E vamos existir assim? Existimos: A que será que se destina? À briga, a perda desse bem, à solidão, a repulsa social. Ou algo tão humano quanto isto que escrevi, mas, mais grandioso, enaltecedor da vida em paz quando respeitamos a amizade e o convívio familiar. 

        Como se leciona na disciplina Inteligência Competitiva: Atenção para os sinais fracos, ele podem ser um prenúncio de uma perda. Esses são os sinais fracos que percebi no momento.


        Bem, por hora, é só.  

        Abração, Marconi Urquiza.

        

VIKTOR FRANKEL - Psiquiatra, neurologista. Sobrevivente de um campo de concentração nazista na segunda guerra mundial e ele escreveu sobre este período no livro: Em busca de Sentido

        Em resumo: Trata da busca por um sentido para a vida. Ter um sentido para a vida transforma a pessoa e salva de uma morte precoce.

        

        

Copas do Mundo

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