Na última sexta-feira, por volta das 17:30h, cheguei ao prédio onde o filho Raphael mora, passei pela saguão e sua ampla sala de espera. Dois sofás grandes em L, duas poltronas azuis e três poltronas cinzas, giratórias.
Passei direto, indiferente, como se passa por paisagens que se conhece. Chamei o elevador ao térreo e fiquei olhando o visor por onde ele ia passando. Tudo muito comum nas minhas passagens por aquele ambiente, comum até demais.
Aí ouvi vozes, estiquei o pescoço vi duas crianças fazendo piruetas em uma das poltronas cinza. Eles se penduravam e com os pés impulsionaram o giro, tudo acompanhando pela algaravia das crianças saudáveis.
Voltei a olhar o visor do elevador, aguardando ele chegar, pois descia do 26° andar, só que meu olhar captou uma quietude no meio da agitação das crianças.
Uma visão periférica que em geral não se dá importância. Digamos, era uma quietude anormal para a animação das crianças com suas vozes altas enquanto brincavam.
Desta vez à atenção era plena. A mãe estava sentada em outra poltrona, com as pernas em ângulo reto, o tronco derreado para trás e a cabeça encostada no alto do encosto, caída para trás, com a boca levemente aberta. Ela simplesmente tinha se desligado do que se passava. Para mim aquela mãe estava esgotada. Um cansaço acima de suas forças fez ela apagar naqueles poucos minutos em que a observei.
Quando passei por aquele saguão de volta, após 10 minutos, ela e os filhos não estavam mais.
Fui embora e não pensei mais no assunto, até ouvir um comentário de uma das noras, ao dizer que naquela semana ela estava mais cansada por cuidar sozinha do filho, vez que Victor passou a semana trabalhando em outra cidade.
Aí eu viajei no tempo, lembrando do esforço de Cida para cuidar de 3 crianças serelepes, enquanto eu estava trabalhando, ou viajando a trabalho e da estratégia dela de fingir que dormia nos finais de semana para eu cuidar dos meninos, então com com 7, 4 e 1 ano.
Confesso que me solidarizei com aquela mãe esgotada, que nada ouvia, via, sentia naquele cochilo de poucos minutos.
Por dizer, por acompanhar uma mãe tanto tempo, que é um desafio brabo o trabalho full time de ser mãe. .
Viva as mães!
Por hora é só, ótimo final de semana.
Abração, Marconi Urquiza




