Leitor das crônicas quis saber sobre os livros:
"Rapaz, acabei mais um". Ainda Indagou: "É aquele que nunca acabava?" E daí mudou de assunto, falou um pouco sobre a mentalidade entranhada: "Tu vê, entra doença, sai doença, e os caras não mudam, parecem amarrados na desgraça". Só ouvi, evitei comentar.
Em certo momento, perguntei:
"E Sport?"
"Olhe, amigo, deixe esse assunto para o começo da Copa do Nordeste".
Para mostrar que ele estava encerrado, me perguntou:
"E as cervejas?"
"Hoje tá pouca", respondi. Lhe disse que um dos filhos e a nora tiveram Covid-19 e fiquei em quarentena, que testei, deu negativo, depois gripei, mais um teste, também negativo.
"Eu também gripei", o amigo disse. Então parou, seus olhos reviraram, até pensei, agora tá com esse tique?
Era necessário esperar, então ele contou:
"Na segunda noite que a gripe me derrubou, fiquei sem forças e me deitei cedo. Eu senti meu corpo brigando com os microbios a madrugada inteira, suando, lutando, esquentando sem ter febre. Quando foi umas 6 horas levantei me sentindo melhor. Já sentisse uma coisa assim, essa luta para superar os microbios?"
Sem pensar muito, respondi:
"Amigo, nunca tive essa percepção", então ele completou:
"Até aquele dia eu também não tinha tido."
Senti que aquela experiência foi forte, então silenciei, mas ele, então, se saiu com isso:
"Eu tenho uma gratidão genérica", não me aguentei:
"Como é isso? Que isso de gratidão genérica".
"Vê, é para o motorista, que não sei quem é e que levou a vacina. Para aquela mulher que aplicou a vacina no meu braço e nem perguntei o nome. Para o cientista que ajudou a cria-la. Entendesse? Para os políticos que brigaram para que as vacinas viessem rápido..."
Interrompi:
"É obrigação deles cuidar da população."
"É, pode ser. Pode ser... Pode ser."
No final, pensei como esse amigo, também reconheci o esforço dos milhões que labutam pelo "bem comum".
Para essas pessoas vai a minha gratidão e o desejo de um 2022 pleno, de tudo que a imaginação lhe conceber.
Abração, Feliz 2022 para todos.
Marconi Urquiza
Uma canção antiga, mas que vale a pena ouvir de novo. Clique no vídeo.
Mais um, não é Abração, é, no link: AQUELE ABRAÇO
Poucas vezes um compositor disse tanto numa música, Almir Sater expressa o sentimento do viver vivendo, andar andando e seguir seguindo... Feliz 2022.
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