quinta-feira, 23 de julho de 2026
Rapaz, você caiu em uma armadilha
sexta-feira, 3 de julho de 2026
Tenho saudade do tempo em que os meus grandes medos cabiam em um abraço
Tenho saudade do tempo em que os meus grandes medos cabiam em um abraço.
Não sei o autor desta frase, mas ouvi nesta quinta-feira durante a audição do programa de rádio de Geraldo Freire, na CBN Recife. O papo rolava sobre a situação atual, da influência desmedida para muita gente das redes sociais e dos temores que elas induzem a uma multidão. De certo modo, o temor à Deus foi substituido pelo temor de viralizar alguma que gere ódio e sofrer a avalanche de um Bullying digital.
Ao dizer está frase, um dos presentes, quando sentia medo ia à sua mãe e ela lhe abraçava. Coisa tão simples quanto poderosa. Um abraço da mãe para acabar com o medo.
Não é só o abraço em si, é uma mensagem de acolhimento, de pertencimento e sobretudo de amor.
O medo é uma força poderosa, arrasadora, que suprime a esperança e a fé que move uma pessoa para buscar ter a sua vida prosseguindo em paz. Quando o medo é real, próximo, a pessoa se retrai, muitas vezes esse medo é como um vento de uma irradiação atômica, não se vê, mas é real, outras, como foi mencionado hoje, o medo comum de agradar àquela multidão "sem rosto", pronta a beber o sangue que enche a internet de ódio.
Um daqueles que estavam no programa de Geraldo Freire revelou uma saudade, revelada com esta frase, de uma vida mais simples. Do medo simples, sanado com um abraço.
Bem, é tudo que tenho para hoje.
Um grande abraço.
Marconi.
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Copas do Mundo
Na última segunda-feira, o radialista Geraldo Freire perguntou aos presentes, no seu programa Acerto de Contas, qual a copa preferida de cada um. 1970, 1982, 2002 foram as preferidas dos cinco participantes.
Isso me estimulou a pensar. Tenho inúmeras lembranças, não de uma única copa. Meu desafio é escrever em um parágrafo o que algumas delas mais significou para mim.
Vou começar pelo fim.
2014 - A derrota pesada contra a Alemanha foi como uma caixa de cerveja Original estragada e um silêncio avassalador e perda da paixão pela seleção brasileira.
Vamos às lembranças ótimas e amenas.
No tri o futebol não tinha despertado em mim tanto interesse, não entendia quase nada de futebol e, quando acabava o jogo, ia me juntar à multidão que se aglomerava na Praça Pedro II, em Bom Conselho, para ouvir a música tema da Copa, pular, a gritar e gozar dos adversários derrotados. No dia da final, isso foi marcante; o Diário de Pernambuco trouxe um pôster de Pelé e de uma bandeira. Isto antes do jogo pela manhã. Papai colocou o pôster de Pelé no capô da Ford Rural e estacionou o carro em frente da sua farmácia, depois andou pela cidade como se desfilasse. Dessa copa conservei comigo durante uns 20 anos uma tabela miúda da Copa, preenchida; depois a perdi. O Pra frente, Brasil, salve a seleção.... me levou a desfilar no 7 de Setembro daquele ano uniformizado com a camisa 11, de Rivellino. Um colega perguntou por que escolhi a de Rivellino, "Ah! Quero ter um chute forte como o dele".
Foi a vez da TV colorida em casa. Havia poucas na cidade e, nossa casa se enchia de gente para assistir aos jogos. Duas recordações recorrentes: eu e meu irmão Marcelo, após cada jogo assistido, fosse do Brasil ou não, íamos para a frente da casa tentar imitar os gols e defesas dos goleiros. A lembrança marcante foi ver papai lacrimejar ao assistir a disputa do terceiro lugar e o Brasil perder para a Polônia em 1974.
Já estava morando em Recife, estudante, e, por causa dos horários dos jogos não se chocarem com os das aulas, assisti a todos os jogos que passaram na TV. Neste ano, catei um caderno novo de molas, pequeno, e me pus a anotar todos os jogos, quem fez o gol, em qual tempo ocorreu e o placar. Lembro com clareza quando Roberto Dinamite dominou a bola com a coxa e fez o gol contra a Austria em 1978. Aquele caderninho ainda me acompanhou anos a fio. Lamento que o perdi.
Eita, foi o ano do choque total. Na derrota da seleção para a Itália já estava trabalhando em Afogados da Ingazeira (PE). No terceiro gol, a cidade silenciou; um grupo de colegas que assistia ao jogo na pensão de Dona Duda emudeceu. Após o terceiro gol, demorei alguns minutos, sem acreditar que o time tivesse forças para empatar saí discretamente de Dona Duda e fui à agência do Banco do Brasil. Se a memória não falha, naquele dia, só era para trabalhar de manhã. Fui andando pela cidade, silenciosa, silêncio absoluto; só se ouviam os sons altos das televisões. Naquela tarde de 1982 fui o primeiro a entrar na agência. Tentei evitar ouvir a narração do jogo, mas não havia nenhum local dentro da agência ou na cidade que não a ouvisse. Impossível. Cada minuto martelava em minha cabeça. Após o término da partida, pouco a pouco os colegas foram chegando à agência em silêncio, naquela decepção absurda; o trabalho foi o refúgio para pacificar a mente.
Nestas copas não recordo de episódios marcantes, apenas a lembrança do pênalti perdido por Sócrates contra a França, em 1986 e do passe de Maradona em 1990 para o gol que nos derrotou.
Não houve nada de especial durante as partidas que antecederam a final, apenas uma opinião aos amigos que assistiam e estavam impacientes, disse que naquele instante o jogo parecia ser de xadrez, via uma disputa de estratégia contra Camarões, dada a sua marcação até então eficiente. Logo depois Romário fez o gol. O jogo contra a Holanda eu estava na estrada, não vi. A final foi aquele jogo tinhoso. Mas a lembrança vigorosa foi no pós-jogo da final, durante a comemoração. Havia um pequeno clube de veteranos de futebol em Bom Conselho, chamado Falta de Ar. Assisti à final na sede desse clube. Quando Baggio chutou o pênalti para fora, toda a turma saiu correndo para ir para a Praça Pedro II, que explodiu de alegria naquela noite de 1994. Demorei uns 10 minutos, fiquei apreciando a comemoração dos jogadores no estádio. Quando saí para a rua, vi algo maravilhoso. Estava no alto do cemitério, apelido daquela rua. Deste local se pode ver toda a rua Manoel Borba. Como se fosse algo coordenado, os carros entravam na fila, subindo a rua para percorrer a cidade em carreata gigantesca e parar na Praça Pedro II. Não uma carreata qualquer. Se na cidade houvesse naquele ano mil carros, todos estavam na rua naquele instante. Confesso que não imaginava haver tanto carro na cidade. O buzinaço tomou conta.
Já estávamos no Paraná, Ronaldo Fenômeno havia raspado a cabeça e nossos três filhos também rasparam. Do futebol, lembro de um gol de Rivaldo, creio que contra a Dinamarca em 1998, em que ele deu uma rosca na bola, com o goleiro em cima dele, e a bola passou um palmo ou dois palmos acima das pernas do goleiro. E a tristeza pela derrota contra a França. Lembro que o Paraguai foi um time com uma defesa forte e só perdeu para a França.
Nessa copa, foi a minha copa do nervosismo; não consegui assistir a nenhum jogo, ficava ouvindo a narração nervosa de Galvão Bueno madrugada adentro. Só vi a parte da final do jogo contra a Alemanha em 2002. Vitória consolidada, Nega saiu com os filhos e os amigos deles em cima da carroceria da Chevrolet S10 a correr a passeata; de tanto buzinar, a buzina ficou rouca. Ela, com os filhos, correndo pela cidade, e eu em pé olhando, com lágrimas, o time do Brasil fazendo a roda no meio do campo para agradecer pela vitória na Copa do Mundo. Impressionante.
Agora temos mais uma copa; para mim é melhor não se empolgar. Se ganhar o Hexa, vou vibrar muito. Se não ganhar, o futebol não sairá do meu coração.
E as suas copas?
Abração, Marconi.
sexta-feira, 29 de maio de 2026
A sensação que desliguei
A SENSAÇÃO QUE DESLIGUEI
Fazia tempo que a sensação de desligar mentalmente não ocorria. Atualmente, em geral, estamos todos conectados ao Instagram, no Facebook, TikTok e outras redes sociais. Elas são mestres em pequenas doses constantes do hormônio do prazer, a dopamina, o que provoca na maioria das pessoas a sensação de nunca desligar.
Outro efeito colateral é a falta de foco. No nosso caso, isso atinge de modo grave o que, no passado, era motivo de prazer e ocorria espontaneamente: a leitura. Lia habitualmente, um livro após o outro. Hoje em dia, a tentativa de ler exige um esforço enorme, horário marcado, tempo marcado, tempo mínimo de leitura. Hoje vou ler 30 minutos, amanhã será uma hora e assim ocorre a tentativa de levar a leitura de um livro adiante. Se o livro exige mais concentração, ocorre o abandono. Nos últimos 15 dias, dois ficaram pelo caminho: Ave Palavra, de Guimarães Rosa, e Todos os Contos, de Clarice Lispector.
Já estou no terceiro livro nestes mesmos 15 dias. Agora é "O Nazista e o Psiquiatra", escrito por um jornalista. A leitura não é complexa, e por isso, já li 50 páginas desde a última sexta-feira, mesmo com toda a dificuldade de manter o foco na leitura.
A maior oposição que sinto é o impulso de abrir o celular e cutucar o Instagram; a mente está naquele viés de vício. Ainda não, ainda posso evitar e evito muitas vezes, mas meu foco foi embora, a minha imaginação seguiu pelo mesmo caminho.
Aquele sentimento que desliguei mentalmene tem tanto tempo que não recordo quando ocorreu. Com segurança, foi há mais de 15 anos; ainda trabalhava no Banco do Brasil. Foi tão estranho que sequer lembrava a senha de acesso ao sistema geral da empresa. Depois da aposentadoria, desenvolvi um modo de viver para não sentir o vazio da falta de uma rotina. Naquela vibração do ditado popular que diz: ' Cabeça vazia é oficina do diabo.' Até que, há quase cinco anos, comecei a cuidar de uma nanoempresa e que hoje posso afirmar ser uma microempresa. Assim, a rotina que era leve foi ficando agitada e longa.
Saltando no tempo. Em abril, nós (eu e Cida) viajamos para participar do CINFABB (jogos de aposentados do Banco do Brasil) em Belo Horizonte. Ir, vir, participar, acompanhar, conhecer a cidade — viagem para uma das cidades históricas. Mesmo abrindo o sistema para passar os serviços para a equipe e atender online os clientes, a rotina foi leve. Leve. Doze dias de viagem.
Quando chegamos, no dia 3 de maio, fui ao quarto que uso como escritório, sentei-me à cadeira e pus os braços sobre a mesa, olhando para o computador. Neste momento veio o sentimento e a sensação: "Eu desliguei". Sabe, me senti ótimo. Feliz, até.
Bem, por enquanto, é só.
Abração, Marconi.
PS: ilustração gerada pelo Google Gemini
segunda-feira, 18 de maio de 2026
ANTES DE MIM - Escrita por Djalma Xavier.
Antes de mim
“A vida devia ser bem melhor, e será !!!”
Gonzaguinha
Antes de mim houve outro Djalma. Com mesmo nome e sobrenome, mesmo pai, mesma mãe, nascido dois anos antes pelas mãos da mesma parteira, na mesma casa de chão batido, na zona rural do sertão pernambucano.
Em 18 de março de 1963, com dois anos de idade, meu irmão Djalminha foi para o céu. Minhas irmãs mais velhas diziam que ele era uma criança linda. Não há fotos dele. Não havia dinheiro pra esses “luxos”.
Quando esse triste fato ocorreu, minha mãe estava grávida de mim (7 meses) e, dois meses depois, em 18 de maio, Djalminha “renasceu” para devolver a alegria àquela casa entristecida. O novo Djalminha herdou o nome e todo amor e carinho que a família tinha por “Djalminha do céu”, como ficou sendo chamado meu irmãozinho, pra nos diferenciar. Nasci privilegiado nesse sentido. E eu e meus três irmãos mais novos fomos super protegidos para evitar que aquela tragédia se repetisse.
Naquele tempo (meados dos anos 60) e naquele lugar não havia nenhuma estrutura de saúde. Se houvesse talvez meu nome fosse outro, e minha família teria mais um membro. Teria sido mais feliz. Não havia médicos nas proximidades; não havia ambulância pra levar um doente até uma cidade maior com hospital e nem estradas transitáveis por onde um carro qualquer poderia ter levado meu irmão pra ser medicado.
Percebendo que o caso era grave, minha mãe e meu pai levaram meu irmão para o hospital mais próximo na garupa de um cavalo, por um percurso de 30 km de estradas carroçáveis. Não deu tempo. Quando chegaram a uma cidade com médico, já era tarde demais.
A condição de miserabilidade que rodeava a gente daquele lugar era muito triste. Muitos casos semelhantes ao da nossa família aconteceram.
A mortalidade infantil era uma vergonha nacional. Houve até uma reportagem da revista Veja sobre a mortalidade infantil no interior do nordeste, denunciando a existência de cemitérios só de “anjinhos”, bebês que morriam antes mesmo de se batizar. Havia muitas crianças que não “vingavam”. Morriam de diarreia, verminoses e outras doenças relativamente fáceis de tratar. Muito tempo depois surgiu um ‘anjo de verdade”, Dra. Zilda Arns, com sua Pastoral da Criança e disseminação do uso do soro caseiro, salvou milhares de crianças e ajudou muito a mudar aquela triste realidade.
Aqui não se trata de ideologia. Nem de governo A ou governo B. Trata-se de humanidade. De tratar seres humanos como seres humanos. Diante da calamidade que era a saúde pública naqueles tempos de chumbo, parecia que Brasília pouco se importava que morressem tantos brasileirinhos por falta de assistência médica. É muito triste, mesmo cruel, que se pense assim, mas talvez acreditassem que as famílias eram numerosas, então, se algumas crianças não sobrevivessem, seria mera fatalidade, culpa do destino.
Depois desse triste episódio, lenta e gradualmente, as coisas começaram a melhorar por ali. A situação financeira da família melhorou um pouco e mudamos para uma casa melhor. Vieram vacinas para o vilarejo próximo e eu e meus irmãos mais novos tivemos mais acesso a remédios e, ainda com alguma dificuldade, a cuidados médicos. E, graças a Deus, nenhuma outra criança morreu naquela casa.
Para desentristecer e desdramatizar um pouco, cabe registrar que atualmente meu filho é médico e trabalha em um Posto de Saúde na zona rural. Esse fato, por si só gratificante e reparador, produz uma esperança concreta de que muitos prováveis “djalminhas” poderão ser salvos, porque agora existe um médico próximo a eles, e isso pode fazer a diferença entre a morte e a vida.
quinta-feira, 30 de abril de 2026
6 x 0 = 13 gols contra, nenhum a favor.
sexta-feira, 17 de abril de 2026
"A arte de viver é simplesmente a arte de conviver", Mário Quintana
O tempo e suas experiências
Aqui a idade é 13 anos. Tinha 17 anos e sentia inveja de muitos rapazes da minha idade. Bebiam, dirigiam velozes, n...
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Por Djalma Xavier. Pra começo de conversa, trago dois personagens que tem algo a nos ensinar e ilustram bem as questões principais...
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Foto captura no Facebook de Laércio Souza Por um motivo relevante, acabei indo a Bom Conselho, cidade onde nasci, 50 anos depo...
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