quarta-feira, 7 de agosto de 2019
Doente de Banco
sexta-feira, 24 de maio de 2019
O vazio do Whatsapp
Devo estar em mais de 10 grupos de Whatsapp. Alguns imensos, alguns familiares e alguns poucos pequenos.
Há muitos meses que não olho as postagens com afinco, é só uma vista superficial. As vezes algumas discussões interessantes começam, mas em algum momento um ser destila alguma raiva e tudo entorna, torna-se uma conversa múltipla que poderia ser frutífera em um oco de sentidos.
Mesmo assim fico olhando várias vezes por dia para tais grupos, como se ansiasse para uma assunto alvissareiro, um sopro que irrigasse meu espírito de luz.
Hoje eu estava sentado, havia colocado o celular na outra cadeira. Corrigia parte de um texto longo, de repente me lembrei do celular ali ao lado, quase ao mesmo me lembrei do Whatsapp e a sensação de vazio veio na mesma fração de segundos.
Veio como um questionamento: O que ali vejo me acrescenta?
Abraço,
Marconi Urquiza
quinta-feira, 16 de maio de 2019
O Chile é agreste
Hoje vou comentar dois assuntos que me chamou a atenção nestes dez dias aqui no Chile.
O primeiro é sobre a gestão hídrica.
A paisagem no frio fica cinzenta, as plantas perdem as folhas e ficam apenas os galhos e o caule nus.
Nesta época do ano o Chile se aproxima forte do inverno. Durante os nossos passeios por aqui mais que ver paisagens afetadas pelas temperaturas baixas, me pareceu que todo o Chile, menos a Patagonia, que não vi, é um imenso sertão. Em Santiago chove meros 200 mm, cerca de 12 dias de chuvas por ano.
A captação de água por aqui vem, quase toda, do desgelo.
Enquanto a van corria as estradas eu fiquei olhando ao redor em busca de alguma floresta, pequena que fosse. Não vi nenhuma. Segundo um dos guias, todas as árvores que cresceram nas cidades são originárias de outros países.
Aí veio o pensamento de querer saber como eles cuidam dos recursos hídricos.
Em um dos passeios fomos visitar uma barragem a 2.400 metros de altitude, que capta as águas do desgelo da Cordilheira dos Andes.
Salvo engano, chove menos aqui que a média de chuvas no Nordeste. Não só com Israel, creio que o Chile possa oferecer lições aos gestores hídricos do Brasil.
O outro assunto é sobre uma reforma da previdência que tramita no congresso chileno.
A discussão está renhida, o parlamento reclama que o canto do cisne é igual ao da era Pinochet, apesar de não citarem seu nome, e é esse sentimento que se expressa nas críticas ao projeto do presidente Piñera para mudar a previdência atual. Da mal afamada capitalização.
Os fatos citados aí no Brasil, como aqui, é que vem há mais de 30 anos empurrando a renda dos aposentados para baixo a ponto de provocar muitos suicídios entre eles por falta de recursos para uma sobrevivência mínima.
A situação atual no Brasil exige Olhos e Mentes Abertas para não se deixar levar por uma discussão posta pelo raciocínio de quem quer direcionar os nossos pensares.
Abraço,
Marconi Urquiza
sexta-feira, 10 de maio de 2019
A boa impressão do deserto
sexta-feira, 3 de maio de 2019
Uma interpretação difícil. Invenção de Orfeu
quinta-feira, 18 de abril de 2019
Montando no Cavalo da Saudade
Hoje com a morte de Aldemar Paiva (outrora famoso apresentador de Rádio, TV e escritor) fui buscar na internet coisas sobre ele, seus causos e fui me deparar com uma homenagem feita por Rolando Boldrin a Luiz Gonzaga e nessa homenagem Boldrin fala de um texto de Aldemar Paiva que nele pesquei um pequeno trecho que dizia assim: " e Luiz Gonzaga montado no cavalo da saudade foi visitar Exu da sua infância por um dia após pedir a Deus permissão."
Assim escrevi a minha viagem montando no cavalo da saudade.
MONTANDO NO CAVALO DA SAUDADE
No mês passado eu montei no Cavalo da Saudade, você já montou um algum dia?
Pois é, montei no Cavalo da Saudade, um alazão castanho e de pelo brilhante, manso e baixeiro que nem parecia cavalgar, parecia flutuar de tão baixeiro ao galopar.
Pois é, montei no cavalo e me vi carregando as minhas chuteiras nas pontas dos dedos, deixando a farmácia de papai com os empregados para não chegar atrasado nos treinos.
Subia a Rua da Lama cheio de esperança e expectativa, era sempre assim, quando chegava ao campo da ABA - Associação Bonconselhense de Atletismo, eita campo careca, poeirento, mas quem se importava, jogar futebol, jogar bola bola era o máximo, era arretado.
Sabe, lá pelas cinco e meia da tarde, descia a ladeira do Alto do Colégio das Freiras e ia novamente para a farmácia, tomar banho pingado. Chegava lá no fundo do prédio e ia para o banheiro rústico, com a porta cheia de frestas e que era um tormento para um adolescente emplumando e então lavava a cara, a cara mascarada pela poeira do campo da ABA e saia com sabão no cabelo pela pouca água que caia do chuveiro.
Pois bem, montei de novo no Cavalo da Saudade cheguei lá em casa e vi a mesa posta e todos nós sentados ao seu redor, meu pai na cabeceira, eu na outra, meus irmãos dos lados, junto a papai estava minha mãe e de repente havia um silêncio, um pequeno silêncio como se agradecesse a Deus, mas nada se dizia e então começávamos a nos alimentar.
De repente ouvi seu relinchar e saí para a calçada, estava lá a turma brincando, jogando bola no pátio da igreja, correndo pelas ruas ladeirosas brincando de se esconder e quando, e quando desciam as belas filhas de nosso vizinho toda a meninada, em um obsequioso respeito a gente parava se jogar, disfarçando a paquera e lançando olhares gulosos em direção das meninas.
Mas o Cavalo da Saudade, eita alazão formoso, e eu montei nele sem destino certo. Passei pelo Colégio Estadual Frei Caetano de Messina, o Colégio do Frei Dimas e senti novo aquele orgulho em vestir a camisa de tecido fino com escudo do colégio no bolso, mas ali foi uma parada rápida, é que com uma velocidade alada voei com o Cavalo da Saudade e a cidade sumiu, tão alto, tão alto fomos e de repente o tempo também voou, olhando para baixo fui vendo aparecer a Praça da Matriz, nela muita gente passeando, muitos jovens paquerando e então o Cavalo da Saudade foi devagarinho se aproximando e me deixando pertinho da primeira paixão, daquela ebulição de sentimentos, daquela energia de se construir um mundo.
Aí eu apelei, alisando as crinas lisas e sedosas, disse: - Cavalo da Saudade me leve para o presente.
Aí o Cavalo da Saudade olhou para mim, relinchou suavemente, e antes de me trazer de volta me levou à Praça João Pessoa, de longe fui divisando seis amigos conversando e quando me aproximei, um deles saiu ligeiramente para me receber e nem disse nada, baixou a minha cabeça e a do meu irmão e nos beijou e o Cavalo da Saudade, levantou as patas e saiu em disparada e naquela viagem ultrassônica cobrou de mim:
- Hoje eu fiz um favor, você me achou com Aldemar Paiva, essa viagem foi curta, espero que me chame para outro passeio antes que alguém morra.
Aí na volta eu fui cantarolando Arreio de Prata de Alceu Valença;
"Meu cavalo dos arreios prateados
E a namorada, muito amada, agarrada na garupa
Me protegendo dos malefícios da vida
E agarrada, muita amada, na garupa do cavalo ..."
A viagem foi tão rápida que não dei conta e de repente montado no Cavalo da Saudade estava teclando estas palavras e amando a vida.
Abs, Marconi.
04.11.2014.
Obs:
Deduzo esta como uma daquelas pérolas misturadas entre a enormidade de papéis que rabisquei como ofício de escrever.
19.04.2019
quinta-feira, 11 de abril de 2019
Campeãos
Em 1991 foi organizado um tornei de Futsal comunitário na AABB em Caraúbas.
Esta época era o tempo da caça aos marajás no governo Collor. Por isto e por outras coisas históricas a comunidade nos via com pouca simpatia.
Organizado o torneio entramos com o nosso time, faz tanto tempo, que penso que não tínhamos reserva.
O goleiro foi emprestado da cidade. O time era assim: Militão, o pivô, os dois alas; Luiz Augusto (craque no salão), Josafá e eu de parado.
Não lembro se a rádio da cidade divulgou o evento.
Por aqui, acolá, fomos chegando e chegamos à final.
Dia da final, ao redor da quadra, sem arquibancada, estava cheio, toda a cidade torcendo pelo time que iria jogar conosco.
Os torcedores a favor, bem poucos, apenas as nossas esposas, ainda assim, super discretas. Assim mesmo.
Começou o jogo; em certo momento levamos um gol. A torcida vibrou.
Não nos afobamos, continuamos jogando. Ocorreu que o pivô deles, alto, hábil, tinhoso, jogava se escorando no parado, tomou um tombo.
Não sei se antes do nosso empate, mas certeza, antes do segundo gol.
O cara era da minha altura, jogava às costas no meu peito. Era o craque, veterano, do nosso adversário. Jogador poderoso.
Lá veio a bola de lateral, o filho da mãe se escorou em mim e eu me apavorei. Comecei a desenhar o novo gol, acho que uma intuição anulou aquele pivô. Dei um passo para trás e ele desabou sentado na quadra. O inacreditável ocorreu, sumiu do jogo.
Militão empatou.
O jogo era mordido, um lá e cá medonho, já no finalzinho, Militão, 1.80 m, passou por meio time e fez o segundo gol. Se eu fosse descrever estava vendo um virtuose.
Ganhamos, campeões, fui cumprimentar Porquinho, meu colega do Sport Club Caraúbas e ele estava em uma tristeza só.
O tempo é ingrato, trabalhamos a semana inteira, parecia não haver foco, mas estávamos concentrado. Ao tomarmos o gol, não houve discussão, mas um revigorar das nossas vontades.
Luiz Augusto que conhecia salão como ninguém nos organizou. Naquele time havia zero de vaidade, Cem de união.
Só isso.
Não, mais isso.
Não havia nem medalha.
Era um querer, Vencer.
Marconi.
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