sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Resiliente como vara de marmeleiro

 

Um dos maiores exemplos de fora interior
Nelson Mandela

   Ouvi na infância que devemos ser como vara de marmeleiro, que entorta mas não quebra. 

    A crônica desta semana não é um texto memorialista ou literário. Esta mais próximo de uma reflexão.
   
    Algumas vezes eu recebo pedido para escrever sobre algum tema. Um amigo me pediu para escrever sobre derrota e resiliência.  Disse-lhe que já começaria a pensar no assunto.  Naqueles minutos de nossa conversa pelo Whatsapp eu estava em processo de revisão e ajuste do romance A Puta Rainha.  Uma tarefa de compilação.  Minutos depois fui tomar água e encostei a barriga na meia parede da área de serviço. Fiquei ali olhando a avenida,  os prédios do bairro Rosarinho.  

     Eu pensava no tema colocado pelo amigo, de repente, como em outros momentos, veio o início da escrita. Saí acelerado para não perder aquele impulso inicial. Assim nasceu um CONTO (link do final).

     Depois fiquei refletindo. O melhor seria que a gente vivesse sempre com o olho no real, sem alimentar expectativas sonhadoras ou nenhuma. E que dentro desse real estivéssemos preparados emocionalmente e economicamente para os infortúnios.  Que o plano B não fosse apenas um desejo, que desde sempre ele funcionasse em paralelo. Possivelmente, a resiliência seria mais fácil e rápida. 

     Mas, como seres normais, que às vezes até percebe que alguma tempestade está chegando, no entanto tem a emoção,  dentro dela a negação.  Isto aconteceu comigo, a minha auto ilusão me custou muita dor e exigiu muito mais energia para escapar do buraco perigoso de uma depressão. 

     A resiliência deve ser um processo,  maduro, refletido,  pensado de modo constante,  trabalhando alternativas realistas, olhando o mundo como ele é. 

     Como ela não é um processo mental aleatório,  pode ser que a pessoa necessite de ajuda, é fundamental reconhecer e ter humildade quando sentir que sozinha o caminho vai ser um buraco sem saída. 

     Mas a resiliência é também um ato de fé, daquela fé que move uma pessoa na busca pela luz, que produz calma e que pode rege-la na busca pela superação. 

     Há outro fator, que ajuda na resiliência, é se manter vigilante.  Nas relações abusivas,  seja no assédio moral,  sexual no trabalho. Seja em um convívio de alguma casa (não lar), o abuso é um fator paulatinamente crescente, por que uma esperança vã toma o lugar da vigília.  Em algum momento o medo toma conta de tudo, inviabilizando qualquer reação. 

    Esse é outro fato a quebrar a resiliência. O medo insano, o doentio. Por isso é necessário se manter atento e reagir antes que uma paralisia emocional acorrente qualquer espírito de luta. 

    Essa foi uma das grandes dificuldades que tive de tratar deste tema. Pois ser resiliente, para mim, é usar um conjunto de atributos. 

     Se de todo modo, não se imaginar um caminho para ser resiliente, use a Santa Teimosia, aquela que está no fundo do coração,  aquela que é significante para ter um sentido de vida.   

Pois bem:

   Paz, não é ciência,
       Sentimento menos ainda.
       Conhecer não é ter sapiência,
       Caindo precisa se levantar,
       Para superar recorra à resiliência.

       
Semana Iluminada, 
Marconi Urquiza 

EIS O CONTO:

2 comentários:

Deixe seu comentário.

Existimos: A que será que se destina?

Viktor Frankl             Começou, começou, começou aquilo que muitos refugam, mas têm uma apaixonada, apaixonada reação ao ouvir opiniões c...