Estava devendo uma gratidão e nunca manifestei. Eita, Tia Lídia, muito obrigado por ter me recebido e a meus irmãos em sua casa, muito obrigado por ter cuidado da gente.
Estava devendo uma gratidão e nunca manifestei. Eita, Tia Lídia, muito obrigado por ter me recebido e a meus irmãos em sua casa, muito obrigado por ter cuidado da gente.
Sábado passado me larguei de Recife no meio da tarde e fui a Bom Conselho. (284 km). Fui por que o amigo Antiógenes me incluiu em uma homenagem ao Frei José, nosso Frei Lourenço, fundador do Centro Sportivo Bomconselhense, o CSB.
No domingo o clube fez 53 anos de fundação. Foi o ressurgimento do time como seniors 60+. Que é um congraçamento de peladeiros que todos os domingos vão ao campo soçaite da AABB de Bom Conselho. Jogam e depois se confraternizam com um café da manhã.
Quando parei em Garanhuns, perto das 18h e abri a porta do carro para ir jantar senti o friozinho gostoso, relaxante, saudável. Eu gosto desse friozinho, me deixa contente e saudoso.
Jantei e fui para Bom Conselho, cheguei lá sete e meia da noite. Fui logo para o hotel. Logo dormi. Mas pela madrugada acordei várias vezes, estava preocupado em não chegar atrasado no campo da AABB. A pelada se organiza a cada domingo às 6.00h. Cheguei lá a essa hora e já estavam, além de Marcos Guedes, o organizador da pelada, vários jogadores.
O tempo depois chegou Antiógenes e Frei Lourenço. Não tivemos muito papo nessa hora, apenas fotografias. Tinha muita gente. Pelada de 10 minutos, quem perde sai. Os dois primeiros jogos foram empate. Vem o terceiro e nosso time perde de 1 x 0. Jogamos mais uma, nova derrota de 2 x 0.
Acabou a pelada, que tem hora para terminar, às sete e meia da manhã. Fomos para o café da manhã e para a simples e imensa homenagem a Frei Lourenço que 53 anos atrás criou o CSB, organizou e liderou por 3 anos. Esse time deixou um legado para muitos jovens, jovens adultos e adolescentes à epoca, como eu e Antiógenes.
Estávamos aguardando os alimentos do café da manhã chegarem e sentei à frente de Frei Lourenço e conversarmos um pouco sobre o CSB. Veio a homenagem a ele, que recebeu um quadro com três fotos dos equipes iniciais do infantil, juvenil e adulto.
Do infantil só lembro por causa da foto, do juvenil lembro mais, pois vi muito jogos e daquele adulto de início não tenho nenhuma recordação de algum jogo. Lembro muito do time que se formou com Geraldo Grade, Chicão, Gato, Zé Cícero, Elisênio, Élcio, os demais jogadores não recordo os nomes. Lembrei do ponta esquerda: Zequinha, que tinha uma jogada plástica. Correr pela esquerda, com a bola correndo pelo chão e cruzar de primeira, achava lindo tais cruzamentos. Geraldo Grade, multiatleta, jogava tão bem como o maior zagueiro daquele inicio dos anos 1970, o Luís Pereira. Lembro que Chicão passava rápido da lateral direita para ir linha de fundo.
No domingo passado, Chicão, aos 75 anos, estava em campo. Ao vê-lo tocando a bola, dando passes, se posiocionando em campo fiquei a pensar: "Ele deve ter jogado muita bola quando jovem". Frei Lourenço, aos 86 anos e meio, também estava. em campo. O que me lembrou dele jovem, na ponta esquerda, habilidoso e forte para caramba, que não deixava lateral o pegar com rispidez.
Voltando para o salão onde esperava o café. Fiquei papeando com Frei Lourenço, fiz alguma observação sobre o time infantil, ele disse que não lembrava e mostrei a foto a ele. Apontei para mim aos 13 anos.
Naquela hora lembrei que ele me aplaudiu, me estimulando, após uma tentativa de passe longo para o ponta direita que não deu certo. O passe foi na direção do meio da área. Mas isto não comentei com ele. Comentei sobre um gol de Elisênio, uma arrancada fenomenal do meio do campo e que terminou com o chute dentro do gol de antes da linha da grande área e; ele caindo após o chute e do chão ver a bola entrar. O quando lembro até hoje me impressiona a imagem, pois a poeira do campo de terra fez uma nuvem encobrir o corpo de Elisênio. O craque em um time de ótimos jogadores.
Até esse momento eu só tinha referência de ter estado no CSB por causa da lembrança desse passado aos 13 anos e da foto. Mais nada. Não mais que a lembrança daquele treino e talvez de um jogo que fizemos no campo da AGA em Garanhuns, no qual perdemos e tomamos um vareio. Pois o time do AGA, daquele dia, me pareceu mais organizado em campo que o nosso.
Por causa dessa viagem passei a semana me perguntando, sem resposta: Como eu fui parar naquele time infantil do CSB? Daqueles jogadores eu era, aos 13 anos, o mais alto e seguramente o mais grosso. Meu ídolo na época era o Rivellino e acabei na zaga para aprender a marcar, tomar dibles, dar chutões e tentar sair com a bola dominada e principalmente, ser resiliente diante de um jogador habilidoso, não desistir de ir atrás e não deixá-lo fazer o gol.
Eu queria ser um jogador técnico e um dia papai nos levou para ver em Recife Naútico e Palmeiras (1972). Aí o Naútico faz um ataque perigoso e Luís Pereira dá um bicão, afastando a bola, que veio cair na arquibanca do Estádio do Arruda, perto de onde estávamos. Aquele lance foi uma inspiração e uma libertação, com 12 anos eu pensei: Se Luís Pereira (zagueiro da Seleção Brasileira) dar um chutão desses, eu posso dar e me libertei da vergonha de ser grosso.
Em certo momento Frei Lourenço, feliz, me agradeceu por ter feito aquela homenagem. Agora vai a minha resposta: Olha Frei, fiquei com vergonha de dizer, não fui eu, a criação da homenagem veio de Antiógenes, com o apoio e uma organização esplêndida de Marcos Guedes. Ganhei de presente meu nome nela.
E pior, não respondi ao seu agradecimento, em uma deselegância tremenda. Mas agora digo: Frei Lourenço, de nada. Essa homenagem é mais que merecida.
Faltou essa cortesia para o senhor.
Naquela manhã o CSB Seniors 60+ estava criado, torço que nunca mais se acabe. Que evolua na sua missão de agregar nossos veteranos, dando o esporte como fator de saúde física e de amizades duradouras.
Bem , a lembrança vazia se encheu de vida de outras recordações dos 16 anos que vivi em Bom Conselho, depois foi o mundo que me recebeu.
Abração a todos.
Marconi Urquiza
Outras fotos:
Frei Lourenço e Antiógenes
Antiógenes e Marcos Guedes
Ontem o amigo Loyola se foi. Há alguns meses descobriu um tumor no pâncreas. Ao saber da notícia, no início da noite, de sua partida, caiu aquela tristeza, um certo rubor da emoção contida assomou o rosto e eu parei por um tempo o que fazia. Fiquei refletindo e recordando dos encontros semanais e comecei a lembrar do seu sorriso discreto, contido, suave. Da sua voz pausada, de um timbre de voz de quem passou a vida como se qualquer ofensa tivesse tirado de letra. Enfim, ele transmitia paz.
Botei no Waze e veja o que achei.
Um amigo sugeriu escrever uma crônica sobre o que se expressou a presidente do México. Se de fato foi ela que disse não dá para saber, mas está na esteira do atual Trumpismo: a América Grande de Novo. Passeando pela internet li uma matéria acerca do comportamento da presidente mexicana, que ao reagir ao aumento das tarifas e outros apertos contra seu país não reagiu como um homem, na matéria há a ênfase, mais ou menos assim: Claudia Sheinbaum afasta a testosterona ao tratar com Trump. Evidente que este é um resumo do resumo de uma reportagem mais extensa. Mas serve para um vislumbre que a sabedoria, habilidade, bom senso e senso de psicologia cabem em negociações difíceis.
Há muito tempo faço uma ponte rodoviária para João Pessoa, vou pela manhã e volto à tarde. Nesta semana fiquei três dias por lá. Havia um planejamento de coletar quatro tapetes grandes e cuidar do carro da empresa. Algumas coisas nele que foram se degradando com o uso intenso.
Os retoques na pintura exigiram nova adesivação do carro, programada para a última quarta-feira às dez horas. Mas o carro estava todo sujo, fezes de passarinho, manchas de frutos de árvores sobre o teto e capô do motor. Não daria para adesivar o carro daquele jeito. Lembrei que no Manaíra Shopping tem um lava jato. Etapa concluída às 20h da terça-feira.
Dias antes, a chave de seta havia quebrado, o ar-condicionado do carro estava falhando e o banco do motorista, há muito tempo, mais de ano, estava afundado. Ruim demais.
Na quarta cedo fui à oficina Jhon, que havia trocado o recipiente do líquido de arrefecimento e informado que a chave de seta estava estragada. Não havia tal peça nos fornecedores da oficina em João Pessoa e foi sugerido que comprasse no pelo Mercado Livre. Peça conosco, fomos à oficina assim que abriu, ao sermos atendidos chegou o veredito: não colocamos peça comprada fora. Nada de mais. Naqueles cinco minutos de conversa, eu disse olha aí quem atendeu? O carro foi atendido aqui. O atendente viu no computador e até disse: Fui eu que atendi. Ele insistiu: Não colocamos peça comprada fora. Aproveitei o ensejo e disse: Por que você não avisou ao nosso funcionário? E também: Por que você não encomendou para a gente vir aqui trocar quando chegasse? Não obtive resposta, só o mantra: não trocamos peça comprada fora.
Você procura um eletricista. Você pode indicar um? O atendente não conhecia nenhum. Você mexe com ar-condicionado? Não. Pode me indicar uma empresa? Vá no Kokota, na avenida José Américo, em frente ao Hospital da Unimed. Cujo nome deve ser de um parente distante: Hospital Alberto Urquiza Wanderley. Olha!
Botei no Waze e saí à procura da Kokota. No meio do trajeto lembrei que o problema do farol era mais importante e escrevi, eletricista, o primeiro que apareceu foi Júnior Eletricista. Cheguei e perguntei se trocava a chave de seta do Renault Sandero. Estava atendendo, me deu uma cadeira e pediu para sentar e aguardar. Tinha tempo, pois o próximo compromisso era às dez horas.
Como toda pessoa observadora, o mecânico solo é multitalento, mexe com eletricidade, com uma parte da mecânica e até é vendedor ocasional de algum carro. As bancadas dele estavam repletas de restos de alternadores, sua especialidade. Em um olhar apressado fiz uma conta no olho que não havia ao menos de cem carcaças da peça.
É uma garagem dupla. Vi um carro bege estacionado no fundo de uma garagem ao lado da oficina principal. Fiquei olhando para aquele carro e a curiosidade me dominou e fui até perto dele, após hesitar, abri a porta do carro e passei a mão nos bancos. O veludo bege, original, ainda persistia. Vi um detalhe que não recordava em carro daquela época. Tem uma trava na porta, um ponto específico para travar a porta por dentro. Farol quadrado, penso que é da segunda geração. Estava na minha frente um Dodge Polara Gran Luxe, perfeitamente conservado, motor ótimo segundo o mecânico. E o maior detalhe daquele carro, ainda estava com a placa original dos anos 1970, amarela e com quatro números e duas letras.
Voltei para minha cadeira, dez minutos depois Júnior foi trocar a peça, mais dez minutos o carro estava pronto. Olhei o horário, ainda havia uma hora e quarenta minutos para o compromisso das dez horas.
Quanto é: R$ 50,00. Paguei contente. Foi até barato para a conveniência de um atendimento tão rápido. Agradeci, entrei no carro e botei de novo no Waze: Kokota ar-condicionado. Em mais ou menos dez minutos estacionei o carro na frente da oficina. Esta era em parte mais organizada, mas tinha restos de peças espalhadas pelo espaço.
Queria um diagnóstico para agendar a volta. Começaram os testes: gás em ordem, compressor também. Mais dois testes. O mecânico falou que o ar quente estava atrapalhando a refrigeração, resolveu isolar o ar quente. Espero que não dê problema no futuro. A resistência está queimada. Para cada indicador de velocidade há uma resistência. Podemos fazer agora. Você faz até dez horas? Fazemos. Pode fazer. O senhor quer um cafezinho? Quero. Vá ali naquela sala. Fui, tomei um gole de cafezinho que era destinado ao lanche dos funcionários da empresa. Quanto vi, pensei em não tomar, mas tamanha cordialidade cabia-me aceitar. Tomei.
Em poucos minutos chegou Kokota, o dono da oficina. Falou também da resistência. Pode trocar, disse. Bem, às nove e cinquenta o ar estava gelando de novo. Confesso que não esperava tanto. Os dois principais problemas do carro estavam resolvidos em menos de duas horas. Coisa que, na minha expectativa, eu esperaria pelo menos uma manhã. R$ 300,00. Paguei feliz e pedi para dividir.
Segui para a adesivação do carro. Sem muita surpresa, às onze e meia o carro estava bonito de novo. A logomarca, o nome de fantasia e o telefone de novo estampados nos lados do carro.
Mas faltava o banco. Olha, estava pior do que péssimo. De novo botei no Waze, umas três horas da tarde encostei em uma capotaria no bairro do Varadouro de João Pessoa. Fui no rumo, a oficina que o Waze indicou eu não achei, rodei o quarteirão e parei no Júnior Capoteiro. Ele olhou o banco, não disse o valor, não perguntei. Isto vai levar umas duas horas. Olhei a hora e tinha um compromisso. Vem amanhã, às seis e meia eu estou aqui. Estava, cheguei ontem às seis e trinta e sete e estava tudo aberto. Mais uma vez passei o olhar pelo ambiente, dois espaços grandes. Por lá estava repleto de restos de móveis, de bancos de carro. Restos colocados na frente, na rua. Enquanto esperava peguei o computador e fui dar conta de orçamentos solicitados. Fiquei observando os transeuntes e olhando os prédios ao redor. Muita coisa fechada e degradada. Moradores de rua. E ali perto uma boca de fumo, um ponto de venda de droga.
Na região há muitos profissionais com valores mais populares, com preços mais em conta. Na rua Maciel Pinheiro, após a subida da antiga Bolsa de Mercadorias da Paraíba, há inúmeras lojas de autopeças e lojas de ferramentas diversas. Tudo sem nenhum item de conforto, umas poucas com um banheiro limpo.
Enquanto digitava, desceu uma mulher jovem vestida com short vermelho com a camisa do Flamengo. Depois ela voltou subindo a rua. Depois que o dono da capotaria falou do ponto de droga, imaginei que aquela jovem em pouco tempo estará completamente degradada e se prostituindo desesperada, sem que tenha mais cliente que queira seu corpo acabado.
Mais uns minutos subiu um travesti, obeso, meio popular, pois homens se aproximaram para fofocar; logo depois passou uma mulher, também subindo a rua. Short curto, preto, bustier preto, com a aparência de quem tomou banho, mas um corpo de quem era bem idosa, um rosto acabado e com aparência que faltam dentes. Todavia, ela aparentava ter um vigor físico a mais perante a sua aparência acabada.Também foi abordada na rua. Parecia ser conhecida dos homens da região.
Perto de sete e trinta da manhã pelos menos três homens, com mais de 50 anos, chegaram na capotaria e sentaram nas cadeiras que ficam na calçada. Um deles tentou puxar conversa comigo, mas eu estava ocupado, não lhe dei atenção e ele também estava mais interessado no que se passava na rua.
Às oito horas o banco do carro estava pronto. O conforto ao dirigir havia voltado. Júnior Capoteiro deu a conta, paguei e saí pensando nestes profissionais desorganizados e cheios de talentos que ganham mais para sobreviver e que os negócios deles andam de lado, quando não regridem, cuja aparência não atrai clientes novos. Fui pela necessidade, se fosse por uma escolha com base nos princípios da imagem, da organização aparente, teria passado longe deles. O resultado é que em três horas e trinta minutos consertei três itens do carro, que com muita boa vontade teriam levado pelo menos dois dias se aquelas pessoas não tivessem sido solícitas.
Bem, mais algumas lições para a vida.
Abração, Marconi.
Quinteiro não gostava do seu nome, preferia o apelido de Quico. Quando alguém lembrava desse nome em tom jocoso, ele se irritava.
A Páscoa estava chegando e aquele homem decidiu, após muito anos sem ir à cidade onde nasceu e viveu até à adolescência.
Aposentado há muito tempo, pegou o seu carro e saiu com destino certo, mas com paradas aleatórias. Não seria uma viagem curta, pelo menos três dias na estrada se a sua capacidade física permitisse.
Ligou para os filhos, avisou para onde iria. Andava sozinho há tempos.
Arrumou a mala, a bolsa com as roupas que trocaria na estrada. Supriu a nécessaire com os remédios e com os itens de toalete.
Carro sem uso, saía pouco nele, não era raro encontrar teias de aranha nos pneus. Fez uma revisão básica. Faltando três dias para o sábado de Aleluia chegar pegou a estrada. Concentrado e descansado, conseguiu percorrer no primeiro dia 1.100 km, no segundo dia, o cansaço chegou mais cedo e perto das cinco horas da tarde encostou em um hotel com mais 900 km na bagagem.
Faltava cerca de 500 km. Às 4 da manhã do terceiro dia caiu na estrada. Dirigiu rápido, às onze horas ele foi vendo a serra de Santa Teresinha e o coração começou a saltitar.
Entrou na cidade, deu uma volta, reconheceu algumas casas e nenhuma das pessoas que transitavam na rua. "Onde estão meus conhecidos? Morrerão?" Talvez não reconhece mais nenhum depois de 40 anos.
Sentiu sede, lembrou do Bar do Pereira, virou o carro e foi para a rodovia que ligava a sua cidade a Palmeiras dos Índios. Entrou, passou por uma porta, ao sentar chegou o garçom, pediu uma cerveja e uma batata frita.
Daquela mesa ele via a Serra de Santa Teresinha inteira. Estava verde. Havia chovido naquela semana.
Quico levantou o copo e começou a beber, nisso passou um homem, que foi para trás, a 4 mesas de distância. Juntou-se a mais três e sentou. De novo olhou para Quitério, que era servido na segunda cerveja. Lá na mesa do outro homem chegaram mais três amigos, quase todos da mesma idade.
De cabeça baixa o nosso visitante não viu a aproximação do seu vizinho de bar.
Quando deu por si, o homem estava a um metro dele, o olhando fixamente:
— Pois não?
O homem não respondeu e continuou com aquele olhar de quem via um fantasma.
— Diga?
— Venha cá, Quico! Dê um abraço. Ei, turma, Quico voltou!!!
Bem! Hoje é esse continho. Abração a todos.
Marconi Urquiza
Muitas vezes me assaltam preocupações para as quais nada posso fazer, a desta crônica está nesta categoria. Frequentemente tais preocupações ficam apenas comigo, mas hoje não consegui segura-la, segurar a minha percepção sobre este momento em que vivemos.
A respeito do que comentarei há muitas outras percepções para se conhecer, e vale buscar para formar a sua opinião.
Não sou historiador, gosto da disciplina, sou curioso quanto a história e estou acompanhando desde a posse de Trump a sua articulação para demonstrar ser aliado de Putin. Os EUA favorável à Rússia?
Por causa da aparente contradição viajei para uma conversa antiga com um amigo dos tempos do Paraná quando ele alertava sobre conversas, discursos, decisões. Em fim, situações que pareciam claras ou não. Ele costumava alertar: Sempre se pergunte qual a intenção da pessoa; o que "ele" quer de fato. O que está por trás "da sua atitude".
Então vamos a primeira indagação. O que Trump quer de fato com o fim da guerra? Uma coisa parece clara, a parte do leão no acesso as "Terras Raras" que a Ucrânia tem em abundância. Mas por que está tão "empenhado"?
A Rússia ganhando a guerra pode ter acesso a esse mineral valioso (e raro) para a indústria da transição energética, pois quem mais tem esse mineral ´"Terras Raras" é a China e o Estados Unidas importa dela. Não custa lembrar que a Rússia tem hoje "grande amizade" com a China. Esta é uma leitura. A Rússia abastece a China de gás natural.
A outra leitura, bem especulativa, vem da história. Em 1939 a Alemanha Nazista firmou um acordo com a URSS, cujo líder era Stalin, acordo que permitiu a Alemanda e a URSS invadirem a Polônia, fatiando o seu território. A Alemanha saiu invadindo toda a Europa, menos a URSS, em 1941 ela rasgou o acordo e invadiu a URSS (Hoje Rússia).
Então me pus a pensar. A Rússia guerreia com a Ucrânia, que tinha o apoio dos Estados Unidos para se defender. Agora Trump expôs que quer recursos minerais que a Ucrânia tem e ele cobiça. Intermediar o fim da guerra diretamente com a Rússia, excluindo dessas conversas a Ucrânia e a Europa, me pareceu com aquele antigo acordo da Segunda Guerra Mundial e o país a ser fatiado desta vez é a Ucrânia e não a Polônia. Por outro lado, a corrida pelas "Terras Raras" é também uma competição dos Estados Unidos com a China.
Naquela conversa ruidosa de Trump com Zelensky (Presidente da Ucrânia) ele falou que este pode ser o responsável pela Terceira Guerra Mundial. Depois de muitos dias fui reinterpretando aquela arenga, que muitos cientistas políticos dizem que foi uma armação para humilhar Zelensky. .
Além da pressão e da humilhação a Zelensky, para mim havia ali dois recados ou intenções. O primeiro recado foi para Europa: Olhe, cuide de si mesmo, não vou proteger se a Rússia te agredir. Mas penso que tem uma mensagem oculta e ela é a seguinte: Estamos dispostos à ir a guerra pelo precioso recurso das "Terras Raras" e não ficar atrás e nem dependente da China. O acordo secreto, se que existe, dos Estados Unidos com a Rússia me parece ser: Encerre guerra, fique com os territórios ucraniamos invadidos e eu tenho acesso às "Terras Raras".
Aí nessa guerra de interesses, Trump queria ressarcir os gastos americamos com a Ucrânia sem garantir uma paz duradoura e entrar com as empresas americanas naquele país com a anuência de Putin, mas a expectativa, pelo menos é que vazou na mídia, é que as "Terras Raras" seriam compradas.
Então vamos aguardar os acontecimentos e ver se esse pacto, Trump com Putin, não virará uma traição de um dos lados e no fim, o que ninguém deseja, vire uma Terceira e catastrófica Guerra Mundial.
Em tempo, a China declarou que está pronta para guerrear em qualquer dos campos que os EUA quiserem. Então! Então?
Vamos acompanhar e torcer que não ocorra a catástrofe que o livro Nunca, de Ken Follet, narrou. Uma guerra mundial nuclear.
Por hora, essa é a minha preocupação.
Viktor Frankl Começou, começou, começou aquilo que muitos refugam, mas têm uma apaixonada, apaixonada reação ao ouvir opiniões c...