sexta-feira, 28 de janeiro de 2022
O tempo faz refletir
sexta-feira, 21 de janeiro de 2022
Francisco
O nome dele é Francisco, um dos milhões de Francisco do Brasil. Um dos tantos que sente que a cor da sua pele o pega e o faz sofrer
Mais de um ano já se passou quando ele escreveu em grupo do Whatsapp: Naquele tempo não tinha nada disso. Era início dos anos 1970, onde ele não sentia o racismo.
Eu também não, menino branco, conversava com os amigos e os tratava pelo nome ou pelo apelido sem nenhuma outra conotação. Mais que isso, só as briguinhas de criança e jovens.
Francisco era Francisco, Marconi era Marconi, Everaldo, era o Vevé, Manoel, o Mané. Até ganhei um apelido de um desses amigos que tinha dificuldade em falar meu nome e inventou um nome bem mais difícil e estranho: Malincônico. Já visse uma coisas dessas?
A reclamação em 2020 tocou em mim de modo diferente, tocou no sentido de pensar cada palavra, cada expressão, cada ponto e cada vírgula. Zerou a espontaneidade. É tanta vigilância, que em vez de falar, prefiro ouvir, pois é preciso cuidar para que as ideias preconceituosas que os anos de vida possam ter incutido em minha mente não magoem as pessoas.
Quando Francisco disse: Naquele tempo não tinha isso, senti a sua tristeza, a dor por um negócio que nem sequer poderia existir, sei que existe e é mal, maltrata, mata, exclui, acaba com as oportunidades.
Pois bem, Francisco, somos agora sessentões. Vai meu abraço, vai meu apreço. Estamos juntos.
Marconi Urquiza
sexta-feira, 14 de janeiro de 2022
Criar
Ando tão sem assunto, que chego na vésperas das sextas-feiras com a mente vazia e isto já tem vários meses. Algumas vezes me dá vontade de falar do processo de escrita e paro. Penso todas às vezes: É um assunto que interessa a tão poucos e desisto.
Em 2003 eu ensaiava querer aprender mais coisas sobre como criar um personagem e me convidei para conversar com Dr. José Nivaldo, médico e escritor, que vivia em Surubim. Ele bom de papo, falou um monte e em certo momento eu perguntei:
- Doutor, eu tenho uma curiosidade. Como é criar um personagem?
Silêncio, ele ignorou completamente pergunta. Tornei a fazê-la, silêncio, então parei. Diz um dos maiores professores de escrita criativa, Assis Brasil, que um livro deve começar pelo personagem central.
Quando rascunhei o primeiro romance eu não pensei nisso, queria apenas contar uma história. Foi isso que fiz. Naquela época ainda não tinha desenvolvido o sentimento, que ao se fazer um texto grande, eu estava como se tivesse construindo uma casa. Isto só ocorreu quanto fiz o Trabalho de Conclusão do Curso de Direito. Meses de trabalho, e sim, foi muito difícil. Não com a profundidade da dissertação, mas tão complicado quanto ela.
Certo dia, já falei dele, ganhei um presente de um senhor, 70 anos na época, um angolano de pele branca, fugido da guerra da independência de Angola, em 1975. Ele me deu o livro: Angola - O último café. Que é uma narrativa da fuga da fuga de uma família no meio da guerra civil e do desejo de vingança contra os filhos de portugueses. Esse título me fez criar imediatamente outro, bem sonoro. Mas não tinha mais nada que uma ideia desconchavada.
Seguindo a cartilha, fui pesquisar. Li muitos livros. Por exemplo: Coronel, Coronéis, de Marco Antônio Vilaça. Li o livro: Coronelismo: Enxada e voto, de Victor Nunes Leal.
Interessante é o livro de Vilaça fala dos mais famosos coronéis de Pernambuco. Chico Heráclito, de Limoeiro, José Abílio, de Bom Conselho, Veremundo Soares, de Salgueiro e houve outro, que acho que era de Parnamirim. No livro de Leal, ele estudou os coronéis de Minas e São Paulo. Em resumo: Os barões do café e do gado. Os homens riquíssimos e com praticamente os mesmos modos de agir dos coronéis nordestinos.
Em síntese mal ajambrada: O poder é que guiava esses homens e fazia terem certos comportamentos semelhantes.
Continuei a pesquisar, tinha lido no jornal A Gazeta, de Bom Conselho (PE), um pequeno resumo de um trecho do livro A Revolução Pernambucana de 1911, do pesquisador João Alfredo dos Anjos. Cacei esse livro para tentar entender por que em Bom Conselho, em 1911, não houve eleição, motivado por uma briga na bala do coronel José Abílio, a favor de Dantas Barreto, e Lívio Machado Wanderley, que era a favor de Rosa e Silva. No popular, a bala correu solta.
Nessa pesquisa, achei uma autobiografia, um livro raríssimo, do coronel José Abílio: Um coronel do sertão. Li com gosto, nas lacunas eu imaginava o seu perfil, misturando com o que falou de si mesmo, com as histórias que ouvi dele na minha vida.
Um dia, no meio de uma depressão, comecei a escrever, pouco mais de 4 páginas e o coronel surgiu em um hipotético diálogo que tive com meu pai, na porta da farmácia, quando falei para ela da moça bonita que passava na outra calçada e na hora papai disse: Cuidado, ela é do coronel.
Aí foi surgindo um personagem, rico, cheio de nuances, cheio de manhas, contradições e de humanidade. Foi tanto, que ele extrapolou do romance, ainda inédito, A Puta Rainha para o outro, também a ser publicado: O Último Café do Coronel. Ambos já comentados em outras crônicas.
As ideias, não surgem apenas de uma clarão, ela surgem da reflexão, de certa prática de pensar e agir, de experimentar e tentar soluções para um problema. Não surgem do nada, sempre tem um pesinho em um somatório de pensamentos.
Um escritor, um cientista, um cantor, compositor, artesão. Todos aqueles que usam a capacidade de criar, podem até ter o dom, mas ele exercitam diariamente a vontade de criar algo, de ter uma solução, e por aí vai.
A inteligência, para mim, é mais que uma capacidade natural, ela é criação da pessoa, da sua insistência em melhorar.
Pois bem, como esse raciocínio, quem sabe, um dia, não saia: Coronel, Coronéis, o mesmo José.
Até a próxima.
Marconi Urquiza.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2022
Ao gosto dos leitores
Rubem Fonseca e Gabriel Garcia Márquez
Tempos atrás, há mais de um ano eu vi uma entrevista de Tony Bellotto, em uma live de lançamento do livro "Dom". Onde ele, ao ser indagado, disse que o escritor de histórias policiais que lhe inspirou no estilo de escrever foi Rubem Fonseca. Elogiou demais, disse que ele não aliviava nas frases, era um estilo direto e seco.
Até então não havia lido nada de Rubem Fonseca, só outros escritores que o tinham como referência e continuei assim, sem ler. Depois de bem um ano que eu havia comprado um livro seu, Agosto, ele que continuava encostado no meio os outros, na fila para ser lido.
Nessa leva de leituras recentes eu havia concluído o livro reportagem, "O Nome da Morte", escrito pelo jornalista Klever Cavalcanti. Apesar dele utilizar recursos de um romancista, tudo no livro é real. É a história de um matador de aluguel que anotou 492 mortes que fez em 35 anos de profissão. Se tiver preguiça de ler, há um filme homônimo.
Na secura de ler, desta vez foram dois livros de ficção, dois dos livros da série "Estações de Havana", de Leonardo Padura. Uma série policial que primeiro vi no Netflix, só bem depois li os livros. Desta vez li de uma tacada: "Máscaras e Paisagem de Outono".
Aí a paquera do livro "Agosto" se transformou em namoro. Não terminei, mas posso fazer alguns comentário. O livro traz parte daqueles eventos anteriores ao suicídio de Getúlio Vargas. É um romance entrelaçado de ficção e história real, romanceada. A história é boa e a narrativa não deixa o leitor entediado.
Mas tem um aspecto que me fez lembrar um comentário do amigo Ronald. Certa vez me disse que eu escrevia seco, sem "lamber (por minha conta)" o leitor. Sem aliviar a carga dramática nos dois romances de minha autoria que leu. Quando eu passei de dois terços do romance Agosto fui me identificando com esse modo de escrever.
Fiquei lembrando do comentário de Ronald e me recordei de alguns detalhes que me fizeram ter uma estilo seco. Primeiro: sempre tive muita dificuldade de escrever frases longas, tinha medo de me perder. Segundo: A minha dificuldade em por vírgulas me fez escolher as frases curtas e com ponto final. Terceiro, o que só ocorreu muitos anos depois. As frases curtas tornam a leitura mais ágil e me obrigada a simplificar e não complicar.
Ainda bem que só li Rubem Fonseca quando já tinha um certo jeito de escrever. Mas sempre tive uma admiração por dois escritores, meus professores indiretos: Gabriel Garcia Márquez. O outro foi Graciliano Ramos, cujo estilo, nos anos 1980, eu tentei imitar. Acho que dos dois, estão misturados à minha forma de escrever, foi de onde juntei os seus modos e maneiras.
Nem recordo quantos livros li neste último ano, talvez 20, mas neste período o que mais me marcou foi o "A Vida em Espiral". Este é romance de um rompante parecido com a crueza dos fatos de "O Nome da Morte". Para quem gosta de uma estilo mais leve, é hora de ler "Tia Julia e o escrevinhador", de Mário Vargas Llosa.
Por hora, é só isto.
Abração.
Marconi Urquiza
sexta-feira, 31 de dezembro de 2021
Gratidão genérica
sexta-feira, 17 de dezembro de 2021
ME DIZ, AMOR? Saudade agora tem nome.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2021
Uma cerveja antes do almoço
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