Fonte: Google
Completa 20 anos de uma aventura perigosa no Galo da Madrugada.
Quem só ouviu falar o Galo da Madrugada não tem a menor ideia do gigantismo. Quem viu pela TV tem uma ideia da quantidade de gente que brinca nele. Mas entrar ao meio da multidão se perde a noção do todo, mas ganha na pele o suor e os encontrões que os foliões dão uns nos outros.
Era sábado de Zé Pereira de 2004. Acordei com a vontade de conhecer o Galo da Madrugada, chamei Cida e os filhos, toparam ir Raphael e Philip e também convidei o amigo Alexandre Negri, que topou. Não lembro a hora exata que saímos de Surubim (PE), a 126 quilômetros de Recife.
Viemos em uma Doblô. Para entrar em Recife pegamos a BR 232 na altura do bairro Curado, em Jaboatão dos Guararapes, e seguimos direto para a Avenida Abdias de Carvalho. Logo após cruzarmos a Avenida San Martin tive o primeiro estranhamento. Imaginei, como no Paraná, de onde tinha vindo a menos de um ano que até meio-dia as lojas estivessem abertas. Fui observando a cidade quase sem trânsito e as lojas fechadas, todas.
Seguimos para a Boa Vista, fui por ali procurando um local para estacionar o carro e que não ficasse longe da Rua do Sol. Terminei estacionando na Rua José de Alencar, perto de dois restaurantes. Era cedo, talvez 8 horas, 8 e 30. Dali fomos andando pela Rua da Imperatriz, passando pela ponte de ferro e viramos na direção do palco, que ficava em frente ao prédio dos Correios na Avenida Guararapes. Fomos caminhando até uma posição confortável, com sombra e uma posição ótima para ver o show de abertura. Nenhum de nós sabíamos de nada, sequer buscamos informações.
Pouco a pouco as pessoas iam chegando, o espaço ficando menor, mais apertado e aí Alceu Valença abriu o desfile do Galo da Madrugada cantando no palco. Ao vê-lo cantar dançamos junto com outros foliões. A gente se empolgou e esqueceu tudo ao redor. Lembro até que quando chegamos lá nos posicionamos embaixo do camarote onde estava o meu chefe no Banco do Brasil, Valdenir Diniz. Ele falou alguma coisa, mas pouco entendi que quis dizer.
Em certo instante, Negri levou um encontrão de um mala que queria lhe roubar a câmara fotógrafica, estava chegando a hora de sair. Alguns minutos depois eu senti um frenesi na multidão e olhei para trás. Ainda distante, cerca de 200 metros, vinha o primeiro trio elétrico percorrendo a estreita Rua da Concórdia, se aproximando da Praça Joaquim Nabuco.
Então decidimos sair dali, olhamos a Ponte Duarte Coelho e nos pareceu ser o caminho mais lógico, por que era a saída mais próxima de onde estávamos.
Formamos uma fila indiana. Negri seguiu na frente, como abre-alas, eu em segundo e segurando na mão de Philip, bem pequeno, depois Raphael e Cida. Eu até imaginei que a saída fosse ser fácil, com a urbanidade das pessoas permitindo que crianças pudesse sair dali normalmente. Mas um tsunami humano vinha em sentido contrário. Era gente com o único objetivo de ir para o meio da múltidão e nos viam (intuitivamente) como obstáculo para seu objetivo de brincar no Galo.
Ao final de muitos minutos (20 ou 30 minutos) conseguimos chegar ao meio da ponte e pudemos respirar mais tranquilos. Cruzamos a barreira policial e seguimos pela Avenida Conde da Boa Vista até onde estava o carro. Em daqueles restaurantes almoçamos e depois voltamos para nossos lares, são e salvos.
Ótimo carnaval para todos.
Abração, Marconi Urquiza

Parabéns Marconi pela coragem e pelo compartilhamento conosco. Realmente o Galo da Madrugada exige disposição acima dos limites normais. Boa folia neste 2025
ResponderExcluirEu estava lá! Ahauhauahauhaua os caras ficaram assustados achando que o gordo branquelo seria um alvo fácil. Tomaram porrada na medida do tamanho do alvo! Ahuahauahua inesquecível. Depois encontramos Lenine Alceu e Elba num bar ali perto dando uma canja pros foliões. Inesquecível. Viva o Galo! Viva Recife!!!!
ResponderExcluirCorajoso, hein Marconi! Bela crônica, descreve o acesso ao Galo com riqueza de detalhes. As vezes que fui, me limitei a ficar ali pela ponte, nos pés do galo, vendo as rodas que se formavam em volta de "Cinderela" ( Jeison Wallace"; e das repórteres da globo Meire Lanunce e Bianca Carvalho. Tirava umas fotos e vazava, que tenho juízo.😂
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